quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sarney dá largada na campanha à reeleição no Amapá

   
    Sem alternativa política, o senador José Sarney (PMDB-AP) tirou o terno, caprichou na maquiagem para parecer mais jovem e com saúde, afinou o discurso e deu a largada em sua campanha à reeleição. Esta semana, no programa partidário do PMDB, em meio a mesma cantilena de sempre de enumerar obras públicas como se fossem suas, o velho senador esforçou-se em mostrar o quanto teria sido importante para o PT de Lula e Dilma, numa clara resposta à vice-governadora Dora Nascimento (PT-AP), candidatíssima ao Senado, que tem afirmado, para quem quiser ouvir, que em nenhuma circunstância o Partido dos Trabalhadores, no Amapá, o apoiará.
    "O Bolsa Família do LULA foi aprovado por mim na presidência do Senado. Fui um dos primeiros a apoiar a DILMA"… "Tudo possível graças à minha relação com LULA e DILMA", disse Sarney no programa partidário do PMDB.
    Sarney tentou resolver o problema da continuidade do poder da família no Maranhão. Uma muito bem engendrada engenharia política estava em plena execução até o momento em que um dos atores resolveu roer a corda: o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo (PMDB), que substituiria a governadora após a sua renúncia para ser candidata ao Senado, resolveu ser ele mesmo o candidato ao governo rompendo com o que havia sido combinado com o chefe, que queria Luís Fernando – secretário de Infraestrutura do governo para a disputa eleitoral. Enfraquecido politicamente, Sarney não conseguiu domar a rebelião pemedebista obrigando a sua filha Roseana manter-se no cargo, cumprindo integralmente o seu mandato.
    A improvisação da candidatura de Edison Lobão Filho para o governo asserenou os ímpetos dos pemedebistas mais rebeldes, mas não resolveu o problema da família Sarney. Isso porque Flávio Dino, pré-candidato ao governo pelo PCdoB, é de longe o favorito dos maranhenses para ocupar o Palácio dos Leões, sede do Governo do Maranhão. A potencial vitória do comunista teria o efeito de jogar a pá de cal na mais longeva oligarquia brasileira. Essa situação fez o velho político maranhense ativar o plano 2: Amapá 2014.
Reserva
    O eminente desastre político do Maranhão foi decisivo para a recente decisão do senador em disputar a reeleição ao Senado pelo Estado. Ele guardou o Amapá na geladeira política para usá-lo como plano 2 em caso de dar errado a candidatura de sua filha no seu estado natal.
Pelo que se viu na televisão esta semana, o octogenário senador vem para o tudo ou nada. Mas Sarney não terá vida fácil no Amapá. Enfrenta dissenções internas, oposição do PT local, uma enorme rejeição eleitoral e uma saúde pessoal instável. Com esses ingredientes, tudo parece indicar que a população tucuju vai ajudar o povo maranhense a fazer aquela oligarquia virar passado, definitivamente.
Do Blog Chicoterra.com

Dia do Choro é comemorado em São Luís - MA


    Nesta quarta-feira, dia 23 de abril, o Brasil comemora o Dia Nacional do Choro. Esta data foi instituída em 2000 para eternizar o músico Pixinguinha, nascido há exatamente 117 anos, em 23 de abril de 1897.
    O aniversário do inventor do gênero musical choro tal como o conhecemos hoje, será celebrado com uma série de homenagens em várias cidades do país.
    Na Associação Atlética Banco do Brasil - AABB (Calhau), em São Luís (MA), a Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo realizará evento comemorativo ao gênero, às 19h, com entrada franca. O anfitrião será o grupo Instrumental Pixinguinha, que fará a abertura. Depois dele, as apresentações serão aleatórias, conforme a chegada dos grupos. Já estão confirmados os grupos Um a Zero, Os Companheiros, Tira-Teima e Brasileirar, mas o palco estrá aberto a outros grupos que quiserem participar da festa.
Além da apresentação dos grupos, a noite será marcada por homenagens ao violinista João Pedro Borges, entre elas o lançamento do livro João Pedro Borges: violonista por excelência, de autoria de Wilson Marques, dentro da série Perfis Maranhenses. João Pedro Borges também fará participação especial no evento que está em sua terceira edição. 
   
O violonista maranhense João Pedro Borges
O
 estado de Sergipe foi entre os primeiros a começar a prestar homenagens ao músico neste ano: no sábado passado, dia 19, a Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo (Semict) realizou a terceira edição do Projeto Pôr do Sol de Aracaju. Os sucessos do Pixinguinha foram tocados pelo músico Odir Kaio.
    E o buscador online Google imaginou um doodle (animação temática que aparece na sua página principal) dedicado ao músico.
    Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha, nasceu no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1897 e morreu na mesma cidade em 17 de fevereiro de 1973. Integrou vários grupos que se tornaram célebres, inclusive Caxangá e Oito Batutas. Entre os sucessos mais indispensáveis do Pixinguinha, que passaram a definir a imagem do choro contemporâneo, são “Carinhoso”, “Lamentos”, “Rosa”.
    Além disso, nesta quarta-feira, um clube moscovita comemora o Dia do Choro com um concerto. São o conjunto russo Bairro do Sol, que toca música brasileira, e o brasileiro Dois por Quatro.
Leia mais: 

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MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Colisão entre micro-ônibus e van mata dois na BR-135
Região
Jornal do Commercio: A Veneza brasileira
Meio-Norte: Piauiense quer saúde e educação do governador
O Povo: Clássico-rei: O que está em jogo na decisão?
Nacional 
Correio Braziliense: Brasília, um céu para eternidade
Estadão: Marco Civil da internet é aprovado e vai à sanção
Folha: Promotoria vai processar SP por "indigentes com RG"
O Globo: Pânico em Copacabana
Zero Hora: Aumento nos serviços agrava a falta de controle da inflação

terça-feira, 22 de abril de 2014

A produtividade do brasileiro - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

É melhor abandonar as mágoas e tentar entender por que afirmações como as da revista The Economist são feitas

    A revista The Economist fez severa crítica à baixa produtividade do brasileiro e provocou reações variadas, que passaram até pela xenofobia (como se estrangeiros não pudessem fazer críticas ao Brasil) ou por preconceitos regionais. Em certo trecho, a revista diz que os trabalhadores brasileiros são “gloriosamente improdutivos” e transcreve afirmação de um empresário norte-americano, dono de restaurante em São Paulo: no momento em que alguém aterrissa no Brasil já começa a perder tempo. São afirmações duras, que podem ofender o brio nacional. Mas é melhor abandonar as mágoas e tentar entender por que elas são feitas.

    A definição mais simples de “produtividade” afirma que ela é a quantidade de bens e serviços produzida a cada hora de trabalho utilizada. Um homem sozinho em uma ilha, que sobreviva apenas das frutas que coleta e dos peixes que pesca, terá seu padrão de bem-estar definido pela quantidade de frutas e peixes obtidos em cada hora de seu trabalho. A relação entre a quantidade de frutas e peixes e o número de horas trabalhadas é sua produtividade.
    Essa mesma conta pode ser feita para o país. Usando estatísticas econômicas, chega-se ao total do Produto Interno Bruto (PIB) e ao número de horas trabalhadas pela população durante o ano. Dividindo o PIB pela quantidade de horas, obtém-se a produtividade, que, no Brasil, anda em torno de US$ 12, enquanto nos Estados Unidos está na casa dos R$ 58. Ou seja, a produtividade do brasileiro equivale a um quinto daquela do norte-americano. Tamanha diferença pode parecer estranha, pois não há diferença entre um piloto de avião brasileiro e um norte-americano, como não há muita diferença entre um motorista de caminhão daqui e outro de lá. As razões da imensa diferença são várias e estão ligadas aos fatores que determinam a produtividade.
    O primeiro deles é o “capital físico”. Os trabalhadores são mais produtivos quando dispõem de melhor infraestrutura e melhores máquinas e ferramentas. Um motorista de caminhão nos EUA chega a fazer dez viagens por mês transportando soja, enquanto um brasileiro faz apenas três. O brasileiro dispõe de um caminhão inferior, trafega por estradas piores e perde muitos dias nas filas dos portos. O segundo fator são os recursos naturais. Um país pobre em recursos naturais – como fertilidade do solo, reservas minerais, rios, clima – terá mais dificuldade em elevar a produtividade de seus trabalhadores do que um país rico em recursos da natureza.
    O terceiro fator é o “capital humano”. Este depende do nível educacional, do treinamento e das habilidades técnicas dos trabalhadores. É fácil constatar que, nesse aspecto, o Brasil está bem atrás das nações desenvolvidas. O quarto fator é o conhecimento tecnológico. Os países adiantados estão muito à frente do Brasil nesse aspecto. Quando comparado com os norte-americanos, o trabalhador brasileiro opera tecnologias inferiores, salvo exceções de setores com excelência técnica. Nessa análise são incluídos o setor privado e o setor público. Como é notório que o sistema público brasileiro é ineficiente, sua contribuição para a baixa produtividade é bastante grande.
    É sempre louvada a abundância de recursos naturais do Brasil. O país dispõe de condições favoráveis para elevar a produtividade, mas, apesar de rico em recursos naturais, o país é pobre em capital físico (rodovias, ferrovias, hidrovias, armazéns, portos, aeroportos, telecomunicações e demais itens de infraestrutura); o capital humano tem baixo nível educacional médio, baixa qualificação e as habilidades técnicas são, na média, precárias; e, somando a isso o atraso em matéria de conhecimento tecnológico, a baixa produtividade do brasileiro está explicada. Porém, há mais. Outros fatores negativos – como carga tributária pesada, sistema judicial lento, leis ruins e alta corrupção – também contribuem para a baixa produtividade. Sem falar das cidades congestionadas, da cultura da indisciplina e da política que privilegia o consumo em detrimento do investimento em capital físico.
    Pode-se não gostar do conteúdo e da forma como a crítica foi feita pela Economist, mas não dá para ignorar que, na essência, ela está certa.

Roseana desperdiça dinheiro em Água Doce para realçar nome do Dr. José Sarney

   
No município de Água Doce do Maranhão o desperdício do dinheiro público tem nome próprio e placa. Em 2009, no terceiro mandato como governadora do Estado, Roseana Sarney autorizou a reforma da Unidade Integrada José Sarney.


    Na fachada do prédio, porém, como em centenas de outras no Maranhão, a escola da rede estadual de ensino era identificado como Centro de Ensino Dr. José Sarney.  A homenagem ao político é redundante em Água Branca.

    A poucos quilômetros da sede do município,à margem da MA - 312 a prefeitura emplacou o nome do político na Unidade Integrada Governador José Sarney. No município, o prefeito Rocha Filho não poupa bajulações ao grupo político comandado pelo senador José Sarney. Um ginásio com obras ainda a serem concluídas estampa o nome do senador João Alberto (PMDB), ex-governador do Estado.

     A obra da Secretaria de Estado da Educação custou ao erário estadual R$ 177.377,18 com prazo de conclusão marcado para o dia 17 de janeiro de 2010, em pleno ano eleitoral. A promessa era "beneficiar" três cidades com a geração de 160 empregos diretos. 

    Em dezembro do ano passado, o Governo do Estado desativou o Centro de Ensino no centro da cidade e transferiu com nome e tudo para um prédio recém inaugurado com seis salas. A obra foi construída por meio de convênio datado de 2010. Abandonado, o antigo prédio foi entregue ao prefeito Rocha Filho. Parte dos imóveis, como carteiras e bebedouros foi abandonado, assim como experiência de parcerias como o Instituto Airton Sena. Permaneceu somente a frase estimulante: "A educação é uma missão que ajuda na formação do ser humano".

    Na escola Dr. José Sarney, o coronelismo é cultivado desde a zeladora. Com ordem expressas de abrir a escola apenas às 14 horas, alunos que chegam antes deste horário tem que espera na porta da rua. O acesso ao Centro de Ensino Dr. José Sarney somente no horário estabelecido. Enfim, um lugar no estado do Maranhão onde a lei é imperativa.  

COPA DO MUNDO 2014 : Taça da Fifa chega a São Luís no dia 13 de maio

   
    A taça da copa do mundo 2014, que estará em disputa no Brasil a partir de 12 de junho, estará exposta em São Luís (MA) no dia 13 de maio. A Coca-Cola, que organiza o tour com promoções, ainda não informou o local de exposição do objeto. Vinda de João Pessoa (PB), a programação no Maranhão será de apenas um dia antes de seguir para o Palmas (TO).
    O troféu de ouro de 18 quilates mede 36,5 centímetros e pesa 5 quilos.
    Depois de dar a volta ao mundo a taça retornou na segunda-feira, 21, ao Rio de Janeiro. De lá iniciou a turnê mundial em 12 de setembro de 2013. 
    No Brasil a taça vai passar por todas as capitais dos estados até encerrar a turnê em Itaquerão, estádio do Corinthians na zona leste de São Paulo, palco da abertura da Copa 2014.
    A taça retornou ao Rio vindo de Los Angeles (EUA). Durante 267 dias percorreu 90 países, segundo informações da Fifa. Foram 150 mil quilômetros percorridos no tour pelo mundo. 
    Os vencedores do mundial realizado este ano no Brasil ficam com o troféu durante quatro anos e depois o devolvem à Fifa.
VEJA O MAPA DO TOUR DA TAÇA:

Como não pagar IPVA - VLADIMIR SAFATLE

    Todos os anos você precisa pagar o IPVA do seu carro. Como o nome diz, trata-se de um Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor. Bem um veículo automotor é, pasmem vocês, “aquele dotado de motor próprio”.
    Por exemplo, um carro de boi não pagará IPVA por não ter motor próprio: o motor é o boi, a saber, uma entidade ontologicamente a parte doa aparato técnico de motricidade desenvolvido pelo saber humano. A bicicleta não pagará o imposto pela mesma razão, assim como o helicóptero do banqueiro, o jato particular do escroque e o iatide Naji Nahas.
    “Assim como o helicóptero, o jato particular e o iate”? Sim. Você poderar procurar todos os meandros do saber jurídico, encontrar explicações surreais, como aquela que afirma que o IPVA substitui a antiga TRU (Taxa Rodoviária Única), logo os veículos automotores que pagarão imposto são apenas aqueles colados ao chão.
    No entanto, a verdade é uma só: helicópteros, jatos particulares e iate não pagam IPVA porque no Brasil, os ricos definem as leis que protegerão seus rendimentos e desejos de ostentação. Bem-vindos àquilo que economistas como o francês Thomas Piketti chamam de “capitalismo patrimonial”: um capitalismo construído para quem ganha mais continuar a ganhar mais, a não precisar devolver nada a sociedade, enquanto quem ganha menos é continuamente espoliado e recebe cada vez menos serviços do Estado.
    Se os 20 mil jatos particulares e 2.000 helicópteros que voam livremente no Brasil pagassem IPVA teríamos algo em torno de mais de R$ 8 bilhões. Esse valor é o equivalente a, por exemplo, dois orçamentos da USP. Ou seja, se aqueles que têm mais capacidade de contribuição simplesmente pagassem para ter seu singelo helicóptero  o mesmo que você paga para ter seu carro, poderíamos financiar mais duas universidades com 90 mil alunos estudando gratuitamente.
    Esse é apenas um dentre vários exemplos de como o Brasil se organizou para ser um país onde ser rico é um ótimo negócio. Um país que, só em 2014, deverá ter mais 17 mil milionários e nenhum deles pagando aquilo que você paga. Porque, aqui, quanto mais você sobe (de preferência de jato ou helicóptero), mais você é protegido. Isso pode parecer uma explicação primária, mas muitas vezes o óbvio é o que há de mais difícil e enxergar.

    Como disse, não um esquerdista de centro acadêmico, mas um megainvestidor norte-americano Warren Buffett: “Quem disse que não há luta de classe? Claro que há, e nós estamos vencendo”.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Fuga de 150 é abortada em Pedrinhas
Região
Jornal do Commercio: IR entra na reta final
Meio-Norte: Wilson lidera corrida para Senado com 39,14%
O Povo: O que você pode fazer para melhorar o trânsito
Nacional 
Correio Braziliense: Bebeu, correu demais, matou dois e feriu seis
Estadão: Dilma rebate declaração de Gabrielle sobre refinaria
Folha: 3.000 foram enterrados como indigentes tendo RG
O Globo: Governistas já preparam recurso para protelar CPI
Zero Hora: Atraso em perícias dificulta respostas para caso Bernardo

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A melhor versão crítica para 2001 - JOSÉ WILKER

    O primeiro filme que eu vi foi escrito, dirigido e narrado por mim. A fotografia era de outro, não me lembro quem. Explico: costumava, usando um fotograma, uma lente de aumento e uma lanterna de pilha, realizar sessões de cinema em minha casa, quando criança. Até uma certa idade, meus pais não me deixavam ir ao cinema. Isso era suficiente para transformá-lo no objeto mais desejado de tanta curiosidade. Entrava, escondido no prédio onde funcionava o cine-teatro Avenida, durante o dia, um casarão imenso e vazio. Diante da tela, ficava imaginando o que se passava ali de tão perigoso. Acontecia, vez por outra, de nossas invasões encontrar aqui e ali um fotograma perdido. Aquilo bastava pelo filme todo. Mais tarde, juntava os amigos, irmãos e irmãs, projetava o pedaço de filme na parede branca da sala e inventava uma história. Em geral, triste. Não me importava que a careta engraçada de Oscarito não correspondesse ao drama que eu narrava. Afinal, o filme era meu e só bem depois descobri que Oscarito era engraçado.
    Esta experiência me acompanha pela vida afora. Até hoje me permito ver qualquer filme com total liberdade diante da história contada na tela. Melhor assim. meu irmão saiu diversas vezes do cinema, irado e brigando pela devolução do seu dinheiro, porque se sentia enganado. Bastava aparecer o leão rugindo, dentro da marca da Metro, para ele achar que estava vendo o mesmo filme, do qual tinham apenas mudado o título. No meu modo de ver, aquele leão rugia, mas também, dependendo do dia, cantava Muié rendera. O primeiro longa-metragem que vi chamava-se Amanhã será tarde demais, com Pier Angeli, e passava-se em um internato de meninas, num lugar qualquer da Itália. Parece-me que ela tentava ou se matava no mar, no final. Não importa. Decidi que ela era salva e fugia com Dunya, a pecadora da estepe, heroína do segundo filme que vi.As possibilidade eram infinitas, e são. Diante da tela iluminada eu quero mais é que a ciência vá para o inferno.
    Anos mais tarde, depois que tinha um companheiro de invenção morando na extinta União Soviética. Nos tempos em que aquele país existia, conta-se, as férias dos servidores da Embaixada do Brasil em Moscou eram sorteadas.  Punha-se num saco os nomes de todos os diplomatas e agregados, e o felizardo ganhava uns dias de bem-bom num país qualquer de sua escolha. O sorteio em questão ocorreu em pleno inverno, dezenas de graus abaixo de zero congelando o pedaço dos trópicos na capital soviética. Cercado de grande expectativa, porque, decisão por maioria dos votos, o vencedor iria à Suécia para assistir e, depois, contar para todos a história de 2001, uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick. Aquele era um filme que jamais seria exibido na Rússia e a curiosidade de todos era imensa. Quem ganhou? O faxineiro da embaixada, um cearense que, mantendo a tradição de não parar quieto no Ceará, trocara Sobral por Moscou. Todo mundo sabe que cearense jamais se contenta, apenas com o Ceará. Há até quem garanta que, quando os americanos chegaram na lua, encontraram um cearense lá, vendendo ouro. Teria, secretamente, voltado de carona numa das Apolos. Rico. O cearense ganhou, foi para a Suécia e, na volta,diante de uma embaixada silenciosa, ávida, o coração aos pulos de curiosidade, fez suspense. Limpou a gargante, olhou no olho de cada um dos presente e disse: 2001, uma odisséia no espaço. Mais um pigarro e arrematou: "Pra começo de conversa, Deus é um pedaço de pau preto". Não sei como continuou. Esta introdução me basta. É, no meu entendimento, a melhor versão crítica da obra-prima de Stanley Kubrick.
    Verdade, mentira? Que importa?É tudo cinema. Orson Welles, provavelmente mentindo, afirma que na verdade: "um filme, além de morto, não está nem muito fresco. Vem numa luta. Fazer um filme leva tempo. O filme que estreía na semana que vem é do ano passado". É um fato. Mas nós, que nos sentamos no escuro para seu velório, sempre o ressuscitamos. E quando isso acontece, que bela eternidade ele nos dá para o que sobrar do dia. Experimente. Pegue uma lanterna, uma lente e projete um fotograma na parede. O rento é the end.
Rio de Janeiro
Jornal do Brasil, 22 de agosto de 1995.
* Do livro Como deixar um relógio emocionado (Editora Scritta)

Charge do dia - CABALAU ( O Estado do Maranhão)


MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Apostador de São Luís ganha R$ 37 milhões na Lotomania
O Imparcial: Maranhense ganha sozinho R$ 37 milhões
Região
Jornal do Commercio: Sport empata no retorno à série A
Meio-Norte: Dilma vence no Piauí com 59,89% dos votos
O Povo: Denúncias de violência contra crianças caem 51%
Nacional 
Correio Braziliense: Uma cidade feita de céu
Estadão: Discurso de Gabrielli reforça CPI, diz oposição
Folha: Paramilitar americano treina policial da Copa
O Globo: Planalto evita confronto com Gabrielli para conter CPI
Zero Hora: Capital terá reforço de 2 mil PMs do interior

domingo, 20 de abril de 2014

Lambe-lambe: Lusco-fusco na praia do Calhau em São Luís (MA)





Por essa nem Gabo esperava

Sarney diz adeus a Gabriel Garcia Márquez


Gabriel García Márquez sempre escreveu sobre a morte e a velhice. Elas dominam Cem Anos de Solidão, seu livro mais popular, e O Amor nos Tempos do Cólera, aquele que achava mais importante — e eu concordo com ele. Familiar da morte, ela o alcança.
Gabo, como o chamavam os amigos e admiradores, construiu sua obra na esteira de precursores, como Gallegos, com Doña Bárbara, José Eustáquio Rivera, com La Vorágine, Juan Rulfo, com Pedro Páramo. Na Comala de Rulfo já está em gestação a Macondo de Gabo.
Tornamo-nos amigos ao participarmos de dois encontros das Nações Unidas, um do Comitê Ecológico para a América Latina e Caribe e outro o Conselho Internacional para as Comemorações dos 500 anos da Descoberta da América, em Caracas.
Depois de tempos sem nos vermos recebi um exemplar da edição comemorativa dos seus 80 anos com uma dedicatória “con un abrazo del amigo”.
Assim, quero homenagear o extraordinário escritor, dos maiores de nosso tempo, e o amigo generoso, caro ao meu coração.

Imperatriz está sem homicídios há nove dias

    Entre os dias 10 e 19 de abril não houve registro de homicídio em Imperatriz. A última vítima foi o policial militar Ildefonso Alves Nogueira, 35 anos, morto com três tiros na rua São Francisco, Vila Lobão. Ele era acusado de ter participado do assassinato da cunhada, Joaqueline Amorim França.
    Em 15 dias do mês de março deste ano foram registrados 14 homicídios na cidade do sul do estado do Maranhão. No mesmo período do mês de abril foram cinco o número de assassinatos.
    Entre 1º de janeiro e 19 de abril de 2014, ocorreram 53 homicídios em Imperatriz. Na maioria dos casos a polícia identificou os autores, mas não não conseguiu prendêlos. Em cinco deles, as vítimas eram mulheres. Em nenhum o autor foi preso.
    Por outro lado, a apreensão de menores cresce na cidade. Em abril, 12 menores foram apreendidos por envolvimento em assaltos a residências.

Quando Macondo era aqui - CLÓVIS ROSSI

Nem García Márquez seria capaz de inventar história tão fantástica quanto a realidade da transição
    Enquanto corria alucinadamente atrás dos fatos, no imediato pós-redemocratização (1985), ficava sempre achando que o que acontecia naqueles momentos não era a realidade, mas um conto de Gabriel García Márquez.
    Começa pelo fato de que o primeiro presidente civil --e, ainda por cima, de oposição-- depois de 21 anos de ditadura militar, gabava-se de nunca ter tido nem sequer um mísero resfriado.
    No entanto, esse simpático senhor, Tancredo de Almeida Neves, teve que baixar ao hospital horas antes da posse que seria o marco da tão aguardada redemocratização. Se fosse dias antes, semanas antes, ainda vá lá. Mas horas antes, quando todo o mundo oficial já vestia os trajes de gala para a posse, só podia ser Macondo.
    Ainda mais que o Hospital de Base de Brasília, onde Tancredo sofreria a primeira de uma série de cirurgias, foi invadido por um sem-número de "sabe com quem está falando?", como qualquer hospital das cidades e personagens do realismo fantástico.
    Depois que o presidente eleito foi transferido para o Incor, em São Paulo, Macondo instalou-se à porta do hospital, um grande circo de jornalistas, curiosos e autoridades.
Todos os dias, entre tantos exotismos, aparecia lá um cidadão fantasiado de Santos Dumont. Nunca entendi a ligação que poderia haver entre Tancredo e Santos Dumont.
O presidente-que-virou-paciente escolheria para morrer um 21 de abril, o dia de Tiradentes, para acentuar o caráter de martirológio que cercou a sua agonia.
    Como se fosse pouco, o sucessor de Tancredo, José Sarney, não era um companheiro da oposição ao regime militar, mas fora presidente do partido de sustentação da ditadura até os seus estertores. Nem García Márquez, com todo o seu formidável talento, seria capaz de imaginar uma situação desse tipo.
    E ainda haveria mais: Sarney, cercado da desconfiança de todos ou quase todos os que fizeram oposição ao regime militar, àquela altura tremendamente desgastado, tornar-se-ia em breve o mais popular dos presidentes da República desde que existem pesquisas de opinião pública a esse respeito, ao adotar o Plano Cruzado.
    O partido do governo, o PMDB, elegeu, pela primeira vez na história da República, a maioria absoluta dos deputados federais e senadores, além de todos os governadores estaduais, com a única exceção de Sergipe.
    Mas, mal se abriram as urnas, o Cruzado naufragou, a inflação voltou e, com ela, caiu ao mais profundo dos abismos a popularidade do presidente. Caiu tanto que o presidente que batera recordes de popularidade em 1986 não teve, na eleição de 1989, um mísero candidato a defender o seu legado.
    E ganhou exatamente o que montara a campanha como o mais desbragado oposicionista. Era Fernando Collor de Mello. Nem em Macondo aconteceria de, na primeira eleição direta após a ditadura militar, o vencedor ser um "filhote da ditadura", como o chamava, com toda razão, Leonel Brizola.
    É ou não é realismo mágico?

E o real vira sonho - FERREIRA GULLAR

É impossível representar fielmente a realidade; a imagem da montanha não é a montanha
    Fui ao Museu de Arte Moderna do Rio a fim de ver as obras do hiper-realista Ron Mueck, numa terça-feira, para conseguir entrar, uma vez que, nos fins de semana, as filas são intermináveis. Mas eu tinha que ver essa exposição porque ela punha em questão uma tese minha.
    Quem costuma me ler conhece a tese: tenho afirmado que, ao contrário do que se costuma dizer, a arte não revela a realidade, mas a inventa. Se isso for verdade, a conclusão inevitável é que o realismo --ou seja, a arte que pretende copiar a realidade-- será arte menor. Então, o surrealismo seria arte maior? Não, não é tão simples assim. Pode ser, pode não ser.
    Na verdade, mesmo quando um pintor procura, em sua tela, retratar fielmente uma paisagem, não o conseguirá, pelo simples fato de que a paisagem que tenta retratar pode medir quilômetros e sua tela medirá, digamos, um metro por um metro. Quero dizer com isso que é impossível representar fielmente a realidade, pelo fato mesmo de que a imagem da montanha não é a montanha, por mais fiel que seja a cópia realizada pelo pintor. Por isso mesmo, o que deu uma nova qualidade à pintura moderna foi precisamente a descoberta de que a arte é um modo outro de nos fazer ver a realidade; ou seja, a maçã pintada não é a maçã real --é pintura. Por isso mesmo, quando o pintor quer fingir que a maçã pintada é a maçã mesma, imprime-lhe certa falsificação. A pintura moderna, a escultura moderna, não fingem que reproduzem realidade mas, sim, a inventam.
    Em face dessas considerações, como ficam as obras de Ron Mueck, expostas no MAM do Rio? Como era terça-feira, não havia tanta gente na fila mas, lá dentro, já um número considerável de visitantes se acumulava em torno de cada uma das obras expostas. A primeira que vi era uma galinha morta, pendurada pelos pés e depenada. A semelhança com o bicho de verdade era total: as unhas dos pés, as escamas das pernas, o pescoço, a cabeça do animal, com crista, os olhos e o bico. Tudo igual à galinha real, menos num ponto: essa galinha de Mueck é gigantesca, umas dez ou quinze vezes maior que a de verdade.
    Aliás, é nisso que as suas figuras se diferenciam das figuras reais: pelo tamanho. A figura de um menino negro, por exemplo, está ali em tamanho reduzido e isso contraria-lhe o realismo, do mesmo modo que o gigantismo do casal, que aparenta estar numa praia, também o torna, por assim dizer, " não real". Esse contraste entre a extrema e minuciosa imitação das pessoas reais e a desproporção do tamanho imprime às figuras uma chocante estranheza que as transforma em aparições, seres oníricos, irreais.
    Ron Mueck é um artista bem diferente dos demais (e isto num momento em que a extravagância tomou conta das artes). Numa época em que a linguagem artística afastou-se da representação da realidade, vem ele, não apenas representá-la, como representá-la a ponto de sua representação se confundir com a própria realidade. Isso por um lado; por outro lado, embora ele se aproxime, na sua arte, do gosto popular, usa de recursos modernos e sofisticados, como materiais produzidos pela tecnologia avançada, como poliéster, resina de vidro, fibra de acrílico, poliuretano, além de tecidos especiais.
    Não obstante, se não estou enganado, essas obras de Ron Mueck não são, de fato, esculturas, se as comparamos com o que, através dos séculos, se definiu como tais. Certamente, embora as obras de um Praxíteles ou de um Michelangelo difiram das de Rodin ou de Brancusi, há entre elas traços qualitativos e expressivos que as identificam esteticamente, uma vez que sua expressividade reside, basicamente, na harmonia dos volumes e das superfícies, quer sejam essas esculturas figurativas ou abstratas.
    Já as obras de Mueck não têm tais características nem tais preocupações definidoras da linguagem escultórica: o que esse artista busca é a cópia fiel das formas humanas, em seus mínimos detalhes e a tal ponto que pareçam seres humanos de verdade, postos ali diante de nós. Esse realismo só é violado, como já disse, pelo tamanho que ele dá a essas figuras, ou desproporcionalmente maior ou menor que na realidade têm. Por isso mesmo, ora parecem bonecos, ora parecem fantasmas.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
Atos e Fatos: Prefeitura anuncia construção de cinco mil moradias
Jornal Extra: À moda gato - Falta de água até para banho "theco" provoca rebelião no presídio feminino de Pedrinhas
O Estado do MA: Lobão Filho iniciará 4ª sua corrida ao governo
O Imparcial: Prefeitura anuncia construção de 5 mil novas moradias
Região
Diário do Pará: Hidrovias vão fazer economia do Pará crescer
Jornal do Commercio: Você está bem mais caro
Meio-Norte: Acidente mata bebê de 9 meses e fere família
O Povo: Pàscoa - Ele venceu a morte. Por que não superamos a dor?
Nacional 
Correio Braziliense: Automutilação de jovens assusta pais em Brasília
Estadão: Gabrielli: "Dilma não pode fugir à responsabilidade"
Folha: Dívida com a União cresce mais em cidades da Copa
O Globo: Brasil planeja financiar superporto no Uruguai
Zero Hora: Família de papel

sábado, 19 de abril de 2014

O TESTAMENTO DE JUDAS 2014 - CESAR TEIXEIRA


Estou de volta do Exílio
pra onde fui despachado,
na sucursal do Inferno
até doido é torturado.
Roseana, a Sinhazinha,
me botou lá em Pedrinhas.
Saí de lá degolado.

Um crânio vazio eu deixo
para a Justiça falida,
depois que for exumado
e abrir novas feridas.
Mas como ser enforcado,
se o pescoço foi cortado
e a cabeça não tem vida?

Não posso colar no corpo
esta memória com grude,
mas o sangue derramado
deixo ao Plano de Saúde
que roubou o meu dinheiro.
UNIMED é o Coveiro
que aprontou meu ataúde.

Na fila do SUS deixei
uma vela de despacho
para Ricardo Murad
que jurou erguer, por baixo,
setenta e dois hospitais,
não era menos nem mais
– procuro um e não acho.

Deixarei também a ele
o número sorteado,
que não é da Maracap
mas do Cofre do Estado
Na Saúde é um alvoroço,
e já está roendo o osso
da Segurança, o danado.


Ó cidade miserável,
de tanta dor e tormento.
Só de anos de mentira
já tem mais de quatrocentos.
Neste conto do Vigário,
o Palácio é um Calvário,
e a Zona é um Convento.

Por causa da Oligarquia,
que vive fora da lei,
jornalista já não dorme.
No Testamento eu botei
o jornal Vias de Fato
feito um grande carrapato
no cangote de Sarney.

A governadora disse
que o Maranhão é rico.
Tem manga, petróleo e gás,
rombo fiscal e penico.
Essa crise carcerária
é doença hereditária,
e o povo é quem paga o Mico.

Deixarei um funil velho
para a Refinaria
representar seu papel
no Reino da Fantasia.
Coitada de Bacabeira,
vai refinar a sujeira
e a merda da Oligarquia.  

No carro da Petrobrás
tá faltando óleo de freio,
com tanta superfatura
o negócio ficou feio.
Divisas nem se discute,
se fraude é Cláusula Put,
tem putaria no meio.

Vou deixar um Lava-Jato
pra ver quem ganha a aposta.
Será Nélson Cerveró,
ou Paulo Roberto Costa?
Na quitanda, a Globo filma,
com todo o aval da Dilma,
qual dos dois lava mais bosta.


Um Jatinho da PF
no Congresso vou deixar
pro golpista André Vargas
com Youssef voar.
Lavagem com Mensalão,
Labogen, corrupção:
que remédio isso vai dar?

Antes que acabe a tinta
deixo armas e brasões
para o Edinho Trinta
(candidato dos vilões)
e o forno da Titia,
pra inaugurar padaria
no Palácio dos Leões.

Também deixo pro Lobinho
os túneis da madrugada
que cavei lá em Pedrinhas.
Vai fugir em disparada
num cavalo puro sangue,
depois de cruzar o mangue,
rumo à Serra Pelada.

Entrego pro Flávio Dino,
que é amigo do peito,
uma estrela sem destino
para quando for eleito.
O PC do B tem grife,
filiou até xerife
para garantir o Pleito.

A Foundation São Luís
em inglês não é à toa,
é pra carregar turista
pro Arraial de canoa.
O Bureau do Eleotério
para o pobre é um cemitério,
para o rico é uma Lagoa.

E para os bobos da Corte
que alugam sua voz
eu vou deixar puxa-puxas,
quebra-queixos, derressóis.
Nessa corrida de saco,
coça menos quem é fraco,
puxa mais quem é Veloz.


Já repassei ao Prefeito
um invento de fariseu
chamado VLT,
que Castelo prometeu,
mas nasceu morto, sem laudo,
e entregou pro Edivaldo:
– Toma, que o filho é teu!

Espero que não se zanguem
com as heranças sovinas,
que botei no Testamento
retirado da latrina.
Mas, se não for do agrado,
Deus é quem é o culpado,
pois sou invenção Divina.

Pra escapar da sua língua
no Beco do Gavião,
deixo um bar para Rosana
e um quilo de camarão.
Capiroto, que é bandido,
já botou o apelido:
Bar do Afeganistão.

Patativa anda sorrindo,
já botou água de cheiro
no sovaco e na chorina
dizendo pro mundo inteiro
que vai tirar o atraso,
pois agora virou caso
do cantor Zeca Baleiro.

Corinthiano é o culpado
por tudo o que aconteceu,
inventou essa cachaça
que Patativa bebeu.
Depois da tal “Fogozada”
ela não muda a toada,
e só canta Xiri Meu.

Se a múmia do Executivo,
não fosse tão paralítica,
mereceria uma Faixa
de Gaza na Zona Crítica.
Se fosse como Faustina
haveria disciplina,
sem corrupção política.

Um caminhão de lagosta,
camarão e caviar
ainda não decidi
para quem eu vou deixar.
Eu peço então à plateia
que me dê uma ideia:
que nome devo botar?

Para Wellington Reis
a receita vou deixar
pra fazer outro CD
na Arte de Cozinhar.
É uma língua alugada
ao molho de marmelada,
eu não sei se vai gostar.

Para tomar mais cuidado
na calçada em que trafega,
vou deixar Desinfetante
e uma vassoura brega
para a Secretária Olga,
que, quanto mais se empolga,
mais na Cultura escorrega.

Judas também é cultura,
mesmo subfaturada.
Por isso peço aos herdeiros:
não gastem toda a mesada
da minha miséria cômica,
que está na Caixa Econômica
com a fome embalsamada.

Para a História do Brasil
ficam marcas de tortura,
corpos desaparecidos
nos quintais da Ditadura.
Desde o Golpe Militar
já cansei de procurar
minha própria sepultura.

De almas sem Anistia
cinquenta anos se vão.
Para Herzog, Marighella,
Lamarca e Ruy Frazão
deixo as lágrimas do rosto
e o coração exposto,
por falta de vinho e pão.


FIM