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sábado, 20 de agosto de 2016

Calendário: João Chiador completa 78 anos de cantoria

   
Um dos 12 LPs gravador por Chiador na Maioba

    João Costa Reis, filho de Cândido Bento dos Reis, cantador do Boi de Maracanã, e Clara Costa Reis, neto de Euzébio Costa, completa 788 anos de idade neste sábado,20 de agosto. No bumba-meu-boi, ele é João Chiador.
    "Nasci para cantar boi", afirma João Chiador. O pai cantador, o irmão cantador, o avô cantador, João diz que é cantador ainda na barriga da mãe. Por 32 anos, Chiador foi cantador do Boi da Maioba. Hoje está no Boi de São José de Ribamar. Iniciou em Tajaçuaba, cantou no Boi de Maiobinha. Foi lá o primeiro oficialmente como cantador. Convidado por Luís Gonzaga Danavó, foi para a Maioba. O apelido de Chiador veio da Maiobinha, quando fazia uma apresentação no Bairro de Fátima e o som chiava muito.
    Para sobreviver vendia carne, galinha, camarão nas ruas de São Luís. Cantador da Maioba, tentou ser vereador em São José de Ribamar. Perdeu. Apenas nove votos na Maioba e trinta e poucos na sede de Ribamar. Como cantador da Maioba gravou doze elepês.  Em 93 deixou a Maioba e se transferiu para o Boi de Ribamar. têm quatro LPs e seis CDs gravador com o batalhão de São José de Ribamar..
    Quando festejou cinco décadas de dedicação à cantoria, recebeu homenagem do escritor José Ribamar Sousa dos Reis na série Memória da Cidade (FUNCMA) com o livro-CD "João Chiador, 50 anos de glória:meio século de cantoria". O CD tem participação de Zeca Baleiro e Alcione Nazareth.
    O irmão, Anjo Reis (Ângelo Costa |Reis), antecedeu Humberto no Boi de Maracanã, primo de Chiador.
Biografia do cantor com



Toada de Chiador
LENDAS ENCANTADAS

Maranhão eu te amo Maranhão A minha terra querida
tem muita história pra contar
é Athenas brasileira que o poeta assim dizia
terra de literatos, candomblé e encantaria. 
Na Fonte do Ribeirão
tem uma serpente que rodeia a Ilha
no Itaqui é casa de Oxalá
Ponta D´Areia, morada de Iemanjá.
Lá na praia dos Lençóis
é o castelo do rei D. Sebastião
alta madrugada o Touro negro vadia
alegrando a sereia
nas noites de lua cheia.





quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Música, jogos e sexo para celebrar o Dia de Finados

   
A Festa das Almas, em Ocara (CE), acontece há mais de um século
na véspera do dia de Finados
    No município cearense de Ocara, distante 95 km de Fortaleza, o dia dos mortos é celebrado em meio a músicas, jogos e sexo. Em sua Festa das Almas, as orações pelos que já se foram se confudem com os festejos mundanos dos vivos, numa convivência nem sempre pacífica.
    “A festa é peculiar como um todo, desde o momento em que surgiu”, explica a pesquisadora Auricélia Alves, ocarense de nascimento e criação, que lança hoje, às 18 horas, no Museu do Ceará, o livro Festa das Almas: A Alegria dos Vivos - Uma Síntese Histórica da Festa de Finados em Ocara, em que analisa o tema.
    Realizada a cada dia primeiro de novembro, véspera do Dia de Finados, a Festa das Almas altera a rotina da cidadezinha, que vê a população de 25 mil habitantes ganhar, em média, 15 mil visitantes seduzidos pela fé e pela diversão.
    Auricélia, que já foi secretária de cultura do município, era proibida pelos pais durante a infância de acompanhar o festejos. “Teve padre que tentou convencer a população a não ir pra festa, que quis acabar com a celebração de qualquer forma”, explica.
    Em mais de um século de história - a festa teve início em 1914 - as disputas com a Igreja por conta do evento se intensificam ou arrefecem. “A relação vem melhorando de alguns anos pra cá, depende muito da visão de cada padre”, explica Auricélia.O livro passeia por toda a história do festejo, desde as suas origens, passando pelos embates com a Igreja e a participação da juventude, até a configuração social que vem elaborando nos últimos anos.
    Auricélia começou a pesquisa em meados de 2002, quando decidiu analisar a Festa das Almas em seu trabalho de conclusão de curso na Faculdade de História da Universidade Estadual do Ceará. “Vi um processo gradativo de crescimento da comunidade, de modo a reconhecer como os mortos habitavam o cemitério e como os vivos habitavam a cidade”.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Laborarte lança cd do Cacuria de Dina Teté

   

    O Laboratório de Expressões Artísticas – Laborarte lança Serra do Mar,  na Casa do Maranhão nesta sexta-feira, 5, o cd do Cacuriá de Dona Teté. A programação de lançamento segue na cidade de Caxias no dia 6. Em 30 de abril, ocorreu em Morros primeira apresentação do novo trabalho do grupo folclórico.
    O projeto tem patrocínio da Petrobras e parcerias com as instituições CADON – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves, Fundação Palmares e Ministério da Cultura. A gravação do cd recebeu o 3º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras da Fundação Palmares, em março deste ano.
    O nome "Serra do Mar" foi pensado a partir de uma cantiga do Carimbó de Caixeiras, manifestação da qual vem a inspiração do cacuriá. Logo após a derrubada do mastro, as caixeiras do Divino fazem uma brincadeira entre elas e com a assistência. O público presente ajuda a serrar o pau, o mastro do divino que em terra fria se deitou. Neste momento fazem o movimento de serrar o mastro com o corpo, rebolando até o chão, cantando e botando versos. 
    “'Serra do Mar’ é uma das cantigas entoadas nesse momento de serrar o mastro, e foi a inspiração do nome, por ter a simbologia do mastro, e nos remeter a alegria das caixeiras e da festa do carimbó de caixeiras. Até então só tínhamos registro do Cacuriá de Dona Teté na voz dela. Suas canções e outras de domínio popular. Com o cd "Serra do Mar" apresentamos um novo momento do espetáculo, com canções criadas para o espetáculo por mim, Cecé Ferreira e Dona Roxa, e cantadas por nós. Antes de Teté falecer já cantávamos com ela fazendo solos e reforçando o seu canto em alguns momentos”, explica a cantora Rosa Reis, responsável pela direção geral da gravação.
CACURIÁ
    O cacuriá é uma dança de roda tipicamente maranhense criada a partir da festa do Divino Espírito Santo, mais especificamente do final da festa quando acontece a derrubada do mastro e a realização do “Carimbó de Caixeiras”, momento profano em que as caixeiras se alegram, cantam músicas de duplo sentido e dançam um rebolado sensual.
    A partir de elementos do Carimbó de Caixeiras, Seu Lauro, mestre popular que organizava vários de tipos de manifestações tradicionais, criou a dança do cacuriá realizada em pares com seu ritmo comandado pelas caixas do Divino e coreografias desenvolvidas a partir das letras das músicas do carimbó.
CACURIÁ DE DONA TETÉ
    Em 1986, o grupo Laborarte decidiu montar um “cacuriá”. Convidou Dona Teté, ex-integrante do cacuriá de Seu Lauro, para comandar a brincadeira. Durante o processo de criação do espetáculo, o Laborarte buscou elementos característicos na origem da dança, identificando e expressando a teatralidade, a sensualidade, explorando o ritmo, o movimento dos quadris e a letra das canções. Foi criando assim uma identidade única que conquistou o público maranhense e de outras regiões. Cacuriá segue no ritmo de carimbó, divino, caroço, valsa e baião. As coreografias são criadas a partir dos movimentos dos pássaros, animais destacados nas letras das músicas e inspiradas nas brincadeiras e alegria das caixeiras e brincantes populares, o figurino remete a indumentárias e adereços dos festeiros do Divino Espírito Santo.
    O espetáculo Cacuriá de Dona Teté é hoje considerado a maior expressão dessa manifestação folclórica. Referência para muitos grupos que surgem no cenário cultural do Maranhão e de outros estados, é o grande divulgador da dança com registros em vinil, cds e vídeos.  Atualmente com 40 componentes, entre dançarinos, músicos e caixeiras, o Cacuriá de Dona Teté tem como prioridade manter viva a tradição do cacuriá, desenvolvendo oficinas e outras atividades que traduzam os ensinamentos deixados por Dona Teté.

DONA TETÉ
    Almerice da Silva Santos, conhecida como Dona Teté, era caixeira de festa do divino, rezadeira de ladainhas e coreira de tambor de crioula. Artista reconhecida e respeitada nacionalmente, no ano de 2006 recebeu premiação da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República,maior honraria no setor da cultura. Dona Teté é a grande dama da cultura popular maranhense e responsável por tornar o cacuriá um dos símbolos de nossa identidade cultural. Morreu em 2011, aos 87 anos.

Laboratório de Expressões Artísticas - LABORARTE
    O Laborarte é um grupo artístico fundado em 1972, e que desenvolve várias atividades culturais no Maranhão. O grupo está sediado no centro de São Luís e realiza ações culturais permanentes como oficinas e cursos, produção de eventos e espetáculos próprios de teatro, dança e música, organização de festas culturais. É ponto de referência por sua atuação em atividades artísticas de valorização e divulgação da cultura popular do Maranhão.
    Tem na sua história a montagem de vários espetáculos de criação coletiva, produções de cd’s, edição de cordéis, encontros e seminários sobre cultura, realização de mostras fotográficas e de artes plásticas, feiras de arte, caravanas culturais, realização de projetos sociais, criação da Escola eventos de fomento à cultura, é Ponto de Cultura e com sua produção artística vem contribuindo no processo de transformação social brasileira.
    No seu calendário anual destacam-se os eventos “Carnaval de 2ª” no período de carnaval, “Rompendo Aleluia” no sábado de aleluia com edição de textos de cordéis de “Testamento do Judas”, “Sarau de Bailados” celebrando as danças populares brasileiras, “Iê Camará – Encontro de Capoeira Angola” reunindo capoeiras do Maranhão e de outros Estados e a “Semana de Arte Popular Nelson Brito” destacando as manifestações tradicionais maranhenses.
Programação
Dia 05/06 SÃO LUÍS
Local: Praça da Casa do Maranhão
20h Tambor de Crioula de Mestre Felipe
21h Cacuriá de D. Teté
22h30 Cia Barrica

06/06 Caxias 
Local: Praça da Matriz
20h Dança do Lili
21h Cacuriá de D. Teté

"SERRA DO MAR" - Repertório do cd
1- ORA PRO NOBIS -domínio popular- canta Rosa Reis e Cecé Ferreira
2- RAINHA TETÉ  -Cecé Ferreira - canta Cecé          
3- GIRA MEU BALAIO -Rosa Reis - canta Rosa
4- SABIÁ BEBEU LICOR -domínio popular - canta Cecé/RODOPIA PIÃO - Rosa Reis - canta Rosa
5- CAIXEIRA -Rosa Reis canta Rosa
6- CIRANDEIRO -Cecé Ferreira canta Cecé
7- MARIQUINHA -domínio popular(versos de Dona Teté e domínio popular) - canta Rosa Reis /JABUTI-domínio popular-canta Cecé/JACARÉ - domínio popular canta Rosa Reis/A CANA - Dona Teté canta Cecé
8-VAMOS DANÇAR CACURIÁ -Dona Roxa - canta Roxa
9- NÓ NO PÉ - Camila Reis - canta Rosa Reis
10- PÉROLAS DO CACURIÁ -Cecé Ferreira - canta Cecé
11-VIVA NELSON - Rosa Reis -canta Rosa
12-CAPIM CHEIROSO -domínio popular - canta Rosa Reis e Cecé Ferreira

FICHA TÉCNICA
Voz solo: ROSA REIS, CECÉ FERREIRA E ROXA
Caixas do divino: ROSA REIS, CECÉ FERREIRA E ROXA
Coro: CECÉ FERREIRA, CAMILA REIS, MARISOL, ROSA REIS e ROXA
Flauta: ZEZÉ ALVES
Clarinete: DANILO SANTOS
Violão e viola de 10 cordas: HUGO CÉSAR
Cavaquinho e banjo: DODA
Percussão: TOTÓ SAMPAIO
Acordeon: RUI MÁRIO
Arranjos: ZEZÉ ALVES com participação de HUGO CÉSAR nas faixas 02, 09 E 11
Gravação: ESTÚDIO SONATO
Técnico de gravação, mixagem e masterização: FERNANDO MOTTA
Figurino: CLÁUDIO VASCONCELOS
Fotografias e projeto gráfico: CHUSETTO FOSFORIA
Direção musical: ZEZÉ ALVES
Direção Geral: ROSA REIS
Realização: LABORARTE

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Governador convida AML para integrar projetos culturais do Estado

   


Uma comitiva da Academia Maranhense de Letras (AML) esteve em Palácio com o governador Flávio Dino na última quinta-feira (23) para debater projetos culturais e ampliação do acesso à educação e à cultura no Estado do Maranhão. O chefe do Executivo Estadual, ao lado de seu pai e acadêmico Sálvio Dino, convidou os imortais maranhenses a se integrarem ao projeto de difusão cultural elaborado pela Secretaria de Estado da Cultura.

    Ampliando o diálogo com os setores culturais do Estado, Flávio Dino afirmou aos acadêmicos acreditar que a instituição poderá contribuir com uma “parceria viva pelo Estado do Maranhão” ao se integrar no programa de itinerância cultural que será implantado ainda este ano através da Secretaria de Estado da Cultura. Com a previsão de realizar palestras, leituras e apresentação das produções artísticas maranhenses a 22 municípios no primeiro ano, os acadêmicos aceitaram o convite feito pelo governador.
    O atual presidente da Casa de Antônio Lobo, Benedito Buzar, apresentou a Flávio Dino demandas da instituição, como o aumento da contribuição do Governo do Estado na manutenção dos trabalhos da Academia e ampliar o acesso dos maranhenses ao conhecimento histórico e artístico do Maranhão nas escolas e bibliotecas públicas. O objetivo é levar os livros de autores maranhenses a esses ambientes, promovendo circulação de ideias e valorização da cultura regional.

    Ao concordar com a sugestão do presidente da Academia, Flávio Dino sugeriu ainda a ampliação da área de atuação da AML em São Luís e a integração com as Academias de Letras municipais. “Será uma contrapartida social de personalidades importantes na trajetória do Maranhão, fazendo com que mais maranhenses tenham acesso à cultura aqui produzida ao longo dos séculos,” disse. Uma das iniciativas é buscar no Centro Histórico de São Luís uma nova localização para a AML, integrando-a com outras iniciativas culturais em espaço mais amplo. A ideia foi aprovada pelos acadêmicos.
    Junto com Benedito Buzar e Sálvio Dino, estiveram com o governador os imortais Jomar Moraes, Américo Azevedo Neto, Ceres Costa Fernandes, Alex Brasil, Joaquim Haickel, Luíz Phelipe Andrès, Montalverne Frota, José Carlos Souza e Silva e José Neres.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Ester Marques compra briga pelo parque folclórico da Vila Palmeira

    A secretária de Cultura, Ester Marques, agora é alvejada pelo fogo amigo. Até então aliados da secretária, a turma do programa Canta Maranhão (Helena Leite, Juarez Souza e Joel Jacinto) reagiu com indignação diante do anúncio da reforma do Parque Folclórico da Vila Palmeira, feudo do vereador Astro de Ogum. Fechado para reforma, eles temem que tudo mude, conforme o espírito do governo Flávio Dino. Ignoram o sentido de patrimonialismo que a gestão do parque exemplifica.
    O programa é levado ao ar de segunda a sábado na Difusora AM, do sistema de comunicação do senador suplente  Edinho Lobão, adversário de Flávio Dino nas eleições de outubro do ano passado. Como estratégia administrativa, a secretária manteve a radialista Helena Leite na equipe de comissionados da Secma. Afastada por motivos de saúde, Leite é amiga do peito de Roseana Sarney e nunca comungou desse negócio de oposição à oligarquia. O trio tem sintonia fina com o presidente da Câmara de São Luís.
    Os comunicadores acreditam que a reforma será um pretexto para que o Estado retome o espaço entregue desde o século passado a Astro de Ogum. Estér Marques diz que não existe documento que comprove a cessão do patrimônio público à Federação dos Umbandistas do Estado do Maranhão, entidade que gerencia o parque.
    Há comentário de que a origem de tudo seria uma Associação dos Bois de Matraca da Ilha, ideia patenteada pelo radialista Tony Duarte. Depois de escapar com vida de atentado, Duarte foi para Brasília. Lá se abrigou no programa de proteção à testemunha e no gabinete do senador Edison Lobão.
    Após curto período sob direção do Coronel Bebeto, as rédeas do Parque Folclórico da Vila Palmeira passaram para as mãos de Astro de Ogum, por meio da Federação. Num simulacro de alternância, o edil tem colocado prepostos na direção da entidade. Entre os presidentes guiados por Astro está Paulo de Aruanda, atual superintendente de eventos da Secretaria de Estado da Cultura. Um documento da extinta Maratur comprovaria a cessão. Entre os ocupantes, foi iniciada a arqueologia.

    A gestão pública do parque constava na proposta do candidato a deputado estadual e ex-secretário de Cultura no governo Jackson Lago, Joãozinho Ribeiro, pelo PCdoB. A carta de propostas foi construída por Ribeiro após profícuo debate com a classe artística.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Obituário- Morre Nenê Bragança, o "papa festivais"



    O cantor e compositor Neném Bragança morreu durante a madrugada desta quinta-feira (15). Ele estava em tratamento contra um câncer a pelo menos um ano. Na tarde de quarta-feira, 14, Nenê Bragança deu entrada no unidade de saúde do município, sendo em seguida transferido para a UTI de um hospital particular da cidade.
    A descoberta da doença aconteceu por acaso durante tratamento dentário, antes da gravação do Projeto Som do Mará. Uma biópsia confirmou o câncer na região do palato.
    Neném Bragança  ficou conhecido do público do Maranhão pelas inúmeras participações em festivas e pela música "Ave de Arribação", lançada na década de 90. Ele foi um dos autores do Testamento do Judas, publicação anual do Laborarte.
    Nascido em Bragança, estado do Pará, o artista se transferiu para Imperatriz, no Maranhão, ainda na década de 1980.
Assista Nenê Bragança cantando "Ave de Arribação":

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

FRASE DO DIA

"Nenhum candidato tem agenda para a cultura. Ela é dependente e descartável, quando ligada ao gosto fino da elite branca, ou assistencialista,quando voltada para as comunidades carentes".
FERNANDA TORRES, atriz, no artigo A encruzilha da cultura",sessão "Ombudsman por um dia " da Folha de S. Paulo. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Conexão Dança está entre os selecionados do Rumos Itaú Cultural 2013-2014

Erivelton Viana
Nesta segunda-feira, dia 26 de maio, os selecionados no Rumos Itaú Cultural 2013-2014 foram apresentados à imprensa, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo. Do Maranhão, o único projeto selecionado foi o Conexão Dança, de Erivelton Viana.
A equipe de 19 pessoas que realizou a seleção final dos projetos passou, pelo menos, 60 horas reunida, lendo conjuntamente e discutindo o material para chegar ao número final. No total, foram mais de 15 mil inscritos, somando propostas do Brasil e do exterior.
Os projetos selecionados abrangem as cinco regiões do país, além de uma cidade argentina e uma cidade espanhola. A grande novidade do Rumos 2013-2014 foi abrir  a possibilidade de misturar áreas de expressões artísticas nas propostas e também dar liberdades antes impossíveis em editais tradicionais.
Selecionado:
Conexão Dança – Encontro/Habitação / Erivelto Viana Pinto (circulação de repertório; formação; oficinas, seminários, encontros e similares; pesquisa; residência) – São Luís/MA

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domingo, 26 de janeiro de 2014

Brincando com luz - FERREIRA GULLAR

Ver arte hoje tem um preço, que tanto pode ser um barulho ensurdecedor como sentir-se ameaçado
    Os movimentos de vanguarda do começo do século 20, ao romperem os vínculos que tradicionalmente, na arte ocidental, ligavam a linguagem artística à representação da realidade, abriram caminho para as mais diversas experiências no campo da expressão artística.
    Alguns quadros cubistas são exemplos notórios disso: ao colar, na tela, recortes de jornal em vez de representá-los pictoricamente, fizeram dela um espaço expressivo que tudo aceitava, desde papéis colados até areia, arame, barbante ou o que fosse.
    Estava aberto o caminho para toda e qualquer maneira de criar a obra de arte, fora de todo princípio estético a priori e de qualquer linguagem existente. O urinol de Marcel Duchamp é exemplo marcante dessa ruptura e de suas consequências futuras. Ele mesmo é o autor da frase que define a nova situação: "Será arte tudo o que eu disser que é arte".
    Essa é a manifestação mais radical daquele momento de questionamento das linguagens estéticas consagradas. Mas foram feitas outras experiências, especialmente pelos dadaístas, sem o mesmo radicalismo de Duchamp.
    Dentre essas novas tentativas estão o "Merzbau", de Kurt Schwitters, e o Clavilux, de Thomas Wilfred. São experiências muito diversas, pois, enquanto Schwitters montava a sua obra com o que trazia da rua e acrescentava a ela, Wilfred construiu um piano que em vez de sons produzia formas coloridas numa tela em frente. Ele foi o precursor da arte que usa como linguagem a cor-luz em movimento.
    É, portanto, no Clavilux, que está a origem das obras que Julio Le Parc expõe atualmente na Casa Daros, no Rio.
    A primeira vez que vi obras de Le Parc foi em começos da década de 1960 e eram muito diferentes destas que hoje expõe.
    Aquelas eram telas com formas abstratas pintadas e outras recortadas em placas coloridas que se moviam. Confesso que não me causaram maior impressão, entre outras razões pelo fato de que o movimento das formas se repetia seguidamente.
    Aliás, esse é o problema que enfrenta quem tenta introduzir o movimento real na linguagem pictórica. Foi enfrentado por Abraham Palatnik quando criou seus aparelhos cinecromáticos e por Thomas Wilfred com seu Clavilux. Está presente em alguns dos trabalhos mostrados agora por Le Parc, muito embora em alguns deles isso não ocorra. Mas não é esse o principal problema, uma vez que essa exposição do artista argentino compreende mais de dez salas totalmente às escuras.
    Ao entrar na exposição, muito embora tenha sido avisado pela funcionária, senti-me totalmente perdido na treva de uma sala de que não vi as paredes e, por isso, não sabia se ia esbarrar em alguma delas ou tropeçar em algum degrau. Mantive-me parado, tenso, sem saber o que fazer. Percebi outras pessoas a meu redor mas tampouco as via. Depois dei alguns passos e pude vislumbrar, adiante, numa parede, um fervilhar de luzes. Tateando, passo a passo, fui me deslocando em direção àquelas luzes, já mais confiante.
Mas, o que fazer? Ver arte hoje tem um preço, que tanto pode ser um barulho ensurdecedor como sentir-se ameaçado ou perdido.
    Nesse caso, tem sentido estarem as salas às escuras, uma vez que os trabalhos expostos são basicamente projeções luminosas. Não resta dúvida de que cada uma delas resulta das possibilidades de criar efeitos luminosos muitas vezes surpreendentes.
    Outras vezes, porém, isso não ocorre; a própria presença dos equipamentos usados para provocar aqueles efeitos já retira deles o mistério que deveria envolver a relação entre a obra e o espectador.
    Isso à parte, percebo que quase nenhuma daquelas obras suscita no espectador maior emoção. Antes, provoca o prazer próprio ao entretenimento, o que não desmerece a competência com que são realizadas. Le Parc consegue o resultado oposto ao das obras de Wilfred, em que o movimento das formas luminosas, lento e denso, leva-nos a um estado de descoberta e reflexão.
    Saí da exposição de Le Parc como se nada de importante houvesse visto. São trabalhos elaborados e inventivos, mas não chegam a ser arte maior, no sentido pleno da palavra.