segunda-feira, 10 de março de 2014

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Mais médicos chegam para atuar no MA
Região
Jornal do Commercio: Embalados para o clássico
Meio-Norte: Traficantes distroem ginásio e escolinha
O Povo: Ceará ainda tem 93,8 mil famílias em casas de taipa
Nacional 
Correio Braziliense: Crime não escolhe hora no Plano Piloto
EstadãoUcrânia reage e planeja adesão à União Europeia
Folha: Haddad quer vetar prédio alto no meio de bairro
Zero Hora: Crise abala parceria espacial

domingo, 9 de março de 2014

Quisera ser um gato - FERREIRA GULLAR

Alegra-me a confiança de um bicho que não fala a minha língua, que não sabe quem sou eu 
    Fora os fantasmas que me acompanham e me fazem refletir sobre o sentido da vida, vivo eu, neste apartamento, com uma gatinha siamesa. Que é linda, não preciso dizer, mas, além disso, é especial: quase nunca mia e, quando soa a campainha da porta, se arranca. Nem eu sei onde ela se esconde. 
    Ela é, portanto, muito diferente do gatinho que, antes dela, me fazia companhia e que se foi. Morreu de velho, já que nunca havia adoecido durante seus 16 anos de vida. Quando adoeceu, foi para morrer. Não preciso dizer que fiquei traumatizado e não quis mais saber de outro gato. Amigas e amigos me ofereceram um substituto para o meu gatinho, e eu respondia que amigo não se substitui. 
    Os anos se passaram, a dor foi se apagando, até que um belo dia, minha amiga Adriana Calcanhotto chegou aqui em casa com um presente para mim: era uma gatinha siamesa. Faltou-me coragem para dizer não, mesmo porque a bichinha me encantou à primeira vista. Manteve-se arredia por algum tempo, mas logo me aceitou e nos tornamos amigos. 
    Hoje me sinto praticamente lisonjeado pelo fato de que, por medo ou desconfiança, enquanto ela foge de todo mundo, me busca pela casa, sobe em minhas pernas e ali se deita, isso sem falar que, todas as noites, dorme em minha cama. 
    Confia em mim, sabe que gosto dela e que pode contar comigo para o que der e vier. Essa confiança de um bicho que não fala a minha língua, que não sabe quem sou eu, mas só o que sou dentro desta casa, me alegra. 
    E às vezes, olhando-a dormir na poltrona da sala, lembro que para ela a morte não existe, como existe para nós, gente. Ela é mortal, mas não sabe, logo é imortal. A morte, no caso dela, é apenas um acidente como outro qualquer, dormir, comer, brincar, correr; só existirá quando acontecer, sem que ela saiba o que está acontecendo. 
    Neste ponto é que a invejo. Já pensou como a vida seria leve se não tivéssemos consciência de que ela acaba? Seria como viver para sempre, tal como ocorre com a gatinha. 
    E enquanto penso essas tolices, ela --que se chama Gatinha-- se levanta, vem até mim e começa a se roçar nas minhas pernas, insistentemente. Só então me dou conta de que está pedindo que eu vá até a cozinha e ponha ração no seu prato. Ela não sabe que é mortal, mas sabe muito bem que necessita comer e que quem lhe providencia a comida sou eu. 
    A verdade é que vivemos os dois neste apartamento cheio de livros, quadros e móbiles (feitos por mim, não por Calder, ou seja, falsos móbiles) e nos entendemos bem. A Gatinha é diferente do Gatinho, é de outra geração, a geração do pet shop. Por isso mesmo, ela não come carne nem peixe, só come ração. 
    Consequentemente, ao contrário do Gatito, que subia na mesa para xeretar meu almoço, ela não está nem aí para comida de gente, só quer saber de ração. E tem mais: só pode ser aquela ração; se mudar, ela não come, cheira e vai embora. 
    Aliás, isso criou um problema sério, quando a ração que Adriana trouxera terminou. Como não entendia de rações, ao ver que a dela acabara, fui a um pet shop aqui perto para comprar e, como não tinha a dela, decidi comprar qualquer outra, mas fui advertido pela dona da loja de que teria que ser da mesma ração. 
    Fui a outra loja, bem mais longe, e lá também não tinha a tal ração. Pedi a meu neto que a comprasse num pet shop do Humaitá, bairro onde ele mora, e nada, lá também não havia. Desesperado, liguei para Adriana que, imediatamente, me fez chegar aqui em casa dois pacotes com a raríssima ração que a gatinha comia. Respirei, aliviado.
    Depois aprendi que para evitar que ela morra de fome, no caso de faltar sua ração exclusiva, há que ter em casa uma ração parecida e ir misturando à sua até que se acostume. Coisas de gatos modernos, muito diferentes daqueles que, outrora, vagabundeavam aqui pelos telhados e pela rua. 
    Mas, se mudou a ração, não mudou a razão que me fez adotá-la como minha companheira de todas as horas, que me acorda, pontualmente, às seis horas da manhã, vindo cheirar meu rosto sob o lençol. E agora a vejo, ali, a poucos metros de mim, deitada na poltrona, livre da morte, nesta tarde de março, num determinado ponto da Via Láctea, onde moramos.
Da Folha de S. Paulo

Luiz Fernando Silva e outros aliados de Dilma pegam carona na entrega de máquinas

Aliados da presidente pegam carona na entrega de máquinas
Assim como Dilma, pré-candidatos nos Estados têm usado programa federal para se aproximar de prefeitos
Fernando Pimentel, de MG, e Rui Costa, da BA, estão entre os petistas que mais viajam pelo PAC Equipamentos
PAULO PEIXOTODE BELO HORIZONTE
    Pré-candidatos a governos estaduais aliados da presidente Dilma Rousseff estão pegando carona no programa federal que distribui milhares de máquinas a prefeituras de pequenas cidades.
    Em Estados como Minas Gerais, Paraná, Bahia, Mato Grosso do Sul e Maranhão, por exemplo, retroescavadeiras, motoniveladoras e caminhões-caçamba doados pelo governo federal são entregues pessoalmente pelos pré-candidatos.
    O programa PAC Equipamentos, com investimentos de R$ 5 bilhões, é uma das atuais vitrines de Dilma.
    Ela tem viajado o país para entregar essas máquinas, em eventos que sempre reúnem dezenas de prefeitos.
    No caso dos pré-candidatos, dois petistas chamam a atenção: Rui Costa (BA) e Fernando Pimentel (MG).
    Costa é chefe da Casa Civil do governo baiano e o nome escolhido no PT para a sucessão de Jaques Wagner.
    Em eventos com prefeitos pelo interior, ele estima ter entregue 2.300 máquinas desde o início de 2013 --mais do que a própria Dilma, que soma quase 1.900 entregas.
    Desse montante, Costa distribuiu 1.276 máquinas custeadas pelo governo federal. As demais foram por convênios entre o órgão federal Codevasf e o governo da Bahia.
Costa já percorreu ao menos dez municípios. Nos últimos três eventos, também participou da entrega o vice-governador Otto Alencar (PSD), provável candidato ao Senado na chapa petista.
    A Folha acompanhou um desses eventos, em Salvador, na semana passada. Presente e agraciado, o prefeito de Candeal (BA), Fernando Nere (PMDB), disse que apoiará Rui Costa, mesmo com a provável candidatura do peemedebista Geddel Vieira Lima.
"Estou com quem está comigo e ajuda a cidade", afirmou Nere.
RITUAL
    Nos Estados, nas cerimônias de entrega das máquinas, os pré-candidatos seguem o mesmo ritual de Dilma: entregam as chaves, cumprimentam e posam para fotos com os prefeitos.
    No caso de Pimentel, quatro dias após deixar o ministério do Desenvolvimento ele viajou com Dilma a Governador Valadares, no interior de Minas Gerais, para a entrega desses equipamentos a 92 prefeitos. Sentou-se na mesma fileira da presidente, à vista dos presentes.
    Na última quarta, o pré-candidato repetiu o gesto em Betim (MG). Saudado por Dilma e sentado a duas cadeiras dela, adotou o mesmo gesto da presidente e abraçou um a um todos os 209 prefeitos.
    Ainda ministro, Pimentel participou de duas outras entregas de máquinas. Foi o mesmo caso da senadora e pré-candidata ao governo do Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), que entregou máquinas em ao menos cinco cidades paranaenses na condição de ministra da Casa Civil.
    O secretário maranhense de Infraestrutura, Luiz Fernando Silva (PMDB), e o senador sul-mato-grossense Delcídio Amaral (PT) são outros pré-candidatos que também entregaram máquinas.
    Coordenador das promotorias eleitorais de Minas e professor de direito eleitoral, o promotor Édson Resende vê, em tese, legalidade na entregas dessas máquinas.
    "[Mas] quando começa a colocar gente sem relação com aquele evento, passamos a suspeitar da finalidade da presença delas lá. Pode ser abuso de poder político, pode caber eventual ação."
MÁQUINAS EM NÚMEROS*
O PROGRAMA

PAC Equipamentos prevê a entrega de máquinas agrícolas para municípios de até 50 mil habitantes ou em situação de seca. Já atendeu 5.071 prefeituras
11.799

já foram entregues, de 2013 a meados de fevereiro, sendo:
5.071 retroescavadeiras

2.883 motoniveladoras
1.913 caminhões-caçamba
1.171 caminhões-pipa
761 pás-carregadeiras

A previsão é que, neste ano, o total entregue seja de 3.784 máquinas, sendo:
3.754 caminhões-caçamba e

30 motoniveladoras

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Possível eleição indireta divide o PT
Região
Jornal do Commercio: Enfim, começa 2014
Meio-Norte: Copa deixará herança de obras de mobilidade
O Povo: Um clássico-rei imperdível
Nacional 
Correio Braziliense: Sem medo de encarar o Leão
EstadãoPerdas do setor elétrico chegam a R$ 32 bi em um ano
Estado e Minas: Cidades universitárias
Folha: Juros consomem 53 dias dos endividados
O GloboBeltrame: Forças Armadas podem voltar ao Alemão
Zero Hora: Drogas, biografias e outras polêmicas na agenda do STF

sexta-feira, 7 de março de 2014

Salão de Humor do Piauí está ameaçado de extinção

   
    O organizador do Salão Internacional de Humor do Piauí, Albert Piauí (foto acima), está desertando do evento.  Piauí diz ter alcançado sua meta: superar o realizador do salão de humor de Montreal, no Canadá, um dos mais antigos no mundo realizado há mais de 30 anos.
    Em 2013 o Salão do Piauí teve sua 30º edição, aglutinando expressões artísticas, além de artesanato e culinária. Pela primeira vez, o salão se transferiu de endereço: trocou a capital Teresina pela litorânea Parnaíba.
    Albert Piauí diz estar cansado de correr atrás. No ano passado teve apoio da Petrobras e Caixa Econômica. Captou recursos chancelado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura.
    O slogan País rico é pais sem miséria não sensibiliza Piauí. Combativo dos petistas, morando em Parnaíba, Albert Piauí é um dos principais defensores da terceira via, que tem o nome do ex-senador Mão Santa como opção para disputar o governo com o senador Wellington Dias (PT) e o deputado federal Marcelo Castro (PMDB). 
    "Ele tem que deixar a piada de lado e falar sério sobre os problemas do Piauí", aconselha o piauiense organizar do salão de humor. Mão Santa foi prefeito de Parnaíba antes de chegar ao Palácio Karnak, sede do governo estadual do Piauí, e ao Senado Federal. Sua passagem pelo Congresso foi marcante, principalmente pelas referência à Lula a quem invariavelmente chamava Luís Inácio.
    O cartunista maranhense Érico Junqueira é figura carimbada do Salão Internacional de Humor do Piauí. Em 2013 o cartunista Tonho Oliveira, do Rio Grande do Sul foi o grande vencedor do festival.  O organizador do festival conta com apoio do governo do estado do Piauí.

Teresina (PI) adota "lixo zero" no centro da cidade

    A partir de segunda-feira, 10, a prefeitura de Teresina inicia aplicação da Lei do "Lixo Zero". O (a) que for flagrado (a) sujando a cidade será multado em R$ 100 por cada infração cometida. Para os reincidentes a multa será dobrada. 
    Inicialmente a medida vai valer para  região central da cidade. Depois disso será estendida para os bairros.
    A escolha do centro levou em consideração o fluxo de pessoas e a quantidade de lixeiras instaladas.
    Seis praças, a avenida Frei Serafim, uma das principais da cidade, serão os pontos fiscalizados pelos serviços da prefeitura.
    O fiscal vai abordar o infrator pego no ato de imundície e solicitar a este a apresentação do documento de identificação.  A partir daí será apresentado o auto da infração com o devido valor da multa. O prazo para contestação e recursos será de 10 dias. Caso confirmado este terá que solicitar o boleto para pagamento da multa.
    Os inadimplentes serão inscritos na dívida ativa do município, ficando impedidos de solicitar qualquer documentação junto aos órgãos da prefeitura, como certidões negativas, alvarás, licenças e outros.

Cultura do lixo - RUY CASTRO

RIO DE JANEIRO - A greve dos garis cariocas --ou de uma facção deles, com indisfarçável inspiração política-- serviu para nos alertar sobre o lixo. Só na Zona Sul, o volume de embalagens, latas, garrafas e plásticos que se deixou de recolher em quatro ou cinco dias daria uma montanha da altura do Pão de Açúcar. O progresso é porco.
    Os peritos estabeleceram que é a quantidade de lixo produzido que separa os ricos dos pobres. Os ricos, leia-se o hemisfério Norte, geram em média 2 kg de lixo/dia --os EUA, 3 kg. Nós, os pobres, que comemos e consumimos menos, não passamos de 1 kg. O que não é motivo de alívio ou regozijo porque nem assim sabemos o que fazer com ele --metade do lixo produzido no Brasil vai para depósitos inadequados, e 800 mil brasileiros vivem do que recolhem naquela nojeira.
    No que ainda nem fomos, os ricos já estão de volta. Os EUA, por exemplo, vendem o seu excesso de lixo para a China. E, enquanto o mundo se preocupa com o lixo industrial, eletrônico e radioativo, de difícil assimilação, ainda não nos entendemos nem com o lixo orgânico --imagine o resto. Para onde irão os nossos 270 milhões de celulares quando morrerem? Eles não se decompõem na natureza.
    Um clássico do teatro americano, a comédia "Nascida Ontem", de Garson Kanin, tem como protagonista um brutamontes chamado Eddie Brock, o rei do lixo na América. Sua fortuna, medida em toneladas, é de tal ordem que lhe permite ter no bolso até um senador. O que ele faz com o lixo não é mostrado, mas dá para entender que, já então --a peça é de 1946--, o lixo podia ser um grande negócio. E, hoje, é muito mais.
    Obrigado aos grevistas por me fazer pensar. Mas seria justo que fossem multados pelo lixo que deixaram na rua. Se uma guimba de cigarro no chão vale R$ 157 no Lixo Zero, quanto eles não estarão devendo?

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Registradas 18 mortes em São Luís no feriadão
Região
Jornal do Commercio: Baile do Leão e selvageria
Meio-Norte: Wellington Copa não terá vaia nem protesto
O Povo: Dengue: Fortaleza em estado de alerta
Nacional 
Correio Braziliense: Papuda ironiza judiciário sobre regalia a mensaleiros
Estadão: Balança fecha bimestre com déficit de U$ 6,2 bi
Estado e Minas: A tensão muda de endereço
Folha: Governo Alckmin reduz captação de água de reservatório
O Globo: Comlurb trabalha sob escolta e prevê lixo na rua até domingo
Zero Hora: Falta de chuva ameaça plano B para energia

quinta-feira, 6 de março de 2014

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Quinto é a campeã do carnaval
Região
Jornal do Commercio: Até 14 de fevereiro...
Meio-Norte: Mais 120 médicos virão par o Piauí até abril
O Povo: O carnaval mais violento dos últimos dez anos
Nacional 
Correio Braziliense: #imaginanacopa
Estadão: Rússia e EUA fracassam em acordo sobre Ucrânia
Estado de Minas: Dragão põe bloco na rua
Folha: Governo vai mudar leilão de celular para fazer caixa
O GloboUnidos da Tijuca vence a corrida pelo título
Zero Hora: Ampliação do clínicas deve começar ainda em março

quarta-feira, 5 de março de 2014

Lambe-lambe: Quarta-feira de Cinzas em São Luís (MA)


Gastão Vieira não sabe até quando fica

No PAINEL da Folha de S. Paulo
Cubo mágico O Planalto gostaria de efetivar ainda nesta semana algumas trocas de ministros, mas a nomeação de Vital do Rêgo para o Turismo tem de ser casada com a sucessão na Agricultura, ainda indefinida.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Alegria de volta à avenida
Região
Meio-Norte: A 99 dias, Dilma afirma que será a Copa da paz
O Povo: A folia resistiu
Nacional 
Correio Braziliense: Não deixe o samba morrer...
EstadãoPutin alega golpe de Estado para justificar ação na Ucrânia
Estado de Minas: Abram alas para o BRT metropolitano
Folha: Putin diz que tem direito de usar a força na Ucrânia
O Globo: Salgueiro leva estandarte

terça-feira, 4 de março de 2014

Lobão sobre o Carnaval do Brasil

"Carnaval...Por sinal a gente só fez Carnaval até hoje. E essa monomania de festividade histérica, que tanto nos caracteriza, não tem dado resultados muito satisfatórios há muitos carnavais, amigo. Muito embora a grande maioria dos nossos pensadores, cegos à realidade brutal que nos assola, se ufane e defenda com unhas e dentes esse estranho comportamento, essa ditadura da alegria por nós praticada e cultuada.
    Bem que poderíamos focar nossas energias em coisas mais interessantes e ambiciosas do que essa obsessão pela carnavalidade como epicentro de nossa percepção do cosmo."

Trecho do capítulo A utopia antopofágica revisitada - carta e Lobão a Oswald de Andrade, do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca (Editora Nova Fronteira)

Sociologia do ateísmo - LUIZ FELIPE PONDÉ

Na Finlândia, em 2000, 60% se diziam ateus; em 2001, 41%; em 2004, 28%. Há uma queda de ateus
    Semanas atrás, escrevi nesta coluna ("Quem Herdará a Terra?") sobre uma disciplina chamada demografia das religiões. A tese do autor em questão, Eric Kaufmann, é que os seculares têm muitas ideias, mas têm poucos filhos, e por isso em breve o Ocidente perderá em muito seu perfil secular.
     Mesmo aqueles seculares que adotam a teoria da seleção natural de Darwin como visão de mundo, adotam-na apenas na teoria, porque na prática não o fazem: seleção natural, no limite, é reprodução; quem não reproduz desaparece. E as mulheres seculares são inférteis por conta dos valores individualistas que carregam.
     Recebi muitos e-mails (não imaginei que esse assunto seria um blockbuster) e alguns me chamaram a atenção para um fato interessante: os ateus (que não são a mesma coisa que os seculares, porque posso crer numa inteligência organizadora do universo e não crer que ela seja Jesus ou similar, e viver sem referência a qualquer código religioso) creem firmemente que dominarão o mundo por meio da educação, das ciências e da tecnologia. Podem estar bem errados.
    O ateísmo vem muitas vezes acompanhado de uma crença num processo histórico inexorável em direção ao ateísmo universal, uma vez dadas "educação e cultura" para todos. Esquece, esta querida tribo, que as pessoas, sim, fazem escolhas baseadas em modos distintos de valorar a vida e seus sucessos, e que, sim, muitas comunidades religiosas usam ciência e tecnologias da informação ao seu favor e com grande habilidade.
    Antes de tudo, é importante reconhecer que a sociologia do ateísmo, sim, pode nos fazer crer, em alguma medida, que há uma relação entre alta formação cultural, boa educação universitária e "ateísmo orgânico", aquele tipo de ateísmo a que você chega por meio da escolha livre --e não porque algum regime totalitário (como o de Cuba) ou pais autoritários proíbem você de crer em Deus ou similar.
    Mas o tema transcende essa teoria e é por demais importante para ser pego nas redes de "pregações" disso ou daquilo, pelo menos para quem acredita que a sociedade secular deve ser cuidada, mas não iludida com seus próprios fantasmas de sucesso no futuro.
    Vejamos alguns dados dos pesquisadores Norris, Inglehart, Davie, Greeley, Bondenson e Peterson. Peguemos países estatisticamente apontados como possuidores de alta percentagem de ateus orgânicos da Europa ocidental:
    Suécia: em 1999, 85% se diziam ateus; em 2001, 69%; em 2003, 74%; em 2004, 64%. De 1999 até 2004 há uma variação para baixo dos ateus assumidos.
    Dinamarca: em 2000, 80% se diziam ateus; em 2003, 43%, e em 2004, 48%. Ainda que tenha havido um pequeno crescimento entre 2003 e 2004, a queda entre 2000 e 2004 é evidente.
    Noruega: em 2000, 72% se diziam ateus; em 2003, entre 54% e 41%; em 2004, 31%. Também queda.
    Finlândia: em 2000, 60% se diziam ateus; em 2001, 41%; em 2004, 28%. Também vemos uma redução dos ateus assumidos.
    Entretanto, sabemos que pesquisas nem sempre são precisas e que seus métodos variam e, portanto, seus resultados podem não ser tão autoevidentes.
    Esses países têm visto um número crescente de grupos cristãos fundamentalistas, mas o importante é entender que esse crescimento se dá, diferentemente do caso dos EUA, ainda sob grande discrição. Sem ruídos, mas com determinação.
    O caso dos luteranos laestadianos finlandeses (comunidade luterana fundamentalista na vila de Larsmö) é de chamar a atenção.
    A relação entre a fertilidade de suas mulheres e a das finlandesas seculares é a seguinte, respectivamente: 1940, dois bebês contra um; 1960, três bebês contra um; 1980, quatro bebês contra um. Em 1985, a taxa de fertilidade de cada grupo era 5,47 para as fundamentalistas e 1,45 para as seculares.
    A maioria das instâncias de razão pública (tribunais, universidades, escolas, mídia) é, ainda, tomada por seculares. Isso nos faz pensar que o mundo é "nossa bolha".
    Veja que, no Brasil, nem o poderoso movimento gay conseguiu derrubar o pastor Feliciano. O "lifestyle" individualista secular é autocentrado e dado a "causas do Face", e por isso não tem defesa contra mulheres férteis e homens determinados.

Mensalão: uma visão pessimista - RODRIGO NOSCHANG

Não se diga que o tão falado julgamento será um divisor de águas
        Muito se tem falado em novos tempos no país após o julgamento da Ação Penal nº 470 pelo Supremo Tribunal Federal. A partir de então, elitizados políticos e gestores públicos teriam “aprendido” a lição de que não são imunes à justiça criminal. Daqui para frente, tudo passaria a ser diferente, e a corrupção teria sofrido um duro golpe.

    Ledo engano.
    O modelo eleitoral e os sistemas de governo e de Estado brasileiro são corruptos desde o seu nascedouro. E o pior: as pessoas aprenderam com ele a corromper e a serem corruptíveis. Por isso, não se diga que o tão falado julgamento será um divisor de águas.
    Obviamente que não se pode negar que a repressão casuística a crimes praticados por altos políticos e gestores públicos em prejuízo de toda a coletividade há de ser louvada. Entretanto, soa ingênuo pensar que esses delitos escassearão.
    O Brasil tem impregnada em seu âmago uma cultura pela vantagem fácil. O famoso “jeitinho brasileiro” nada mais é do que a representação desta assertiva. Tudo pode ser resolvido de uma forma “mais fácil”, desde que, obviamente, os interessados saiam lucrando.
    Daqueles que nos governam, então, o que esperar, se são justamente os seus eleitores que mais esperam ter alguma vantagem (leia-se: cargos ou até mesmo dinheiro) após o êxito eleitoral?
    Sim, há exceções. Há cidadãos que ainda mantêm hígida a probidade exigível e necessária a uma sociedade republicana que tem como objetivo promover o bem de todos, como reza o texto constitucional (art. 3º, IV). O grande problema é que estes, na sua grande maioria, estão muito ocupados tentando sobreviver alheios a todas as mazelas que esta verdadeira subversão institucional lhes impõem (alta carga tributária, burocracia excessiva etc).
    Enfim, nada mudará, num futuro próximo ou distante. Os órgãos e instituições responsáveis pela repressão aos crimes de colarinho branco terão que estar cada vez mais preparados, e terão cada vez mais trabalho na consecução de suas funções.
    Das lições de Aristóteles e Platão já se extraía que a democracia é um sistema perigoso e corrupto. E parece que os ilustres filósofos, efetivamente, estavam certos.

Governo do Maranhão falsifica lei de acesso à informação

Lei de Acesso à Informação não funciona em 11 Estados
Prestes a fazer dois anos, norma aguarda regulamentação de sete governos
AP e MA disponibilizam botões falsos em seus sites, SE exige título de eleitor e RR pergunta se usuário age 'de boa-fé'
DIÓGENES CAMPANHAPATRÍCIA BRITTODE SÃO PAULO
    Quase dois anos após entrar em vigor, a Lei de Acesso à Informação ainda é uma realidade distante em ao menos 11 Estados do país.
    Segundo a CGU (Controladoria-Geral da União), até o mês passado sete Estados ainda não a tinham regulamentado: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Roraima.
    Em dois deles (Amapá e Maranhão), é impossível fazer qualquer tipo de pedido.
E mesmo onde já há regras definindo como deve ser a prestação de informações, a falta de um setor específico e de sites para receber os requerimentos dificultam a aplicação da legislação.
    Há ainda casos inusitados de obstáculo à transparência, como a exigência do número do título de eleitor do solicitante e de uma declaração de que está "agindo de boa-fé".
    Para testar a aplicação da lei, a Folha fez pedidos de informação a todas unidades da federação.
    Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Rio Grande do Norte não possuem site específico no qual deveria ser possível requerer informações por meio de um formulário que gere protocolo e permita o acompanhamento.
    Em Pernambuco e no Amazonas, os formulários existem, mas precisam ser enviados por e-mail e não permitem acompanhamento.
    Problema semelhante ocorre no Rio Grande do Norte e no Pará, onde os pedidos precisam ser enviados por meio do "Fale Conosco" dos portais do governo.
    Em Sergipe, o governo exige até o número do título de eleitor. O requisito contraria a Lei de Acesso, que prevê que "qualquer interessado", incluindo menores, estrangeiros e não eleitores, pode requerer informações.
    Em Roraima é preciso declarar "estar agindo de boa- fé". Mesmo assim, o site apresentou problemas técnicos por vários dias seguidos.
    Falhas também foram encontradas em Pernambuco, onde o ícone "Acesso à Informação" direcionava a uma página de acesso restrito ao administrador do sistema.
    No Rio Grande do Sul, a reportagem encontrou dificuldades ao tentar recorrer de um pedido não atendido. Na primeira tentativa, a página estava indisponível. Após contato com o governo, o site voltou a funcionar, mas outra falha surgiu: o sistema considerou, indevidamente, que o prazo para recurso (de dez dias) havia se esgotado.
    Já no Maranhão e no Amapá, onde a lei não foi regulamentada, os sites exibem falsos botões com ícone "Acesso à Informação". No primeiro caso, o link direciona o usuário para o site da CGU. No segundo, a página inicial do site é apenas recarregada.

OUTRO LADO
Gestões admitem falhas e prometem fazer melhorias
DE SÃO PAULO
    A maior parte dos Estados com obstáculos para fazer pedidos por meio da Lei de Acesso à Informação reconheceu as falhas e afirmou que melhorias estão em curso.
Os governos do Maranhão e do Amazonas afirmam que elaboram um projeto de lei para regulamentar a norma.
O controlador-geral do Rio Grande do Norte, José Anselmo Carvalho, disse considerar que, por ora, a lei federal é suficiente para garantir o acesso às informações.
O Acre disse que aguarda a classificação de documentos para, em seguida, normatizar a aplicação da lei.
O governo de Rondônia informou que a criação do serviço de acesso à informação, inclusive de um site para receber os pedidos, está "em andamento".
Pernambuco afirmou que houve "erro pontual" no link que direcionava para a página de administrador do sistema. Após o contato da reportagem, a falha foi corrigida.
Quanto aos pedidos serem enviados por e-mail, disse estar "adaptando o sistema informatizado" para receber requerimentos no site.
Sobre falhas na etapa de recursos, o Rio Grande do Sul disse que uma atualização fez o site ficar temporariamente indisponível e provocou o erro na contagem do prazo.
Pará e Amapá não se manifestaram sobre a não regulamentação. Em Roraima, a controladora-geral, Maria Perpétua Magalhães, marcou horário para entrevista, mas não atendeu mais as ligações.
O governo de Sergipe também não respondeu.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Show na passarela
Região
Meio-Norte: HUT atende 100% acima do seu limite
Nacional 
Correio Braziliense: Servidores reclamam da futura sede do CNJ
Estadão: Rússia dá ultimato à Ucrânia e UE  estuda sanções a Moscou
Estado de Minas: Faltam 100 dias...Para decolar. Para construir
Folha: Aumento de tensão na Ucrânia derruba bolsas
O GloboA ilha não é brinquedo 

segunda-feira, 3 de março de 2014

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Carnaval agita São Luís
O Imparcial: MPF investiga gasto público com carnaval
Região
Meio-Norte: Carnaval registra 24 arrastões no litoral
Nacional 
Correio Braziliense: Jovens reinventam a folia de Brasília
EstadãoUcrânia entra em alerta; EUA ameaçam tirar Rússia do G-8
Estado de Minas: Brasil, o meu refúgio 
Folha: Ucrânia fecha o espaço aéreo e chama reservistas
O Globo: Um salto para a eternidade

domingo, 2 de março de 2014

Carnaval 2014 de São Luís: Programação da Passarela do Samba deste domingo, 2

17h – Apresentação de Tambores de Crioula, no entorno da Passarela
Desfile dos Blocos Organizados
19h às 19h15 - Unidos da Vila Embratel
19h20 às 19h35 - Sambista Caroçudos
19h40 às 19h55 - Unidos do Porto Grande
20h às 20h15 - Pau Brasil
20h20 às 20h35 - Os Gorgeadores
20h40 às 20h55 - Os Cobras das Estrelas
21h às 21h15 - Mocidade de Fátima
Desfile das Escolas de Samba
21h30 às 22h30 Marambaia do Samba
22h40 às 23h40 Turma de Mangueira
23h50 às 0h50 Império Serrano
01h00 às 2h00 Turma do Quinto
2h10 às 3h10 Favela do Samba

Cenas de um drama real - MARTINHO DA VILA

No Brasil, parte-se do pressuposto de que, sempre que ocorre um roubo, desde que não seja de dinheiro público, um negro é suspeito
1. Um rapaz negro caminha de volta para casa em uma rua suburbana do Rio de Janeiro. Um carro com um casal para à sua frente, a mulher grita: "É ele o ladrão!". Um homem salta apontando-lhe um revólver. É o policial Waldemiro Antunes de Freitas Junior que o obriga a deitar-se de bruços, faz a revista, constata que não encontra-se armado e o conduz à delegacia.
2. O delegado William Lourenço Bezerra o autua, apesar dos seus gritos veementes de inocência, mesmo sem o acusado estar com o produto do roubo. Era a palavra dele contra a dela, que prevaleceu.
3. Vinícius Romão de Souza é trabalhador empregado em uma loja como vendedor de roupas e é recém-formado em psicologia, além de ser ator que já participou de novela da TV Globo. É o orgulho da sua família, que ficou muito abalada com a notícia da prisão.
4. O rapaz é mandado para uma casa de detenção em outro município e lá permanece por duas semanas, entre assaltantes perigosos, presos por agressões e outros negros inocentes como ele.
5. O desespero da mãe e as andanças do pai por hospitais públicos, necrotérios e depósito de presos até conseguir descobrir onde o filho se encontrava e a notícia da prisão ser publicada pela imprensa.
6. O drama da mulher que o acusou, agoniada pela dúvida de que tinha ou não cometido uma injustiça ao reconhecê-lo, a ponto de desejar ir retirar a queixa, o que não o fez apenas por faltar o dinheiro para a passagem. Dalva da Costa Santos é pobre. O que lhe foi furtado foram poucos reais e um telefone celular desatualizado.
7. As reações de militantes do movimento negro e os protestos públicos dos amigos brancos do rapaz, o que levou o delegado Niandro Lima, titular da 25ª DP (Engenho Novo), a impetrar um habeas corpus, documento jurídico que tem o poder de libertar indivíduos que possam estar sofrendo alguma injustiça.
8. Procurado pela imprensa, o pai, Jair Romão, militar aposentado, declarou: "Eu sou espírita e perdoo a acusadora e o policial que prendeu meu filho". No Brasil, muitas vezes parte-se do pressuposto de que, sempre que ocorre um roubo, desde que não seja desvio de dinheiro público, um negro é suspeito. Por motivo da lentidão das nossas ações judiciais, o habeas corpus levou ainda um dia para ser cumprido.
9. Respondendo a um jornalista sobre os dias no presídio, Vinícius disse: "Assim que cheguei, tive medo, mas tremi mais quando fui abordado porque a arma estava apontada para mim e podia disparar. Eu sou inocente e sabia que a justiça seria feita. Por isso não me desesperei nem chorei".
    Questionado sobre discriminação racial, falou: "Racismo existe, mas o que posso dizer é que todos os meus amigos nunca colocaram um apelido discriminatório em mim. Tanto nos colégios particulares em que estudei como na faculdade, todos sempre me respeitaram e eu também me dei ao respeito. Na loja de roupas onde eu trabalho, dos 17 vendedores temporários, sou o único negro, e nas outras lojas, não há nenhum. Uma lição boa que tiro de tudo isso é aproveitar cada minuto simples da vida, como abrir a geladeira e beber um copo de água".
10. A alegria da família e dos amigos ao recebê-lo. Romão ergueu os braços de cabeça erguida, com os cabelos simbólicos cortados no presídio. Sem rancor, declara: "Não tenho raiva dela. Ela sofreu um assalto, estava nervosa, acabou me confundindo. Desejo muita luz e felicidade para ela".
Final. Vinícius atendendo a um freguês na Toulon, que o manteve no emprego, cena seguida pela cerimônia de colação de grau em psicologia. No letreiro do filme, apareceriam os amigos que o apoiaram e por fim uma imagem parada de Vinícius sorrindo e a frase: "O racismo existe".

Resistência à ditadura - FERREIRA GULLAR


Exposição não retrata os que optaram pela luta pacífica e foram igualmente presos, torturados e mortos

    Fui ao CCBB aqui no Rio para ver a exposição "Resistir É Preciso...", organizada pelo Ministério da Cultura e Instituto Vladimir Herzog, uma das diversas manifestações que assinalam os 50 anos do golpe militar que, em 1964, depôs o presidente João Goulart. Tais manifestações parecem demonstrar o repúdio da sociedade brasileira àquele regime e a todo e qualquer regime que pretenda cercear a liberdade dos cidadãos.
     A exposição é bem montada com fotos, desenhos, pintura e pensamentos que expressaram a resistência à ditadura militar. Mas se sente falta de referência a personalidades e atividades que desempenharam importante papel na luta de resistência ao regime autoritário.
    Lembrei-me, por exemplo do show "Opinião", escrito por Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa e Paulo Pontes, dirigido por Augusto Boal e interpretado por Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale.
Esse show foi a primeira manifestação de resistência ao regime militar, pois estreou no dia 11 de dezembro de 1964, isto é, oito meses após o golpe. O público se sentiu expressado naquele espetáculo, sem nenhuma dúvida, tanto assim que o teatro lotava com um mês de antecedência. Por que não há qualquer menção a ele na exposição?
    Após esse show, o mesmo grupo teatral montou "Liberdade, Liberdade" escrito por Millôr Fernandes e Flávio Rangel, que também o dirigiu. De novo, casa cheia. Os militares, sentindo-se criticados, tentaram tirar a peça de cartaz, provocando um conflito, com homens armados (como se viu depois) a vaiar o espetáculo e acusá-lo de comunista. Era, sem dúvida, uma denúncia do autoritarismo do regime. No entanto, não há qualquer referência a ele na exposição do CCBB.
    Como também não há referência à peça "Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come", outro sucesso de bilheteria que criticava a ditadura. A ideia de escrevê-la foi do Vianninha, temeroso da censura que acabara de proibir o "O Berço do Herói", de Dias Gomes, dirigido por Abujamra. Para burlar os censores, devíamos escrever uma obra-prima, do ponto teatral e literário. Foi o que se tentou fazer.
    A peça passou na censura e ganhou todos os prêmios do teatro brasileiro naquele ano de 1966. Há alguma referência a ela na mostra do CCBB? Não, nenhuma. Como também não há referência a "Arena Canta Zumbi", de Gianfrancesco Guarnieri, nem aos demais espetáculos montados por outros grupos de São Paulo, do Rio e de outras capitais brasileiras.
    Os organizadores dessa exposição parecem ignorar o papel desempenhado pelo teatro brasileiro na luta contra a ditadura. E a Passeata dos Cem Mil? Há dela apenas uma foto ali. Nenhuma alusão ao fato de que foi realizada graças à atuação da classe teatral, com o apoio logístico do Partido Comunista Brasileiro.
    Mas não é só isso. Ênio Silveira, desde 1965, editou uma revista chamada "Civilização Brasileira" (que depois se chamou "Encontros com a Civilização Brasileira"), que publicava ensaios, artigos, poemas, entrevistas, reportagens, denunciando os abusos do governo militar e analisando os fatores que o determinaram. Essa revista foi editada durante 15 anos, resultando na prisão de seu editor. Não há menção a ela na exposição "Resistir É Preciso...".
    Sem dúvida alguma, ao se falar do regime autoritário, não se pode esquecer aqueles militantes que escolheram a luta armada como o caminho correto para combatê-lo. Nem todos concordavam com isso, e pode-se dizer que essa era opinião da maioria das pessoas engajadas na luta, e com razão, pois era um equívoco. Não obstante, quem se dispôs a essa aventura demonstrou coragem e desprendimento.
    A exposição faz referência a eles e particularmente aos que foram mortos pela repressão. Está certo. O que não está certo é não fazer qualquer referência àqueles que, optando pela luta pacífica, foram igualmente presos, torturados e mortos. Basta dizer que, de 1972 a 1974, um terço do Comitê Central do PCB foi assassinado, mas a exposição, se não me engano, não alude a eles.
Lula, porém, aparece ali como um exemplo de resistente. Está certo, mas por que não aparecem outros líderes como Fernando Henrique, José Serra, Miguel Arraes e tantos outros? Deve ter havido alguma razão para isso, mas não sei qual seria.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Escolas voltam a desfilar após dois anos
Região
Meio-Norte: 90% dos condenador por tráfico perdem os bens
O Povo: Fortaleza para brincar, comer e rezar
Nacional 
Correio Braziliense: Homem vira mulher e mulher vira homem
Estadão: Senado russo aprova uso de força militar na Ucrânia
Estado de Minas: BH quer sair do centro
Folha: Rússia autoriza tropas na Ucrânia, e Obama reage
O Globo A volta por cima das velhas campeãs

sábado, 1 de março de 2014

Maranhão: Cidades que fazem aniversário em março

11 - Governador Eugênio Barros, Mata Roma
14 - Bom Jardim, Santa Inês
15 - Miranda do Norte
22 - Balsas
25 - Afonso Cunha, São Benedito do Rio Preto
26 - Santa Luzia
29 - Araióses,Barão de Grajaú, Barreirinhas, Chapadinha, Loreto, Mirador, São Bernardo,  Tutóia, Vargem Grande
30 - São Bento
31 - Peri-Mirim

Carnaval 2014 de São Luís: Programação da Passarela do Samba deste sábado,1º

18h00 - Apresentação de Tambores de Crioula, no entorno da Passarela.
18h40  às 18h4 - Bloco da APAE (Não concorre)
Desfile dos Blocos Tradicionais do Grupo A.
19h00 às 19h15 - Os Guerreiros
19h20 às 19h35 - Os Tropicais do Ritmo
19h40 às 19h55 - La Boêmios de Fátima
20h00 às 20h15 - Os Vigaristas do Ritmo
20h20 às 20h35 - Príncipe de Roma
20h40 às 20h55 - Os Brasinhas
21h00 às 21h15 - Os Apaixonados
21h20 às 21h35 - Originais do Ritmo
21h40 às 21h55 - Os Guardiões
22h00 às 22h15 - Kambalacho do Ritmo
22h20 às 22h35 - Os Tremendões
22h40 às 22h55 - Mensageiros da Paz
23h00 às 23h15 - Os Diplomáticos
23h20 às 23h35 - Os Vampiros
23h40 às 23h55 - Os Incomáveis
00h00 às 00h15 - Os Foliões
00h20 às 00h35 - Os Fanáticos
00h40 às 00h55 - Os Ferais

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Carnaval atrai turistas e hoteis ficam lotados
Região
Jornal do Comercio: Vem, meninada
Meio-Norte: Governo vai investir R$ 10 mi em tecnologia
O Povo: 24 prefeituras cancelam gastos com shows de carnaval
Nacional 
Correio Braziliense: A violência faz escola em Brasília
Estadão:Siemens é suspeita de pagar R$ 150 mi a grupo de Jefferson
Estado de Minas: BRT arranca devagar
Folha: Poupança do governo dispenca em janeiro
O Globo Governador do DF visitou Dirceu na Papuda