domingo, 11 de outubro de 2015
Guerra e paz - FERREIRA GULLAR
Acredito que o ser humano prefere a paz à guerra. Por que, então, há tantos conflitos na história?
Numa palestra que fiz recentemente na série "Como Viver Juntos", promovida pelo Fronteiras do Pensamento, defendi a tese de que o ser humano prefere a paz à guerra, muito embora a história esteja marcada por inumeráveis conflitos, que datam desde as nossas origens até os tempos atuais.
De fato, nos dias de hoje são tantos os conflitos que a minha tese, que pareceria óbvia, se torna quase inaceitável. Não obstante, insisto que o homem prefere a paz à guerra.
Como se explicaria, então, que os conflitos armados sejam um fator constante, envolvendo os mais diferentes povos e países?
A resposta, que pode parecer simplista, é que nem sempre fazemos o que consideramos certo e o que desejamos. Se isso vale para cada um de nós, individualmente, imaginem quando se trata de questões que envolvem interesses econômicos e políticos nacionais e internacionais.
Refletindo sobre o tema que me foi proposto, logo me veio à mente os indígenas que habitavam o território nacional, antes que aqui chegassem os colonizadores. Viviam guerreando.
É que, sendo nômades, alimentavam-se das frutas e dos animais que caçavam na floresta. Quando esses recursos se esgotavam na zona em que viviam, deslocavam-se para outra, já ocupada por diferente tribo, do que resultavam verdadeiras guerras de extermínio.
Mas, com a chegada dos colonizadores e, particularmente, dos jesuítas que os catequizaram, os índios se tornaram sedentários, e aqueles conflitos terminaram.
Tal fato me leva a pensar que na medida em que os homens conquistam condições estáveis de vida, o motivo de muitos conflitos desaparece, embora, claro, possam surgir outros, conforme se sabe.
Se recordamos a história das nações, ao longo dos séculos, constatamos que o desenvolvimento econômico e social, pesados os prós e os contras, tem contribuído para maior acordo entre as nações.
Certamente, os países têm seus interesses, que se expressam também no intercâmbio comercial, o qual melhor se mantém e desenvolve com o entendimento e não com os conflitos.
É verdade também que esses mesmos interesses podem conduzir ao desentendimento, particularmente quando as disputas no plano econômico se tornam inevitáveis. Nesses casos, muitas vezes contribuem para o acirramento das contradições fatores ideológicos que tornam o entendimento inviável.
Em alguns momentos da história –mesmo em épocas mais próximas de nós– vimos surgir conflitos deliberadamente suscitados por líderes políticos, e não por interesse real da nação.
Ninguém desconhece que, em diversos momentos, fatores religiosos também conduziram a guerras, de que são exemplos as Cruzadas, na Idade Média.
Hoje assistimos ao fanatismo do Estado Islâmico, cujo sectarismo ultrapassa qualquer explicação razoável. Por pura intolerância, tem assassinado milhares de pessoas e destruído relíquias artísticas, patrimônios da humanidade, simplesmente para afirmar seu fanatismo.
Um dos casos mais lamentáveis de conflito irrazoável é o que se mantém entre palestinos e israelenses desde a década de 1940, quando a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a criação dos dois estados, o israelense e o palestino.
Os palestinos não aceitaram a decisão e, com isso, iniciou-se um conflito que dura até hoje e de que tem resultado a morte de milhares de pessoas.
Duvido, sinceramente, que as mães palestinas e as mães israelenses queiram que seus filhos vão à guerra morrer. Quem, na verdade, deseja as guerras são alguns poucos, seja por razões religiosas, ideológicas ou econômicas.
E não são eles que vão para as linhas de frente pôr em jogo suas vidas. Por isso, insisto em dizer que as pessoas preferem a paz à guerra. É certo que, às vezes, se deixam levar por líderes belicistas mas, no final, quase sempre se arrependem de o terem feito.
Na palestra, mencionei um fato a que já me referi em outras ocasiões. Fui, certa vez, entrevistado por um jornalista israelense que perguntou o que eu achava do conflito entre Israel e os palestinos.
Respondi-lhe: "Acho eu que devem sentar à mesa e fazer as pazes. Chega de ter razão enquanto milhares de pessoas perdem a vida".
Chega de ter razão. O que importa é ser feliz.
MANCHETES DOS JORNAIS
Maranhão
O Estado do MA: Engessamento do governo já preocupa
O Imparcial:
Região
O Imparcial:
Região
Diáro do Pará: Salve a santa de Nazaré!
Jornal do Commercio: Relatório indica nova "pedalada"
Meio Norte: Economia solidária já envolve 50 mil famílias
O Povo: Como a crise política mexe com a cabeça do eleitor
Nacional
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Nacional
Correio: Oposição cobra o afastamento de Eduardo Cunha
Estadão: Líderes da oposição cobram afastamento de Eduardo Cunha
Folha: Novas provas levam a pedir afastamento de Cunha
O Globo: Baiano diz que pagou contas do filho de Lula
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Zero Hora: Refugiados - Uma história
sábado, 10 de outubro de 2015
Círio de Nazaré 2015 em Belém (PA)- Mensagem do Papa Fancisco
“Sua Santidade, o Papa Francisco, saúda com afeto os fieis, benfeitores, autoridades civis e eclesiásticas que, no mês de Outubro, vindos de todos os cantos do Brasil, se reúnem em Belém do Pará para as festividades do Círio de Nazaré.
O Santo Padre eleva preces à Mãe do Céu, pedindo que Ela interceda por todos, para que sejam sustentados pela misericórdia de Deus, a fim de suportar os sofrimentos e as fadigas da vida, a exemplo de Maria que, ao pé da cruz “é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus.
O perdão supremo oferecido a quem o crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do filho de deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém”.
Por isso, sua Santidade exorta cada um a dirigir à Nossa Senhora “a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu filho Jesus” (Bula Misericordiae Vultus, 24).
O Santo Padre pede que continuem a rezar por ele, enquanto, por sua parte, implora abundantes graças celestiais sobre todos. A fim de que caminhem sempre sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré, como misericordiosos filhos e filhas do pai do céu, confirmando estes votos e preces, o Papa Francisco de bom grado concede-lhes uma propiciadora bênção apostólica.”
MANCHETES DOS JORNAIS
Maranhão
O Estado do MA: Liberdade vigiada
O Imparcial: Prefeitos fora da lei
Região
O Imparcial: Prefeitos fora da lei
Região
Diáro do Pará: Salve Santa de Nazaré
Jornal do Commercio: Pouco a comemorar
O Povo: Semace embarga obra em área ambiental
Nacional
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O Povo: Semace embarga obra em área ambiental
Nacional
Correio: Suiça revela que Cunha recebeu R$ 32 milhões
Estadão: Contrato da Petrobras na África irrigou conta de Cunha
Folha: Dinheiro do Petrolão irrigou contas de Cunha, aponta investigação Suíça
O Globo: Contas na Suíça pagaram gastos da mulher de Cunha
Estadão: Contrato da Petrobras na África irrigou conta de Cunha
Folha: Dinheiro do Petrolão irrigou contas de Cunha, aponta investigação Suíça
O Globo: Contas na Suíça pagaram gastos da mulher de Cunha
Zero Hora: Chuva que desabriga
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
‘ As escravas sabiam usar as leis a seu favor’
Camillia Cowling, pesquisadora Professora de História da América Latina, especializada em escravidão no Brasil ( que, em livro, compara à de Cuba), inglesa participou de seminário na Casa de Rui Barbosa
“Tenho 37 anos, trabalho na Universidade de Warwick, na Inglaterra, e me considero uma historiadora de gênero. Interesso- me pela história da mulher. Para estudar a escravidão no Brasil, fiz um curso audiovisual de português. Passava umas duas horas por semana ouvindo fitas em um walkman, até que, um dia, aprendi”
Conte algo que não sei.
Os escravos e as escravas no Brasil, assim como em Cuba, sabiam usar, e usavam, as leis para melhorar sua condição de vida. Documentos provam que muitos compareceram diante de tribunais para reclamar seus direitos ou os de seus familiares. No Rio, havia defensores públicos que agiam a favor desse grupo. Em Havana também. Eram as chamadas “ações de liberdade”.
Quantas ações desse tipo foram abertas aqui?
Não há um número preciso, já que os historiadores ainda estão trabalhando sobre documentos encontrados no Arquivo Nacional e no Arquivo Geral da Cidade. Mas as “ações de liberdade” se contam aos milhares aqui e em Cuba.
Algum caso a chocou?
Em agosto de 1884, a escrava Josefa Gonçalves de Moraes comprou a própria liberdade e abriu um processo no Rio pela custódia da filha Maria, de 10 anos, que, pela Lei do Ventre Livre, nascera em liberdade, mas teria que ficar sob a guarda do antigo senhor de Josefa até a maioridade. Na ação, ela argumenta que é a pessoa certa para cuidar da filha. Mas o antigo senhor diz que a alimenta e lhe dá educação, coisas que Josefa não poderia garantir.
E qual é o desfecho?
É triste: Josefa perde. Em 1886, o juiz Joaquim José de Oliveira Andrade escreve em sua sentença: “A menor Maria vive contentemente e é tratada com devoção por José Gonçalves de Pinho e sua mulher. A mãe, recentemente liberta e amasiada, não é capaz de lhe dar boa educação e cuidados.”
Mas tem que ter algum caso de sucesso, não?
Há vários: o caso da negra liberta Maria Rosa, que escreveu uma carta à imperatriz Teresa Cristina alegando seus direitos e pedindo que a filha Ludovina, também menor de idade, fosse incluída nas chamadas “cerimônias de liberdade”. Não sabemos quem autorizou sua inclusão, mas Ludovina foi entregue à mãe. Para mim, o interessante nesses dois casos é que eles mostram que as mulheres, não só os homens, sabiam fazer pressão.
Há uma mulher como Zumbi dos Palmares?
Não que se saiba, mas os estudos seguem. Quando a gente lê sobre Zumbi, os quilombos ou a escravidão como um todo no Brasil e em Cuba encontra um ambiente masculinizado. Sempre me perguntei: onde estavam as mulheres? Como viviam isso? Então, passei seis anos entre Rio e Havana estudando, e o conteúdo está no meu primeiro livro.
A escravidão morreu?
Ela foi abolida e não existe, de forma legal, no Brasil desde 1888, mas a escravidão, obviamente, está aí, acontece na prática. Aposto que aqui mesmo, no Rio, há muita gente escravizada, convivendo com a mais absoluta falta de controle sobre a própria vida.
Como vê o futuro de Cuba, após as pazes com os EUA?
Não me arrisco muito a palpitar nesse assunto porque ele suscita discussões acaloradas, mas acho que Cuba vai se aproximar mais dos EUA, e, em consequência, terá cada vez mais desigualdades sociais. Só espero que o país não abra mão das importantes conquistas que obteve.
Se pudesse escolher, onde moraria de novo? No Brasil ou em Cuba?
( Risos) Preferiria ser rica no Brasil, ou pobre em Cuba. Rico em Cuba não é tão rico, e pobre no Brasil é pobre mesmo.
MANCHETES DOS JORNAIS
Maranhão
O Estado do MA: Mais dois baleados em assalto a ônibus
O Imparcial: Combate à corrupção cresce no Maranhão
Região
O Imparcial: Combate à corrupção cresce no Maranhão
Região
Jornal do Commercio: Derrota unânime
O Povo: Por unanimidade, TCU rejeita contas do governo Dilma
Nacional
O Povo: Por unanimidade, TCU rejeita contas do governo Dilma
Nacional
Correio: TCU abre caminho para impeachment
Estadão: Por unanimidade TCU rejeita contas de Dilma
Folha: Governo Dila é o 1º a ter contas rejeitadas no TCU desde Getúlio
O Globo: Por unanimidade, TCU rejeita contas de Dilma
Estadão: Por unanimidade TCU rejeita contas de Dilma
Folha: Governo Dila é o 1º a ter contas rejeitadas no TCU desde Getúlio
O Globo: Por unanimidade, TCU rejeita contas de Dilma
Zero Hora: Por unanimidade, TCU rejeita contas de Dilma de 2014
Sinduscon discute suspensão do Minha Casa, Minha Vida no Maranhão
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Maranhão discute na próxima quinta-feira,15, a suspensão dos contratos do Programa Minha Casa, Minha Vida Fase 1. O tema será tratados pelos associados durante assembleia geral extraordinária convocada pelo presidente Fábio Nahuz a ser realizada no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão, às 17 horas. Também na assembleia será debatido o contrato coletivo de trabalho para o biênio 2015\2016.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
MANCHETES DOS JORNAIS
Maranhão
O Estado do MA: 307 presos sairão de PEdrinhas para o Dia da Criança
Região
Região
Jornal do Commercio: Acerto de contas
O Povo: Câmaras de desegurança já flagraram 500 ocorrências
Nacional
O Povo: Câmaras de desegurança já flagraram 500 ocorrências
Nacional
Correio: TSE abre processo que pede cassação de Dilma
Estadão: TSE reabre ação que pede cassação de Dilma e Temer
Folha: TSE reabre ação que pede a cassação de Dilma e Temer
O Globo: TSE reabre ação que pede cassação de Dilma e Temer
Estadão: TSE reabre ação que pede cassação de Dilma e Temer
Folha: TSE reabre ação que pede a cassação de Dilma e Temer
O Globo: TSE reabre ação que pede cassação de Dilma e Temer
Zero Hora: TSE reabre ação que pede a cassação de Dilme e Temer
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Vitor Ramil é patrono da 43ª Feira do Livro de Pelotas (RS)
O cantor, compositor e escritor gaúcho Vitor Ramil será o patrono da 43ª Feira do Livro de Pelotas (Rio Grande do Sul), que acontece entre 29 de outubro e 15 de novembro. A relação entre literatura e música será abordada na feira.
"Pelotas é fundamental em meu trabalho", afirma Vitor Ramil.O artista é tema do livro "Vitor Ramil: nascerr leva tempo", de Luis Rubira, filósofo e professor de Pelotas. Segundo Rubira, a obra do compositor representa o imaginário da cidade.
MANCHETES DOS JORNAIS
Maranhão
O Estado do MA: Bancos fechados
O Imparcial: Máfia da habilitação - 22 pessoas presas por fraudar Carteira de motorista
Região
O Imparcial: Máfia da habilitação - 22 pessoas presas por fraudar Carteira de motorista
Região
Jornal do Commercio: TCU reage forte a manobra de Dilma
O Povo: Corte federal acaba com descontos em 192 farmácias
Nacional
O Povo: Corte federal acaba com descontos em 192 farmácias
Nacional
Correio: TCU reaje a manobra ae mantém julgamento
Estadão: TCU ignora governo e mantém votação das contas de Dilma
Folha: Dilma vai recorrer ao Supremo se TCU não afastar relator
O Globo: Acordo de leniência devolve R$ 1 bilhão para petrobras
Estadão: TCU ignora governo e mantém votação das contas de Dilma
Folha: Dilma vai recorrer ao Supremo se TCU não afastar relator
O Globo: Acordo de leniência devolve R$ 1 bilhão para petrobras
Zero Hora: Antes da votação, TCU avalia ação contra relator
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
TAA tem direção semelhante a uma fazenda
Em uma das falas nos intervalos da música, Ro Ro elogiou a passagem de Fernando Bicudo pela direção do TAA. Se declarou alienada por não se antenar em nome de governantes quando desempanha seu papel de artista.
Terminado o show, como de praxe, a cantora permaneceu no camarim à espera dos fãs para afagos, parabenizações e autógrafo. Isso acontece no mundo inteiro. Para surpreza da cantora, por ordem da direção da casa, o público foi impedido de acesso ao local. Segundo informou um funcionário, a direção não permitia a circulação de pessoas que não fossem os artistas nas dependências do teatro.
Os próprios funcionários são proibidos de circular no interior do TAA.
Ro Ro teve que utilizar o estilo Ro Ro ( confira esta aqui) para abrir passagem para seu público, observada por embizurados funcionários. Quanto ao ar condicionado: é um luxo só, assim pensa a direção do TAA.
Na semana passada, a jornalista Valquíria Santana foi mais uma vítima das normas anormais da casa. Foi constrangida por servidores da casa que se utilizaram de método nem um pouco ortodoxo para enxotá-la do recinto.
Assista show de Angela Ro Ro no TAA:MANCHETES DOS JORNAIS
Maranhão
O Estado do MA: Confusão marca escolha de conselheiros
O Imparcial: Menos R$ 16 milhões para o Maranhão
Região
O Imparcial: Menos R$ 16 milhões para o Maranhão
Região
Jornal do Commercio: Governo pede saída de relator das "pedaladas"
Meio Norte: Chacina: homem mata ex-mulher e mais 3
O Povo: Prefeitura quer aumentar negócios com pequenas empresas
Nacional
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Nacional
Correio: Guerra das pedaladas entre governo e TCU
Estadão: Governo pede afastamento de relator das 'pedaladas'
Folha: Dilma tenta afastar relator para adiar decisão no TCU
O Globo: Governo manobra para adiar julgamento de contas
Estadão: Governo pede afastamento de relator das 'pedaladas'
Folha: Dilma tenta afastar relator para adiar decisão no TCU
O Globo: Governo manobra para adiar julgamento de contas
Zero Hora: Planalto tenta barrar relator das pedaladas
domingo, 4 de outubro de 2015
9ª FeliS - Feira do Livro de São Luís: Flagrante dos homenageados na abertura
Pobre é ladrão? - FERREIRA GULLAR
Vamos admitir que basta ser pobre para ser bandido? Seria uma ignomínia contra aqueles que trabalham duro
Logo após o fim de semana, quando a zona sul do Rio foi tomada pelos arrastões, assisti a um programa de televisão em que se debatia o assunto. De fato, foram dois dias –um sábado e um domingo– que deixaram as pessoas apavoradas, sem falar daquelas que sofreram diretamente a ação dos pivetes.
Eles agiram em grupos de dez, quinze assaltantes que, nas praias, tomavam dos banhistas celulares, bolsas, cordões de ouro, relógios, enfim, tudo o que pudessem levar.
Em meio a tanta gente, corriam e sumiam, sem que nem mesmo os policiais conseguissem pegá-los. Alguns foram presos, mas, como disse um delegado, logo seriam soltos para voltar a assaltar. É que são menores.
Pois bem, durante o debate, a opinião dos participantes era de que a razão dessa crescente ação dos pivetes está na maneira como agem as autoridades, usando apenas a repressão policial, quando o problema é social. Ou seja, de nada adianta reprimir a ação dos pivetes, uma vez que a causa está na desigualdade: esses assaltantes são jovens de classe baixa, filhos de famílias pobres, que muitas vezes não têm nem mesmo o que comer.
Isso, sem dúvida alguma, é verdade. Mas, partindo dessa constatação, o que fazer para evitar que eles continuem a assaltar? Na opinião dos debatedores, naquele programa, o governo deveria oferecer a esses jovens atendimento capaz de reintegrá-los à vida social. Noutras palavras, é a desigualdade social que os leva a roubar.
Vamos examinar essa tese. Quantos menores pobres existem na cidade do Rio de Janeiro? Não sei ao certo, mas acredito que cheguem a muitos milhares, a centenas de milhares. Se aqueles jovens assaltam por serem pobres, por que não há muitos milhares de assaltantes em vez de algumas dezenas? Os que agiram naquele fim de semana não chegavam a cem.
Diante disso, concluo que não é apenas por ser pobre que o cara se torna assaltante. Ou vamos admitir que basta ser pobre para ser bandido? Seria uma ignomínia contra os pobres que, pelo contrário, em sua absoluta maioria trabalham para ganhar o pão de cada dia. Na verdade, a maioria dos que pegam no pesado são os pobres. E o pessoal do Petrolão, rouba por quê? Por não ter o que comer certamente não é. Será por vocação?
Citei, certa vez, numa de minhas crônicas, o que disse uma senhora favelada: "Tenho cinco filhos, duas meninas e três meninos. Quatro deles estão estudando. Só um deles não quis estudar e virou assaltante". Vejam bem; todos eles foram criados na mesma casa, na mesma favela, pela mesma mãe, enfrentando as mesmas dificuldades. Por que só um deles optou pelo crime? Semana passada, um desses garotos declarou que rouba por prazer e não estuda porque não quer.
A desigualdade social existe e, no Brasil, chega a um nível vergonhoso. E há desigualdade, maior ou menor, em todos os países, até naqueles de alto desenvolvimento econômico, como os Estados Unidos. Deve-se observar também que, durante séculos, a humanidade enfrenta esse problema e luta para livrar-se dele. Admito que talvez nunca cheguemos à sociedade justa, mas ela pode ser menos injusta, sem dúvida alguma. Só que isso vai demorar –e muito.
Voltemos, então, à tese daquele pessoal do tal programa. Se é verdade que os pivetes assaltam porque nasceram numa sociedade desigual, significa que, enquanto a desigualdade se mantiver, haverá assaltantes, os quais não devem ser punidos, pois são vítimas da sociedade desigual. Puni-los seria cometer uma dupla injustiça, certo? No fundo, é mais ou menos essa visão do problema que levou à benevolência das leis brasileiras contra os criminosos, tenham a idade que tiver.
Mas como fica a mocinha inglesa que teve sua bolsa levada pelos pivetes com todo o seu dinheiro e todos os seus documentos? Chorando, ela prometeu nunca mais voltar ao Brasil. Como fica o assassinato daquele senhor, morto pelo pivete que queria roubar sua bicicleta?
Se a causa dos crimes é a desigualdade social, e ela vai custar muito a ser superada, vamos ter de viver o resto da vida trancados em casa ou andar apavorados pelas ruas da cidade. Será que está certo?
Um poeta no Madeira - YÊDDA PINHEIRO BORZACOV
*Yêdda Pinheiro Borzacov
Um dia, em 1917, um barco grande, novo e bonito foi subindo o rio Madeira. Dentro dele havia um grupo de gente. No meio dessa gente havia um homem gentil, de fala mansa e olhar doce. Era o poeta maranhense Vespasiano Ramos.
Ele estava fazendo uma excursão pelo vale do Madeira. Queria conhecê-lo, pretendia ver de perto as belezas do vale para escrever um livro sobre ele.
Vespasiano Ramos estava deslumbrado com tanta beleza junta, quando, de repente, o barco rodeou uma ilha e entrou num remanso, exatamente no lugar onde estavam as palmeiras de açaí, que haviam nascido naquele lugar aberto, ensolarado! Ao fundo estava a floresta. À sua frente, as areias amareladas que cercavam as águas do Madeira que passavam.
O vento balançava as folhas das palmeiras pra lá e pra cá... Era como uma música suave que ninava como embalo de braço ou de rede... Dava até para dormir... Volta e meia os pássaros de várias cores e tamanhos passavam por ali. E continuavam ou paravam... Parecia que as palmeiras ficavam cheias de flores que voavam...
Às vezes a chuva lavava todas as palmeiras e os pingos caiam pelas “franjas” de suas folhas fazendo um barulhinho ritmado: tic... tic... tic...
Quando o sol se refletia nestas folhas lavadas, elas pareciam esmeraldas... As palmeiras em três tempos.
O poeta ao vê-las, se apaixonou por elas e comentou com os outros passageiros que esses vegetais tinham perfeição, suavidade, encanto!
Algumas pessoas apanharam um monte de coquinhos da palmeira e fizeram vinho roxo de açaí, e o poeta tomou com farinha d’água e gostou demais! O vinho do açaí contém muito ferro e é muito nutritivo.
Ele quis ficar naquele lugar lindo o resto do dia... toda a noite... e a próxima manhã... E assim aconteceu.
O poeta do Maranhão teve a satisfação de contemplar três espetáculos de rara e estonteante beleza: um pôr do sol; uma noite de lua cheia e um amanhecer, no vale madeirense.
Vespasiano Ramos observou que com o pôr do sol, a floresta se tornou uma massa escura... O sol, com seus raios amarelos, alaranjados e vermelhos, tingia a copa das árvores e se refletia nas areias e águas do rio.
O desenho foi se formando e o inesperado aconteceu! Mas... aconteceu... o que?
Aconteceu o seguinte:
O sol projetava a sombra da palmeira do açaí nas águas do rio... e, bem destacado, o seu desenho aparecia em detalhes na parte clara do céu que ficava atrás dela... com o seu tronco e amontoados de folhas se abrindo lá do alto... Então, no mesmo tempo, ela estava ali, na terra, na água e no céu!
O poeta não perdeu tempo e fotografou o quadro que o Criador pintara e que seria um dos temas para o seu livro.
À noite, a lua cheia apareceu no céu estrelado... derramava um banho de prata sobre a floresta, o rio e as palmeiras! Uma brisa suave tocava gentilmente suas folhas prateadas...
No céu, estavam a lua cheia e milhões de estrelas... O rio espelhava em suas águas o céu e as palmeiras... Elas estavam ali, no centro de tamanha maravilha! O poeta, emocionado, sentou-se e registrou este cenário com sua arte, usando seus olhos, sua sensibilidade, sua mão, papel e caneta.
Era o segundo quadro que o Criador pintara!
Pela manhã, houve o amanhecer! O sol vagarosamente surgindo atrás da floresta... tingindo o céu de cores deslumbrantes... tornando mais claras as águas barrentas do rio... fazendo as palmeiras visíveis em toda a sua primitiva beleza!
Elas estavam ali como rainhas! O poeta de tão encantado, nem falou... só fotografou mais este quadro que o Criador criara!
Se o poeta Vespasiano Ramos, autor do livro “Coisa Alguma”, não tivesse falecido dias depois, ao chegar a Porto Velho, teríamos certamente um livro muito bom sobre o vale do Madeira, com destaque especial para a palmeira alta, esguia e linda, cujo tronco redondo, fino e reto subia em direção ao céu e folhas verdes, cheias de “franjas” se espalhando lá no alto, como um espanador e flores como buquês firmes ao redor do seu tronco. Seus frutos, em pencas, ocupavam o lugar das flores, quando elas murchavam e caiam.
A palmeira açaí é, sem dúvida alguma, uma das mais bonitas da floresta amazônica.
* Yêdda Pinheiro Borzacov, professora, autora de oito livros e dezesseis coautorias. Membro da Academia de Letras de Rondônia e do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia.
MANCHETES DOS JORNAIS
Maranhão
O Estado do MA: Mulheres na linha de frente do crime
O Imparcial: 60% das famílias se recusam a doar órgãos
Região
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Diário do Pará: Contratos do governo-"É um programa ilegal"
Jornal do Commercio: Alerta rosa
Meio Norte: Meio Norte traz novas riquezas a partir de 2ª
O Povo: Até onde vai o fôlego do "novo" governo Dilma
Nacional
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Correio: "A situação do PT é grave. Negar isso é um equívoco"
Estadão: PMDB passa a controlar orçamento maior que PT
Folha: Controle de agrotóxico em alimento é quase nulo
O Globo: Crise obriga empresas a vender R$ 150 bi em ativos
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Folha: Controle de agrotóxico em alimento é quase nulo
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Zero Hora: Destino incerto
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Deputado do Maranhão é relator do PL Espião
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara deixou para esta quinta-feira,1º, a votação da proposta que modifica a pena para crimes contra a honra quando cometidos pela Internet.
O relator, deputado Juscelino Filho (PRP-MA), vai refazer seu parecer ao PL 215/15 e apensados, e modificar alguns pontos que foram debatidos ontem pela manhã pelos membros da comissão.
Juscelino concordou em diminuir as penas que seriam duplicadas para crimes de injúria, difamação e calúnia cometidos pela internet. Na nova versão, esse agravante ainda será considerado, mas o aumento de pena será de um terço. Apenas no caso de o crime resultar na morte do ofendido, a pena será duplicada. A pena por calúnia, por exemplo, seria de 9 meses a 3 anos caso tenha sido feita pela internet.
"Com as alterações achamos que será possível votar a proposta. Ainda restarão pontos polêmicos, mas vamos votar o projeto", disse o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE). O relator acatou três sugestões de Gomes, principalmente quanto ao acesso a dados como mensagens e conexões de usuários. O texto final deve deixar claro que é preciso autorização judicial para acessar esse tipo de dados.
"Esses dados são como ligações telefônicas, que têm sigilo e só podem ser acessadas com autorização do Judiciário. O que estamos decidindo aqui é se queremos ou não o controle do Judiciário", criticou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), que foi o relator do Marco Civil da Internet (Lei nº 12965/14), lei que está sendo alterada pela proposta para facilitar a identificação de usuários.
Juscelino Filho respondeu a essas críticas, e disse que a intenção é acabar com o uso clandestino e o anonimato na rede. "São perfis falsos, pessoas que se escondem no anonimato e usam isso para manchar a honra das pessoas, como se isso fosse um direito, e não é", disse.
"Estamos falando da internet como instrumento de publicação de ideias e pensamento, e nesse campo a proposta é extremamente razoável", considerou o deputado José Fogaça (PMDB-RS). Para ele, o projeto defende as pessoas que são vítimas desse tipo de crime, ao criar mecanismos para acelerar a identificação de quem ofendeu.
O relator não aceitou retirar do seu relatório o que está se chamando de "direito ao esquecimento". Pelo texto, quem for absolvido em decisão final pela Justiça pode requerer ao Judiciário a retirada de conteúdos que atribuam esse crime ao inocentado. Juscelino e outros deputados defendem a medida, mas as deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Gorete Pereira (PR-CE) pretendem apresentar uma correção para que essa medida seja retirada da proposta.
Críticas
A proposição também está sendo acusada de ser um mecanismo para defender políticos de críticas em blogs e perfis das redes sociais, mas o deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA) afirmou que essa não deve ser a leitura sobre a proposta. Para ele, a crítica está preservada, e é diferente de quem comete injúria ou calúnia, ao atribuir a alguém um crime que não cometeu. "Inclusive há decisão do Supremo, do ministro Celso de Melo, de que contra políticos cabe inclusive a crítica mordaz, incisiva e até mesmo irônica, isso está preservado como garantia", disse.
Mas o deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) ponderou que os parlamentares precisam escolher o que é mais importante entre as duas garantias que estão em jogo na discussão do projeto: honra pessoal e liberdade de expressão. "E a liberdade de expressão é um bem muito maior a se preservar", disse.
Entre a sociedade civil organizada, o PL 215/15 ganhou o apelido de PL espião, justamente por facilitar a espionagem e retirada de conteúdos na rede que possam ser considerados ofensivos à honra de alguém – inclusive dos políticos e autoridades públicas. Há uma petição online no ar pedindo a rejeição do PL na Câmara, já assinada por mais de 124 mil pessoas no momento em que essa reportagem é escrita.
(*) Com a Agência Câmara
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