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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Primavera maranhense - BERNARDO MELLO FRANCO

BRASÍLIA - O governador do Maranhão, Flávio Dino, exonerou 48 funcionários que batiam ponto na antiga Fundação José Sarney. A entidade mudou de nome, mas ainda é destinada a manter o acervo do ex-presidente. Foi estatizada na gestão de sua filha, Roseana Sarney.
    As peças ficam no Convento das Mercês, erguido em 1654. Seus visitantes encontram fotos da passagem de Sarney pela Presidência, os carros que o transportavam em Brasília (um Landau e uma Caravan) e quadros que retratam sua família em trajes religiosos. No jardim, uma lápide de granito negro marcava o local de um futuro mausoléu. Depois foi trocada por uma estátua do senador em bronze –que ele diz não estar mais lá.
    Nos últimos três anos, o memorial custou mais de R$ 8 milhões aos cofres maranhenses. Dino, o primeiro adversário do clã a governar o Estado em cinco décadas, decidiu destinar o espaço a atividades educacionais e outros tipos de exposição.
    "Sarney acha que o convento é dele, mas o prédio pertence ao Estado. É absurdo usá-lo para guardar o patrimônio de uma família", critica.
    O governador nomeará hoje uma comissão para decidir o futuro do acervo. "Vamos preservar o que tiver valor histórico. O que caracterizar mera promoção pessoal será devolvido ao proprietário", avisa.
    Sarney tem direito de preservar suas relíquias do Planalto. Mas deveria mantê-las em um instituto privado, como fazem Lula e FHC.
    Os dois seguiram o exemplo dos EUA, onde os ex-inquilinos da Casa Branca recorrem a doações para abrir bibliotecas em seu Estado natal. A de Bill Clinton fica em Arkansas e mantém parte do acervo na internet. No site, é possível comprar sua biografia autografada por US$ 500 (cerca de R$ 1.330).
   Sem verbas públicas, a fundação de Sarney precisará de novas fontes para pagar as contas. Poderia passar a vender exemplares assinados dos romances dele, como "Marimbondos de Fogo" e "Brejal dos Guajas". 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Um homem de sorte - BERNARDO MELLO FRANCO

SÃO PAULO - Lobão nada explica. A manchete poderia ser publicada hoje, mas saiu no "Jornal do Brasil" em 9 de janeiro de 1994. Edison Lobão, governador do Maranhão pelo PFL, era suspeito de participar da máfia dos anões do orçamento. O delator do esquema contou que ele frequentava a casa de João Alves, que se dizia um homem de sorte e atribuía sua fortuna a vitórias seguidas na loteria. A CPI perguntou o que Lobão tinha a dizer sobre as acusações. Ele tentou ser rude, mas foi sincero: "Não há o que explicar".
    Duas décadas se passaram. João Alves morreu, o PFL morreu, o "JB" morreu, mas Lobão continua. Aos 77 anos, é ministro de Minas e Energia do governo Dilma Rousseff, indicado pelo ex-presidente José Sarney. Demonstra pouco conhecimento da área, apesar de estar no cargo desde 2008. Em maio, disse que "com a graça de Deus" não haveria racionamento. Nem o ateu mais militante ousaria misturar o nome dEle com a gestão do maranhense.
     Na semana passada, um novo delator, Paulo Roberto Costa, começou a entregar os beneficiários do esquema que saqueava os cofres da Petrobras. Além dos suspeitos de sempre do Congresso, citou um único ministro como destinatário de propina. Ganha uma passagem de ida para São Luís, com conexão de ônibus até o município de Governador Edison Lobão, quem adivinhar quem é.
    Mais uma vez, Lobão nada explica. A lista dos delatados veio à tona no sábado, em reportagem da revista "Veja". No domingo, o ministro faltou ao desfile do Sete de Setembro. Na segunda-feira, saiu de férias. Questionada por repórteres, a presidente se saiu com a seguinte resposta: "Ele não sabe nem do que está sendo acusado, a revista não diz. Vocês sabem?".
    No início do mandato, Dilma afastava ministros suspeitos de corrupção. Neste final melancólico, recorre a ironias de gosto duvidoso para protegê-los. Lobão não ganhou na loteria como João Alves, mas também pode ser considerado um homem de sorte.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

No PAINEL da Folha de S. Paulo - O banquete de Roseana


Com os presídios em chamas, o Maranhão escolherá nesta semana as empresas que abastecerão as geladeiras de Roseana Sarney (PMDB) em 2014. A lista de compras da governadora inclui 80 kg de lagosta fresca, uma tonelada e meia de camarão e oito sabores de sorvete. As iguarias deverão ser entregues na residência oficial e na casa de praia usada pela peemedebista. O Estado prevê gastar R$ 1 milhão para alimentar a família Sarney e seus convidados até o fim do ano.
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Fartura O pacote para os palácios maranhenses também inclui 750 kg de patinha de caranguejo, por R$ 39 mil. O governo do Estado comprará ainda duas toneladas de peixe e mais de cinco toneladas de carne bovina e suína.
Para adoçar As residências oficiais receberão 50 caixas de bombom e 30 pacotes de biscoito champanhe. Outro item curioso: R$ 108 mil em ração para peixes.
Jesus tá vendo O edital ainda prevê a compra de 2.500 garrafas de 1 litro de "refrigerante rosado" com "água gaseificada, açúcar e extrato de guaraná". Descrição sob medida para a compra do guaraná Jesus, bebida famosa do Maranhão.
Martelo Com tantas encomendas, o governo fará duas licitações para escolher os fornecedores. O primeiro pregão, de R$ 617 mil, está marcado para amanhã às 14h30. O segundo foi agendado para esta sexta-feira.
Em silêncio Com tradição de enfrentar governos para defender os direitos humanos, a OAB não tem dado um pio sobre a barbárie nas prisões do Maranhão. O presidente da entidade, Marcos Vinicius Coêlho, foi advogado de Roseana no TSE.