segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O PT não é comunista - RENATO JANINE RIBEIRO

    De vez em quando, leio em blogs ou mesmo em cartas que recebo enquanto colunista deste jornal ataques aos "comunistas" do PT. Ora, é importante esclarecer algumas coisas. Todos têm o direito de divergir do Partido dos Trabalhadores e do comunismo. Mas é errado confundir um com o outro. Melhor aclarar alguns pontos, para que os adversários do PT ou do comunismo possam criticá-los sem incorrer nessa confusão.
    O PT não é ou foi comunista, nem por seu programa nem por sua história.
    Vamos ao programa ou, se quiserem, aos ideais. O princípio de todo partido ou militante comunista é a abolição da propriedade privada dos meios de produção. Quer dizer que só a sociedade pode ser dona de fábricas, fazendas, empresas. Já residências, carros, roupas e hortas para uso pessoal ou familiar não precisariam ser expropriadas de seus proprietários privados. A casa em que eu moro não é "meio de produção". Menos ainda, minha roupa. Mesmo a horta, em vários países comunistas, ficou em mãos particulares. Seja como for, o ponto de partida do comunismo é: a propriedade privada dos meios de produção - fazendas, fábricas - é injusta e, também, ineficiente. Deve ser suprimida. Sem essa tese, não há comunismo.
    A maior diferença é a questão da propriedade
    Um parêntese: até o presente, esse projeto não funcionou. Para Marx, a questão não era moral, mas econômica. A propriedade privada acabaria se mostrando ineficiente. Seria superada por uma forma superior de propriedade, a coletiva. Ora, até hoje a propriedade privada se mostrou mais produtiva. E ninguém conseguiu mostrar na prática (ou teorizar) o que seria a propriedade "social" dos meios de produção. Houve, sim, propriedade estatal deles. Mas Marx era claríssimo: o Estado tinha que ser abolido. Nunca propôs ampliá-lo. Nem reduzi-lo. Ela ia mais longe do que os próprios liberais: queria suprimir o Estado. Era o contrário do que fizeram os Estados comunistas, que reforçaram a polícia e controles de toda ordem. Eles suprimiram a propriedade privada, mas não o Estado: criaram um monstro policial que Marx jamais aceitaria.
    Pois bem, o PT namorou em seus inícios a ideia de um socialismo vago, mas nunca se bateu pela abolição da propriedade privada dos meios de produção. Daí que, nos seus primórdios, fosse até acusado de ser uma armação contra a "verdadeira" esquerda, a comunista. Dizia-se que Lula seria um ingênuo, ou um agente da CIA aqui infiltrado. Além disso, o PT nasce de um inovador movimento sindical; ora, Lênin fora áspero na crítica ao "sindicalismo", que padeceria de uma ilusão reformista, querendo melhores salários em lugar da revolução. Tínhamos um abismo entre o projeto petista e o comunista. Finalmente, o lado libertário do PT - o fato de reunir descontentes com a cultura dominante, machista, racista etc. - desagradava a quem achava que a contradição decisiva da sociedade seria o conflito do capital com o trabalho. Havia marxistas no PT, talvez ainda os haja, mas sempre foram minoria.
    Daí vêm duas consequências curiosas e paradoxais quanto ao comunismo. Para ele, o fim da propriedade privada não é só um projeto. É uma certeza científica. O marxismo pretende ser a ciência das relações humanas. É científico que um dia virá o socialismo. Disso decorre que, sendo uma ciência, o marxismo no poder não admite discordância. O dissidente é um errado. E por que autorizaríamos os errados a falar? Eles só atrasarão a rota da história... Seria mais econômico e melhor, para a humanidade, calá-los. Daí, o caráter não democrático dos regimes comunistas (é por isso que, na democracia, a liberdade de expressão significa que podemos erra, renunciamos à certeza). E disso decorre, também, que os marxistas fora do poder não têm pressa. Um dia, chegará o comunismo. No poder, enfatizam que o socialismo é uma necessidade histórica. Fora do poder, enfatizam que a história não precisa ser apressada. Dão-se bem com a adversidade. Derrotados, sabiam ser serenos, para usar a virtude que mostravam em tempos nefastos: a história lhes daria, um dia, razão.
    É paradoxal, não é? A mesma convicção de que o marxismo seja uma ciência leva os comunistas, no poder, a não tolerar a oposição, e fora do poder a fazer tudo o que é acordo, mesmo dos mais espúrios, a aguentar qualquer derrota, a esperar. Ora, é digno de nota que o PT nunca aceitou o pressuposto do marxismo como ciência. Por isso mesmo, também recusou suas consequências. Nunca reprimiu divergências ao feitio comunista. E sempre teve pressa (exceto, talvez, depois de chegar à Presidência). Não foi à toa que, entre petistas e comunistas, as relações nunca tenham sido fáceis. A queda do Partido Comunista tradicional, o "partidão", acaba coincidindo com a ascensão do PT. Não restou espaço ao PCB. Mudou de nome, abriu mão do fim da propriedade privada, manteve uma excelente retórica, foi para a direita.
    Em suma, há muito a criticar ou a elogiar no PT, mas será errado criticá-lo (ou elogiá-lo) por ser comunista.
    Depois de meu último artigo, recebi de Fernando Henrique Cardoso amável e-mail. O ex-presidente se diz leitor da coluna e, confiando na minha boa-fé, desmente que seu governo tenha restringido a apuração dos escândalos da privatização das teles e da compra de votos para a reeleição. Esta existiu, diz, mas por parte de políticos locais. É importante o seu depoimento. E lembro aos leitores que o eixo de meu artigo estava na tese de que as questões de corrupção, que pareciam tão claras quando o lado do bem se opunha à ditadura, se transformaram num cipoal desde que PT e PSDB se digladiam. Agradeço a carta e a gentileza do ex-presidente.
Do Valor Econômico

Folha de S. Paulo ignora candidatura do PT em São Luís

    O jornal Folha de S. Paulo ignorou o nome do vice-governador do Maranhão, Washington Oliveira, entre as candidaturas próprias do PT na região Nordeste. Segundo reportagem publicada na edição desta segunda-feira, 27, do jornal o desempenho do partido da presidente Dilma e do ex-presidente Lula é ruim na região onde ambos conquistaram elevados percentuais de votação nas duas últimas eleições para presidente.
    Entre as nove capitais nordestina, além de São Luís (MA), o PT concorre na cabeça de chapa em Recife (PE), Natal (RN), Teresina (PI) e Fortaleza (CE). Somente em Recife o partido está em boa situação de desempenho segundo pesquisas eleitorais de variados institutitos.
    Em São Luís, Washingotn Oliveira oscila entre a quarta e a quinta posição entre os oito candidatos a prefeito da capital que este ano completa 400 anos. Na pesquisa divulgada na quinta-feira passada pelo Ibope, o candidato do PT numa coligação com 14 partidos e que faz campanha ladeado pela "presidenta" Dilma, Lula e pela governadora do estado, Roseana Sarney, apareceu com 5% das intenções de voto, empatando tecnicamente com a candidata Eliziane Gama(PPS), sem coligação.
Conjuntura eleitoral segundo a Folha:
 
 

Manchetes dos jornais

Estado
O Estado do MA:Secretaria de Educação desmente João Castelo
Região
Jornal do Commercio:Faltou gol, sobrou emoção
Meio-Norte:Piauí é 2º em consumo no Brasil
O Povo:1.104 irregularidades notificadas pelo TRE
Nacional
Correio Braziliense:Ensino falido, prefeito rico
Estadão:Homicídios caem em São Paulo, após 4 meses de alta
Estado de Minas:Campanha com dinheiro público
Folha:No maior dos massacres, ditador mata 330 na Síria
O Globo:De olho na Copa – Polícia fecha cerco a torcidas organizadas
Valor:Poucas empresas escapam da queda geral dos lucros
Zero Hora:R$ 400 milhões para remodelar área da Expointer

domingo, 26 de agosto de 2012

TSE divulga nome de doadores de campanha

O juiz maranhense Márlon Reis alertou a imprensa nacional através do twitter sobre a divulgação pela Justiça Eleitoral de doadores de campanha a candidatos que concorrem nas eleições deste ano. Nas eleições anteriores isso somente acontecia após a realização do pleito. 
    A ministra Cármem Lúcia determinou que o Tribunal Superior Eleitoral divulgasse na internet atendendo à Lei de acesso a informações públicas.Até então era permitido o segredo do nome dos doadores.
    A movimentação de doadores e despesas cobrem a movimentação do caixa de campanha até 2 de agosto, prazo para apresentação da primeira parcial. Os candidatos devem informar a segunda parcial até 2 de setembro. Os arquivos estão num arquivo zipado, de 20 MB, contendo arquivos em formato CSV. Pode ser baixado no repositório de dados eleitorais (baixe aqui).  
Três passos para consultar:
A) Baixe o arquivo e guarde no seu computador, evitando que uma reviravolta judicial bloqueia a divulgação.
B) Arquivos CSV podem ser abertos no Excel, mas você precisa dispor das versões mais recentes do Excel para abrir o material. O arquivo com os dados dos doadores para candidatos tem mais de 268 mil linhas e fica com 92 MB quando aberto. A versão mais comum do Excel abre arquivos de no máximo 65 mil linhas. As versões 2007 e 2010 abrem mais do que isso mais facilmente.
C) Através da função auto-filtro do Excel pode-se chegar ao Estado, cidade, disputa e candidato que pretende verificar.

Lambe-lambe: Em São João do Sóter a prefeitura em parceria com o privado


Desigualdade, o fracasso da esquerda - Clovis Rossi

No Brasil, os mais ricos recebem do governo 13 vezes mais que a turma do Bolsa Família
    JÁ DEVE ser insuportável para os ufanistas de plantão receber a notícia, contida em relatório da ONU, de que o Brasil é o quarto país mais desigual de uma região, a América Latina, que é a mais desigual do mundo.
    O Brasil só é menos desigual que dois Estados semifalidos, Guatemala e Honduras, e que a Colômbia, em virtual guerra civil faz mais de meio século.
    Tenho, no entanto, um adendo triste para os ufanistas: é quase certo que não houve, ao contrário do que diz a ONU, uma redução na desigualdade brasileira.
    Explico: o único metro usado para medir a desigualdade chama-se índice de Gini, no qual o zero indica perfeita igualdade e 1 é o cúmulo da desigualdade. O Brasil de fato melhorou, de 1999 a 2009: seu índice passou de 0,52 para 0,47.
    Acontece que o índice mede apenas a diferença entre salários. Não consegue captar a desigualdade mais obscena que é entre o rendimento do capital e o do trabalho.
    Escreve, por exemplo, Reinaldo Gonçalves, professor titular de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos raros economistas que continuaram de esquerda após o PT chegar ao poder:
    "Com raras exceções, essas políticas [as do governo Lula] limitam-se a alterar a distribuição da renda na classe trabalhadora (salários, aposentadorias e benefícios) sem alterações substantivas na distribuição funcional da renda, que inclui, além do salário e das transferências, as rendas do capital (lucro, juro e aluguel)."
    Há pelo menos um dado que faz suspeitar seriamente de que a tal distribuição funcional da renda piorou: no ano passado, o governo federal dedicou 5,72% do PIB ao pagamento de juros de sua dívida. Já o Bolsa Família, o programa de ajuda aos mais pobres, consumiu magro 0,4% do PIB.
    Resumo da história: para 13.330.714 famílias cadastradas no Bolsa Família, vai 0,4% do PIB. Para um número infinitamente menor, mas cujo tamanho exato se desconhece, a doação, digamos assim, é 13 vezes maior.
    Como é possível, nesse cenário, que se repete ano após ano, reduzir-se a desigualdade na renda?
    O que, sim, diminuiu foi a pobreza, no Brasil como na América Latina. Em 20 anos (até 2009), a taxa de pobres caiu de 48% para 33%, informa a ONU. Mesmo nesse capítulo, o Brasil continua mal na foto: Argentina, Chile e Uruguai têm 12% de pobres, enquanto, no Brasil, a taxa quase duplica (22%).
    Essa queda ajuda a explicar a popularidade de Lula/Dilma, Hugo Chávez, Rafael Correa, Michelle Bachelet (mais popular que seu sucessor, o conservador Sebastián Piñera), Evo Morales (em queda, mas ainda popular), José Mujica.
    Para o pobre, que mal podia comprar arroz, adquirir geladeira importa mais do que saber se o rico, que já podia comprar um arrozal inteiro, compra agora helicópteros ou aviões, em vez de geladeiras, que sempre teve.
    Mas os governos supostamente de esquerda e suas políticas pró-pobres não foram capazes de tirar a América Latina do papel de campeã mundial da desigualdade. Ou ela é inoxidável ou eles precisam reinventar-se.
Da Folha

No Painel da Folha de S. Paulo

Caiu a ficha Com apoio interno do PMDB pendendo para Renan Calheiros (AL), o Planalto já avalia que comprar briga com o partido para instalar o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) na presidência do Senado será uma "batalha perdida".
Inimigo real Interlocutores do governo alegam, nos bastidores, que o PMDB não criou tantos problemas para o PT e que o foco da articulação política de Dilma será pacificar as alas da sigla.
Por Vera Magalhães

Educadora fica fora do ar neste domingo

    A rádio Educadora AM, pertecente à Arquidiocese de São Luís, está fora do ar neste domingo. Os ouvintes, no entanto, estão podendo acessar a emissora através da internet pelo endereço http://www.educadora560.com.br/. A previsão é de que retorne nesta segunda-feira,27.

Conversa fiada - Ferreira Gullar

Sabe a razão pela qual a empresa estatal dificilmente alcança alto rendimento? Porque o dono dela -que é o povo- está ausente, não manda nela, não decide nada. Claro que não pode dar certo.
    Já a empresa privada, não. Quem manda nela é o dono, quem decide o que deve ser feito -quais salários pagar, que preço dar pela matéria-prima, por quanto vender o que produz-, tudo é decidido pelo dono.
    E mais que isso: é a grana dele que está investida ali. Se a empresa der lucro, ele ganha, fica mais rico e a amplia; se der prejuízo, ele perde, pode até ir à falência.
    Por tudo isso e por muitas outras razões mais, a empresa privada tem muito maior chance de dar certo do que uma empresa dirigida por alguém que nada (ou quase nada) ganhará se ela der lucro, e nada (ou quase nada) perderá se ela der prejuízo.
    Sem dúvida, pode haver, e já houve, casos em que o dirigente de uma empresa estatal se revelou competente e dedicado, logrando com isso dirigi-la com êxito. Mas é exceção. Na maioria dos casos, indicam-se para dirigir essas empresas pessoas que atendem antes a interesses políticos que empresariais.
    Isso sem falar nos casos -atualmente muito frequentes- de gerentes que estão ali para atender a demandas partidárias.
    Tais coisas dificilmente ocorrem nas empresas privadas, onde cada um que ali está sabe que sua permanência depende fundamentalmente da qualidade de seu desempenho. Ao contrário da empresa estatal que, por razões óbvias, tende a se tornar cabide de empregos, a empresa privada busca o menor gasto em tudo, seja em pessoal, seja em equipamentos ou publicidade.
    E não é por que na empresa privada reine a ética e a probidade. Nada disso, é só porque o capitalista quer sempre despender menos e lucrar mais. Não é por ética, é por ganância.
    A empresa pública, por não ser de ninguém -já que o dono está ausente- é "nossa", isto é, de quem a dirige, e muitas vezes ali se forma uma casta que passa a sugá-la em tudo o que pode.
    A Petrobras pagava a funcionários seus, se não me engano, 17 salários por ano e o Banco do Brasil, 15. Os funcionários da Petrobras gozavam também de um fundo de pensão (afora a aposentadoria do INSS), instituído da seguinte maneira: cada funcionário contribuía com uma parte e a empresa, com quatro partes.
    Conheci um desses funcionários que, depois que se aposentou, passou a ganhar mais do que quando estava na ativa. Numa empresa privada, isso jamais acontece, não é? No governo Fernando Henrique aquelas mamatas acabaram, mas outras continuam.
    Não obstante, o PT sempre foi contra a privatização de empresas estatais, "et pour cause". Lembram-se da privatização da telefonia? Os petistas foram para a rua denunciar o crime que o governo praticava contra o patrimônio público.
    Naquela época, telefone era um bem tão precioso que se declarava no Imposto de Renda. Hoje, graças àquele "crime", todo mundo tem telefone, e a preço de banana.
    Mas o preconceito ideológico se mantém. Os governos petistas nada fizeram para resolver os graves problemas estruturais que comprometem a competitividade do produto brasileiro e impedem o crescimento econômico, já que teriam de recorrer à privatização de rodovias e ferrovias.
    Dilma fez o que pôde para adiá-la, lançando mão de medidas paliativas que estimulassem o consumo, mas chegou a um ponto em que não dava mais.
    O PIB vem caindo a cada mês, o que a levou à hilária afirmação de que, mais importante, era o amparo a crianças e jovens... Disse isso mas, ao mesmo tempo, mandou que seu pessoal preparasse às pressas -já que as eleições estão chegando- um plano para a recuperação da infraestrutura: investimentos que somarão R$ 133 bilhões em 25 anos. Ótimo.
    Como privatização é "crime", pôs o nome de "concessão" e impôs uma série de exigências que limitam o lucro dos que investirem nos projetos e, devido a isso, podem comprometê-los.
    Nessa mesma linha de atitude, afirmou que não está, como outros, alienando o patrimônio público. Conversa fiada. A Vale do Rio Doce, depois de privatizada, tornou-se a maior empresa de minério do mundo e das que mais contribuem para o PIB nacional. Uma coisa, porém, é verdade: cabe ao Estado trazer a empresa privada em rédea curta.
Da Folha

Manchetes dos jornais

Estado
Jornal Pequeno: Polícia pediu prisão de advogado de Gláucio, mas justiça negou
O Estado do MA:Gil Cutrim dispara na corrida para a prefeitura de São José de Ribamar
Região:
Jornal do Commercio:A nova polêmica das cotas
Meio-Norte:Falta dágua se alastra e atinge toda Teresina
O Povo:Compre um carro e pague três
Nacional
Correio Braziliense:Servidores de elite têm ganho real desde 1995
Estadão:Ministros de Dilma liberaram verba para pagar suas propostas
Estado de Minas:Concorrência sufoca sonho universitário
Folha:Maioria acha que horário eleitoral deve ser mantido
O Globo:Novos tipos de família já são maioria no Brasil
Zero Hora:Os últimos carreteiros

sábado, 25 de agosto de 2012

Charge do dia - Glauco


Eliziane Gama faz homenagem a Nelson Rodrigues nas 23 propostas de governo

    A deputada estadual Eliziane Gama (PPS), candidata a prefeita de São Luís, tem se embaralhado na profusão de propostas em linguagem de tribuna. Na primeira inserção de televisão, depois de protagonizar cenas lacrimejantes, Gama esmerou-se na língua culta, recorrendo à antítese para afirmar que naturalmente se solidarizava com o gênero pela "exclusão, que infelizmente nós mulheres estamos inseridas".
    Também paradoxal  é o programa de governo da candidata que disputa fatias entre fieis evangélicos com Edivaldo Holanda Júnior (PTC). No primeiro dos 23 pontos do seu programa de governo, Eliziane Gama afirma que vai trabalhar ao longo dos quatro anos de governo. A justificativa para a obviedade se encontra no paralelo com a atividade parlamentar, restrita na Assembleia Legislativa entre segunda e quinta-feira, em horários com folga para um breakfast.
    Na proposta seguinte, a deputada promete transparência em todos os atos de governo através do site "Transparência São Luís". Desde maio de 2010, prefeituras com mais de 100 mil habitantes - e São Luís tem dez vezes isso - estão obrigadas a cumprirem  a Lei Complementar 131/2009. Conhecida como Lei da Transparência, obriga que os dados como receitas, despesas e licitações devem estar disponíveis à sociedade, em tempo real. A lei da transparência, portanto, pode ser não vale uma promessa.
    Eliziane Gama segue uma cartilha política anacrônica, prometendo "nenhuma criança fora da sala de aula", etc. e um inimaginável programa de revitalização dos rios e parques ambientais".  Seria mais uma obra no estilo recuperação do Parque do Bom Menino, patrocinada por compensações da Alumar, Vale ou coisa que não valha?!! No ano centenário de nascimento do pernambucano Nelson Rodrigues, a deputada não esquece o mestre autor de "A vida como ela é..."  e da expressão "óbvio ululante".

Frase da semana - Candidato do PT em São Luís diz que fura fila em palácios

"Eu sou vice-governador do Maranhão, amigo da governadora [Roseana Sarney, do PMDB], e não preciso pedir licença. Eu não vou ficar em fila. Assim como com a presidente Dilma, eu não preciso pegar fila. Eu sou companheiro do mesmo partido dela"
Washington Oliveira (PT), vice-governador do Maranhão e candidato a prefeito de São Luís por uma coligação de 14 partidos

Cinema do Shopping da ilha somente em breve

    Não será em breve que o Shopping da Ilha vai abrir suas salas de cinema. Um erro no projeto teve que adiar a inauguração das oito salas, antes previstas para serem abertar no mês de maio. Todo o projeto teve que ser refeito, com isso jogando para frente a conclusão desta parte do shopping.
    Mais de seis meses após sua inauguração, em dezembro do ano passado, o maior shopping center da cidade, com 185 lojas,  promete salas em formato stadium da bandeira UCI/Kinoplex.

Museu de tudo: Fernando Morais autografa Olga em São Luís (MA) na década de 80



O atual processo político - Editorial do jornal Vias de Fato

 
     Em 2010, na disputa pelo governo do Maranhão, o jornal Vias de Fato não apoiou nenhuma candidatura. Na ocasião, deixamos clara nossa opção de esquerda e, por isso mesmo, nossa oposição intransigente ao projeto de “reeleição” de Roseana. Em São Luís, nesta eleição de 2012 (assim como em 2010), não existe apenas uma opção de esquerda ou de oposição. Enquanto a direita - com João Castelo e os candidatos de Sarney - continua muito bem representada. Diante deste quadro, seguiremos sem apoiar uma candidatura.
    É comum jornais ou revistas declararem votos num candidato. Nossa opção atual se dá por conta das circunstâncias e não por achar que uma publicação não possa apoiar quem quer que seja. Um apoio, dentro de um ambiente democrático, é natural. Porém, no caso de São Luís, nossa decisão, nesta conjuntura, é de não apoiar um nome ou partido. Seguiremos ao lado da agenda e das demandas da sociedade, incluindo aí o dramático problema da falta de água e de tratamento de esgoto, da ausência de mobilidade urbana e de um transporte público de qualidade, por uma educação e saúde decentes, na defesa permanente dos direitos humanos e do meio ambiente, da luta por moradia digna e regularização fundiária, contra os despejos, entre outras questões graves e urgentes.
    Como dissemos em nossa edição de setembro de 2011, São Luís fará 400 anos, com mil problemas e alguns presentes de grego, caso da termelétrica a carvão de Eike Batista e de uma avenida (a Via Expressa) feita para aproximar shoppings, passando por cima de uma imensa área verde e de uma importante comunidade tradicional, o Vinhais Velho. Não estamos omissos! Diante destes problemas nossa posição é clara! Estamos ao lado da luta referente a questões que foram tratadas por nós ao longo de quase três anos e que seguirão conosco, não apenas nesta campanha, mas, também, depois dela. Até porque, a ação cotidiana do Vias de Fato não está - nem nunca esteve - associada à mera (e às vezes ridícula) cata de eleitores...
    Queremos também deixar claro que reconhecemos a importância do processo eleitoral. Antes de tudo, o voto é uma conquista da sociedade brasileira. Num passado recente, muitos morreram, foram perseguidos ou torturados, para que hoje se possa votar. Não estamos, nem de longe, pregando voto nulo ou coisa que o valha. Mas, ao falar na conjuntura e seus problemas, é da nossa responsabilidade dizer que, hoje, as eleições no Brasil estão muito longe de dar todas as respostas políticas que o nosso país precisa.
    No Maranhão, então, a situação é ainda pior. Aqui, o nosso processo eleitoral está degenerado! O financiamento de campanha é ainda mais criminoso, a esquerda segue espremida, dividida e dialogando pouco, o oportunismo não escolhe partido, a compra de votos se sofistica a cada pleito e o abuso de poder econômico já virou regra. Mensalão, por essas bandas, é brincadeira de criança. No caso de São Luís, não é a toa que as primeiras pesquisas têm dado João Castelo em primeiro lugar, apesar da rejeição e de uma administração, evidentemente, muito ruim. Neste cenário ultra-atrasado, em uma terra controlada por máfia, a intenção de votos é proporcional ao dinheiro gasto na campanha, sem falar nas fraudes e dos vários golpes pela via judiciária.
    Então, caros leitores, sem descartar (ou desrespeitar) as organizações partidárias e as diferentes opções de muitos e valorosos companheiros e companheiras, consideramos que, neste Maranhão-2012, diante dessa realidade, é fundamental continuar resistindo e denunciando (sem meias palavras) o crime organizado e estimulando a sociedade a participar do processo político. Estas são nossas prioridades! Resistir, abrir o verbo contra os principais opressores deste estado e incentivar esta participação, para além do voto, estimular o protagonismo e o diálogo das organizações populares (urbanas e rurais), de diferentes entidades da sociedade civil, do meio universitário, dos professores, dos estudantes, do meio cultural e sindical.
    Aqui, mais do que qualquer outro lugar do Brasil, é impossível falar em mudança sem organização, mobilização, educação popular e um profundo (profundo!) debate político. Sem isso, não teremos saída, muito menos um arremedo de democracia. Sem isso, cada eleição seguirá se repetindo como farsa! Com o voto de opinião perdendo cada vez mais espaço e os agiotas, os quadrilheiros e os tribunais, com mais força no jogo, do que qualquer organização social e/ou política.
*Editorial da 35º edição do jornal Vias de Fato (agosto de 2012).
Publicado no www.viasdefato.jor.br

Manchetes dos jornais

Estado
O Estado do MA:Ibope/TV Mirante confirma quadro indefinido na capital
Região:
Jornal do Commercio:Governo dá ultimato a servidor grevista
Meio-Norte:Raios UV chegam ao limite em Teresina
O Povo:Como as greves estão afetando as suas vidas
Nacional
Correio Braziliense:Dilma adverte servidores: 15,8% ou nada
Estadão:Opinião pública não pauta juiz, diz Lewandowski
Estado de Minas:Quer ficar bonita? Cuidado
Folha:Governo cria estatal para segurar obras, a Segurobras
O Globo:Obras em rodovias ficam só no papel
Zero Hora:188 mil vagas a menos na pré-escola e nas crèches

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ibope divulga primeira pesquisa eleitoral realizada em São Luís e Imperatriz nesta sexta pelo Sistema Mirante

    Com exceção de Natal (RN) e Goiânia (GO) o Instituto Ibope Inteligência realizou pesquisa eleitoral em todas as capitais brasileiras. A maioria delas na segunda quinzena de agosto às véspera do início do período eleitoral ou imediatamente após.
    De Macapá (AP) a Porto Alegre (RS) as pesquisas de intenção de votos foram encomendadas por sistemas de comunicação cujo canal de  televisão é afiliado da Rede Globo.
   Em São Paulo, Palmas (TO), Recife (PE), Fortaleza (CE) e Curitiba (PR) desde o início do ano foram realizados três levantamentos pelo Ibope para aferir a posição de candidatos na corrida eleitoral pela prefeitura. Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG) o Ibope já mediu a intenção de votos em duas pesquisas. Em alguns o cenário estava somente no esboço.
    As pesquisas realizadas pelo Ibope em São Luís e Imperatriz, dois dos principais colégios eleitorais do Maranhão, devem ser divulgadas ao meio-dia pela TV Mirante, do Sistema Mirante de Comunicação. Houve adiamento da divulgação, prevista anteriormente para a noite de quinta-feira,23. Questionários sem tabulação teriam provocado a transferência de data de conclusão das pesquisas.
    Desde janeiro deste ano a Escutec, instituto de pesquisa maranhenses, formalizou seis registros de levantamentos junto ao Justiça Eleitoral.

Na coluna do Claudio Humberto

PODER SEM PUDOR

COMUNISTA E RACISTA


Nos anos duros da ditadura, a casa de um professor universitário amigo do então deputado Sérgio Murilo (PE) foi invadida, pois os milicos a viam como um "aparelho" da esquerda. Na batida, a biblioteca foi cuidadosamente examinada em busca de literatura subversiva. Ao ler um dos títulos, "Materialismo Histórico e Materialismo Dialético", de Karl Marx, o milico que chefiava a operação descartou a apreensão:

- Esse aí não interessa. É sobre espiritismo.

Um agente mostrou outro livro, "O Vermelho e o Negro", de Stendhal.

- Ah!... Esse aí, sim! Além de comunista, é racista também!

Manchetes dos jornais

Estado
Aqui-MA:Sem piedade
Jornal Extra:Sampaio quer meio milhão para inaugurar o Castelão 
Jornal Pequeno:Seca já deixa 64 municípios do MA em estado de emergência
O Estado do MA:Vale vai investir R$ 3,4 bi no Pier IV e na ferrovia Carajás
Região:
Jornal do Commercio:Humberto lidera e Geraldo é o segundo
Meio-Norte:Piauí ocupa 4º lugar em número de queimadas
O Povo:Tiros e denúncias marcam disputa em Messejana
Nacional
Correio Braziliense:Onda de violência apavora Brasília
Estadão:Ministro absolve João Paulo de todas as acusações
Estado de Minas:Sob pressão
Folha:Revisor absolve João Paulo e abre primeira divergência
O Globo:A hora do mensalão – Lewandowski agora absolve político do PT
Valor:Para empresários, redução dos juros sustenta retomada
Zero Hora:Fila de espera projeta venda recorde de carro