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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

O GLOBO - Mais de 90% dos brasileiros aprovam SESI e SENAI

Pesquisa Ibope mostra que maioria reconhece excelência das entidades do Sistema Indústria



Quanto mais conhecem, mais os brasileiros aprovam a atuação do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Entre os entrevistados que afirmam ter informações sobre as instituições, mais de 90% as consideram ótimas ou boas, aponta a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada pelo Ibope em 13 de dezembro.
Dos respondentes que dizem conhecer bem o SENAI, 94% enquadram a instituição com “ótimo ou bom”, para o SESI a percepção atinge 93%. “O conhecimento sobre as instituições reflete diretamente na opinião dos brasileiros sobre as instituições da indústria: se a pessoa sabe mais de SESI e SENAI, sobe a porcentagem da avaliação positiva”, analisa Renato da Fonseca, gerente de pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
De forma geral, as instituições ligadas à indústria são bem vistas pela sociedade brasileira. Em toda a população, 69% avaliam o SENAI como ótimo ou bom, e 59% pensam o mesmo sobre o SESI. Entre aqueles que afirmam conhecê-las “mais ou menos”, o percentual de ótimo e bom é 79% em relação ao SENAI e de 76% ao SESI.
O índice torna-se mais satisfatório à medida que as entidades do Sistema Indústria são bastante conhecidas pela população. Oito em cada 10 brasileiros conhecem o SENAI (87%) e o SESI (82%), ainda que apenas de ouvir falar. Outras instituições do Sistema S também possuem alto grau de conhecimento: 89% conhecem o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 85%, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e 80%, o Serviço Social do Comércio (Sesc).
EDUCAÇÃO
O SESI é lembrado por educação, oportunidade e lazer. Entre os entrevistados, 11% relacionaram a instituição à educação e escola; 9% a curso, capacitação ou aperfeiçoamento; 7% a emprego e melhor oportunidade e 4% o associam a lazer, esporte e cultura.
A instituição oferece uma educação de excelência voltada ao mundo do trabalho brasileiro. Em 2017, foram 1,18 milhão de matrículas em educação básica regular, educação continuada e educação de jovens e adultos a trabalhadores e dependentes.
Na análise de representantes do SESI, um dos motivos da lembrança da entidade com a educação de qualidade é a aposta nas abordagens pedagógicas modernas. Um exemplo é o STEAM, sigla em inglês que contempla ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática. A metodologia entende que as áreas do conhecimento devem ser prioridade na formação e precisam ser trabalhadas conjuntamente. No Brasil, a rede SESI é expoente dessa estratégia de ensino.
O SESI vem aprimorando a aplicação do método em 389 escolas por todo o país. Atualmente, 198 mil alunos têm contato com o ensino agregado desses conteúdos. “O conceito de STEAM é a mão na massa. É ter um projeto, resolver um problema, conseguir aplicar as matérias em casos reais. Com isso, despertamos o pensamento crítico em cima do raciocínio lógico”, explica o gerente-executivo de Educação do SESI, Sérgio Gotti.

FOLHA - A faca e o Sistema S


A equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), estuda, além de uma reforma previdenciária, um plano ambicioso de privatização e um redesenho da cobrança de impostos que tem provocado celeuma até mesmo no empresariado.
A controvérsia mais recente se dá em torno das contribuições obrigatórias —tributos, na prática— para o chamado Sistema S, que reúne entidades de serviço social e qualificação profissional como Sesi, Sesc, Senai e Senac, para citar algumas das mais conhecidas.
O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a intenção de“meter a faca” nesse gravame, incidente sobre as folhas de salários. Desagradou, como seria de imaginar, às federações e confederações patronais responsáveis pela gestão dos recursos, com os quais também se financiam.
Na ausência dessa espécie de imposto sindical, as ações do Sistema Steriam de ser bancadas por aportes voluntários das empresas. Existem boas razões a amparar tal objetivo. O processo para atingi-lo, entretanto, não se mostra simples.
O modelo em questão é resquício de um velho padrão corporativista de relacionamento entre Estado e setor privado no Brasil. Começou a ser criado nos anos 1940, sob Getúlio Vargas, a fim de financiar a educação técnica, quase inexistente. Expandiu-se de modo notável, mas constitui um anacronismo.
Passou o tempo de recorrer a tal artifício extravagante para financiar escolas, pois atualmente existe oferta de ensino público e privado. Representações sindicais, por sua vez, devem ser mantidas diretamente pelos interessados, como já indica a reforma trabalhista aprovada em 2017.
Com receita anual de cerca de R$ 200 bilhões, o Sistema S também apresenta vícios como a prestação de contas deficiente e a perpetuação de dirigentes.
No entanto o mesmo aparato oferece serviços relevantes —e, em geral, de boa qualidade— nas áreas de assistência social, lazer e atividades culturais. O corte súbito das verbas provavelmente afetaria milhões de brasileiros.
Convém, pois, estudar um programa gradual de privatização das entidades, que se faça acompanhar de transparência na gestão dos recursos compulsórios que recebam.
Como qualquer tributo, as contribuições que as sustentam têm impacto sobre a eficiência econômica —no caso, encarecem a contratação de mão de obra. Seus benefícios, porém, não são de usufruto geral. Cumpre deixar tais custos mais evidentes para a sociedade.
Ao governo Bolsonaro caberá definir prioridades e uma estratégia política para fazer avançar as medidas urgentes, como a reforma previdenciária. Por ora, o presidente eleito e seus auxiliares parecem dispersar energias ao abrir muitas frentes de conflito simultâneas.