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A candidata a prefeita de São Luís da coligação "São Luís de Verdade", Eliziane Gama (PPS), contraria a tese do embranquecimento, imperiosa no início do século passado, segundo a qual o elemento branco vindo para o Brasil em levas migratórias acabaria sufocando os traços do negro no país. Segundo as projeções de correntes intelectuais da época num intervalo de um século, portanto aqui e agora, os brancos seriam padrões genéticos hegemônico no continente americano. Em 2014, quando participou das eleições disputando uma das 18 vagas na Câmara Federal pelo Maranhão, a então deputada estadual declarou ser branca. Neste ano, a candidata a prefeito da capital maranhense declarou na ficha da Justiça Eleitoral ser da cor/raça Preta. Dois anos foi tempo suficiente para Rose Sales desbotar. Por pouco não confirmou a tese. Era Negra quando disputou a eleições proporcionais para deputada federal em 2014 pelo PCdoB. A ex-comunista este ano declarou ser Parda. Das duas, Rose Sales têm um pé no movimento negro, calcado após viagem ao continente africano em missão da câmara dos Vereadores de São Luís. Depois disso assumiu a negritude visual e em tímida postura política pela causa. Eliziane Gama jamais contemplou a maior parcela da população maranhense com projetos que assegurem direitos ou conquistas sociais para pobres pretos. Claudia Durans e Fábio Câmara continuaram sendo pretos como nas eleições anteriores. Wellington do Curso continuou sendo o mesmo pardo de 2014, assim como o candidato do PSOL, Waldeny Barros. Edivaldo Holanda Júnior, Zé Luís Lago e Eduardo Braide se entendem como brancos.
Último dia, observado o prazo de quarenta e oito horas contadas da publicação do edital de candidaturas requeridas individualmente, para qualquer candidato, partido político, coligação ou o Ministério Público Eleitoral impugnar os pedidos de registro individual de candidatos cujos partidos políticos ou coligações não os tenham requerido (Lei Complementar nº 64/1990, art. 3º).
Último dia para qualquer cidadão no gozo de seus direitos políticos dar ao juízo eleitoral notícia de inelegibilidade que recaia em candidato que tenha formulado pedido de registro individual, na hipótese de o partido político ou coligação não o ter requerido.
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Por iniciativa do deputado licenciado e secretáro estadual de cultura, Fábio Novo (PT), o teatrólogo maranhense Francisco de Assis Gomes Campelo, mais conhecido como “Acy Campelo”, recebeu na manhã desta terça-feira(23) o título de cidadania piauiense.
O plenário da Assembleia Legislativa ficou lotado de parentes, amigos e o pessoal ligado à cultura piauiense. A mesa de honra foi composta por representantes de entidades ligadas ao setor, como o escritor Herculano Moraes, da APL e Lary Sales, presidente do Sindicato dos Artistas. Como convidados especiais o secretário das Cidades, deputado licenciado Fábio Xavier; o vereador de Timon, Lázaro Martins e o comandante do 2o. BEC, coronel Francisco Rafael, dentre outros.
Autor do projeto de lei que concedeu o título de cidadania piauiense a Acy Campelo em abril de 2014, o deputado Fábio Novo destacou a sua luta de mais de 40 anos em prol da cultura piauiense, ele que nasceu em Lago da Pedra, no Maranhão.
Fábio Novo falou dos feitos de Acy Campelo na produção de texto e dramatização de peças que foram apresentadas na maioria dos estados brasileiros, ganhando prêmios com a maioria delas. Hoje Acy é presidente da Federação de Teatro Amador do Piauí, entidade que ele ajudou a fundar e foi o primeiro filiado, em 1989.
Já o novo piauiense fez um discurso emocionado agradecendo a presença dos amigos e dos familiares. Citou os nomes dos irmãos, da mulher e das filhas e quase chorou quando a sua primeira netinha leu um poema de sua autoria destacando sua luta e seu caráter. Acy também destacou o trabalho da mãe para criar a família sempre mudando de lugar, já que o pai precisava fugir da perseguição do regime militar. Nestas andanças ele vai parar no Piauí duas vezes.
Acy concluiu dizendo que se sente honrado com o homenagem que recebeu e se considera “a testemunha viva da história da cultura piauiense”.
O senador Roberto Rocha (PSB-MA), em sessão no plenário do Senado Federal, em 2015
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO
Um pedido da presidente afastada, Dilma Rousseff, abriu uma crise entre o comando do PT e do PCdoB.
Na expectativa de conquista de votos contrários a seuimpeachment no Senado, Dilma pediu que a cúpula do PT interviesse em cinco cidades do Maranhão em atendimento a reivindicações dos senadores maranhenses João Alberto (PMDB) e Roberto Rocha (PSB).
O comando do PT interveio em apenas dois municípios. Em Codó, quinta maior cidade do Estado, determinou que o PT rompesse a aliança com o PC do B, na qual ocuparia a vice da chapa, para apoiar o candidato do PSDB.
Em Timon, terceiro maior município do Maranhão, a direção petista decidiu que o partido saísse de uma chapa composta por PSB e PC do B em favor do outra integrada por PSD e PMDB.
Segundo petistas, a operação também contemplaria o senador Edison Lobão (PMDB-MA).
A Folha apurou que o presidente do PT, Rui Falcão, atendeu parcialmente as solicitações de Dilma. Em respeito aos pedidos do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), não houve intervenção também em São Luís, Imperatriz e Balsas.
As concessões foram, porém, suficientes para incomodar a cúpula do PC do B, que procurou a cúpula do PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização foi também para evitar novas intervenções.
Presidente nacional do PC do B, Luciana Santos diz não querer acreditar nas decisões do partido. "Depois de todos gestos que o Flávio [Dino] fez [contra o impeachment], isso não é brincadeira", reclama Luciana Santos, que é candidata à Prefeitura de Olinda (PE) sem apoio do PT.
Deputado federal pelo PDT do Maranhão, Ewerton Rocha diz que seu partido terá que dar uma resposta ao PT.
O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, minimizou, por sua vez, o impacto das medidas do Diretório Nacional.
Ele argumenta que o PT manteve a aliança com o PC do B nas principais cidades do Maranhão, atendendo às orientações do governador. Florisvaldo diz que foi responsável pelas intervenções.
Questionado se esse era um pedido da presidente afastada, limitou-se a dizer: "Eu me reservo o direito de não não falar sobre isso. Não vou responder".
O senador Roberto Rocha (PSB-MA) nega que tenha exigido alianças no Estado em troca de um voto contrário ao impeachment no Senado Federal. Ele admite ter conversado com Dilma e com o presidente interino, Michel Temer (PMDB).
"Quem disse que posso mudar meu voto? Eu ainda não disse qual será. Minha tendência é seguir a decisão do partido, que não tomou decisão", disse o senador.
Esse não é o único atrito recente entre PT e PC do B. Petistas reclamam, por exemplo, de um aliança dos comunistas com o DEM em Fortaleza. Integrantes do comando do PT culpam o PC do B por sua derrota na eleição para a presidência da Câmara.
Afirmam que o candidato apoiado pelo PT, Marcelo Castro (PI), não teria sido derrotado caso o PC do B o apoiasse. Mas, em vez disso, comunistas lançaram o deputado Orlando Silva (SP), que, mais tarde, apoiou o vencedor Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o cargo. Silva, que conversou com Lula antes da decisão, rebate: "O PC do B não é um acessório do PT".
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Mundo, mundo, vasto mundo. Se me chamasse Raimundo...Raimundo Nonato, vaqueiro, nascido em Vargem Grande (Maranhão), encontrado morto e exalando perfume na Fazenda Mulundus, seria reverenciado como santo e teria um rosário de devotos, todos os anos no mês de agosto, exatamente entre 22 e 31 de agosto, em pleno sertão. Seria São Raimundo dos Mulundus, santo protetor do vaqueiros do Maranhão.
Na paisagem agreste, às vezes do periodo mais seco e ensolarado do ano, que antecede os chamados meses brós (setembro, outubro, novembro e dezembro), acontecem os festejos de São Raimundo dos Mulundus, um dos maiores eventos religiosos do estado.
O nome Mulundus advém do nome de uma dança de raízes negras denominada lundu. Tanto a fazenda como a dança desapareceram na poera do tempo no mapa maranhense. Ainda subsiste no vizinho estado do Pará.
Os festejos têm hora marcada para começar. Às cinco hora da manhã do dia 22 de agosto, os sinos dobram na igreja de são Sebastião, padroeiro religioso oficial de Vargem Grande, convocando os diés a seguir em procissão até a Paulica. A pronúncia do lugar confunte o au com ó aberto. A procisão tem percurso de pouco mais de seis quilômetros, a partir das escadarias até a igreja em Paulica.
A aurora no sertão improme suas cores no céu e no chão. E das ruas de traçado retilíneo de Vargem grande surgem gente aos montes. Logo se ouve os primeiros galopes dos vaqueiros quebrando o silêncio do dia clareando. Os vaqueiros adentram a igreja de jibão, reverencialmente com os chapéus de couro na mão.
A imagem do santo é então carregada pelos fiéis. Fica um pouco mais à frente do altar de São Sebastião. Flores nas cores branca e vermelha enfeitam o andor. São as cores de São Raimundo vaqueiro.
Ás seis horas o andor inicia a caminhada na direção da BR-222. Pagadores de promessas se vestem com mantos predominantemente brancos, vermelhos, verde e ocre. Jibão, perneira, peitoral, mocó e chapéus têm a cor da terra esturricada. Imitam nas vestes São Francisco de Assis e outros perfis de santos Muitos dos vaqueiros aproveitam a ocasião para estrear roupa nova. Há vaqueiros vestidos para um dia e noite de gala. Anjos também existem.
Imagens
Contam as pessoas da terra que a imagem de São Raimundo dos Mulundus foi trazida da Espanha. Daí a falta de semelhança com os traços fisicos dos nativos. Uma primeira imagem feita em Portugal teria sido enviada à Roma para que aprovação do Vaticano. Em 1981 uma dessas imagens foi capturada de dentro da igreja de São Sebastião por ladrões. Dias depois foi achada perambulando pelo estado do Pernambuco.
Numa incursão pela vegetação formada sobretudo por carnaubeiras, o vaqueiro Raimundo foi atingido mortalmente. Segundo dizem, após sua morte no local foram operados vários milagres. Nascia então a legião de devotos. O vaqueiro é homem, gênero único na tradição.
Após três horas de lenta caminhada os romeiros chegam a Paulica. São recebidos por salva de palmas, foguetório, vivas. Há música e alvoroço no ar. O andor é colocado em frente à capela. È celebrada então a primeira missa campal do dia. Tudo isso envolto em uma fina poera revelada pela intensa luz do sol.
Ao redor da capela se vende de tudo. O cardápio é essencialmente nordestino.
Acima de todos estã uma iagem confecionada em argila. O trabalho é da artista plástica vargengrandense Diane Mota, fruto de promessa ao santo.
Depois de um dia inteiro de comilança, compras de variedade inimaginável em shoppings da vida, dança regada a cerveja gelada e quente, o público empreende a viagem de volta. Os vaqueiros entoam os aboios no diapasão etílico permitido,
No retorno à cidade as duas imagens se encontram próximo ao portal de entrada: São Raimundo dos Mulundus e São Sebastião. Juntos seguem até às escadarias do Santuário de São Sebastião para a segunda missa campal. Está então cumprido o primeiro dia dos festejos de São Raimundo dos Mulundus.