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segunda-feira, 19 de junho de 2017
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
O Estadão - Policial do Senado denuncia missão ‘secreta’ para Sarney
Em entrevista ao ‘Estado’, Paulo Igor Bosco da Silva, autor da queixa que originou a Operação Métis, revela ação não registrada em escritório de ex-senador
Erich Decat,
O Estado de S.Paulo
O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Autor da denúncia que originou a operação da Polícia Federal no Senado na sexta-feira passada, o policial legislativo Paulo Igor Bosco Silva afirmou que seus colegas cumpriram uma missão “secreta” no escritório particular do ex-presidente da Casa José Sarney (PMDB-AP), em Brasília. O objetivo, como em outros pedidos feitos pelos parlamentares, era descobrir se o local estava grampeado por eventuais escutas ambientais e telefônicas.
Silva recebeu o Estado na tarde de sábado e detalhou a denúncia apresentada ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. A varredura de grampos realizadas no escritório de Sarney, de acordo com ele, foi feita por meio de uma “ordem de missão oculta”, não numerada, em julho de 2015, quando o ex-parlamentar não exercia mais cargo público.
“Muitas vezes a emissão de ordem de missão vinha não numerada. Uma ordem de missão não numerada é aquela que está inscrita no papel, mas não entra no controle. Tem a ordem 1,2,3,4, 5 e, a partir do momento que emito uma sem numeração, significa que ela não está entrando no controle. Isso aconteceu na do Sarney”, afirmou Silva. “Ordem de missão não numerada não é normal porque todo documento oficial tem que ter um controle do órgão.”
Afastado das atividades por motivos de saúde, Silva, de 29 anos e há quatro anos na Polícia Legislativa, diz que fez a denúncia após suspeitar de que as ações de varreduras tinham como objetivo embaraçar as investigações da PF no âmbito da Operação Lava Jato. Ele nega relação com o fato de estar respondendo a um procedimento interno sob a acusação de dar aulas em um cursinho em horário de expediente. “Não tem fundamento, porque a denúncia que fiz foi de maio e a sindicância é de 31 de agosto”, afirmou.
Desdobramentos das investigações da PF apontam que um grupo de policiais legislativos, liderado pelo diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, “tinha a finalidade de criar embaraços às ações investigativas da PF em face de senadores e ex-senadores, utilizando-se de equipamentos de inteligência”. Entre os beneficiados também foram citados os senadores Fernando Collor (PTC-AL) e Gleisi Hofmann (PT-PR), além do ex-senador Lobão Filho (PMDB-MA).
Carvalho e mais três policiais legislativos foram presos pela PF, mas apenas o diretor continua detido. Em nota divulgada na sexta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu a atuação dos policiais subordinados a ele e afirmou que as varreduras não acarretam em outros tipos de monitoramento.
Buscas. PF e MPF investigam a atuação de policiais legislativos do Senado para atrapalhar o andamento da Lava Jato
Lava Jato. Silva relatou também uma ordem de “missão não numerada” nos escritórios particulares de Lobão Filho no Maranhão. Na ocasião, porém, houve resistência por parte dos agentes do Senado destacados para a operação.
“Como era algo que causava estranheza, o pessoal acabou entendendo, por bem, que não seria cumprido se não tivesse a ordem por escrito. E foi feito, apareceu a ordem por escrito e eles foram cumprir. Mas eu me recusei”, afirmou.
Segundo ele, a recusa ocorreu após notar uma associação do pedido de varredura com uma ação da Lava Jato. “A PF fez uma operação que envolveu o Lobão e pouco tempo depois foi determinado uma varredura nos escritórios particulares e na residência lá no Maranhão.”
A mesma iniciativa teria ocorrido após batida da PF nas residências do senador Fernando Collor (PTC-AL), realizadas em 15 de julho, em Brasília. “Assim que a Polícia Federal saiu da Casa da Dinda, o pessoal entrou para fazer a varredura. Assim que saíram do apartamento funcional dele, o mesmo procedimento foi feito” disse Igor.
“Isso me causava estranheza. Se a Operação Lava Jato estava com a autorização judicial e a PF cumpriu uma decisão também com autorização, como é que eu vou, na sequência, no mesmo endereço, fazer uma operação de contrainteligência verificando se existe ou não o grampo? Você pode até me falar: mas o grampo não poderia ser externo, de outro lugar? Poderia, mas também poderia ser da PF. E obviamente não vou saber identificar qual é qual, encontrando um, vou tirá-lo. E evidentemente que isso poderia atrapalhar o andamento das investigações.”
O policial legislativo afirmou desconhecer de quem partiam as ordens para as missões. “É a dúvida que surge, mas eu também não posso tirá-la. Desconheço se havia alguma determinação superior, alguma combinação. Para cima não sei o que acontecia, sei o que acontecia do Pedro(diretor da Polícia Legislativa) para baixo.”
Ele revelou ainda que, após a operação de sexta, foi ameaçado por um agente próximo do diretor da Polícia Legislativa.
Defesa. Procurado pelo Estado, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende Sarney, afirmou que o ex-senador não se lembra da varredura em seu escritório. “O Sarney não se lembra dessa varredura. Não tem nenhuma relação com ato secreto. Não tenho conhecimento de que foi feito varredura depois que ele deixou o Senado. Se foi feito depois, ele, como presidente do Senado, pode até discutir se houve alguma questão administrativa, alguma falha. Mas jamais se cometeu um crime.”
O advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, foi procurado ontem, mas não respondeu aos telefonemas até o fechamento desta edição.
Casa escondeu atos em 2009
As ordens não numeradas da Polícia Legislativa remetem a outro episódio que mostrou uma “caixa-preta” no Senado. Em junho de 2009, o Estado revelou cerca de 300 atos administrativos que não foram tornados públicos, como prevê a Constituição, e favoreciam parentes de parlamentares ou mesmo eles próprios. Esses atos ficaram conhecidos como “atos secretos”.
Um dos principais personagens daquele episódio foi justamente o então presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Entre os atos secretos esteve a exoneração do seu neto, loteado em um gabinete. O objetivo foi não dar visibilidade a um parente não concursado de Sarney na instituição, quando o Senado já deveria cumprir as regras antinepotismo estabelecidas no ano anterior pelo STF.
Na época, Sarney chegou a subir à tribuna e dizer que não sabia “o que é ato secreto”. Dois meses depois, ele admitiu que soubera desde o fim de maio. A mudança de posicionamento foi reação a uma fala do ex-diretor da Casa Ralph Siqueira, de que teria avisado Sarney sobre os atos.
Depois que as irregularidades vieram à tona, os atos foram publicados em edições suplementares do boletim. Sarney decidiu não anular as decisões tomadas pela Mesa Diretora, responsável pela publicação dos atos, alegando que não teria poder para isso.
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domingo, 29 de maio de 2016
Sarney e suas digitais
Lula se arrependeu de escolher Dilma, disse Sarney a Machado
Para Renan, contas de Duda no exterior podiam ter envolvido ex-presidente
O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) comentou, em conversa gravada por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está arrependido de ter optado por Dilma Rousseff para lhe suceder. Em gravação divulgada pela TV Globo, Sarney refere-se à escolha de Dilma como “o único erro que ele (Lula) cometeu”.
Sérgio Machado, que gravou conversas com outros políticos do PMDB, fez acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na gravação de Sarney, ele não cita o nome de Lula, mas se refere ao ex-presidente na resposta a uma crítica de Machado à omissão de Dilma.
— Ele (Lula) chorando. O que eu ia contar era isso. Ele me disse que o único arrependimento que ele tem é de ter eleito a Dilma. Único erro que ele cometeu. Foi o mais grave de todos — disse Sarney.
Em outro trecho da gravação, com Renan Calheiros, divulgado pelo jornal “Folha de S.Paulo”, o presidente do Senado afirma que Lula só escapou das acusações de envolvimento com o escândalo do mensalão (2005) porque não investigaram a fundo a movimentação financeira do marqueteiro Duda Mendonça no exterior.
Responsável pelo marketing da vitoriosa campanha presidencial de Lula em 2002, Duda já admitiu, em depoimento à CPI dos Correios, que recebera R$ 10 milhões no exterior em esquema de caixa dois.
— Por que que o Lula saiu? Porque o Duda fez a delação. Na época, nem tinha (a lei). O Duda fez a delação e disse que recebeu o dinheiro fora. E ninguém nunca investigou quem pagou, né? Este é que foi o segredo — disse Renan.
“APARTAMENTO BANCÁRIO”
Em outro trecho, Renan e Machado conversam sobre o tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, cuja propriedade é atribuída ao ex-presidente, que nega ser o dono.
— Botou na real. Aí (inaudível) umas besteiras, como a Marisa diz, besteira. Ele (Lula) tem R$ 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma porra (inaudível)? Porra, umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda — diz Machado.
— Apartamento bancário — comenta Renan.
Machado afirma ainda que a criação da empresa Sete Brasil, voltada para a construção de navios-sonda para a exploração do pré-sal brasileiro, teria sido armação de Lula, depois de ele ter deixado o governo, com Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras, e “uma turma”.
— ... ele armou depois, naquela Sete, naquela Sete que armou. Inclusive tentaram (inaudível). E ali foi o Gabrielli, junto com uma turma, armaram aquilo, foi outra cagada.
— Uma cagada — concorda Renan.
A presidente afastada Dilma Rousseff disse que não vai comentar as declarações de Sarney e de Sérgio Machado. O presidente do Senado, Renan Calheiros, também se negou a falar das gravações. A assessoria de imprensa do Instituto Lula classificou as gravações de “nojentas”. O advogado de Sarney, Antônio Carlos de Almeida Castro, disse que o expresidente não vai responder sobre fragmentos do que está sendo vazado.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
De FHC a Sarney - VINICIUS MOTA
SÃO PAULO - No início do ano, quando a autoridade presidencial começou a desabar, a meta realista de Dilma Rousseff era terminar o segundo mandato como Fernando Henrique, com popularidade baixa, mas no controle do Congresso. Agora o "benchmark" baixou para José Sarney.
Na metade final de sua administração, o primeiro presidente da democratização era governado pelo Legislativo e pelos fatos. Galopava sobre seus ombros uma crise inflacionária de fazer lembrar a do Zimbábue sob Robert Mugabe.
Na campanha de 1989, Sarney apanhou dia sim, outro também, de todos os candidatos à Presidência. Manteve, contudo, a fleugma. Evitou revanchismos e aventuras institucionais num momento em que o tecido do novo regime ainda era frágil.
Houvesse resistido à tentação de reembarcar na política oligárquica depois de deixar o Planalto, sua imagem de "estadista" estaria preservada. Perdeu pontos, de todo modo, não pela conduta adotada durante o mandato presidencial.
Dilma ainda precisa melhorar para chegar a Sarney. Falta a ela o que talvez tenha prevalecido no caso dele: desprendimento para lutar por reconhecimento mais generoso da História dentro do agudo ângulo de manobra oferecido pelo presente.
Agarrada como está a personagens hamletianos, que entram em cena para matar e morrer, a presidente não vai longe. Poderá terminar o mandato, pois a contingência é hoje a rainha da trama, mas sua biografia será reduzida a pó de traque.
Em vez de digladiar-se pela CPMF, Dilma poderia gastar o mesmo capital político escasso numa reforma profunda da Previdência, que garanta sua solvência, e a do Estado brasileiro, ao longo do século.
Nesse caso, precisaria mudar de interlocutores e aliados. Não é com a raia miúda da Câmara que vai chegar lá. Tampouco teleguiada por Lula, obcecado apenas com a própria sobrevivência.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Impeachment, Sarney, FHC, Dilma - VINICIUS TORRES FREIRE
Presidente Dilma corre o risco de 'sarneyzação', síndrome que quase afetou FHC e Lula
AQUI E ALI se lê que Dilma Rousseff padece de "sarneyzação". O comentário é uma variante benigna daqueles que consideram ou até pregam o "impeachment" da presidente. Ambos derivam do mesmo menosprezo pela capacidade do governante, que teria perdido rumo e poder.
"Sarneyzação" era o que se dizia de FHC em 1999, outro ano de crise e da desvalorização do real, quebra de promessa de campanha, "estelionato eleitoral". Era o que se dizia de Lula em 2005, quando o espetáculo do crescimento era ensaio e o show do mensalão começava.
"Sarneyzação", claro, é a síndrome do governo que passa a se parecer com o dos anos finais da Presidência de José Sarney, de impotência e desastre econômico contínuo. A ruína decisiva de Sarney seria detonada pelo grande estelionato eleitoral de 1986, que deu nome e origem à série.
Popular devido a um plano anti-inflacionário, o Cruzado de preços tabelados e consumo doidivanas, Sarney e seu PMDB venceram a eleição em todos os Estados menos um e fizeram inédita maioria no Congresso. O Cruzado, porém, no final de 1986 era um embuste populista grosseiro. Dias após a eleição, o plano foi para o desmanche, uma fraude descarada (lembra alguma coisa?).
A seguir, o Brasil quebraria e se afogaria na hiperinflação. As lideranças políticas restantes do período 1950-80 se desmoralizaram. Collor e Lula, "outsiders", seriam os finalistas da eleição de 1989.
Na "sarneyzação", um governo parece um morto-vivo, mas alguns zumbis se recuperam. São parecidas as descrições jornalísticas da "sarneyzação" dos tempos de Sarney, FHC ou Lula, que tiveram destinos diferentes. Nas palavras "de época", como se descrevia a síndrome?
Paralisia decisória, falta de comando, inabilidade política, um presidente fraco, com autoridade minada pelos aliados. Deterioração de expectativas, envelhecimento precoce, falência de um pacto de poder, de um estilo de liderança. Esvaziamento político derivado de crises profundas, as quais provocam desfazimento da base política e debandada da coalizão parlamentar.
Collor não chegou a passar por "sarneyzação", apesar do caos que criou. Foi rápida e legalmente deposto. Não começou a cair apenas porque era impopular. Dois meses antes da explosão final de escândalos de seu governo, sob crise econômica horrenda (décimo ano de crise), era tido como ruim/péssimo por 48% da população.
Dilma está com 44% de ruim/péssimo. FHC chegou a 56% em setembro de 1999, ano de protestos de massa, "fora FHC", liderados pelo PT. Sarney terminou seu governo teratológico com 56% de ruim/péssimo.
O prestígio fernandino ficaria baixo pelo resto do governo, até 2002, em torno de níveis parecidos com os de Dilma desde junho de 2013 --note-se que o padrão material de vida é muito melhor agora. Lula nem de longe jamais teve notas tão ruins quanto FHC ou sua afilhada.
Rejeição popular, economia ruim, "sarneyzação" mais ou menos aguda ou até corrupção escandalosa, por si sós ou combinados, não levam o povo para a rua nem definem destino presidencial. Realismo e concessões para colocar certa ordem no tumulto econômico e político podem evitar uma crise terminal. A "correlação de forças" socioeconômicas importa. Talvez o acaso também.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
O Estadão - 'Poder dos Sarney não volta mais, diz opositor'
Para Flávio Dino, clã do senador manterá outras estruturas, mas não com a mesma intensidade vista em cinco décadas
DIEGO EMIR
26 Dezembro 2014 | 03h 40
SÃO LUÍS - Responsável pela segunda derrota política do grupo liderado pelo senador José Sarney (PMDB) em 50 anos de história no Maranhão, o ex-juiz federal Flávio Dino (PC do B), eleito governador após vencer o peemedebista Lobão Filho, acredita que o Estado nunca mais voltará a ser governado por um clã como o do ex-presidente da República. "O grupo Sarney continuará a existir, mas jamais terá o poder que ostentou durante meio século."
Para a previsão de Dino se tornar realidade, os primeiros passos serão dados a partir do dia 1.º, quando ele tomar posse e assumir o comando do Palácio dos Leões. A solenidade será a parte mais visível da ruptura política experimentada pelo Estado. O governador eleito - o primeiro do PC do B no País - será empossado pelo presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Arnaldo Melo (PMDB), que assumiu o governo após a renúncia de Roseana Sarney (PMDB). A filha do senador deixou o posto no início do mês, alegando problemas de saúde, e não transmitirá o cargo ao adversário político.
Após impor a derrota ao grupo Sarney, como o senhor espera que os membros do clã irão se comportar? Acredita que enfrentará perseguição por parte dos setores da mídia regional e da bancada maranhense no Congresso?
O poder instituído pelo grupo Sarney em diferentes setores não acaba com a derrota no pleito para o Governo do Estado. Muitas estruturas permanecem ligadas a ele. Mas nós vencemos as eleições mesmo contra todo esse poderio. Sobre a bancada maranhense no Congresso, o que o povo espera de cada um deles (parlamentares), independentemente do seu partido, é que eles defendam os interesses do Maranhão. Quando fui deputado federal, eu me comportei assim, mesmo sendo oposição ao governo Roseana (Sarney), e eu espero da nossa próxima representação essa mesma maturidade.
O Maranhão é um dos Estados com piores indicadores sociais do País. Em sua campanha eleitoral, o senhor disse que o grupo que lhe antecedeu passou 50 anos no poder e não fez nada. Qual a transformação que o senhor propõe para o Maranhão nos próximos quatro anos?
O objetivo principal do nosso governo é fazer um Maranhão com mais justiça, mais igualdade. Isso significa melhorar esses indicadores sociais. Isso não se faz da noite para o dia, sabemos disso, mas, se o governo não priorizar o assunto, essa situação não vai mudar. Vamos fazer isso com honestidade na aplicação do dinheiro público, políticas de gestão inovadoras, e com um novo modelo de desenvolvimento que vai integrar grandes e pequenos.
O PT não lhe apoiou formalmente na eleição, mas uma ala esteve presente na campanha e membros do partido vão fazer parte do seu governo. Como será o seu diálogo com a legenda?
Nosso diálogo permanece aberto para que o PT do Maranhão faça o caminho de volta. Estamos abertos para dialogar com todas as correntes políticas que queiram nos ajudar. Tenho feito reuniões com muitos segmentos sociais. Temos um programa moderno e transformador que foi aprovado nas urnas por 65% (na verdade, 63,5%) dos maranhenses. Essa é a nossa referência essencial.
O poder exercido pelos Sarney e, agora, a derrota desse grupo político despertaram atenção nacional para o Maranhão. Como é viver essa expectativa em torno de seu futuro governo?
Um ciclo de poder que dura tanto tempo e que no Brasil só tem longevidade comparada ao reinado de d. Pedro II chama a atenção do País por si só. Além disso, esse ciclo político resultou em indicadores sociais muito baixos, que são rotineiramente noticiados, até internacionalmente. Isso gerou uma forte corrente de simpatia à nossa luta para virar essa página. Essa energia cívica nos animou durante toda a caminhada. Estamos bem conscientes da expectativa e da responsabilidade que isso implica. Faremos um governo bom, honrado e com muitas realizações.
O senhor acredita que a família Sarney foi derrotada definitivamente?
Nunca mais o nosso Estado será governado por coronéis. Tenho essa convicção e essa alegria. O grupo Sarney continuará a existir, mas jamais terá o poder que ostentou durante meio século. Agora é hora de construir um futuro melhor para a nossa população. Vamos fazer muitos investimentos públicos. E quero garantir aos investidores privados: quem acreditar nesse novo momento do Maranhão não vai se arrepender. Teremos um ambiente institucional que vai impulsionar nosso desenvolvimento.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
A pedido de Lula, a presidente reeleita Dilma Roussef convidou José Sarney a ser seu novo ministro da pasta de cultura. “Serei ministro e, ao mesmo tempo, presidente da Academia”, afirmou Sarney. Diante de comentários de que, para presidir a Academia, seria necessário que o atual senador morasse no Rio, veio a rápida resposta, sem constrangimento: “Rui Barbosa presidiu a Academia morando na Bahia”.
Foi em março de 1985, durante o primeiro mês do governo Sarney, que surgiu o atual Ministério da Cultura, anteriormente MEC – Ministério de Educação e Cultura, que reunia os dois setores então considerados afins. É também de sua iniciativa a primeira legislação federal de incentivo fiscal à produção cultural, a Lei Sarney de Incentivo à Cultura (1986), que foi gérmen da atual Lei Rouanet, esta última relatada no Congresso pelo futuro ministro.
Seja bem vindo!
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domingo, 26 de outubro de 2014
PDT salva grupo político de Sarney no Amapá
Eleições 2014
Vitória de Góes no Amapá deve ser 'prêmio de consolação' de Sarney
Ex-governador, preso em 2010 pela PFl, deve derrotar Camilo Capiberibe (PSB) neste domingo - e evitar derrocada definitiva do grupo político do senador
Mariana Zylberkan

Camilo Capiberibe (PSB) e Waldez Góes (PDT) (Divulgação/VEJA.com)
Depois de assistir à derrocada do seu grupo de aliados no Maranhão, o senador José Sarney (PMDB) deve levar ao menos um prêmio de consolação nestas eleições: a vitória de Waldez Góes (PDT) na disputa pelo governo do Amapá. O ex-governador do Estado está trinta pontos à frente de Camilo Capiberibe (PSB), candidato à reeleição, nas disputas de intenção de voto e deve ser eleito neste domingo. Se confirmada, esta terá sido a única vitória do grupo político de Sarney nestas eleições. No primeiro turno, o candidato do peemedebista ao Senado pelo Amapá, Gilvam Borges, foi derrotado por Davi Alcolumbre (DEM). No Maranhão, até sua filha Roseana abriu mão de disputar cargos públicos tamanho o desgaste sofrido nos últimos anos. Apoiado pela família, Lobão Filho (PMDB) foi derrotado em primeiro turno por Flávio Dino (PCdoB). Também lá o candidato dos Sarney ao Senado, Gastão Vieira (PMDB), perdeu para Roberto Rocha (PSB).
Góes já governou o Amapá por duas vezes, entre 2003 e 2010 - ano em que foi um dos 17 presos na operação Mãos Limpas da Polícia Federal, que investigou desvio de dinheiro público no Estado. Na esteira do escândalo, foi derrotado na disputa pelo Senado nas eleições daquele ano. Seu primo, Roberto Góes (PDT), então prefeito de Macapá, também foi preso.
Para neutralizar a influência política de Sarney, senador pelo Estado por 24 anos consecutivos, lideranças políticas com ideologias opostas formaram uma aliança exótica em 2014, que se mostrou eficiente na disputa pelo Senado. O senador Randolfe Rodrigues, do PSOL, sigla fundado para abrigar o grupo conhecido como “os radicais do PT”, apoiou a candidatura ao Senado de Alcolumbre, integrante de agremiação com perfil conservador.
Uma improvável derrota de Góes representaria a total derrocada política de Sarney, que anunciou a aposentadoria em junho. Eleito, porém, Góes representará um respiro político do senador no Estado, criado em 1988, quando era presidente da República. O ex-governador chegará ao poder amparado por aliados e parentes. Sua mulher, Marília, foi eleita deputada estadual, assim como a tia do candidato, Maria. O aliado de Góes e de Sarney, Moises Souza (PSC), também conseguiu reeleger-se para a Assembleia. Os três estão entre os servidores da Câmara Estadual com as contas bloqueadas e são investigados em esquema de superfaturamento de diárias e desvios de 2,8 milhões de reais. Já Roberto Góes foi eleito deputado federal.
Góes se beneficia de uma ampla rede de meios de comunicação – 16 rádios e dois canais de TV – pertencente à família de Gilvan Borges, seu aliado, para propagar sua candidatura e atacar o adversário do PSB. A coligação formada por PSB, PT, PSOL e PCdoB acionou o Tribunal Regional Eleitoral para tentar suspender os sinais das rádios e TVs da família de Borges sob acusação de favorecimento político. O pedido de suspensão do sinal chegou a ser atendido, e as rádios ficaram fora do ar por 48 horas, nos dias 13 e 14 de setembro, mas posteriormente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou as transmissões.
DE VEJA
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
domingo, 5 de outubro de 2014
sábado, 4 de outubro de 2014
NA Coluna do CLÁUDIO HUMBERTO
SALADA ELEITORAL
Apesar de pertencerem a grupos rivais, pesquisas apontam que Gastão Vieira (PMDB), que se descolou do clã Sarney, tem grande chance de ser eleito ao Senado ao lado de Flávio Dino (PCdoB) ao governo.
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