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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sarney articula com caciques escolha do Procurador Geral da República

A subprocuradora Raquel Dodge é a preferida dos peemedebistas José Sarney (MA), Renan Calheiros(AL) e do ex-ministro Osmar Serraglio (PR) para substituir o procurador-geral da República. 
   
O nome de Raquel Dodge deve figurar na lista tríplice que será enviada ao presidente Michel Temer. Outros sete nomes estão na disputa. O sub-procurador Nicolau Dino, irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e mais Mário Bonságlio, preferido de Temer, Ela Wieko, Sandra Cureal, Carlos Frederico, Franklin Rodrigues e Eitel Santigo.

    Raquel Dogde tem ainda a preferência do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e do ministro da Justiça, Torquato Jardim, nomeado por Temer para substituir Serraglio em mais uma estratégia de defesa do governo na onda de delações. 

   Os peemedebistas mandaram o recado sobre a escolha ao presidente Temer sobre quem deve recair a escolha do chefe do Ministério Público Federal para os próximos dois anos.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Na FOLHA - Ação de Dilma por votos contra impeachment abre crise com PC do B


O senador Roberto Rocha (PSB-MA), em sessão no plenário do Senado Federal, em 2015

Um pedido da presidente afastada, Dilma Rousseff, abriu uma crise entre o comando do PT e do PCdoB.
Na expectativa de conquista de votos contrários a seuimpeachment no Senado, Dilma pediu que a cúpula do PT interviesse em cinco cidades do Maranhão em atendimento a reivindicações dos senadores maranhenses João Alberto (PMDB) e Roberto Rocha (PSB).
O comando do PT interveio em apenas dois municípios. Em Codó, quinta maior cidade do Estado, determinou que o PT rompesse a aliança com o PC do B, na qual ocuparia a vice da chapa, para apoiar o candidato do PSDB.
Em Timon, terceiro maior município do Maranhão, a direção petista decidiu que o partido saísse de uma chapa composta por PSB e PC do B em favor do outra integrada por PSD e PMDB.
Segundo petistas, a operação também contemplaria o senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Folha apurou que o presidente do PT, Rui Falcão, atendeu parcialmente as solicitações de Dilma. Em respeito aos pedidos do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), não houve intervenção também em São Luís, Imperatriz e Balsas.
As concessões foram, porém, suficientes para incomodar a cúpula do PC do B, que procurou a cúpula do PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização foi também para evitar novas intervenções.
Presidente nacional do PC do B, Luciana Santos diz não querer acreditar nas decisões do partido. "Depois de todos gestos que o Flávio [Dino] fez [contra o impeachment], isso não é brincadeira", reclama Luciana Santos, que é candidata à Prefeitura de Olinda (PE) sem apoio do PT.
Deputado federal pelo PDT do Maranhão, Ewerton Rocha diz que seu partido terá que dar uma resposta ao PT.
O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, minimizou, por sua vez, o impacto das medidas do Diretório Nacional.
Ele argumenta que o PT manteve a aliança com o PC do B nas principais cidades do Maranhão, atendendo às orientações do governador. Florisvaldo diz que foi responsável pelas intervenções.
Questionado se esse era um pedido da presidente afastada, limitou-se a dizer: "Eu me reservo o direito de não não falar sobre isso. Não vou responder".
O senador Roberto Rocha (PSB-MA) nega que tenha exigido alianças no Estado em troca de um voto contrário ao impeachment no Senado Federal. Ele admite ter conversado com Dilma e com o presidente interino, Michel Temer (PMDB).
"Quem disse que posso mudar meu voto? Eu ainda não disse qual será. Minha tendência é seguir a decisão do partido, que não tomou decisão", disse o senador.
Esse não é o único atrito recente entre PT e PC do B. Petistas reclamam, por exemplo, de um aliança dos comunistas com o DEM em Fortaleza. Integrantes do comando do PT culpam o PC do B por sua derrota na eleição para a presidência da Câmara.
Afirmam que o candidato apoiado pelo PT, Marcelo Castro (PI), não teria sido derrotado caso o PC do B o apoiasse. Mas, em vez disso, comunistas lançaram o deputado Orlando Silva (SP), que, mais tarde, apoiou o vencedor Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o cargo. Silva, que conversou com Lula antes da decisão, rebate: "O PC do B não é um acessório do PT". 

domingo, 20 de dezembro de 2015

A carta de Michel Temer - FERREIRA GULLAR

    Vou tentar dizer, a meu modo, como vejo a carta que Michel Temer enviou à presidente Dilma Rousseff e que tanta celeuma causa no ambiente político, particularmente nas relações do PMDB com o governo federal.
     Na opinião da maioria dos comentaristas, aquela carta foi um meio de que o vice-presidente da República lançou mão para se queixar de Dilma Rousseff. Na verdade, a carta tem um tom de queixa, mas no meu entender esse foi o modo que ele encontrou para justificar seu perturbador silêncio em face do processo de impeachment a que está sujeita a chefe do governo e de quem ele é o vice.
    O silêncio de Temer levou os assessores de Dilma a atribuir-lhe opinião contrária ao processo de impedimento, que não teria fundamento jurídico. Temer desmentiu essa informação, que deve ter contribuído para ele escrever a referida carta.
    Mas o certo é que essa história não começa aí, vem de longe, desde o começo do primeiro governo de Lula. Eleito, surgiram entendimentos para que o PMDB aderisse a Lula e passasse a apoiá-lo. Ele rejeitou essa ideia e preferiu aliar-se a pequenos partidos, aos quais não necessitaria entregar ministérios e empresas estatais, como teria que fazer, se se juntasse ao PMDB. Àqueles partidos, em vez de altos cargos, lhes deu dinheiro (dinheiro público), de que resultou o escândalo do mensalão.
    Embora Lula, no primeiro momento, ao ser interpelado sobre aquele escândalo, alegara que havia sido traído, depois que seus "traidores" foram processados e condenados, passou a dizer que se tratou de um golpe político. A verdade, porém, é que, para se reeleger e governar, recorreu ao apoio do PMDB, que rejeitara antes. E teve que fazer o que jamais quis, ou seja, dividir os ministérios com o novo aliado. Terminado o segundo mandato, inventou a candidatura de Dilma, tendo como vice Michel Temer. Que Lula nunca quis dividir o poder com ninguém, viu-se desde o começo, e só aliou-se ao PMDB para se manter nele.
    Essa não é, porém, uma atitude somente do Lula mas também de seu partido e, particularmente, de Dilma Rousseff. As denúncias da Operação Lava Jato vieram piorar a situação de todos eles e, especialmente, a da presidente da República, em cujo governo o país naufragou de vez. Isso era inevitável acontecer já que, para se manter no poder, os petistas optaram por investir pesado nos programas assistencialistas e não no crescimento da economia. Em vez disso, como parte de seus programas populistas, para evitar o aumento dos preços, subvencionava grandes empresas produtoras de bens de consumo.
    Ocorreu que, para ganhar as eleições de 2014, Dilma traçou um retrato falso da realidade econômica do país, mas assim que tomou posse, teve que fazer o contrário do que prometera na campanha eleitoral. Desse modo, entrou num beco sem saída, porque as medidas a serem tomadas contrariam o populismo que Lula e ela impuseram ao país. O resultado disso é que a crise econômica se agrava e a crise política também, uma acionando a outra.
    Não é por acaso que, em menos de um ano do novo mandato, o índice de aprovação de seu governo oscila entre 7% e 10%. A hegemonia política dos petistas parece chegar ao fim. A popularidade do ex-presidente Lula caiu –47% do eleitorado não votaria nele em 2018. A todos esses fatores negativos, veio juntar-se o pedido do impeachment que, quer ocorra ou não, terá consequências desastrosas para o petismo.
    Em face de todos esses fatores, ninguém se atreveria a apostar num bom futuro para os petistas e particularmente para o governo de Dilma. Falando claro, a hegemonia petista chega ao seu fim, sem perspectiva de recuperação. Cabe, então, perguntar: que interesse tem o PMDB em continuar apoiando o PT e, sobretudo, depois dessa história que contamos aqui? Desconheço exemplo em que algum partido tenha naufragado com o outro, por mera solidariedade. O que costuma acontecer é abandonar o barco quando começa a afundar. Essa é a minha leitura da carta de Michel Temer, que, aliás, já parece tomar providências para assumir o governo.
FOLHA

quinta-feira, 7 de maio de 2015

No PAINEL da Folha


Imortal Fora do poder, José Sarney enviou ao governo indicações para 10 cargos federais no Maranhão e 5 em Brasília. O PMDB maranhense reclamou. "A bancada sem-bigode ficou a ver navios", resume um aliado.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Richard Nixon motiva guerra fratricida no PMDB do Maranhão

   
Richard Nixon atrás das grades, no Maranhão
Estão se estranhando feio na Assembleia Legislativa do Maranhão os deputados Roberto Costa, Andrea Murad e Sousa Neto, todos do PMDB. Murad e Neto mantém fortes laços familiares cujo elo é o ex-secretário de estado da Saúde, Ricardo Murad. No final da sessão desta quarta-feira, 6, Costa alertou a deputada para que não atirasse pedra em direção ao prefeito de Bacuri, Richar Nixon dos Santos (PMDB) - preso na terça-feira na operação Imperador que tenta desmontar o esquema de agiotagem  no Maranhão - , antes de olhar para dentro de casa.
    "Se fosse assim o ex-secretário Ricardo Murad estaria preso", disse Costa da tribuna da Assembleia. Andrea Murad, filha do ex-deputado estadual e ex-secretário de Saúde do Estado, havia se retirado do plenário. O deputado chamou atenção para a  mão de quem aponta ter três dedos em direção ao autor. Segundo Roberto Costa a "folha corrida" do ex-deputado estadual é uma ameaça à sua liberdade, se as acusações forem sempre fatídicas. 
    Roberto Costa afirmou ainda que há interesses pessoas dos Murad em afastar o prefeito de Bacuri e por em seu lugar o prefeito afastado, José Baldoíno Silva Nery (PP), cabo eleitoral dos Murad no município de indicadores sofríveis do litoral leste do Maranhão.
    Sousa Neto reagiu de maneira ríspida ao pronunciamento do colega. "Eu não preciso de ninguém para me defender na tribuna", disse Neto, genro do ex-deputado Ricardo Murad. Chegou a desrespeitar o regimento interno da casa, atitude comum entre os deputados de primeira viagem e veteranos empoderados.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Presente O ex-senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) esteve no encontro do Palácio do Jaburu, na segunda. Queixou-se do PT e disse que o partido não respeita os peemedebistas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Marina Silva e a governabilidade - ALFREDO SIRKIS


Só uma presidente que tenha o dom do diálogo poderá tecer uma aliança em torno da estabilidade econômica e da inclusão social
    Na medida em que se revela a possibilidade de uma vitória de Marina Silva (PSB) nas eleições presidenciais deste ano, é natural que apareça a discussão sobre suas condições de governabilidade, uma questão perfeitamente legítima.
    Marina deu um importante passo quando anunciou que almeja um único mandato. Podemos contar com o compromisso de que ela não vai "fazer o diabo" para emplacar um sucessor. Essa postura republicana lança bases para uma governabilidade distinta desse voraz apego ao controle da máquina pública do PT e de seus aliados. Rompe com a obsessão da reeleição inaugurada na era tucana.
    Esse desapego à permanência indefinida no governo, além de ser uma revolução cultural na vida política brasileira, é elemento pacificador numa era muito raivosa. Mas, e a maioria parlamentar? É curioso levantarem isso, pois ninguém teve até hoje uma base parlamentar formal tão confortável quanto a presidente Dilma Rousseff.
    O PT tem menos de um quinto dos deputados e vive em crise conjugal permanente com seu grande aliado, o PMDB, esse ectoplasma político. A situação de Aécio Neves (PSDB), caso eleito, também seria complicada, pois a bancada tucana não ficará maior que a do PT e contarão com uma hostilidade feroz deste, de sua máquina sindical e de seus "movimentos sociais", num ano economicamente difícil como se anuncia que 2015 será.
    Com o DEM, seu aliado tradicional, longe da pujança dos anos Fernando Henrique Cardoso, o Congresso Nacional estará muito mais pulverizado. Seu grande parceiro de governabilidade seria, provavelmente, o PMDB. As incertezas de governabilidade não são apanágio de Marina, mas um problema estrutural da política brasileira, próprio do sistema eleitoral de voto proporcional personalizado que temos. O chamado "voto jabuticaba".
    A reforma política pela qual me empenhei com uma proposta de voto distrital misto, plurinominal, limitação e diversificação de fontes dos gastos de campanha, sem a estatização pretendida, até hoje não foi viável. A governabilidade terá que ser concebida na atual saia justa.
    Desde 2010, propugnamos com Marina o "realinhamento histórico" que incluiria uma espécie de Pactos de Moncloa (acordos de 1977 entre governo e partidos espanhóis durante a transição democrática), envolvendo prioritariamente os irmãos-inimigos da nossa social-democracia, PT e PSDB, além de figuras respeitáveis de outros partidos.
    É compreensível que, a priori, rejeitem o realinhamento, sobretudo no calor da campanha que disputam conosco. Eventualmente, consumado o que era antes inimaginável, viveremos uma nova situação.
    Opor-nos a ambos e criticar seus limites não significa não reconhecer seus méritos respectivos na estabilização da moeda, no controle da inflação, no início e depois na consolidação de uma rede de proteção social, algum avanço na educação e redução do desmatamento.
    Só uma presidente que tenha o dom do diálogo e da construção, uma capacidade de sedução, poderá eventualmente tecer uma aliança assim em torno da estabilidade econômica, da inclusão social e do desenvolvimento sustentável.
    A aparente quadratura do circulo da governabilidade fica menos absurda se visualizamos por trás das siglas as pessoas reais com as quais desejamos trabalhar pelo Brasil, nossas histórias comuns, os sonhos e esperanças parecidos que tivemos em diferentes momentos da luta pela construção da nossa tão imperfeita democracia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Em VEJA

...muito tempo ainda vai se passar até que a influência de Sarney suma da política brasileira. Mesmo com o o ex-presidente fora do poder público, ele manterá seus indicados em estatais, continuará tendo grande poder nas decisões do PMDB e manterá sua influência no Judiciário. Mas a História é escrita sobretudo a partir de eventos simbólicos, e as eleições de 2014 podem ficar marcadas como a derrocada do homem mais poderoso do Maranhão.