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segunda-feira, 12 de maio de 2014

"Não confiamos nas guseiras do Maranhão", diz Greenpeace

ONG relembra acordo de 2012 não cumprido pelas guseiras do Maranhão e cobra envolvimento das empresas norte-americanas que importam o minério
Do Greenpeace
    Em seminário internacional que relembra os 30 anos do Projeto Grande Carajás - projeto de mineração, siderurgia e desenvolvimento regional - o Greenpeace esteve presente para falar sobre o mercado mundial de minério de ferro e fazer uma avaliação crítica dos processos desencadeados por esses grandes investimentos.
    Paulo Adário, da campanha da Amazônia do Greenpeace, lembrou que há dois anos, a organização esteve em São Luís, mais precisamente na baía de São Marcos, protestando para evitar que o navio Clipper Hope chegasse ao Porto de Itaqui. "Faz dois anos que estivemos aqui e faz exatos dois anos que sentamos para conversar com as empresas pela primeira vez. Em agosto de 2012, a indústria de ferro gusa do Estado do Maranhão assinou um compromisso público com critérios mínimos de controle de desmatamento e de respeito às leis trabalhistas. Até agora nada foi feito", disse Adário.
    O cargueiro Clipper Hope deveria fazer um carregamento de mais de 30 toneladas de ferro gusa para os Estados Unidos, matéria prima do aço que deixa um rastro de destruição e ilegalidades nos Estados do Pará e do Maranhão.
    A produção de ferro gusa depende de carvão que, no caso brasileiro, é vegetal e que em parte vem de madeira proveniente de desmatamento ilegal de unidades de conservação e de territórios indígenas. Além disso, as carvoarias que abastecem as siderúrgicas utilizam mão de obra em condições análogas à escravidão.
    Paulo Adário continuou: "as empresas de gusa do Maranhão ganharam o prazo de um ano para montar um programa de melhoria e de monitoramento da produção de carvão e mais um ano para testar esse modelo. Faltam apenas três meses para que entreguem o que prometeram, mas se não fizeram até agora, não é nesta reta final que vão fazer. O tempo dessas empresas acabou."
    O Greenpeace não considera as empresas de ferro gusa do Maranhão confiáveis e reconhece que elas não são social e ambientalmente responsáveis. A organização enviou uma carta para as maiores compradoras do minério nos Estados Unidos - GM, Ford, BMW, Mercedes Benz, Nissan, Cargill, Steel Mill e John Deere - recomendando que elas não comprem ferro gusa do Maranhão até que o compromisso estabelecido em 2012 seja honrado.
    "Enviamos uma carta explicando o porquê não podemos confiar nas guseiras maranhenses e ressaltamos que o envolvimento das empresas compradoras e dos usuários finais do ferro-gusa é fundamental para o sucesso da implementação do compromisso", disse Adário. "Agora, as empresas compradoras sabem que devem conversar diretamente com os movimentos sociais do Maranhão, são eles quem podem garantir se os compromissos de proteção ambiental estão sendo cumpridos ou não."
'Carajás 30 anos'
    Organizado por Justiça nos Trilhos, Cáritas, Fórum Carajás, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra),GEDMMA (Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente) e apoiado por uma ampla rede de movimentos sociais e comunitários, sindicatos e pastorais nos estados do Pará e Maranhão, o seminário internacional 'Carajás 30 anos' avalia os inúmeros impactos sociais, econômicos, culturais e ambientais do Programa Grande Carajás.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Seminário Carajás 30 anos reúne palestrantes de 11 países de três continentes em São Luís(MA)

    Segue até a sexta-feira, dia 9, o Seminário Carajás 30 Anos: resistências e mobilizações frente a projetos de desenvolvimento na Amazônia oriental. O evento conta com participantes de 11 países, refletindo sobre as consequências da implantação de projetos de desenvolvimento sobre a Amazônia oriental e seus povos.
    Durante os dias de evento, serão 21 mesas redondas (acontecendo até 8 delas simultaneamente), 77 palestrantes vindos de diversos países das Américas, África, Europa, mais de 40 instituições organizadoras, entre universidades, institutos federais, movimentos sociais e organismos não-governamentais, e mais de mil participantes. 
    Todos estarão debruçados sobre as consequências para a implantação de projetos de alto impacto na Amazônia, com foco especial na mineração, agronegócio, siderurgia, trabalho escravo, meio ambiente, resistências populares e a ação governamental, muitas vezes aliadas aos grandes projetos sem levar em consideração as consequências sobre grupos sociais, especialmente no Pará, Tocantins e Maranhão.
    Além das questões acadêmicas levantadas, serão debatidas as falas de representantes de grupos sociais e povos tradicionais, que contarão suas experiências de convívio – muitas vezes conflitivo, diferente do que aparece nas propagandas e peças institucionais, com esses projetos: ribeirinhos, quilombolas, indígenas, camponeses dialogarão, em pé de igualdade, com estudiosos da Amazônia, tanto do Brasil quando do exterior. Experiências similares em diversas partes do mundo (América do Sul, Europa, Canadá, Estados Unidos, África) também serão apresentadas e debatidas.
     O Seminário em São Luís é um desdobramento de um processo que já vem acontecendo desde outubro de 2013, quando houve a primeira Etapa, na região tocantina, na cidade de Imperatriz, no Maranhão. De lá para cá, mais três etapas locais foram realizadas, nas cidades paraenses de Belém e Marabá, e na maranhense Santa Inês. Nesses etapas, dezenas de oficinas, grupos de trabalho, palestras, mesas redondas, reuniram um público médio de 300 participantes, por Seminário Local, que atingiu dezenas de cidades no Maranhão e no Pará.
Marcha e Ato Show “Trilhos da Resistência” – Além das palestras e grupos de trabalho, os participantes da etapa final em São Luís realizarão, na quinta-feira, dia 8, a Marcha “Nos Trilhos da Resistência”, que sairá do Campus da Universidade Federal do Maranhão para o Centro Histórico de São Luís, às 15h. Posterior a isso, no início da noite, eles participarão do Ato Show “Trilhos da Resistência”, que reunirá uma dezena de cantores na Praça Nauro Machado, Centro Histórico da cidade, para celebrar seus processos de afirmação em seus territórios em meio a tantas alterações introduzidas pelos chamados grandes projetos de desenvolvimento.