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sexta-feira, 7 de março de 2014

Teresina (PI) adota "lixo zero" no centro da cidade

    A partir de segunda-feira, 10, a prefeitura de Teresina inicia aplicação da Lei do "Lixo Zero". O (a) que for flagrado (a) sujando a cidade será multado em R$ 100 por cada infração cometida. Para os reincidentes a multa será dobrada. 
    Inicialmente a medida vai valer para  região central da cidade. Depois disso será estendida para os bairros.
    A escolha do centro levou em consideração o fluxo de pessoas e a quantidade de lixeiras instaladas.
    Seis praças, a avenida Frei Serafim, uma das principais da cidade, serão os pontos fiscalizados pelos serviços da prefeitura.
    O fiscal vai abordar o infrator pego no ato de imundície e solicitar a este a apresentação do documento de identificação.  A partir daí será apresentado o auto da infração com o devido valor da multa. O prazo para contestação e recursos será de 10 dias. Caso confirmado este terá que solicitar o boleto para pagamento da multa.
    Os inadimplentes serão inscritos na dívida ativa do município, ficando impedidos de solicitar qualquer documentação junto aos órgãos da prefeitura, como certidões negativas, alvarás, licenças e outros.

Cultura do lixo - RUY CASTRO

RIO DE JANEIRO - A greve dos garis cariocas --ou de uma facção deles, com indisfarçável inspiração política-- serviu para nos alertar sobre o lixo. Só na Zona Sul, o volume de embalagens, latas, garrafas e plásticos que se deixou de recolher em quatro ou cinco dias daria uma montanha da altura do Pão de Açúcar. O progresso é porco.
    Os peritos estabeleceram que é a quantidade de lixo produzido que separa os ricos dos pobres. Os ricos, leia-se o hemisfério Norte, geram em média 2 kg de lixo/dia --os EUA, 3 kg. Nós, os pobres, que comemos e consumimos menos, não passamos de 1 kg. O que não é motivo de alívio ou regozijo porque nem assim sabemos o que fazer com ele --metade do lixo produzido no Brasil vai para depósitos inadequados, e 800 mil brasileiros vivem do que recolhem naquela nojeira.
    No que ainda nem fomos, os ricos já estão de volta. Os EUA, por exemplo, vendem o seu excesso de lixo para a China. E, enquanto o mundo se preocupa com o lixo industrial, eletrônico e radioativo, de difícil assimilação, ainda não nos entendemos nem com o lixo orgânico --imagine o resto. Para onde irão os nossos 270 milhões de celulares quando morrerem? Eles não se decompõem na natureza.
    Um clássico do teatro americano, a comédia "Nascida Ontem", de Garson Kanin, tem como protagonista um brutamontes chamado Eddie Brock, o rei do lixo na América. Sua fortuna, medida em toneladas, é de tal ordem que lhe permite ter no bolso até um senador. O que ele faz com o lixo não é mostrado, mas dá para entender que, já então --a peça é de 1946--, o lixo podia ser um grande negócio. E, hoje, é muito mais.
    Obrigado aos grevistas por me fazer pensar. Mas seria justo que fossem multados pelo lixo que deixaram na rua. Se uma guimba de cigarro no chão vale R$ 157 no Lixo Zero, quanto eles não estarão devendo?