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terça-feira, 5 de julho de 2016

De volta ao passado - ANP pode ressuscitar Refinaria Premium I no MA

    A Agência Nacional de Petróleo (ANP) tem reiterado a necessidade de aumento da produção no País para afastar o risco de colapso no abastecimento em 2030.
    A previsão da ANP é de um déficit de 1,2 milhão de barris por dia. Para ter autossuficiência, a direção da instituição já declarou que seria necessário construir o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a refinaria Premium I, no Maranhão, e outra no Triângulo Mineiro. A retomada desses projetos pode ocorrer em 2017.
De O Povo, do Ceará

domingo, 13 de setembro de 2015

O fim do caminho - FERREIRA GULLAR

Lula e sua turma agem sem remorsos, julgando-se no direito de se apropriarem dos bens públicos
    Escrevi, certa vez, que a geração ideológica que havia combatido a ditadura e que assumiu o poder no Brasil após o regime militar chegava ao seu fim, isto é, cumprira a sua função e se esgotava.
    O grupo liderado por Fernando Henrique Cardoso, de uma esquerda moderada, governou até 2002, quando Luiz Inácio da Silva ganhou as eleições e, com isso, a facção mais radical daquela geração assumiu o governo e nele se manteve até agora, no segundo mandato de Dilma Rousseff. Essa é uma geração que, em diferentes graus, situava-se à esquerda dos que apoiaram a ditadura e se aliou, consequentemente, aos partidos que pregavam o marxismo, embora não fosse aquele seu pensamento.
    Nesse quadro, nasceu o Partido dos Trabalhadores, liderado por um operário e formado por simpatizantes da Revolução Cubana. Mas os grupos guerrilheiros foram destroçados, e o sistema soviético em seguida desabou.
    Desse modo, quando o PT chegou ao poder, as fantasias revolucionárias já estavam fora de moda. Além disso, os escândalos do mensalão e, agora, as delações da Operação Lava Jato revelaram que, se Lula e seu pessoal foram de fato revolucionários algum dia, ao chegarem ao poder mudaram de projeto.
    Imagino o que se passou na mente dos petistas: se a postura revolucionária não tinha mais cabimento, que fazer com o poder que lhes caíra no colo? Antes de tudo, não deixar que viesse a escapar-lhe das mãos e, para consegui-lo, a providência fundamental era manter e ampliar o apoio do eleitorado pobre.
    Isso, por um lado; por outro, não dividir com ninguém os cargos importantes da máquina do Estado, como os ministérios e as grandes empresas estatais. Aliou-se, então, aos pequenos partidos, aos quais, em vez de dar altos cargos, comprou com dinheiro público: o mensalão.
    Tendo nas mãos os ministérios e as estatais, infiltrou-os com a nomeação de mais de 20 mil "companheiros", sem concurso, a fim de que cedessem parte do salário ao partido e trabalhassem pela ampliação do número de novos militantes a favor do governo.
    Mas isso não era tudo. O principal residia na apropriação das grandes empresas do Estado e particularmente da maior delas –a Petrobras. Ficou comprovado, na Operação Lava Jato, que, desde 2003– quando Lula assumiu o governo–, criou-se na Petrobras um "clube", formado por altos funcionários, ligados aos partidos do governo, e representantes de grandes empreiteiras, que prestavam serviço à empresa. As licitações –que envolviam centenas de milhões de reais– eram manipuladas de modo que, em rodízio, cada uma daquelas empresas obtivesse os contratos.
    O custo das obras era então duplicado e as propinas distribuídas aos partidos e participantes das falcatruas, disso resultando, para a Petrobras, prejuízos bilionários, por ela mesmo admitidos.
    A tais prejuízos somam-se os resultantes de negociatas envolvendo a compra e a construção de refinarias. E era Lula quem acusava seus opositores de pretenderem privatizar a Petrobras. Ele, de fato, não a privatizou: apropriou-se dela.
    Lula e sua turma agem sem remorsos, uma vez que, sendo eles os defensores dos verdadeiros interesses nacionais, julgam-se com o direito de se apropriarem dos bens públicos.
    Vou dar um exemplo. Há algum tempo, antes da Lava Jato, uma senadora do PT, indagada sobre os crescentes prejuízos sofridos pela Petrobras, respondeu: "Só quem se preocupa com isso são os acionistas. A Petrobras existe para servir ao povo".
    Ou seja, não tem de dar lucro. Agora, a Operação Lava Jato mostrou que a sua eleição ao Senado, em 2014, foi financiada com propinas da Petrobras e, assim, dá para entender a sua tese: a senadora é o povo.
    Esse é um tipo de populismo que, se arvorando defensor dos pobres, atribui-se o direito de usar de qualquer meio, inclusive a corrupção, para manter-se no poder.
    Lula e Dilma só não contaram com duas coisas: que a gastança demagógica levaria o país à crise econômica e que suas falcatruas seriam reveladas à opinião pública.
    O engodo se desfez, a credibilidade dos petistas despencou. Qual será o desfecho dessa comédia não sei dizer, mas que o lulopetismo já não engana a quase ninguém, não resta dúvida.
Da FOLHA

domingo, 10 de maio de 2015

Boca fechada - FERREIRA GULLAR


Nos discursos de Dilma, não há inflação, a economia está bumbando e a corrupção é combatida como nunca
    Por que será que a presidente Dilma Rousseff decidiu não fazer o discurso de sempre no Primeiro de Maio?
    Causou surpresa porque ela, até então, tem se valido de toda e qualquer data e pretexto para falar ao eleitorado. E sempre com aquele discurso nos apresentando um Brasil maravilhoso, de que só ela tem conhecimento.
    Nos seus discursos, não há inflação no país, a economia está bumbando e a corrupção é combatida como nunca na história brasileira. E, quando a gente se lembra disso, entende por que ela, no dia dos trabalhadores, preferiu calar a boca.
    Parece que a situação chegou a tal ponto que não dá mais para fantasiar. E ainda havia o risco de um panelaço.
    Se toco neste assunto é porque me parece que a situação política do governo e seu desprestígio junto ao povo atinge um ponto crítico indisfarçável. Essa fase crítica se agravou quando a Petrobras teve de admitir que realmente foi vítima da corrupção e que seu aparelhamento resultou num prejuízo de quase R$ 22 bilhões, fora os R$ 6 bilhões pagos em propina.
    Todo mundo viu, desde que começou a Operação Lava Jato, Dilma e Lula negarem que tivesse de fato ocorrido esse desastre na Petrobras. Segundo eles, aquelas acusações era uma campanha golpista para derrubar o governo petista e privatizar a Petrobras.
    Sucede que as delações premiadas tinham procedência e os acusados pelo assalto à empresa foram presos e vão responder a processos.
    Por outro lado, esses escândalos atingiram o prestígio da empresa, levando-a à perda de dois terços de seu valor de mercado. Notícias mais recentes dão conta de que está vendendo a outras empresas petrolíferas equipamentos comprados para a exploração do pré-sal, que parece por enquanto descartada.
    Essa história de que tudo era invenção chegou ao fim, quando o novo presidente Aldemir Bendine veio a público apresentar o balanço auditado, em que a ação corrupta de gente do governo, de altos funcionários da empresa e das empreiteiras foi afinal admitida. Sim, porque, sem esse balanço auditado, a situação da Petrobras se tornaria insustentável.
    Dilma agiu certo em não falar no Dia do Trabalho. Todos sabemos que o modo de conduzir a economia de Joaquim Levy é o oposto do dela: enquanto ele opta pelo controle de gastos e pelo investimento na infraestrutura, ela acha que um pouco de inflação não faz mal e que o consumo é que leva a economia adiante.
    São, portanto, posições antagônicas. Logo, Levy só foi nomeado ministro da Fazenda para tentar impedir que o barco afunde. Pois bem, Dilma teve a coragem de afirmar que essa política de contenção é apenas a continuação de sua política de gastos.
    Sucede que o próprio Levy, na visita recente que fez aos Estados Unidos, para convencer os empresários a voltarem a investir no Brasil, afirmou que temos agora "uma nova política econômica", desmentindo assim o que dissera Dilma. Tinha que fazê-lo, pois do contrário não os convenceria...
    Não por acaso, o índice de aprovação da presidente caiu para 13%, com a agravante (para ela como petista) de que aumentou o número dos que a rejeitam na classe C e D, ou seja, gente beneficiada pelos programas assistencialistas do PT.
    E esse nível de rejeição tende a se agravar, uma vez que a implantação da nova política econômica implica em mais aumento nos preços da energia elétrica, da gasolina e do diesel --entre outros--, o que provocará inevitavelmente a elevação dos preços de todas as mercadorias de primeira necessidade, o que, aliás, já está ocorrendo.
    Tudo isso concorre para a deterioração das relações do governo com seus aliados políticos e, particularmente, com o principal deles, o PMDB, a quem ela tem sido obrigada a fazer sucessivas concessões.
    Mesmo assim, não consegue contê-lo, tal foi o caso da proposta que aumentou, em 181%, os recursos do fundo partidário.
    Num momento em que é vital para o governo cortar despesas e conter os gastos, um deputado da base governista propõe aumentar o financiamento dos partidos de R$ 308,2 milhões para R$ 867,5 milhões. E a presidente teve que sancionar esse aumento.
    É, Dilma fez bem em não discursar no Primeiro de Maio.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ministério Público do Ceará vai cobrar explicações sobre Refinaria Premium II

   
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPE-CE) vai cobrar do Governo explicações sobre os valores investidos, direta e indiretamente, em função do projeto da Refinaria Premium II. O empreendimento estava previsto para ser construído no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) pela Petrobras, mas foi engavetado pela estatal, de acordo com balanço do terceiro semestre, divulgado ontem.
    Já haviam sido investidos cerca de R$ 657 milhões pelo Estado, conforme O POVO havia revelado. O governador Camilo Santana afirmara um dia depois de tomar posse, no último dia 1º, que o valor do investimento para a Refinaria ultrapassa R$ 1 bilhão.
    “O MPE informa que vai esperar o Governo do Estado ser notificado oficialmente pela Petrobras acerca do fim do projeto da Refinaria para, então, cobrar do Governo quanto foi investido em infraestrutura e que medidas o Estado vai tomar para ser ressarcido. A partir disso, vai tomar as providências”, afirmou o MPE, em nota enviada ao O POVO.
    Acreditando no investimento, geração de emprego, movimentação de uma imensa cadeira produtiva e impacto gigantesco no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, o Governo aportou dinheiro em obras de infraestrutura entre 2009 e 2014. Os recursos também foram destinados à construção de um centro de treinamento (neste mês entregue ao IFCE, federal), readequação do Porto do Pecém, desapropriações, estradas e reassentamento de comunidades.
    Quanto à responsabilidade jurídica da Petrobras, o Ministério Público Federal (MPF) informou que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) tem a competência para se debruçar sobre os contratos e verificar se a Petrobras descumpriu algum acordo. Sobre o investimento de R$ 596 milhões que a Petrobras disse ter feito na refinaria, o MPF declarou também em nota que não pode afirmar se haverá responsabilização por não ter avaliado o caso.
O que foi “enterrado”
    O rol de boa novas festejadas pelo Governo do Ceará nos últimos anos incluía 90 mil empregos diretos e um aumento de estimados 45% no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, considerando a refinaria em pleno funcionamento.
    A preços de 2012, uma pesquisa de mestrado do economista Antônio Cristiano de Oliveira Costa apontava impactos da ordem de R$ 88,6 bilhões na produção, dos quais R$ 31,3 bilhões no restante do País.

Questões legais
    Conforme o advogado especialista em direito público Átila Gomes Ferreira, caso haja algum contrato firmado, descontinuá-lo por incapacidade técnica ou econômica não é razoável. “Geralmente é um contrato bilateral, no qual ambas as partes têm deveres e obrigações. Nesse caso, há multa e encargos a serem pagos”, detalha.
    Átila adverte para prejuízo em cascata: outros projetos em andamento, como malha viária e expansão do porto, emprego e renda e intervenções urbanísticas. “A Petrobras perde credibilidade”.(colaboraram Teresa Fernandes, Artumira Dutra e Giovania de Alencar)

sábado, 13 de dezembro de 2014

Em VEJA desta semana - Roseana Sarney recebeu R$ 900 mil de propina da Petrobras

Em VEJA desta semana

Petrolão: políticos recebiam a propina em domicílio

Confira as revelações do homem que entregava dinheiro da Petrobras na casa de deputados, senadores, governadores, ministros e na sede nacional do PT

Robson Bonin e Hugo Marques
Money delivery: Acompanhado de seus advogados, Rafael Ângulo Lopez negocia um acordo de delação premiada com a Justiça. Durante anos, ele distribuiu dinheiro desviado da Petrobras a “clientes” famos do esquema de corrupção
Money delivery: Acompanhado de seus advogados, Rafael Ângulo Lopez negocia um acordo de delação premiada com a Justiça. Durante anos, ele distribuiu dinheiro desviado da Petrobras a “clientes” famos do esquema de corrupção(Jefferson Coppola/VEJA)
Depois de tantas revelações sobre engenharias corruptas complexas de sobrepreços, aditivos, aceleração de obras e manobras cambiais engenhosas, a Operação Lava-Jato produziu agora uma história simples e de fácil entendimento. Ela se refere ao que ocorre na etapa final do esquema de corrupção, quando dinheiro vivo é entregue em domicílio aos participantes. Durante quase uma década, Rafael Ângulo Lopez, esse senhor de cabelos grisalhos e aparência frágil da fotografia acima, executou esse trabalho. Ele era o distribuidor da propina que a quadrilha desviou dos cofres da Petrobras. Era o responsável pelo atendimento das demandas financeiras de clientes especiais, como deputados, senadores, governadores e ministros. Braço-direito do doleiro Alberto Youssef, o caixa da organização, Rafael era “o homem das boas notícias”. Ele passou os últimos anos cruzando o país de Norte a Sul em vôos comerciais com fortunas em cédulas amarradas ao próprio corpo sem nunca ter sido apanhado. Em cada cidade, um ou mais destinatários desse Papai Noel da corrupção o aguardavam ansiosamente.
Os vôos da alegria sempre começavam em São Paulo, onde funcionava o escritório central do grupo. As entregas de dinheiro em domicílio eram feitas em endereços elegantes de figurões de Brasília, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, São Luís. Eventualmente ele levava remessas para destinatários no Peru, na Bolívia e no Panamá. Discreto, falando só o estritamente necessário ao telefone, não deixou pistas de suas atividades em mensagens ou diálogos eletrônicos. Isso o manteve distante dos olhos e ouvidos da Polícia Federal nas primeiras etapas da operação Lava-Jato. Graças à dupla cidadania — espanhola e brasileira —, Rafael usava o passaporte europeu e ar naturalmente formal para transitar pelos aeroportos sem despertar suspeitas. Ele cumpria suas missões mais delicadas com praticamente todo o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme plástico, daqueles usados para embalar alimentos. A muamba, segundo ele disse à polícia, era mais fácil e confortável de ser acomodada nas pernas. Quando os volumes era muito altos, Rafael contava com a ajuda de dois ou três comparsas.
A rotina do trabalho permitiu que o entregador soubesse mais do que o recomendável sobre a vida paralela e criminosa de seus clientes famosos, o que pode ser prenúncio de um grande pesadelo. É que Rafael tinha uma outra característica que poucos sabiam: a organização. Ele anotava e guardava comprovantes de todas as suas operações clandestinas. É considerado, por isso, uma testemunha capaz de ajudar a fisgar em definitivo alguns figurões envolvidos no escândalo da Petrobras. VEJA apurou que o entregador já se ofereceu para fazer um acordo de delação premiada, a exemplo do seu ex-patrão.
Veja dois dos destinatários da propina que Rafael Ângulo Lopez transportava.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Caixinha de surpresas - FERREIRA GULLAR


O PMDB pode tolerar a arrogância petista, mas não ao ponto de aceitar seu próprio fim


    Gostaria de deixar claro que, muito embora tenha criticado a atuação de Dilma Rousseff e do PT durante a campanha eleitoral, não torço para que seu governo fracasse, mesmo porque o que está em jogo, neste caso, é o interesse do país e, consequentemente, o interesse de todos nós.
    Na última crônica, afirmei que Dilma terá de enfrentar graves problemas, tanto no plano econômico e político, como nos escândalos que envolvem a Petrobras e o próprio partido do governo. Não me rejubilo com isso. Apenas constato o que está evidente para todo mundo que acompanha a vida política brasileira.
    Não resta dúvida que o escândalo das propinas, na Petrobras, não foi inventado pela imprensa, como já agora admite a própria Dilma.
    Não sei qual é o grau de envolvimento que têm ela e Lula com esses escândalos, mas espero, como todo cidadão, que os fatos sejam apurados e os culpados, punidos. E certamente ela própria, a presidente da República, pensará assim, uma vez que, durante a campanha eleitoral, sempre se declarou contra a corrupção e a favor da punição dos culpados. Quanto a esse ponto, portanto, podemos ficar tranquilos. Ou não?
    Que Dilma neste segundo mandato enfrentará grandes dificuldades não é opinião apenas minha, mas sim da maioria dos comentaristas políticos e até mesmo de gente do governo. E isso se tornou evidente, mais cedo do que todos esperavam, uma vez que, dois dias após sua vitória nas urnas já a Câmara dos Deputados recusava sua proposta de criação dos conselhos populares. Ela já havia feito a proposta de reforma política através de plebiscito, como resposta às manifestações populares de junho do ano passado. Não houve receptividade dos parlamentares.
    A derrota de Dilma, agora, surpreendeu a todo mundo, inclusive, creio eu, a ela própria e seu pessoal, conforme se deduz da declaração do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para quem a decisão da maioria dos deputados foi uma vitória de Pirro, que seria, além do mais, "anacrônica e contra a vontade irreversível da população". Quem disse isso a ele, não se sabe.
    Trata-se, sem dúvida, da declaração de alguém que ficou surpreso e indignado com a tal derrota, e a tal ponto que agrediu a seu principal aliado no Congresso, que é o PMDB, cujos dirigentes consideram a criação dos conselhos populares um modo de enfraquecer o Legislativo.
    Na verdade, a criação dos conselhos populares seria um avanço. Errado seria entregar a eles a realização da reforma política, que implica o conhecimento cabal das questões jurídicas e políticas envolvidas em tal tarefa. É claro que a maioria das pessoas --e aí me incluo-- não tem conhecimento e capacidade exigidos para a realização de uma reforma dessa natureza.
    Falando francamente, a proposta de Dilma Rousseff é, como frequentemente ocorre, populista, ou seja, apela para aquele setor da sociedade que, usufruindo da generosidade oficial, pode ser facilmente manipulado.
    Ao contrário do que afirmou o ministro Gilberto Carvalho, anacrônico é tentar sobrepor a chamada massa popular ao Congresso, democraticamente eleito para legislar, como têm feito os governos bolivarianos. O PMDB pode tolerar a arrogância petista, mas não ao ponto de aceitar seu próprio fim.
    Em sua declaração, o ministro dá a entender que a derrota da proposta de Dilma se deveu à oposição, quando se sabe que esta não tem o número de deputados suficiente para derrotar o governo. Renan Calheiros chegou a garantir isso, ao afirmar que também no Senado a proposta oficial seria rejeitada.
    Outra surpresa destes primeiros dias após a reeleição foi a inesperada decisão do Banco Central, aumentando a taxa Selic para 11,25%.
    Ninguém contava com isso, mesmo porque, durante toda a campanha eleitoral, a candidata petista garantia que seu oponente, se eleito, aumentaria os juros e com isso provocaria milhões de desempregos. Por isso, ninguém sabe se esse aumento dos juros foi decisão dela mesma ou rebeldia do Banco Central.
    Nesta semana, mais surpresas: caiu para 0,24% a previsão do crescimento e surgiu novo escândalo, agora envolvendo a Transpetro, subsidiária da Petrobras. E o segundo mandato de Dilma ainda não começou.

sábado, 1 de novembro de 2014

FRASE DO DIA

"Meu pai não tem absolutamente nada a esconder".
Do senador Edison Lobão Filho (PMDB-AP) sobre o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que deve deixar o ministério, citado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em esquema de corrupção.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Na Coluna do CLAUDIO HUMBERTO

EX-DIRETOR DELATOU 11 SENADORES À JUSTIÇA FEDERAL
O influente ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, a quem o ex-presidente Lula chama de “Paulinho”, entregou mais de 60 pessoas em seu acordo de delação premiada, mas por enquanto apresentou provas ou indícios concretos contra apenas 37, dos quais 11 são senadores. Os delatados integram os poderes Executivo e Legislativo, segundo fonte do Ministério Público Federal.

A BANCADA
Os 11 senadores delatados pelo ex-diretor da Petrobras, todos ainda no exercício do mandato, representam 13,5% do Senado Federal.

PRIMEIROS NOMES
Já vazaram os nomes dos senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Edison Lobão (ministro de Minas) e Renan Calheiros, estes do PMDB.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

No IG - Empresa investigada pela PF tocou obra da Petrobras apadrinhada por Lobão

Ministro aparece na suposta lista de políticos que seriam beneficiados pelo pagamento de propina oriunda de contratos da estatal, atribuída ao ex-diretor Paulo Roberto Costa

Por Wilson Lima
Investigada pela Polícia Federal (PF) por possível envolvimento no esquema revelado pela Operação Lava-Jato, a Galvão Engenharia esteve na lista das empresas que participaram da construção da Refinaria Premium I, na cidade de Bacabeira, no Maranhão, obra apadrinhada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB). A obra, conforme relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), gerou dano ao erário público de R$ 84 milhões.
Oficialmente, o Ministério de Minas e Energia informou apenas que a decisão pela construção da Refinaria “compete à direção da Petrobras e seu Conselho de Administração (do qual o Ministro Edison Lobão não participa)”. No entanto, entre 2007 e 2010, Lobão travou uma guerra interna na Petrobras para que o projeto saísse do papel. Tanto é que, durante o lançamento da pedra fundamental da Refinaria Premium I, Lobão desabafou e classificou o projeto como bandeira de luta pessoal.

Elza Fiuza/ABr - 19.10-13
Lobão travou uma guerra interna na Petrobras para que o projeto da Refinaria Premium I, na cidade de Bacabeira, no Maranhão, saísse do papel


“Fiz do projeto da refinaria minha bandeira de luta, minha profissão de fé, de enfrentar resistências e má vontade dos setores poderosos do Centro Sul que não admitiam a organização de uma obra desse porte no Maranhão. Enfrentei descrenças dos invejosos dos pessimistas que não acreditavam ou que não desejavam que esse sonho se concretizasse. Aqui está a resposta para os que disseminavam a desesperança no povo maranhense”, disse, em janeiro de 2010.
Apesar de ter sido anunciada com pompa, a obra gerou polêmica desde então. A projeção inicial era que em 2013 a refinaria entrasse em operação com o refino de 300 mil barris de petróleo por dia e em 2015, ela entrasse em plena capacidade de processamento de petróleo de 600 mil barris de petróleo por dia. Atualmente, a obra ainda em fase de terraplanagem.
Em 2010, três empresas iniciaram a terraplanagem mas não concluíram as obras por decurso de prazo: o consórcio GSF, formado pelas empresas Galvão Engenharia, Serveng Civislan e Fidens Engenharia. Além disso, relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2013 apontou prejuízos da ordem de R$ 84 milhões em função de problemas e atrasos na obra. Na época, o TCU afirmou que a refinaria sofreu “atrasos injustificáveis nas obras e serviços devido a: deficiências de projeto, atraso na expedição da autorização de serviço inicial e demora na liberação de áreas a terraplenar”. Apesar disso, o Ministério de Minas e Energia negou qualquer tipo de irregularidade na obra. A Petrobras não se pronunciou.
Mais sobre o caso:

Com as investigações da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal descobriu que a Galvão Engenharia, uma das empresas que iniciaram a terraplanagem da Refinaria Premium I, efetuou depósitos para a empresa MO Consultoria, do doleiro Alberto Youssef, preso desde o dia 17 de março. Conforme a Polícia Federal, a Galvão Engenharia teria efetuado depósitos da ordem de R$ 1,5 milhões nas contas da MO Consultoria entre abril e março de 2011. A suspeita da PF é de que as empresas que estavam nesse esquema pagavam propina para Youssef para obter contratos com a Petrobras.

Divulgação/Petrobras
Refinaria Premium I, na cidade de Bacabeira, no Maranhão


No último final de semana, a revista Veja revelou uma lista de políticos que supostamente foram beneficiados com pagamentos de propina oriundos de obras da Petrobras, que teria sido elaborada pelo ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Entre eles, estavam o ministro Edison Lobão e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Durante a operação Lava-Jato, Youssef, considerado o líder da organização criminosa desarticulada pela PF, foi preso em São Luís, no Maranhão. Durante as investigações, a PF descobriu que Youssef teve encontros com assessores próximos da governadora Roseana Sarney e que estava em São Luís para articular encontros com pessoas ligadas ao governo.
O governo do Maranhão negou qualquer relação com o doleiro e a governadora informou que também desconhece qualquer favorecimento obtido de forma ilícita. Procurada pela reportagem do iG, a Petrobras também não respondeu aos questionamentos sobre eventuais irregularidades na obra e as relações dela com o ministro Edison Lobão. A Galvão Engenharia também foi procurada e não deu retorno à reportagem.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Refinaria é um monumento ao uso político da Petrobras - EDITORIAL O GLOBO


O projeto para o Maranhão foi imposto por Lula para atender a interesses políticos, e é um entre vários decididos sem qualquer cuidado com o contribuinte

    A Petrobras se converte em copioso manancial de exemplos escabrosos de como não se pode administrar uma empresa pública. Ou qualquer outra, por suposto. A escandalosa aquisição da refinaria de Pasadena, Texas, a um grupo belga, por um preço final estratosférico (US$ 1,2 bilhão), já teve importante função pedagógica por alertar sobre o que pode acontecer quando cargos-chave em uma empresa da importância da Petrobras fazem parte do jogo fisiológico do aparelhamento, por motivos político-ideológicos, pessoais ou ambos.
    E não foi apenas Pasadena o único mau negócio fechado pela estatal no longo período em que a empresa esteve sob controle de uma falange sindical do lulopetismo. Também é considerada estranha a compra de uma refinaria no Japão (Nansei, em Okinawa), além dos superfaturamentos visíveis, detectados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em pelo menos dois canteiros de obras — da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e da Comperj, novo polo petroquímico do Rio de Janeiro.
    Na edição de domingo, O GLOBO trouxe mais uma história nada edificante, a do projeto da Refinaria Premium I, prevista para Bacabeira, próximo a São Luís, Maranhão. A pedra fundamental da refinaria foi lançada em 2010, com grande alarido, na presença do então presidente Lula, sua candidata à sucessão Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, e ilustres representantes do clã Sarney: o próprio senador José Sarney (PMDB-AP), a filha e governadora Roseana e o discípulo Edison Lobão, ministro das Minas e Energia.
    Anos depois, não há uma estaca fincada no local, “apenas” uma despesa de R$ 1 bilhão (!) jogada no caixa da estatal, a título de projetos, transporte, estudos ambientais, terraplenagem e treinamentos. Mas este escândalo tem, também, seu lado pedagógico: alertar sobre o risco de se subordinar investimentos públicos a objetivos políticos. Cabe lembrar a lapidar entrevista que o ainda presidente Lula concedeu ao jornal “Valor Econômico”, em 2009, em que se vangloriou de ter forçado a Petrobras a incluir nos planos a refinaria maranhense e mais outra, a Premium II, no Ceará.
    Foram parte do projeto político-eleitoral do lulopetismo, para consolidar a longa e estreita aliança com os Sarney e manter na zona de influência do PT os Gomes (o governador Cid e o ex-ministro Ciro). Na hora de ajustar as contas, a Petrobras jogou para um futuro impreciso as refinarias, numa decisão correta. Mas ficou com pelo menos a conta de R$ 1 bilhão da Premium I.
    Lula também tentou empurrar para a Vale siderúrgicas no Norte. Não conseguiu, pois, mesmo com toda a influência do Estado na empresa, ela tem controle privado. A saga desses projetos, contabilizada em bilhões de reais de perdas, serve como indiscutível prova da sobrecarga que representa para o contribuinte quando governos agem de forma voluntariosa, sem maiores cuidados técnicos. A atual crise no setor elétrico é outro exemplo.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Na Coluna do CLÁUDIO HUMBERTO

RECRUTADOS 

O PT indicará José Pimentel (CE) relator e João Alberto (PMDB-MA), obediente a José Sarney, para presidir a CPI da Petrobras. Ou seja, a CPI será instalada dia 7, mas não vai investigar coisa alguma.

domingo, 13 de abril de 2014

Mas a Petrobras é deles - FERREIRA GULLAR

A verdade é que a história da Petrobras, desde que caiu nas mãos de Lula, tem sido desastrosa 

Os escândalos que envolvem a Petrobras merecem ser considerados com atenção porque revelam quem são as pessoas que nos governam e às mãos de quem nosso país foi entregue. 

Todos certamente se lembram do uso que Lula fez da Petrobras durante a campanha eleitoral, inventando que o adversário iria privatizá-la. O adversário ganhou as eleições e não a privatizou; ele, Lula e sua turma, chegados ao governo, usaram-na politicamente, levando-a a prejuízos sucessivos, levando-a da condição de empresa lucrativa, mundialmente respeitada, à situação crítica em que se encontra hoje, com a perda preocupante de seu valor de mercado: caiu de aproximadamente R$ 500 bilhões para R$ 150 bilhões, ou seja, para menos de um terço do que valia. 

Até aqui, nós brasileiros atribuíamos esse desastre ao uso eleitoral que Lula fez da empresa, obrigando-a a vender seus produtos por um preço inferior ao que paga para importá-los. Até aí, o abuso se limitava a prejudicar o desempenho da Petrobras em função de seus interesses partidários. 

Mas o escândalo da compra da refinaria de Pasadena já é outra coisa: envolve Lula, então presidente da República, e Dilma Rousseff, chefe de sua Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras naquela época. Trata-se de uma inexplicável transação de que resultou um prejuízo de milhões de dólares para a empresa brasileira. 

Mas o problema não se limita a esse vultoso prejuízo, pois foi agravado pelo modo como a coisa se deu. Como se não bastasse ter a Petrobras pago US$ 360 milhões pela metade da refinaria que havia sido comprada, um ano antes, por apenas US$ 42 milhões, ainda foi obrigada a adquirir por US$ 680 milhões a outra metade, conforme a obrigava o contrato! 

E Dilma, como presidente de Conselho, concordou com isso? Diante do escândalo, ela soltou uma nota afirmando que aquelas cláusulas haviam sido omitidas no contrato que lhe foi apresentado, do contrário, não teria aprovado a compra. E puniu o suposto responsável, Nestor Cerveró, que lhe teria apresentado o suposto documento, demitindo-o cargo de diretor internacional. O curioso é que tudo isso já era conhecido desde 2012 e ninguém havia sido punido. 

No entanto, nossa surpresa não para aí. Após a nota da presidente Dilma, admitindo a falcatrua, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio a público afirmar que a compra da refinaria de Pasadena foi feita de acordo com as estritas normas administrativas, não tendo havido nenhuma trapaça. Se isso é verdade, então a nota de Dilma é mentirosa e a demissão de Cerveró, uma medida farsesca para ocultar a verdade. Afinal, qual dos dois está mentindo?

A verdade é que a história da Petrobras, desde que caiu nas mãos de Lula, tem sido desastrosa. Lembram-se da propalada iniciativa do presidente Lula ao decidir construir, em Pernambuco, uma refinaria em sociedade com presidente venezuelano Hugo Chávez? A tal refinaria Abreu e Lima, que custaria US$ 2,5 bilhões, já está custando US$ 18 bilhões e ainda não funciona. A Venezuela não entrou com um tostão que fosse. 

Como se vê, pelo menos no que se refere a petróleo, o estadista Lula é um fracasso. Sim, porque tem mais: ele também inventou de comprar uma refinaria no Japão por US$ 71 milhões, mas, até agora, a Petrobras já gastou US$ 200 milhões. A consequência de tudo isso é que, como seria inevitável, a grande empresa brasileira vem se descapitalizando, chegando hoje, na avaliação do mercado internacional, a menos de um terço do que valia antes de ser entregue ao populismo petista. 

Como se sabe, uma das características do populismo é usar empresas do Estado como moeda de troca no jogo do poder. Nesse jogo, entram desde o presidente da República até vigaristas como Paulo Roberto Costa, preso por lavagem de dinheiro. 

E o pior é que a senadora Gleisi Hoffmann, do PT, até recentemente ministra da Casa Civil de Dilma, teve a coragem de afirmar que a finalidade da Petrobras é melhorar a vida do brasileiro pobre e não dar lucro, pois isso só interessa aos acionistas. Ou seja, a Petrobras está no caminho certo, falindo.