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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Maracatu recebe título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

Título foi concedido em dezembro de 2014, mas só agora foi oficializado, por ocasião do Dia Estadual do Maracatu e do Dia Nacional do Patrimônio Histórico 
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    Do JC Online

    No fim da cerimônia, as 12 nações de maracatu apresentaram-se no bairro de São José / Foto: Bobby Fabisak/ JC Imagem

    No fim da cerimônia, as 12 nações de maracatu apresentaram-se no bairro de São José

    Foto: Bobby Fabisak/ JC Imagem

        Doze nações de maracatus reuniram-se na noite desta terça-feira (18) no Pátio de São Pedro, bairro de São José, área central do Recife, para a entrega oficial do certificado de titulação e registro dos Maracatus Nação como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O título foi concedido à manifestação cultural em dezembro de 2014, após a 77ª Reunião Deliberativa do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que ocorreu na sede do Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, mas só agora foi oficializado, por ocasião do Dia Estadual do Maracatu (1º de agosto) e do Dia Nacional do Patrimônio Histórico (17 de agosto).
        Participaram da celebração os Maracatus Aurora Africano, Estrela Brilhante do Recife, Cambinda Estrela, Leão da Campina, Encanto da Alegria, Nação Tupinambá, Encanto Pina, Nação Porto Rico, Nação Tigre, Almirante do Forte, Cambinda Africano e Raízes de Pai Adão.
        Para Marcelino Granja, secretário de Cultura de Pernambuco, o reconhecimento da importância do maracatu para a cultura popular do País pode auxiliar a manifestação a não cair no esquecimento. 
        “Além de ajudar a preservar essa expressão da nossa cultura popular, este título cria as condições necessárias para que ela possa se desenvolver e continuar interagindo com as futuras gerações. A certificação dá visibilidade à tradição e possibilita sua presença no cenário cultural do Estado e do Brasil”, afirmou Granja.
        Na cerimônia, que terminou com apresentações de todas as nações presentes, representantes dos maracatus e da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (AMAMPE) receberam certificados de titulação dos Maracatus Nação de Pernambuco no Livro de Registros das Formas de Expressão.

    sábado, 9 de maio de 2015

    Morre Dona Selma do Coco

        "Estou morrendo", repetiu duas vezes Dona Selma do Coco durante entrevista ao Jornal do Commercio, em 2013, para o caderno especial sobre os Patrimônios Vivos de Pernambuco – publicado naquele ano. “(Agradeço) o prestígio que (as pessoas) têm por mim e o valor que dão ao meu trabalho. Um muito obrigado e um ‘tchá’”, disse a cantora num trecho do vídeo (abaixo) gravado na sua casa, no Largo do Amparo, Olinda. Neste sábado, às 16h50, a ex-tapioqueira e uma das mais queridas e populares artistas pernambucanas morreu, aos 80 anos, deixando fãs, amigos e familiares sem sua simpatia e a gargalhada eternizada em canções: “Rá-rá”. Ainda não há informações sobre o velório e sepultamento da artista. À noite, o corpo foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbitos, no Instituto Médico Legal de Pernambuco. O procedimento é necessário porque a compositora foi internada após sofrer uma queda. Será investigado se essa queda está relacionada à morte.





        Dona Selma estava internada no Hospital Miguel Arraes, no Grande Recife, desde o dia  11 de abril, após cair no banheiro de casa ao sentir uma tontura. Ao dar entrada na unidade, além de uma fratura no fêmur, ela foi diagnosticada com uma infecção urinária (controlada pelos médicos). Segundo seus familiares, Selma também estava com um dos rins paralisado e teve um aneurisma. No dia 23, a cantora fez uma cirurgia no fêmur e, em seguida, foi para a UTI, chegando a ser entubada. No dia seguinte, apresentou melhora e recebeu visita dos parentes. Neste sábado,  ela não resistiu e morreu. Selma do Coco criou 13 sobrinhos e teve apenas um filho, Zezinho, que morreu em 2010 – desde então, Selma vivia abalada. 
        Na conversa com o JC, há dois anos – uma das últimas entrevistas dadas pela cantora – Selma, oscilava seu humor sarcástico com respostas curtas e olhar evasivo, resumindo sua vida e contando suas lembranças com uma voz cansada, mudada pelo tempo. Por outro lado, seu olhar brilhava ao falar da vida de artista e escutar a neta mais nova, Polyana, hoje com 11 anos, cantar coco e reproduzir as conhecidas onomatopeias da avó. “Quando eu morrer, ela vai ficar com a mãe dela tomando conta do meu trabalho”, sonhava a senhora, que começou a cantar estimulada pelos pais. Nos seus shows, ela dividia o palco com os netos. 
        Nascida em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco, Selma Ferreira da Silva, como fora batizada, veio para o Recife aos 10 anos para morar no bairro da Mustardinha, Zona Oeste do Recife. Desconhecida até então, só saiu do anonimato quando passou a vender tapioca no Alto da Sé, em Olinda. Foi nesse reduto turístico da cidade histórica que ela conheceu figuras importantes para sua trajetória pessoal e artística. Um deles foi o músico Chico Science e a cirandeira Lia de Itamaracá – de quem se tornou amiga. 
    “
    Ficamos tristes, mas sabemos que ela deixou um legado de reavivamento da cultura popular. Graças a ela, o coco reapareceu com força quando a cultura popular ainda não era compreendida pelas políticas públicas (Marcelino Granja, secretário de Cultura)
    ”

        Em mais de 60 anos de carreira, Selma do Coco gravou nove discos, um DVD, fez participação em trabalhos de outros artistas e em cinco filmes pernambucanos, além de ter gravado disco na Alemanha, conhecido a Europa e feito shows no Brasil inteiro. Foi também um dos símbolos da Festa da Lavadeira, que acontecia anualmente na Praia do Paiva, Litoral Sul do Estado. E ficou conhecida por músicas como Melô da rolinha e Moreninha do dente de ouro (esta última uma referência ao seu sorriso dourado que ostentava desde os 15 anos de idade). Em 2005, Selma ganhou o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, dado pelo Governo do Estado. Orgulhosa de seu trabalho e apaixonada pelo ofício de coquista, ela decorava e lembrava com honra de todas as histórias que viveu e do reconhecimento que ganhou aqui, no Brasil e até fora do País. “Morre quem canta, mas a cultura num morre nunca”, dizia Selma. 
        Embora não gostasse de dar entrevistas (“Estou gostando de dar entrevista a vocês porque eu gostei de vocês”, confessou a cantora), Dona Selma fez da conversa uma volta ao seu passado e também um desabafo sobre o futuro e os sonhos que tinha. Em casa, numa sala em que guardava discos, títulos, troféus e recordações, ela queria transformar em um pequeno museu, que morreu sem realizar. No entanto, deixou como legado para o Estado sua música e, principalmente, o amor por nossa cultura. E isso, nem o tempo apaga. A Dona Selma, o nosso muito obrigado e um “tchá”. E como dizia ela, a Rainha do Coco: Rá-rá.
    Do Jornal do Commercio

    segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

    Governo do Maranhão:Nota de Pesar - Humberto de Maracanã

    19 de janeiro, 2015 - 18h14
    O Governo do Estado manifesta profundo pesar pelo falecimento de Humberto Barbosa Mendes, cantador do Boi de Maracanã, ocorrido na tarde desta segunda-feira (19).
    Humberto de Maracanã, como era conhecido, deixa um grande legado para a cultura maranhense. Cantador desde os 34 anos, marcou época, interpretando vários clássicos do folclore maranhense como a toada “Maranhão meu tesouro, meu torrão” e foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Mestre em Cultura Popular.
    O governador Flávio Dino, bem como o conjunto de servidores do Estado solidarizam-se com a família, amigos e toda a população maranhense neste momento de dor.

    quinta-feira, 10 de julho de 2014

    Festival resgata comédia do bumba-meu-boi de Zabumba

       
    A comédia no Boi de Zabumba está sendo resgatada no Festival de Comédias de Bumba-meu-boi que acontece neste sábado, 12, paralelo ao 20º Festival de Bois de Zabumba, no Largo da Barrigudeira, no Monte Castelo. A promoção do evento é da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, em parceria com o Clube Cultural de Bumba-meu-boi de Zabumba e Tambor de Crioula do Maranhão. Integra o calendário de ações de salvaguarda do bumba-meu-boi, patrimônio cultural imaterial brasileiro desde 2011.

        O festival será aberto às 20 horas com apresentação dos bois Orgulho de Pinheiro e Capricho de União, do município de Santa Helena. Entre os grupos do sotaque em São Luís, a comédia desapareceu nas apresentações devido ao tempo estipulado por contrato com órgãos oficiais e  setor privado. 
        Participam do festival de zabumba o boi de Leonardo; Unidos Pela Fé; da Vila Passos; Capricho da Primavera; Laço do Amor; da Vila Ivar Saldanha; de Zabumba Orquestrado; da Vila Palmeira; Novo Capricho; Anjo do Meu Sonho; Capricho de Oliveira; Brilho da Paz; da Boa Vontade; de Romana; Dois Irmãos; de Guimarães; Sempre Seremos Unidos; da Fé em Deus e Unidos Venceremos.

        As comédias constituem pequenas histórias cômicas elaboradas coletivamente pelos brincantes, embora a maior parte da atividade dramática seja concentrada pelos personagens dos palhaços, conhecidos também como palhaceiros, Pais Franciscos, Catirinas, chefes da matança ou da palhaçada. 

        Segundo a  antropóloga Luciana, pesquisadora do Inventário Nacional de Referências Culturais do Bumba-meu-boi do Maranhão (INRC) realizado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), com sede no Rio de Janeiro, órgão vinculado ao Iphan, “são eles quem, de fato, selecionam, elaboram e executam as performances a partir dos fatos, em alguma medida, experimentados pela coletividade de que participam, atuando assim como espécies de porta-vozes do grupo”.

        A Superintendência do IPHAN no Maranhão continuará executando, esse ano, ações de diagnóstico, apoio, fomento e promoção do bem registrado, dentre as quais oficinas, festival, seminário, encontro e projeto de educação patrimonial voltadas para a salvaguarda do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão, registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2011 no livro de registro das Celebrações.