Mostrando postagens com marcador Folha de S. Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Folha de S. Paulo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de agosto de 2018

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Cabe mais um Candidato à reeleição, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), abrirá seu palanque no estado para Ciro Gomes (PDT). Embora seu partido esteja coligado com o PT, ele quer fazer um gesto a Ciro, de quem é amigo, e ao PDT, que também compõe sua aliança.

quarta-feira, 14 de março de 2018

No PAINEL da Folha de S. Paulo

CONTRAPONTO
Etiqueta no plenário
Segundo vice-presidente do Senado, João Alberto (MDB-MA) não admite que alguém fale sentado ou fique de costas para a Mesa quando conduz sessões da Casa.
Recentemente, repreendeu o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), quando o senador quis discutir um assunto sem se levantar da cadeira onde estava no plenário.
— Eu gostaria que Vossa Excelência ficasse de pé, ou então na tribuna — pediu João Alberto.
— Não quero usar a tribuna — protestou o petista.
— É o regimento. Licença para se conservar sentado, só por motivo de saúde — insistiu o vice-presidente.
Lindbergh reclamou do rigor, mas levantou para falar.

sábado, 4 de novembro de 2017

Política do Brasil - No PAINEL da Folha de S. Paulo

CONTRAPONTO
Testemunha mais do que ocular!
Presidente interino da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) recebeu nesta semana uma comitiva de manifestantes da Marcha Mundial pelo Clima.
Ele ouviu atentamente um detalhado discurso sobre os riscos decorrentes da escassez hídrica no planeta e, em um dado momento, decidiu comentar o assunto.
— A questão da água sempre me comove. Quando eu era menino me afoguei em um rio lá de Minas…
Os ouvintes olharam espantados, e Ramalho fez questão de concluir o causo com uma explicação:
— Estou falando isso porque o rio, agora, está praticamente seco!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

No PAINEL da Folha de S. Paulo

CONTRAPONTO
Para todos os gostos
Durante a sessão da CPI da JBS desta terça-feira (17), o presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), tentou conceder a palavra ao deputado Wadih Damous (PT-RJ), mas esbarrou, pela terceira reunião consecutiva, em sua profunda dificuldade de articular corretamente o nome do colega.
— É Wadih Damous, presidente. Hoje eu estou te ajudando, já que a cada sessão meu nome ganha nova pronuncia — brincou o petista, descontraindo a tensão disseminada no colegiado.
— Veja pelo lado bom, deputado, é um nome camaleão! — respondeu Ataides.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

No PAINEL da Folha de S. Paulo

CONTRAPONTO
Alhos e bugalhos
Um bate-boca no Conselho de Ética do Senado, nesta terça (8), interrompeu a sessão de votação da denúncia contra senadoras da oposição que ocuparam a Mesa Diretora da Casa, dia 12 de julho, para tentar impedir a votação da reforma trabalhista. Após a confusão, o presidente do colegiado, João Alberto Souza (PMDB-MA), tentou retomar os trabalhos. Ainda nervoso, na hora de chamar Lasier Martins (PSD-RS) para votar, se confundiu e anunciou no microfone o nome de “Lavoisier”, químico francês.
A gafe gerou gargalhadas.

— Ainda não sou ele, presidente, aquele do ‘nada se perde, tudo se transforma’! — arrematou!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

No PAINEL da Folha de S. Paulo

CONTRAPONTO
O sujeito oculto
Na terça-feira (11), dia da conturbada votação da reforma trabalhista no Senado, o senador João Alberto (PMDB-MA) começou a discutir com as colegas da oposição que obstruíam a sessão.
Em meio ao debate, foi repreendido por uma sindicalista que estava no alto das galerias do plenário:
— Ei, eu sou de Bacabal (MA) e estou de olho em você!
João Alberto deu uma resposta inflamada, pediu silêncio e, diante do impasse, todo o plenário se calou.
A sindicalista, então, decidiu quebrar o gelo:
— Ô, minha gente, e cadê Aécio?!
Ninguém conseguiu conter as gargalhadas.

domingo, 18 de junho de 2017

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Reforma Pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Municípios, na Marcha dos Prefeitos, revela que 56,3% dos gestores defendem o fim da reeleição no Executivo, e 58,3%, o aumento do mandato para cinco anos.
Nem tanto Os dados mostram, porém, que 51,8% apoiam a reeleição no Legislativo.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

No PAINEL da Folha de S. Paulo

TIROTEIO
Torquato assume a Justiça, que revolta Serraglio, que complica Loures, que ameaça Temer. Não é mera coincidência com o poema ‘Quadrilha’.
DO DEPUTADO NILTO TATTO (PT-SP), sobre a crise que dragou o governo do presidente Michel Temer após acordo de delação fechado pelos donos da JBS.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Antagonistas Da cadeia, Eduardo Cunha disse a aliados que Temer não renuncia e que não dá de barato a queda do presidente. José Sarney fez diagnóstico oposto. Segundo interlocutores, avalia que Temer está em um beco sem saída e que deveria tentar conduzir sua transição.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Vale tudo Em meio às concessões para aprovar a reforma da Previdência, o ex-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), emplacou um aliado no Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O ato surpreendeu. Maranhão anulou o impeachment de Dilma Rousseff após Temer assumir.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

FRASE DO DIA

TIROTEIO
Quem tem um pensamento acinzentado e só frequenta galerias de arte nunca vai entender as cores dos artistas de rua.
DA VEREADORA JULIANA CARDOSO (PT), sobre o prefeito João Doria (PSDB) ter apagado grafites da avenida 23 de Maio, substituindo-os por tinta cinza.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Dias Melhores - Projeto realiza oficinas que ensinam idosos a grafitar pelas ruas de Lisboa


DIOGO BERCITO
DE ENVIADO ESPECIAL A LISBOA
Idosas participam do Lata 65, workshop de grafite para maiores de 65 anos, em Lisboa

    Salvo o crochê, Maria Cruz, 62, não tinha contato algum com as artes. Mas, há dois anos, ela trocou as agulhas pelas latinhas de spray e pintou um muro em Lisboa.
    Cruz participava de uma oficina de grafite voltada a idosos portugueses. O projeto, chamado Lata 65, tem crescido em Portugal e já respinga no Brasil. Houve uma edição no Sesc Santana, em setembro de 2015.
    Ela conta à Folha que, à época, vinha reclamando de sua saúde. "Eu estava me sentindo longe de tudo, um bocadinho depressiva", afirma, mas alegrou-se ao dedicar-se ao desafio de cortar moldes e grafitar a cidade.
    "É complicado, porque eu estava trabalhando em um território desconhecido. Mas logo veio o entusiasmo e foi muito compensador", diz.
    A alegria que ela relata é um dos objetivos do projeto Lata 65, cofundado em 2012 pela arquiteta Lara Seixo.
    Outra das metas é devolver idosos ao espaço público. "As cidades estão bombardeadas pela arte urbana. É uma questão de inclusão, porque eles passam a entender o que é feito na cidade deles", diz Seixo.
    O Lata 65, que já teve 23 edições, é resultado de trabalhos anteriores de Seixo com artes visuais. Ela conta que, naqueles anos, notava um maior entusiasmo por parte dos idosos. "Decidi trabalhar com eles e me disseram que era uma loucura. Mas gostei muito do resultado."
    O projeto é financiado pela venda de merchandising, como camisetas. A própria logomarca do Lata 65 foi desenhada por uma participante, que passou a sair sozinha para pintar os muros e chegou a ser detida pela polícia. Ela morreu no ano passado.
    Essa grafiteira tardia era um dos exemplos dos resultados das oficinas de grafite, diz Seixo. "Ela falava que demos a ela uma nova razão para viver, após um derrame."
    O relato se repete entre os participantes ouvidos pela reportagem. "As diferentes experiências e o aprendizado são benéficos para os mais velhos, porque nos mantêm atualizados", diz Isabel Paço, 63, do Porto. "Nos sentimos felizes, ativos, vivos, úteis."
    O trabalho com idosos é, para Seixo, uma tarefa portanto urgente. Falta apoio a essa população, diz. A própria arquitetura os exclui, com prédios antigos sem elevador, em ladeiras íngremes.
    "Tenho medo de vir a ser tratada como alguns dos idosos que participam da minha oficina, que estão à espera de morrer. Isso é uma coisa que me toca", afirma. Apesar de as oficinas serem abertas a todos os idosos, a maior parte dos alunos são mulheres, diz Seixo.
    Um dos poucos homens a se interessar foi Eduardo Machado, 70, que depois de aposentado passou a experimentar cerâmica e aquarela.
    "Sempre admirei os grafites feitos por essa gente nova. Alguns fazem rabiscos a vida toda, mas outros se aperfeiçoam. Eu nunca tinha me imaginado assim, no meio da cidade, pintando uma parede. Aconteceu." 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Febeapá moderno: Senado quer discutir enredo de escola de samba - Alvaro Costa e Silva

RIO DE JANEIRO - Fevereiro promete. Carnaval em tempos de crise é sempre espetacular. Aliás, nem parece crise: a expectativa é de mais de 5 milhões de pessoas nas ruas do Rio. A prefeitura liberou 473 blocos e bandas - de mais de 500 inscritos - para desfilar. Alguns são estreantes, como o Chinelo de Dedo, do Centro, ou o Bangay Folia, de Bangu.

    Vai ter trio elétrico baiano: o Bloco da Eva, do grupo de axé, sairá na Praia do Pepê, Barra da Tijuca - felizmente bem longe de onde se concentram os verdadeiros foliões. Estes preferem a desobediência civil, no melhor estilo bloco de sujos: seis ou sete amigos e amigas, vestidos com sobras da Casa Turuna, marcam encontro numa esquina, armam-se de tamborins e pandeiros e seguem em cortejo cantando velhas marchinhas e sambas-enredos.

    O melhor até agora é a polêmica envolvendo a Imperatriz Leopoldinense e o enredo "Xingu: o Clamor que Vem da Floresta", que faz críticas ao agronegócio. Um dos versos do samba chama a usina de Belo Monte de "belo monstro". Desde 1970, quando a Portela desfilou com "Lendas e Mistérios do Amazonas", a temática indígena é figurinha fácil na avenida, e quase sempre explorando a vertente política e contestatória.

    "O agro é tech, o agro é pop" e acha que pode tudo, inclusive agir como capitão do mato. Numa reedição do Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País), o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) quer propor uma sessão no Senado para descobrir os financiadores da Imperatriz. Poderia ter proposto o mesmo quando o agronegócio patrocinou enredos esdrúxulos como o cavalo mangalarga, o iogurte e a cidade de Sorriso (MT).
No mais, a festa resiste. Marcelo Crivella, o novo prefeito, está tendo aulas de samba no pé, para não fazer feio em sua primeira aparição no Sambódromo. Esquindô lelê.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Folha - Presidente Sarney (MA) é a cidade com a pior colocação no Bem-Estar Urbano




Marco Aurélio Canônico

    Quem chega ao município de Presidente Sarney (MA) se depara logo com as vias mal pavimentadas, o lixo espalhado e até pendurado em árvores –sinal inequívoco da coleta deficiente– e o esgoto que corre a céu aberto, espalhando mau cheiro.
    São problemas desse tipo que fizeram a cidade ficar em último lugar no recém-divulgado Ibeu (Índice de Bem-Estar Urbano), calculado pelo Observatório das Metrópoles, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. O índice usa dados do censo de 2010 para classificar os 5.565 municípios do país segundo a infraestrutura urbana de que dispõem.
    Sem rede de esgoto e com um sistema de abastecimento de água irregular (instalado em 2010), os quase 20 mil habitantes da última colocada se valem de fossas sanitárias e de poços artesianos. A cidade está numa região alagadiça, a Baixada Maranhense, a cerca de 200 km de São Luís, e, no período das chuvas (de janeiro a julho), é comum as fossas encherem.
Presidente Sarney
    Quando isso acontece, quem pode contrata, por R$ 100, limpa-fossas da cidade vizinha, Pinheiro –da qual Presidente Sarney se emancipou em 1997, usando a homenagem ao mais célebre político do Estado como trunfo. O esgoto que os caminhões recolhem nas casas é despejado no riacho do Pimenta.
    "Todo mundo tomava banho aqui, é o rio que deu origem à cidade. Hoje ninguém pode mais usar", diz o estudante Cleilson Araújo, 20. As vias que levam ao centro da cidade não são asfaltadas e têm iluminação escassa. A poucos metros do local de despejo de esgoto, um descampado faz as vezes de aterro sanitário. Só não está mais cheio porque os dejetos foram coletados na semana em que a Folha visitou a cidade.
SEM SURPRESA
    A notícia da desonrosa posição de Presidente Sarney no Ibeu não tardou a chegar aos habitantes, às vésperas do primeiro turno das eleições. Ela foi usada pela candidata vitoriosa, Valéria Castro (PC do B), mas não há consenso –nem entre políticos nem entre a população– sobre seu impacto no resultado.
    Nenhum dos moradores ouvidos pela Folha se surpreendeu com a identificação, pelo Ibeu, das más condições de sua terra. Mas todos citaram cidades que, segundo eles, estariam ainda piores. "Eu sabia que Presidente Sarney não estava num momento bom, mas não que estava péssimo. Para mim foi surpresa ser a última colocada", disse a futura prefeita.
    Valéria foi eleita por uma diferença de 278 votos –teve 4.483 eleitores, do total de 14.575. Venceu o candidato do atual prefeito, Edson Chagas (PMDB), que está em seu segundo mandato consecutivo. Os grupos políticos de ambos alternam-se no poder. "Nosso município é um dos mais prósperos do Brasil. Eu contesto esse índice, é inverdade. O senhor foi em outras cidades? Essa visita foi direcionada", afirmou.
    Ele admite, no entanto, dificuldades orçamentárias que se refletem nos serviços públicos –e também no pagamento dos salários do funcionalismo, que está atrasado. A cidade vive do Fundo de Participação dos Municípios. Seu orçamento previsto para 2016 é de R$ 63 milhões.
    Seus habitantes ou estão empregados pela prefeitura ou vivem da venda de areia e de peixes, extraídos do rio Turiaçu, que chamam de Turi. "Presidente Sarney não arrecada um centavo, vive exclusivamente dos repasses da União. Ser prefeito é um sofrimento, porque a renda é irrisória", diz Chagas.
    A seu favor, ele pode argumentar que estudos que usam métricas diferentes do Ibeu têm outros resultados. No Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios, que leva em consideração renda, longevidade e educação, Presidente Sarney se sai um pouco melhor: fica na 5.098ª posição.
    No Ranking de Eficiência dos Municípios, da Folha, que mostra quais cidades entregam mais saúde, educação e saneamento com menos recursos, a cidade está em 1.725º lugar. Sua administração é classificada como tendo "alguma eficiência".

    O que falta em infraestrutura na cidade parece sobrar em fé para seus moradores –a reportagem viu ao menos seis tipos diferentes de igrejas. Dos políticos, não parecem esperar grande coisa. "Não temos escola boa, não temos saneamento básico, lugar para praticar esporte. Qualquer obra que inauguram é ótimo, porque não tinha nada. Ficamos à mercê disso", diz Cleilson. 

domingo, 16 de agosto de 2015

Beco sem saída - FERREIRA GULLAR

Lula e Dilma tanto sabem que as acusações contra Dirceu procedem, que não vieram a público defendê-lo
    A primeira semana deste mês veio confirmar o ditado segundo o qual agosto é o mês do desgosto. Que o digam os petistas, a começar por José Dirceu, por Dilma e por Lula, que efetivamente não estão vivendo o melhor agosto de sua vida.
Sem exagero, tendo a acreditar que, em meio a tantos percalços, esta nova prisão de José Dirceu –e, sobretudo, as denúncias que a motivaram– foi um baque do qual, até agora, o petismo, em seus diferentes níveis, ainda não conseguiu se recuperar. E, creio eu, dificilmente o conseguirá.
    É que José Dirceu, depois de Lula, é a figura mais importante do Partido dos Trabalhadores, como comprova a sua história política. Pois bem, as acusações vêm confirmar não apenas sua atuação decisiva no esquema de propinas vultuosas em favor do PT como em seu próprio benefício.
    E não se trata de qualquer dinheiro, mas de milhões de reais. Com essa grana, comprou apartamento para a filha, adquiriu e mandou reformar imóveis de luxo.
    Para a perplexidade da nação, ficou-se sabendo que, mesmo depois de preso em consequência do mensalão, continuou, de dentro da prisão, a administrar o recebimento e aplicação das propinas milionárias. Isso indica que ele não estava levando a sério a ação da justiça e que achava que logo, logo, estaria livre e impune.
    Calculou mal, claro, mas não é isso que impressiona, e sim que aquele líder revolucionário, que enfrentou a ditadura militar e se dedicou à luta pelo socialismo, aliado de Fidel, tornou-se um corrupto, ladrão do dinheiro público.
    Não surpreende a ninguém que ele se diga inocente. Mas Lula, Dilma e a direção do PT sabem muito bem que as acusações são procedentes e, tanto o sabem, que não vieram a público defendê-lo, como o fizeram no caso do mensalão. Muito pelo contrário, a direção do PT fugiu da imprensa e se reuniu secretamente para discutir o abacaxi e ver que decisão tomar.
    Foi uma longa discussão. Se no mensalão ainda se sentiam à vontade para apresentá-lo como vítima de calúnias, precisamente pelo que significava como líder do PT, desta vez não se atreveram a tanto; pior ainda, sequer mencionaram-lhe o nome na nota que, por força das circunstâncias, tiveram de redigir e entregar à imprensa.
    Não diria que, por essa omissão, tenha a nota causado surpresa, já que todos sabíamos o quanto seria difícil para a direção do partido pronunciar-se sobre essa nova prisão de José Dirceu, em face das graves acusações, que sabia verdadeiras.     A nota do PT, de fato, cumpre uma única função: dar a entender que o partido nada tem a ver com as falcatruas de seu ex-presidente e um de seus líderes mais importantes.
    Ela não causou espanto, mas pegou mal. Como pegou mal o silêncio de Lula sobre a prisão e as acusações sofridas por seu companheiro de vida política e partidária, seu braço direito quando exercia a função de presidente da República, na condição de ministro da Casa Civil.
    Que pode significar esse silêncio da parte de Lula, senão o propósito de evitar que a desgraça do companheiro o contamine?
    Dilma tampouco tocou no assunto. É como se nada houvesse acontecido, embora ela seja presidente, chefe de um governo do mesmo partido a que pertence José Dirceu. Como ela se diz inimiga da corrupção, poderia até, quem sabe, pedir que o expulsem do PT. Mas a coerência não é o seu forte.
    De qualquer modo, ignorar o que acontece com José Dirceu, se é lamentável, era previsível, uma vez que, a cada dia, o cerco aperta em consequência de novas delações –e o desprestígio do governo atinge índices assustadores.
    Isso com apenas sete meses da nova gestão. E sem perspectiva de melhorar, uma vez que a situação econômica se agrava e o governo perde o apoio de seus próprios aliados, que começam a abandonar o barco, mesmo porque novos acusados aderem à delação premiada, como é o caso de Renato Duque, homem de ligação do PT com o esquema de propinas de Petrobras.
    Acredita-se que ele trará à Lava Jato informações só comparáveis às trazidas por Paulo Roberto Costa, e envolvendo diretamente os governos petistas e seu partido. Se se soma isso à ampla rejeição popular ao governo Dilma, pode-se admitir que a história do PT, como partido governante, parece chegar ao fim.

domingo, 28 de junho de 2015

Venezuela - FERREIRA GULLAR


A última coisa que Nicolás Maduro queria era senadores brasileiros na prisão onde estão os seus adversários
    Ninguém que leve a sério a democracia dirá que o governo da Venezuela é democrático. Não por causa do incidente recente com os senadores brasileiros; não, isso vem de longa data, pois quem o instalou foi o falecido Hugo Chávez, inventor dessa figura patética chamada Nicolás Maduro.
    Chávez, no começo de sua aventura política, já mostrara quem era ao tentar chegar ao poder por meio de um golpe militar. Deu-se mal e mudou de tática: passou a explorar o antiamericanismo, inventou o tal socialismo bolivariano e prometeu ao povão tudo o que lhe faltava. No poder, tratou de desmontar a estrutura legal do Estado venezuelano e pôs nos lugares-chaves --Forças Armadas, Judiciário e Legislativo-- gente sua. Já no final, pouco antes de adoecer gravemente, conseguiu que o Congresso aprovasse sua reeleição sem limites. Enfim, desejava perpetuar-se no poder até morrer. Por ironia do destino, o conseguiu.
    Hugo Chávez era, sem dúvida, um líder político, coisa que Maduro não é; ainda assim, após a morte de Chávez, elegeu-se presidente da Venezuela e logo mostrou quem era: passou a dizer que conversa com Chávez tendo como intermediário um passarinho e, pouco depois, criou o vice-ministério para a "Suprema Felicidade do Povo". E como ainda assim sua popularidade vem caindo, inventou que os Estados Unidos estão se preparando para invadir a Venezuela e derrubá-lo. Diante de uma tal ameaça, pôs as Forças Armadas em prontidão. Parece piada, mas é a mais pura verdade.
    Outra providência que toma frequentemente é mandar prender seus adversários políticos, sob qualquer pretexto, como, por exemplo, pregar a violência nas manifestações políticas. Como tem a Justiça nas mãos, decide e logo o adversário entra em cana. Pois bem, foram as mulheres desses presos políticos que vieram ao Brasil pedir, em nome dos princípios democráticos, a solidariedade dos políticos brasileiros a seus maridos, presos arbitrariamente. Um grupo de senadores da oposição decidiu ir a Caracas se solidarizar com os presos políticos venezuelanos e também sugerir ao presidente Maduro que marque a data das eleições para o Congresso, o que ele está adiando faz vários meses. Sabem por quê? Porque as pesquisas indicam que apenas cerca de 20% dos eleitores apoiam o seu governo.
    Os senadores brasileiros seriam levados por um avião da Força Aérea Brasileira, mas, para isso, seria necessária a permissão do governo venezuelano, que não veio. Como o presidente do Senado considerou aquilo um desrespeito ao Congresso brasileiro, Maduro recuou e permitiu a ida do avião. Pensei cá comigo: o que ele vai aprontar agora? Sim, porque a última coisa que Maduro desejaria era a presença de senadores brasileiros na penitenciária onde estão presos os seus adversários políticos.
    Ao chegar ao aeroporto de Caracas, o avião da FAB não recebia permissão para pousar. Afinal, a permissão foi dada. Durante o desembarque, mais complicações e dificuldades. Finalmente, com a presença do embaixador brasileiro, os senadores puderam deixar o aeroporto num micro-ônibus rumo à prisão onde estão presos os adversários políticos de Maduro. Um detalhe: o embaixador brasileiro não foi no mesmo carro, mas num outro, como se já soubesse, ou antevisse, o que iria ocorrer. E ocorreu: um grupo furioso de simpatizantes de Chávez e Maduro cercou o carro que levava os senadores, gritando e esmurrando os vidros do automóvel, impedindo-o de seguir adiante. Logo, os senadores souberam que as vias que conduzem à penitenciária estavam bloqueadas, por várias razões, sendo uma delas "para limpeza dos túneis". Claro, tudo mera coincidência, cujo resultado foi impedir a missão dos senadores brasileiros.
    Diante de tamanha afronta a representantes do poder Legislativo brasileiro, que faz o governo da presidente Dilma? O Itamaraty emitiu uma nota considerando lamentável a ação dos manifestantes contra nosso senadores. Da chefe do governo, nenhuma palavra, como era de se esperar, uma vez que, na sua última viagem à Europa, perguntada o que achava das arbitrariedades do governo Maduro, respondeu: "Muita gente gostaria que virássemos as costas para a Venezuela, como foi feito com Cuba".
    Não é preciso dizer mais nada.

sábado, 16 de maio de 2015

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Sala VIP A próxima semana vai ser movimentada para políticos investigados na Lava Jato. Estão previstos depoimentos nos inquéritos de Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR) e Edison Lobão (PMDB-MA)

domingo, 5 de abril de 2015

Um cara de sorte - FERREIRA GULLAR

Se não tivesse conhecido Mário Pedrosa, aos 21 anos de idade, que rumo teria tomado a minha vida?
    Inesperadamente, me pego a perguntar: se não tivesse conhecido Mário Pedrosa (1900-81) quando cheguei ao Rio, com 21 anos de idade, que rumo teria tomado a minha vida?
Teria sido outro, respondo sem hesitar e, ao mesmo tempo, assustado com a constatação.     Mas que outro rumo teria tomado?
    Impossível saber, uma vez que não aconteceu e isso me leva a crer que só poderia ter seguido o rumo que segui, tão decisivo foi tê-lo conhecido e me tornado seu amigo, integrando o grupo de jovens artistas que se formou em torno dele.
    Foi por tê-lo conhecido que tomei conhecimento da tendência concretista, de que ele se tornara adepto de propagador. Por esse razão, em torno dele se formou um grupo de pintores e escultores, que aderiram à nova tendência. Eu, que não era artista plástico e imprimira à minha poesia um rumo contrário à objetividade do concretismo, também me tornei um adepto do movimento.
    Em função de todos esses fatores, tornei-me amigo dos jovens artistas que seguiam as ideias de Pedrosa, com os quais passei a conviver e a discutir as novas ideias estéticas.
Na biblioteca de Mário, encontrei livros que me ajudaram a me formar intelectualmente; livros de filosofia, de estética e história da arte.
    Com ele, aprendi a ver de maneira mais ampla a questão da arte, valorizando as inovações da vanguarda, mas também a expressão virgem da arte das crianças, dos primitivos e dos loucos.
    Teria eu me envolvido com tais experiências, se não o tivesse conhecido? Possivelmente, não.
    Nem mesmo consigo imaginar-me, recém-chegado ao Rio de Janeiro, convivendo com outras pessoas.
    E me pergunto: teria eu lido os filósofos pré-socráticos, se não tivesse ele me emprestado o livro que reunia o pensamento desses filósofos?
    Certamente, não. E, se não os tivesse lido, não teria seguido o rumo que segui e que imprimi às minhas indagações de crítico de arte e de poeta. É que vamos nos fazendo pelo que lemos e pensamos.
    Foi porque me integrei naquele grupo de artistas que ajudei a inventar a poesia concreta e inventei o nome de arte neoconcreta para designar os trabalhos que realizamos depois.
    Não pretendo dizer que o fato de ter conhecido Mário Pedrosa e participado daquelas experiências e discussões do grupo tenha sido o único fator determinante do caminho que segui na vida cultural.
    As coisas não são tão simples assim, pela razão mesma de que as características de cada indivíduo -- enfim, sua individualidade-- são também determinantes de seu pensamento e de suas realizações.
    Basta dizer que cada um dos membros do grupo neoconcreto imprimiu a suas obras qualidades que o distinguem dos demais.
    Isso é verdade para eles como o é para mim, que, a certa altura, afastei-me deles e do tipo de arte que fazíamos, para engajar-me na luta política e por a serviço dela o meu trabalho intelectual.
    É que, àquela altura, a aventura neoconcreta me pareceu esgotada.
    Essa opção veio determinar minha aproximação com outro tipo de intelectuais, voltados inteiramente para as questões sociais e políticas, e uma mudança radical nas minhas preocupações e atividades culturais.
    Tratou-se, sem dúvida, de uma ruptura com o universo estético sofisticado em que atuei e com a concepção de vida que ele implicava.
    Basta dizer que, em vez de livros-poema e poemas-objeto, passei a escrever poemas de cordel, a mais rudimentar forma de poesia.
    Não obstante, o militante político que então me tornei levava consigo toda a experiência de arte e de vida que o convívio com Mário Pedrosa e os artistas do grupo me possibilitara e que iria determinar, por sua vez, mudanças posteriores que me fizeram ser quem sou hoje.
    Mas não sou eu, nem o que ocorreu comigo, o que importa aqui. Quando formulei a pergunta do início desta crônica, estava na verdade constatando o quanto fatores casuais são determinantes na nossa existência.
    Nesse caso, tive a sorte de me tornar discípulo de um homem que era exemplo de lucidez e sonho, de erudição e irreverência. Por tudo isso, só posso dizer que dei na sorte na vida.
Da Folha