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sábado, 24 de setembro de 2016

PT do Maranhão esconde estela de Lula e Dilma

      A força do Partido dos Trabalhadores no Maranhão está na foto. Não naquela histórica, da ex-governadora Roseana Sarney insinuando vestir a camisa do PT em 2010, emoldurada pelos sorrisos de hiena dos máximos dirigentes partidários no estado. 
    No limiar do século XXI, Lula passou a ser a imagem venerada por tantos quantos buscavam conquistar eleitores, não somente no Maranhão, no país inteiro. Após se safar do mensalão e divinizado pela popularidade às custas disso ou daquilo, independentemente da visão maniqueísta ou reacionária de cada um, nunca antes na história deste estado uma imagem foi tão idolatrada.
     Da casa de palha caindo aos pedaços em Pinheiro ao ferry do monopólio do transporte para a Baixada, lá estava Lula. Na parca memória do eleitorado, um punhado esqueceu do pedido de voto a Roseana pela rouca voz de Lula. 
     A votação mais expressiva do país dada à ex-presidente Dilma Rousseff no Maranhão em 2014, com 78,76% dos votos válidos, contrastava com a representação do Partido dos Trabalhadores no estado no mesmo período. Atualmente o PT no Maranhão comanda apenas 3,6% das prefeituras no estado. Há petistas como prefeitos em somente oito municípios maranhenses. Eram oito, em janeiro de 2013.
    Nas eleições deste ano, Lula não dará as caras. Perdeu a condição hiper-dulia antes devotada ao barbudo sindicalista em rasgos de sensibilidade política. 
    Com a imagem arranhada, o ídolo não foi destruído, mas sua imagem está longe da antiga veneração pelos próprios petistas. Lula deixou de ser santo para aspirantes a vereador ou prefeito. Até a estrela perdeu a verve vermelha.
    Em São Luís, uma dúzia de candidatos disputa a eleição pelo PT. Entre históricos e proeminentes, nem sombra de Lula. Na estrela branca escondem a legenda. Permaneceu apenas o número
    

A força do PT no Estado

Prefeitos
Alcântara - Araken
Brejo - Adalberto
Campestre do Maranhão - Valmir Moraes
Itinga do Maranhão  - Luzivete Botelho da Silva
Lagoa Grande do Maranhão  - Dr. Jorge
Lago do Junco  - Edina
São Raimundo da Doca Bezerra  - Arlete
Urbano Santos - Iracema

Deputado Federal
Zé Carlos

Deputado Estadual

Zé Inácio

Candidatos a vereador pelo PT em São Luís
Carlos Barreto

Cesar Campos
Clemilton Ferraz

Dr. Lobão Filho
Honorato Fernandes
José Soeiro
Marcelino Cohey
Osvaldo Muller
Pétala Monteiro
Prof. Chocolate
Professora Dina
Teteu

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Eleições 2016: Petistas e golpistas se unem no Maranhão

    Petistas se emaranham com golpistas nas eleições municipais do Maranhão, assim como em mais de mil municípios brasileiros. Em nove das dez cidades maranhenses nas quais o PT apresentou candidatura a prefeito em coligações partidárias, há composição com adversários como PMDB, PSDB, PPS e DEM entre outras legendas que apoiam o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Lago do Junco e São Mateus, estacomposta só por aliados contra o golpe. 
    O Partido dos Trabalhadores tem uma definição retirada de congresso, proibindo coligações com golpisas do PSDB, DEM e PPS, parceiros preferenciais de candidatos no Maranhão. O diretório nacional ameaça os desobedientes com intervenções. Tem histórico no estado: nas eleições de 2010 interviu no diretório estadual substituindo o PCdoB pelo apoio à candidatura de Roseana Sarney (PMDB). É claro que com uma maozinha de Sarney e seu aliado Washington Oliveira, vice na chapa e comandante-em-chefe do diretório estadual. 
    Unha e carne no estado até o terceiro (conquistado com a deposição do governador eleito Jackson Lago - 2006-2009) e quarto mandatos da governadora Roseana Sarney, petistas e peemedebistas ainda sentam na mesma mesa em âmbito estadual. Sem mandatos, Sarney e Roseana dispensam atenção reduzida à sucessão municipal no estado. Estão de olhos vidrados em Brasília e no futuro de Temer.
    Coelho Neto é uma excessão no elenco de alianças entre petistas e golpistas. Em Alcântara, o PT está coligado com os golpistas do PMDB e do PSDB entre outros, mais ou menos raivosos antipetistas, com objetivo de reeleger o prefeito Araken. Uma missão quase impossível. 
    Há outros bons exemplos de fidelidade partidária ou às resoluções das instâncias partidárias. Petistas, golpistas tucanos e do partido de Temer estão no espectro da coligação A Força do Povo que tem como candidato em Campestre do Maranhão o agricultor Valmir Morais (PT). Inocente útil neste momento histórico. A coligação Unidos Venceremos em Feira Nova do Maranhão reúne PT, PPE, Democratas e mais três legendas na tentativa de eleger Aristides. 
    Aliados nacionais, PT e PCdoB se confrontam na disputa eleitoral em quatro municípios maranhenses: Alcântara, Feira Nova do Maranhão, Lago do Junco, Mirador e Peri-Mirim. 


Candidatos do PT no Maranhão:

*Alcântara- Araken (Unidos por Alcântara - PT, PPS, PTN, PR, PSB, PEN, PHS, PTdoB, PMDB, PRB, PP, PSDB, PRP, PRTB, PTB e PTC)

*Campestre do Maranhão Valmir Morais (A Força do Povo - PT, PTB, PCdoB, Rede, PV, PMDB, PMB, PROS, PSDB, PSC, PP e PR)

Coelho Neto – Américo de Sousa ( Frente Oposicionista de Coelho Neto - PT, PSB, PCdoB e SD)

*Feira Nova do Maranhão – Aristides (Unidos Venceremos - PT, PEN, PPS, PTB, DEM e PHS)

Lago do Junco – Osmar Fonseca (Avante Lago do Junco: No caminho certo - PDT, PT, PR, PMN, PSB, PCdoB e PROS)

*Mirador – Marquinho ( O trabalho continua - PT, PTB, PP, PPS, SD, PTdoB, DEM e PRB)

*Peri-Mirim – João Felipe (De novo com a força do povo - PT, PEN, DEM, PPS, PRB, PSDB e PV)

São Mateus do Maranhão – Genilson Alves (Frente Popular Renova São Mateus - PT, PTN e PMB)

*São Raimundo do Doca Bezerra – Arlene (Forte é o povo - PT, PRTB, PSB, PV, PSD e PCdoB)

*Urbano Santos – Iracema Vale (Para fazer muito mais por Urbano Santos - PMDB, PT, PV, PRP, PP, PTdoB, PTN, PSB, PROS e PRTB)

*Zé Doca – Zé Costa (Todos por Zé Doca - PT, PEN, PDT, PMDB, PTN, PPS, PHS, PMB, PTC, PSB, PV, PSDB, PPL, PCdoB, PRB)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Na FOLHA - Ação de Dilma por votos contra impeachment abre crise com PC do B


O senador Roberto Rocha (PSB-MA), em sessão no plenário do Senado Federal, em 2015

Um pedido da presidente afastada, Dilma Rousseff, abriu uma crise entre o comando do PT e do PCdoB.
Na expectativa de conquista de votos contrários a seuimpeachment no Senado, Dilma pediu que a cúpula do PT interviesse em cinco cidades do Maranhão em atendimento a reivindicações dos senadores maranhenses João Alberto (PMDB) e Roberto Rocha (PSB).
O comando do PT interveio em apenas dois municípios. Em Codó, quinta maior cidade do Estado, determinou que o PT rompesse a aliança com o PC do B, na qual ocuparia a vice da chapa, para apoiar o candidato do PSDB.
Em Timon, terceiro maior município do Maranhão, a direção petista decidiu que o partido saísse de uma chapa composta por PSB e PC do B em favor do outra integrada por PSD e PMDB.
Segundo petistas, a operação também contemplaria o senador Edison Lobão (PMDB-MA).
Folha apurou que o presidente do PT, Rui Falcão, atendeu parcialmente as solicitações de Dilma. Em respeito aos pedidos do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), não houve intervenção também em São Luís, Imperatriz e Balsas.
As concessões foram, porém, suficientes para incomodar a cúpula do PC do B, que procurou a cúpula do PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização foi também para evitar novas intervenções.
Presidente nacional do PC do B, Luciana Santos diz não querer acreditar nas decisões do partido. "Depois de todos gestos que o Flávio [Dino] fez [contra o impeachment], isso não é brincadeira", reclama Luciana Santos, que é candidata à Prefeitura de Olinda (PE) sem apoio do PT.
Deputado federal pelo PDT do Maranhão, Ewerton Rocha diz que seu partido terá que dar uma resposta ao PT.
O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, minimizou, por sua vez, o impacto das medidas do Diretório Nacional.
Ele argumenta que o PT manteve a aliança com o PC do B nas principais cidades do Maranhão, atendendo às orientações do governador. Florisvaldo diz que foi responsável pelas intervenções.
Questionado se esse era um pedido da presidente afastada, limitou-se a dizer: "Eu me reservo o direito de não não falar sobre isso. Não vou responder".
O senador Roberto Rocha (PSB-MA) nega que tenha exigido alianças no Estado em troca de um voto contrário ao impeachment no Senado Federal. Ele admite ter conversado com Dilma e com o presidente interino, Michel Temer (PMDB).
"Quem disse que posso mudar meu voto? Eu ainda não disse qual será. Minha tendência é seguir a decisão do partido, que não tomou decisão", disse o senador.
Esse não é o único atrito recente entre PT e PC do B. Petistas reclamam, por exemplo, de um aliança dos comunistas com o DEM em Fortaleza. Integrantes do comando do PT culpam o PC do B por sua derrota na eleição para a presidência da Câmara.
Afirmam que o candidato apoiado pelo PT, Marcelo Castro (PI), não teria sido derrotado caso o PC do B o apoiasse. Mas, em vez disso, comunistas lançaram o deputado Orlando Silva (SP), que, mais tarde, apoiou o vencedor Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o cargo. Silva, que conversou com Lula antes da decisão, rebate: "O PC do B não é um acessório do PT". 

domingo, 20 de dezembro de 2015

A carta de Michel Temer - FERREIRA GULLAR

    Vou tentar dizer, a meu modo, como vejo a carta que Michel Temer enviou à presidente Dilma Rousseff e que tanta celeuma causa no ambiente político, particularmente nas relações do PMDB com o governo federal.
     Na opinião da maioria dos comentaristas, aquela carta foi um meio de que o vice-presidente da República lançou mão para se queixar de Dilma Rousseff. Na verdade, a carta tem um tom de queixa, mas no meu entender esse foi o modo que ele encontrou para justificar seu perturbador silêncio em face do processo de impeachment a que está sujeita a chefe do governo e de quem ele é o vice.
    O silêncio de Temer levou os assessores de Dilma a atribuir-lhe opinião contrária ao processo de impedimento, que não teria fundamento jurídico. Temer desmentiu essa informação, que deve ter contribuído para ele escrever a referida carta.
    Mas o certo é que essa história não começa aí, vem de longe, desde o começo do primeiro governo de Lula. Eleito, surgiram entendimentos para que o PMDB aderisse a Lula e passasse a apoiá-lo. Ele rejeitou essa ideia e preferiu aliar-se a pequenos partidos, aos quais não necessitaria entregar ministérios e empresas estatais, como teria que fazer, se se juntasse ao PMDB. Àqueles partidos, em vez de altos cargos, lhes deu dinheiro (dinheiro público), de que resultou o escândalo do mensalão.
    Embora Lula, no primeiro momento, ao ser interpelado sobre aquele escândalo, alegara que havia sido traído, depois que seus "traidores" foram processados e condenados, passou a dizer que se tratou de um golpe político. A verdade, porém, é que, para se reeleger e governar, recorreu ao apoio do PMDB, que rejeitara antes. E teve que fazer o que jamais quis, ou seja, dividir os ministérios com o novo aliado. Terminado o segundo mandato, inventou a candidatura de Dilma, tendo como vice Michel Temer. Que Lula nunca quis dividir o poder com ninguém, viu-se desde o começo, e só aliou-se ao PMDB para se manter nele.
    Essa não é, porém, uma atitude somente do Lula mas também de seu partido e, particularmente, de Dilma Rousseff. As denúncias da Operação Lava Jato vieram piorar a situação de todos eles e, especialmente, a da presidente da República, em cujo governo o país naufragou de vez. Isso era inevitável acontecer já que, para se manter no poder, os petistas optaram por investir pesado nos programas assistencialistas e não no crescimento da economia. Em vez disso, como parte de seus programas populistas, para evitar o aumento dos preços, subvencionava grandes empresas produtoras de bens de consumo.
    Ocorreu que, para ganhar as eleições de 2014, Dilma traçou um retrato falso da realidade econômica do país, mas assim que tomou posse, teve que fazer o contrário do que prometera na campanha eleitoral. Desse modo, entrou num beco sem saída, porque as medidas a serem tomadas contrariam o populismo que Lula e ela impuseram ao país. O resultado disso é que a crise econômica se agrava e a crise política também, uma acionando a outra.
    Não é por acaso que, em menos de um ano do novo mandato, o índice de aprovação de seu governo oscila entre 7% e 10%. A hegemonia política dos petistas parece chegar ao fim. A popularidade do ex-presidente Lula caiu –47% do eleitorado não votaria nele em 2018. A todos esses fatores negativos, veio juntar-se o pedido do impeachment que, quer ocorra ou não, terá consequências desastrosas para o petismo.
    Em face de todos esses fatores, ninguém se atreveria a apostar num bom futuro para os petistas e particularmente para o governo de Dilma. Falando claro, a hegemonia petista chega ao seu fim, sem perspectiva de recuperação. Cabe, então, perguntar: que interesse tem o PMDB em continuar apoiando o PT e, sobretudo, depois dessa história que contamos aqui? Desconheço exemplo em que algum partido tenha naufragado com o outro, por mera solidariedade. O que costuma acontecer é abandonar o barco quando começa a afundar. Essa é a minha leitura da carta de Michel Temer, que, aliás, já parece tomar providências para assumir o governo.
FOLHA

domingo, 13 de setembro de 2015

O fim do caminho - FERREIRA GULLAR

Lula e sua turma agem sem remorsos, julgando-se no direito de se apropriarem dos bens públicos
    Escrevi, certa vez, que a geração ideológica que havia combatido a ditadura e que assumiu o poder no Brasil após o regime militar chegava ao seu fim, isto é, cumprira a sua função e se esgotava.
    O grupo liderado por Fernando Henrique Cardoso, de uma esquerda moderada, governou até 2002, quando Luiz Inácio da Silva ganhou as eleições e, com isso, a facção mais radical daquela geração assumiu o governo e nele se manteve até agora, no segundo mandato de Dilma Rousseff. Essa é uma geração que, em diferentes graus, situava-se à esquerda dos que apoiaram a ditadura e se aliou, consequentemente, aos partidos que pregavam o marxismo, embora não fosse aquele seu pensamento.
    Nesse quadro, nasceu o Partido dos Trabalhadores, liderado por um operário e formado por simpatizantes da Revolução Cubana. Mas os grupos guerrilheiros foram destroçados, e o sistema soviético em seguida desabou.
    Desse modo, quando o PT chegou ao poder, as fantasias revolucionárias já estavam fora de moda. Além disso, os escândalos do mensalão e, agora, as delações da Operação Lava Jato revelaram que, se Lula e seu pessoal foram de fato revolucionários algum dia, ao chegarem ao poder mudaram de projeto.
    Imagino o que se passou na mente dos petistas: se a postura revolucionária não tinha mais cabimento, que fazer com o poder que lhes caíra no colo? Antes de tudo, não deixar que viesse a escapar-lhe das mãos e, para consegui-lo, a providência fundamental era manter e ampliar o apoio do eleitorado pobre.
    Isso, por um lado; por outro, não dividir com ninguém os cargos importantes da máquina do Estado, como os ministérios e as grandes empresas estatais. Aliou-se, então, aos pequenos partidos, aos quais, em vez de dar altos cargos, comprou com dinheiro público: o mensalão.
    Tendo nas mãos os ministérios e as estatais, infiltrou-os com a nomeação de mais de 20 mil "companheiros", sem concurso, a fim de que cedessem parte do salário ao partido e trabalhassem pela ampliação do número de novos militantes a favor do governo.
    Mas isso não era tudo. O principal residia na apropriação das grandes empresas do Estado e particularmente da maior delas –a Petrobras. Ficou comprovado, na Operação Lava Jato, que, desde 2003– quando Lula assumiu o governo–, criou-se na Petrobras um "clube", formado por altos funcionários, ligados aos partidos do governo, e representantes de grandes empreiteiras, que prestavam serviço à empresa. As licitações –que envolviam centenas de milhões de reais– eram manipuladas de modo que, em rodízio, cada uma daquelas empresas obtivesse os contratos.
    O custo das obras era então duplicado e as propinas distribuídas aos partidos e participantes das falcatruas, disso resultando, para a Petrobras, prejuízos bilionários, por ela mesmo admitidos.
    A tais prejuízos somam-se os resultantes de negociatas envolvendo a compra e a construção de refinarias. E era Lula quem acusava seus opositores de pretenderem privatizar a Petrobras. Ele, de fato, não a privatizou: apropriou-se dela.
    Lula e sua turma agem sem remorsos, uma vez que, sendo eles os defensores dos verdadeiros interesses nacionais, julgam-se com o direito de se apropriarem dos bens públicos.
    Vou dar um exemplo. Há algum tempo, antes da Lava Jato, uma senadora do PT, indagada sobre os crescentes prejuízos sofridos pela Petrobras, respondeu: "Só quem se preocupa com isso são os acionistas. A Petrobras existe para servir ao povo".
    Ou seja, não tem de dar lucro. Agora, a Operação Lava Jato mostrou que a sua eleição ao Senado, em 2014, foi financiada com propinas da Petrobras e, assim, dá para entender a sua tese: a senadora é o povo.
    Esse é um tipo de populismo que, se arvorando defensor dos pobres, atribui-se o direito de usar de qualquer meio, inclusive a corrupção, para manter-se no poder.
    Lula e Dilma só não contaram com duas coisas: que a gastança demagógica levaria o país à crise econômica e que suas falcatruas seriam reveladas à opinião pública.
    O engodo se desfez, a credibilidade dos petistas despencou. Qual será o desfecho dessa comédia não sei dizer, mas que o lulopetismo já não engana a quase ninguém, não resta dúvida.
Da FOLHA

domingo, 12 de julho de 2015

O líder sem culpa - FERREIRA GULLAR

Lula atribuiu o desastre ao partido e à teimosia de Dilma, sua invenção. E ele não tem culpa nenhuma?
    Se tenho com frequência comentado aqui, nesta coluna, os problemas que envolvem Lula, Dilma e o PT, é porque esse problemas, por envolverem o governo e a situação do maior partido político do país, dizem respeito a nosso presente e ao nosso futuro.
    Não se trata, portanto, de meramente criticar os atuais detentores do poder político do país. A verdade é que algo de muito importante está acontecendo, e que sem dúvida alguma preocupa Lula, como o líder desse partido e responsável por seu futuro.
    Essa é razão por que, em recentes ocasiões, ele falou da necessidade de renovação dos quadros dirigentes do PT e da pregação de novas utopias que --segundo ele-- caracterizaram o surgimento e o crescimento do Partido dos Trabalhadores.
    Não resta dúvida de que o PT, ao ser fundado em 1980, prometia uma mudança radical na vida política brasileira, que ainda estava submetida à ditadura militar. Mas não só isso; no seu manifesto de fundação, soavam alusões ao manifesto comunista de 1848, o que indicava a visão ideológica dos seus fundadores, a maioria deles admiradora da revolução cubana.
    Aconteceu que, não muito depois, o sistema soviético desabou, tornando praticamente insensato acreditar numa cubanização do Brasil.
    De fato, o fim da utopia marxista levou à desativação de quase todos os partidos comunistas no mundo inteiro. O PT, a exemplo de outros partidos latino-americanos, tomou o caminho do populismo, como já observei nesta coluna. Não por acaso, Lula mudou seu discurso, abandonou a postura de feroz agitador para tornar-se o Lulinha, paz e amor. De suposto líder da revolução operária, passou a ser o defensor dos pobres contra os ricos, enfim, o presidente do Bolsa Família.
    Como se não bastasse, passou a comprar deputados de sua base parlamentar, a fim de assegurar-se de seu apoio sem ter de ceder-lhes ministérios e cargos importantes das estatais. Isso é o que se soube com o escândalo do mensalão, mas o pior estava por vir e se revelou graças à Operação Lava Jato: o assalto aos cofres da Petrobras.
    Por outro lado, tendo de deixar a presidência ao fim do segundo mandato, inventou para suceder-lhe a figura de Dilma Rousseff, que nunca havia sido eleita nem vereadora, e a elegeu presidente da República, certo de que, ao fim de quatro anos, seria eleito para o cargo.
    Só que Dilma, que ama o poder acima de tudo, não lhe deu essa chance: candidatou-se de novo e foi reeleita. Para consegui-lo, gastou tanto dinheiro durante seu primeiro mandato que, ao chegar ao fim dele, o país estava à beira da falência.
    Era o que diziam os candidatos de oposição, enquanto ela os acusava de serem mentirosos, garantindo que a economia do país ia às mil maravilhas. Mas, após assumir o novo mandato, teve que reconhecer a verdade do que diziam seus adversários.
    E estamos assim, agora, cortando as verbas de todos os ministérios, aumentando o custo de vida e nas mãos de uma inflação crescente. Quase 70% dos eleitores a avaliam como ruim ou péssima. É vaiada aonde chega. E a perspectiva é o agravamento da crise econômica.
    Essa é a razão por que Lula agora diz verdades que sempre negou.
    E mais, que ele, Dilma e o PT perderam o prestígio na opinião pública. Para as eleições de 2018, o PT só tem a ele como possível candidato à presidência, mas, na última pesquisa, perdia para Aécio Neves.
    E a crise ainda não chegou a seu ápice. Novos escândalos se anunciam e o próprio Lula, depois da prisão dos chefões das empreiteiras, teme a chegada da sua vez. É ele quem o diz.
    E aí se entende por que apela para que o PT se recupere e alardeie novas utopias. Mas quais? Voltar ao PT ideológico de 1980? Como, se foi o Lula mesmo que trocou a utopia pelo Bolsa Família? Talvez seja a utopia do Instituto Lula, que diz lutar contra a fome --não só no Brasil, mas no mundo! Como? Fazendo palestra em troca de muitos milhares de dólares.
    Nos seus últimos pronunciamentos, atribuiu a culpa do desastre petista à inoperância do partido e à teimosia de Dilma, que não ouve o que ele diz. E ele, Lula, tem alguma culpa nesse desastre? Não, não tem culpa nenhuma, embora Dilma tenha sido um invenção sua.

domingo, 10 de maio de 2015

Boca fechada - FERREIRA GULLAR


Nos discursos de Dilma, não há inflação, a economia está bumbando e a corrupção é combatida como nunca
    Por que será que a presidente Dilma Rousseff decidiu não fazer o discurso de sempre no Primeiro de Maio?
    Causou surpresa porque ela, até então, tem se valido de toda e qualquer data e pretexto para falar ao eleitorado. E sempre com aquele discurso nos apresentando um Brasil maravilhoso, de que só ela tem conhecimento.
    Nos seus discursos, não há inflação no país, a economia está bumbando e a corrupção é combatida como nunca na história brasileira. E, quando a gente se lembra disso, entende por que ela, no dia dos trabalhadores, preferiu calar a boca.
    Parece que a situação chegou a tal ponto que não dá mais para fantasiar. E ainda havia o risco de um panelaço.
    Se toco neste assunto é porque me parece que a situação política do governo e seu desprestígio junto ao povo atinge um ponto crítico indisfarçável. Essa fase crítica se agravou quando a Petrobras teve de admitir que realmente foi vítima da corrupção e que seu aparelhamento resultou num prejuízo de quase R$ 22 bilhões, fora os R$ 6 bilhões pagos em propina.
    Todo mundo viu, desde que começou a Operação Lava Jato, Dilma e Lula negarem que tivesse de fato ocorrido esse desastre na Petrobras. Segundo eles, aquelas acusações era uma campanha golpista para derrubar o governo petista e privatizar a Petrobras.
    Sucede que as delações premiadas tinham procedência e os acusados pelo assalto à empresa foram presos e vão responder a processos.
    Por outro lado, esses escândalos atingiram o prestígio da empresa, levando-a à perda de dois terços de seu valor de mercado. Notícias mais recentes dão conta de que está vendendo a outras empresas petrolíferas equipamentos comprados para a exploração do pré-sal, que parece por enquanto descartada.
    Essa história de que tudo era invenção chegou ao fim, quando o novo presidente Aldemir Bendine veio a público apresentar o balanço auditado, em que a ação corrupta de gente do governo, de altos funcionários da empresa e das empreiteiras foi afinal admitida. Sim, porque, sem esse balanço auditado, a situação da Petrobras se tornaria insustentável.
    Dilma agiu certo em não falar no Dia do Trabalho. Todos sabemos que o modo de conduzir a economia de Joaquim Levy é o oposto do dela: enquanto ele opta pelo controle de gastos e pelo investimento na infraestrutura, ela acha que um pouco de inflação não faz mal e que o consumo é que leva a economia adiante.
    São, portanto, posições antagônicas. Logo, Levy só foi nomeado ministro da Fazenda para tentar impedir que o barco afunde. Pois bem, Dilma teve a coragem de afirmar que essa política de contenção é apenas a continuação de sua política de gastos.
    Sucede que o próprio Levy, na visita recente que fez aos Estados Unidos, para convencer os empresários a voltarem a investir no Brasil, afirmou que temos agora "uma nova política econômica", desmentindo assim o que dissera Dilma. Tinha que fazê-lo, pois do contrário não os convenceria...
    Não por acaso, o índice de aprovação da presidente caiu para 13%, com a agravante (para ela como petista) de que aumentou o número dos que a rejeitam na classe C e D, ou seja, gente beneficiada pelos programas assistencialistas do PT.
    E esse nível de rejeição tende a se agravar, uma vez que a implantação da nova política econômica implica em mais aumento nos preços da energia elétrica, da gasolina e do diesel --entre outros--, o que provocará inevitavelmente a elevação dos preços de todas as mercadorias de primeira necessidade, o que, aliás, já está ocorrendo.
    Tudo isso concorre para a deterioração das relações do governo com seus aliados políticos e, particularmente, com o principal deles, o PMDB, a quem ela tem sido obrigada a fazer sucessivas concessões.
    Mesmo assim, não consegue contê-lo, tal foi o caso da proposta que aumentou, em 181%, os recursos do fundo partidário.
    Num momento em que é vital para o governo cortar despesas e conter os gastos, um deputado da base governista propõe aumentar o financiamento dos partidos de R$ 308,2 milhões para R$ 867,5 milhões. E a presidente teve que sancionar esse aumento.
    É, Dilma fez bem em não discursar no Primeiro de Maio.

segunda-feira, 30 de março de 2015

“Manifesto dos Diretórios Regionais do PT"

    Nunca como antes, porém, a ofensiva de agora é uma campanha de cerco e aniquilamento. Como já propuseram no passado, é preciso acabar com a nossa raça. Para isso, vale tudo. Inclusive, criminalizar o PT — quem sabe até toda a esquerda e os movimentos sociais.
    Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.
    Não toleram que, pela quarta vez consecutiva, nosso projeto de País tenha sido vitorioso nas urnas. Primeiro com um operário, rompendo um preconceito ideológico secular; em seguida, com uma mulher, que jogou sua vida contra a ditadura para devolver a democracia ao Brasil.
    Maus perdedores no jogo democrático, tentam agora reverter, sem eleições, o resultado eleitoral. Em função dos escândalos da Petrobrás, denunciados e investigados sob nosso governo -– algo que não ocorria em governos anteriores –, querem fazer do PT bode expiatório da corrupção nacional e de dificuldades passageiras da economia, em um contexto adverso de crise mundial prolongada.
    Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores, nos marcos do Estado Democrático de Direito. E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras.
    O PT precisa identificar melhor e enfrentar a maré conservadora em marcha. Combater, com argumentos e mobilização, a direita e a extrema-direita minoritárias que buscam converter-se em maioria todas as vezes que as mudanças aparecem no horizonte. Para isso, para sair da defensiva e retomar a iniciativa política, devemos assumir responsabilidades e corrigir rumos. Com transparência e coragem. Com a retomada de valores de nossas origens, entre as quais a ideia fundadora da construção de uma nova sociedade.
    Ao nosso 5º Congresso, já em andamento, caberá promover um reencontro com o PT dos anos 80, quando nos constituímos num partido com vocação democrática e transformação da sociedade – e não num partido do “melhorismo”. Quando lutávamos por formas de democracia participativa no Brasil, cuja ausência, entre nós também, é causa direta de alguns desvios que abalaram a confiança no PT.
    Nosso 5º Congresso, cuja primeira etapa será aberta, a fim de recolher contribuições, críticas e novas energias de fora, deverá sacudir o PT. A fim de que retome sua radicalidade política, seu caráter plural e não-dogmático. Para que desmanche a teia burocrática que imobiliza direções em todos os níveis e nos acomoda ao status quo.
    O PT não pode encerrar-se em si mesmo, numa rigidez conservadora que dificulta o acolhimento de novos filiados, ou de novos apoiadores que não necessariamente aderem às atuais formas de organização partidária.
    Queremos um partido que pratique a política no quotidiano, presente na vida do povo, de suas agruras e vicissitudes, e não somente que sai a campo a cada dois anos, quando se realizam as eleições.
    Um PT sintonizado com nosso histórico Manifesto de Fundação, para quem a política deve ser “ atividade própria das massas, que desejam participar, legal e legitimamente, de todas as decisões da sociedade”.
    Por isso, “o PT deve atuar não apenas no momento das eleições, mas, principalmente, no dia-a-dia de todos os trabalhadores, pois só assim será possível construir uma nova forma de democracia, cujas raízes estejam nas organizações de base da sociedade e cujas decisões sejam tomadas pelas maiorias”.
    Tal retomada partidária há de ser conduzida pela política e não pela via administrativa. Ela impõe mudanças organizativas, formativas, de atitudes e culturais, necessárias para reatar com movimentos sociais, juventude, intelectuais, organizações da sociedade – todos inicialmente representados em nossas instâncias e hoje alheios, indiferentes ou, até, hostis em virtude de alguns erros políticos cometidos nesta trajetória de quase 35 anos.
    Dar mais organicidade ao PT, maior consistência política e ideológica às direções e militantes de base, afastar um pragmatismo pernicioso, reforçar os valores da ética na política, não dar trégua ao “cretinismo” parlamentar – tudo isso é condição para atingir nossos objetivos intermediários e estratégicos.
Em concordância com este manifesto, nós, presidentes de Diretórios Regionais de 27 Estados, propomos:
1. Desencadear um amplo processo de debates, agitação e mobilização em defesa do PT e de nossas bandeiras históricas;
2. Defesa do nosso legado político-administrativo e do governo Dilma;
3. Participar e ajudar a articular uma ampla frente de partidos e setores partidários progressistas, centrais sindicais, movimentos sociais da cidade e do campo, unificados em torno de uma plataforma de mudanças, que tenha no cerne a ampliação dos direitos dos trabalhadores, da reforma política, da democratização da mídia e da reforma tributária;
4. Apoiar o aprofundamento da reforma agrária e do apoio à agricultura familiar;
5. Orientar nossa Bancada a votar o imposto sobre grandes fortunas e o projeto de direito de resposta do senador Roberto Requião, ambos em tramitação na Câmara dos Deputados;
6. Apoiar iniciativas para intensificar investimentos nas grandes e médias cidades, a fim de melhorar as condições de saneamento, habitação e mobilidade urbana;
7. Buscar novas fontes de financiamento para dar continuidade e fortalecimento ao Sistema Único de Saúde;
8. Apoiar uma reforma educacional que corresponda aos objetivos de transformar o Brasil numa verdadeira Pátria Educadora;
9. Levar o combate à corrupção a todos os partidos, a todos os Estados e Municípios da Federação, bem como aos setores privados da economia;
10. Lutar pela integração política, econômica e cultural dos povos da América, por um mundo multipolar e pela paz mundial. O momento não é de pessimismo; é de reavivar as esperanças. A hora não é de recuo; é de avançar com coragem e determinação. O ódio de classe não nos impedirá de continuar amando o Brasil e de continuar mudando junto com nosso povo. Esta é a nossa tarefa, a nossa missão. É só querer e, amanhã, assim será!
São Paulo, 30 de março de 2015″

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Presente O ex-senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) esteve no encontro do Palácio do Jaburu, na segunda. Queixou-se do PT e disse que o partido não respeita os peemedebistas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Antipetista José Sarney (PMDB-AP) tem demonstrado amargura em relação ao apoio de petistas ao governo de Flávio Dino (PC do B) no Maranhão. "Eles sempre trabalham contra nós", disse, segundo um interlocutor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Marina Silva e a governabilidade - ALFREDO SIRKIS


Só uma presidente que tenha o dom do diálogo poderá tecer uma aliança em torno da estabilidade econômica e da inclusão social
    Na medida em que se revela a possibilidade de uma vitória de Marina Silva (PSB) nas eleições presidenciais deste ano, é natural que apareça a discussão sobre suas condições de governabilidade, uma questão perfeitamente legítima.
    Marina deu um importante passo quando anunciou que almeja um único mandato. Podemos contar com o compromisso de que ela não vai "fazer o diabo" para emplacar um sucessor. Essa postura republicana lança bases para uma governabilidade distinta desse voraz apego ao controle da máquina pública do PT e de seus aliados. Rompe com a obsessão da reeleição inaugurada na era tucana.
    Esse desapego à permanência indefinida no governo, além de ser uma revolução cultural na vida política brasileira, é elemento pacificador numa era muito raivosa. Mas, e a maioria parlamentar? É curioso levantarem isso, pois ninguém teve até hoje uma base parlamentar formal tão confortável quanto a presidente Dilma Rousseff.
    O PT tem menos de um quinto dos deputados e vive em crise conjugal permanente com seu grande aliado, o PMDB, esse ectoplasma político. A situação de Aécio Neves (PSDB), caso eleito, também seria complicada, pois a bancada tucana não ficará maior que a do PT e contarão com uma hostilidade feroz deste, de sua máquina sindical e de seus "movimentos sociais", num ano economicamente difícil como se anuncia que 2015 será.
    Com o DEM, seu aliado tradicional, longe da pujança dos anos Fernando Henrique Cardoso, o Congresso Nacional estará muito mais pulverizado. Seu grande parceiro de governabilidade seria, provavelmente, o PMDB. As incertezas de governabilidade não são apanágio de Marina, mas um problema estrutural da política brasileira, próprio do sistema eleitoral de voto proporcional personalizado que temos. O chamado "voto jabuticaba".
    A reforma política pela qual me empenhei com uma proposta de voto distrital misto, plurinominal, limitação e diversificação de fontes dos gastos de campanha, sem a estatização pretendida, até hoje não foi viável. A governabilidade terá que ser concebida na atual saia justa.
    Desde 2010, propugnamos com Marina o "realinhamento histórico" que incluiria uma espécie de Pactos de Moncloa (acordos de 1977 entre governo e partidos espanhóis durante a transição democrática), envolvendo prioritariamente os irmãos-inimigos da nossa social-democracia, PT e PSDB, além de figuras respeitáveis de outros partidos.
    É compreensível que, a priori, rejeitem o realinhamento, sobretudo no calor da campanha que disputam conosco. Eventualmente, consumado o que era antes inimaginável, viveremos uma nova situação.
    Opor-nos a ambos e criticar seus limites não significa não reconhecer seus méritos respectivos na estabilização da moeda, no controle da inflação, no início e depois na consolidação de uma rede de proteção social, algum avanço na educação e redução do desmatamento.
    Só uma presidente que tenha o dom do diálogo e da construção, uma capacidade de sedução, poderá eventualmente tecer uma aliança assim em torno da estabilidade econômica, da inclusão social e do desenvolvimento sustentável.
    A aparente quadratura do circulo da governabilidade fica menos absurda se visualizamos por trás das siglas as pessoas reais com as quais desejamos trabalhar pelo Brasil, nossas histórias comuns, os sonhos e esperanças parecidos que tivemos em diferentes momentos da luta pela construção da nossa tão imperfeita democracia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Caetano Veloso: Marina é esboço de um novo Lula

Por Caetano Veloso*
    As maluquices crescem e proliferam em reação à força eleitoral de Marina. Rogério César de Cerqueira Leite repete que ela é criacionista, sem que ela nada tenha dito que justificasse tal conclusão. Os católicos também seguem a Bíblia e nem por isso se diz que Frei Beto ou Gilberto Carvalho são criacionistas ou que afirmam que o mundo foi criado há poucos milênios. Mesmo de pessoas mais sensatas li textos que tomam Marina como risco de fundamentalismo. Mas como? Uma mulher que tem, com mais clareza e firmeza do que todos os outros postulantes, falado sobre o sentido do Estado laico!
    Uma carreira política em que se vêem as discussões que se passam na mente da militante, da vereadora, da ministra, da senadora, da candidata – sem que se perca a certeza da coerência íntima da pessoa! Faz sentido querer-se reafirmar a gratidão pelos conseguimentos do PT no poder; também é certo ter esperanças na sensatez do candidato do PSDB, com o economista indicado para a pasta da Fazenda apresentando, em entrevistas, planos sensatos de superação do que parece ser o beco-sem-saída em que entrou a política econômica petista. Mas nada disso dá o direito a ninguém de desconsiderar a seriedade com que Marina se comporta sempre – e desde sempre.
    Marina não é nada de Collor nem nada de Jânio. Marina é o esboço de um novo Lula. É o organismo Brasil movendo-se internamente para metabolizar novos conteúdos. Esses novos conteúdos têm relação com os velhos – às vezes sentidos como eternos – problemas brasileiros: a desigualdade, a sociedade hierárquica, o atraso.
    Entendo a reação de Jean Willys ao recuo, no programa de Marina, quanto a temas cruciais dos grupos LGBT. Sempre me senti mais identificado com os gays do que com os caretas. Mas nem de longe isso me abala em minha decisão de votar em Marina. Os recuos no seu programa não a colocam em posição menos progressista do que a de seus oponentes. E Marina é tão maior promessa! Por que não ter coragem de apostar nela? Se eu pudesse influir, diria: VOTE EM MARINA. VOTE EM FREIXO. VOTE EM JEAN WILLYS.
*O texto de Caetano Veloso foi publicado pela equipe de Marina Silva nas Redes Sociais como conteúdo público e está sendo reproduzido pelo Congresso em Foco sem qualquer alteração.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

PT independente inaugura comitê Flávio-Dilma nesta quarta,23

    A militância petista no Maranhão vai inaugurar nesta quarta-feira, dia 23, o Comitê Flávio Dino Governador, Dilma Presidente. A iniciativa é uma nova demonstração de que os militantes do partido não aceitam a aliança com Edinho Lobão (PMDB).
    O PT está oficialmente coligado com Edinho, porém uma parcela do partido que insiste em permanecer na legenda apesar da orientação de Lula e Dilma em apoiar os aliados do Palácio do Planalto. Entre estes estão o senador-suplente Lobão Filho, filho do ministro Edison Lobão, das Minas e Energia.
    A ala insatisfeita não faz campanha para o filho do ministro aliado de Sarney. Em Códó, por exemplo, o diretório não segue a Justiça Eleitoral e nem a determinação do ex-presidente Lula. Há, no entanto, diretórios obedientes como o de Pedreiras.
    O ex-assessor da prefeitura de São Luís em Brasília (DF) e candidato a deputado federal Márcio Jardim, vai coordenar o comitê da Beira-Mar, em São Luís. Jardim enxerga semelhanças na biografia de Flávio Dino e a presidente Dilma Rousseff. Prega a mesma sintonia que o ex-presidente do PT, Washington Luiz Oliveira, hoje no TCE-MA, repetia em 2010 nas relações de Dilma com Roseana, signatárias da refinaria de Bacabeira.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Câmara Municipal de São Luís inicia dança das cadeiras entre suplentes do PT

   O primeiro-suplente de vereador, Nelsinho Brito, entra no lugar do vereador Honorato Fernandes (PT), ex-líder do governo, na Câmara Municipal de São Luís na próxima semana, iniciando a dança das cadeiras no legislativo. Nelsinho Brito é do grupo do ex-petista Bira do Pindaré, agora deputado estadual da bancada do PSB.
    Honorato foi eleito com 3.664 votos. É o único vereador do Partido dos Trabalhadores. Nelsinho Brito obteve 1.706 votos como candidato da coligação PT-PTB, esta última legenda comandada pelos irmãos Manoel Ribeiro e Pedro Fernandes, deputado estadual e deputado federal, respectivamente.
    O vereador petista se licenciará por quatro meses para cuidar da sua campanha à Câmara Federal. O petista pertence a ala defensora da aliança PT-PMDB no Maranhão, aguilhoada pelo grupo político do senador José Sarney. Deve fazer parte do palanque do filho do ministro Edison Lobão. Não cabe, portanto, atestado médico para justificar a licença. Durante o período que ficar afastado do Palácio Pedro Neiva de Santana, Honorato Fernandes será substituído por Nelsinho Brito e pelo segundo suplente, César Bombeiro.
Indústria de licenças
    Além de Honorato, caminham para a licença outros cinco vereadores do colegiado de 31 integrantes do legislativo de São Luís. É comum, no acordo entre suplente e licenciado, a manutenção do gabinete. Neste caso, a consequência pode ser a ampliação da folha da Câmara, uma caixa preto incólume há anos a ações do Ministério Público e quem se habilitar a desvendá-la.

Quem são os vereadores candidatos:
Antonio Isaías Pereirinha (PSL)
Gutemberg Araújo (PSDB)
Honorato Fernandes (PT)
Ivaldo Rodrigues (PDT)
Rose Sales (PCdoB)
Sérgio Frota (PSDB)

domingo, 15 de junho de 2014

A política (do PT) em xeque - EDITORIAL O ESTADÃO


    É fato conhecido que ano de eleição tem regras próprias: mais greves, mais reivindicações, maiores movimentações sociais. Mas 2014 está sendo diferente de todos os outros anos eleitorais.

    A Copa do Mundo maximizou essas estridências eleitorais e escancarou a distância entre a sociedade e a política, entre a expectativa e a realidade. A última confirmação veio pelo Pew Research Center, renomado instituto de pesquisa norte-americano, que, em recente relatório, deu nome aos bois nessa generalizada sensação de crise.
    O atual quadro de insatisfação apresenta um desafio para o Estado brasileiro nas suas três esferas. Não se trata apenas de um problema criado pelo sentimento popular. Existem inúmeras questões que o poder público precisa enfrentar responsavelmente: a (i)mobilidade urbana, o combate às drogas, a educação, a segurança pública, etc. E, numa democracia, a solução de qualquer um desses problemas nunca é algo meramente técnico, operacional. Requer sempre, como condição necessária, a sua viabilização política.
    Neste sentido, o legado mais prejudicial que o PT deixa ao País, nestes 12 anos de poder federal, não é na economia, cujo cenário é grave, para não dizer gravíssimo. A sua herança realmente maldita é na política, ao perpetuar e intensificar a lógica do populismo.
    Na voracidade por se instalar no poder, utilizou o seu capital político - em essência, o carisma de um homem - para excluir qualquer racionalidade do debate público, vendendo e prometendo o impossível. Impregnou de tal forma o sistema de populismo que, por exemplo, todos os partidos não tiveram outro jeito senão apoiar uma lei que se sabe impossível de ser cumprida: o Plano Nacional da Educação, com a vinculação de 10% do PIB para a educação. Era evidente que quem ousasse se posicionar de forma contrária à lei estaria morto nas próximas eleições.
    O papel aceita tudo, e vai-se deformando a percepção popular, como se o problema brasileiro fosse uma questão de voluntarismo político. O resultado é evidente: não temos um país que aprendeu a andar com as próprias pernas, que sabe sonhar, que olha o presente nos olhos, sem medo do futuro.
    Assemelha-se mais a uma casa onde o pai e a mãe endoideceram, tiveram-se por ricos e gastaram o que tinham e o que não tinham, contando bonitas e ilusórias histórias aos filhos, que vão descobrindo aos poucos que a festa acaba, que não há mais dinheiro para o almoço e que o mundo é mais complexo do que aquilo que estavam habituados a ouvir em casa.
    Por fim, tem-se um país desiludido, conforme semanalmente vão mostrando as pesquisas nacionais e internacionais. O populismo gera volatilidade, altos e baixos "aparentemente" inexplicáveis.
    Há quatro anos podíamos tudo, com a abundância do petróleo do pré-sal como cartão de embarque para o mundo desenvolvido e a felicidade perpétua. Não é de estranhar, já que as ideologias têm no seu âmago a ideia do progresso inexorável. Bastaria cumprir a cartilha e tudo seria perfeito.
    A sociedade brasileira anseia por uma melhor educação? Sim, mas o primeiro passo educativo é a responsabilidade. Para gastar mais em educação - que é necessário, mas não é o único nem o principal problema - é preciso cortar gastos em outras áreas. Isso não é neoliberalismo. É simplesmente não enfiar a cara no buraco, como uma avestruz diante do perigo.
    Como disse Fernando Gabeira, em artigo publicado no Estado (Dilma e as uvas, 6/6), "até que ponto o cinismo triunfará amplamente numa sociedade democrática é o enigma que envolve o futuro próximo do Brasil". É possível uma mudança? Como em política não há determinismos, a resposta é sim, e dentro do mais delicado respeito à democracia.
    As crises são sempre oportunidades de renovação, já que fazem ver além do discurso oficial. O pessimismo não é a única carta disponível diante das tristes notícias que chegam aos brasileiros todos os dias. Com o voto, é possível do limão fazer limonada.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Na Coluna do CLÁUDIO HUMBERTO

Após a propaganda “boi da cara preta” do PT advertir que “não podemos voltar atrás” (sic), a oposição vai sugerir “voltar à frente”?