quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Jomar Moraes critica programação dos 400 anos de São Luís e reportagem da TV Mirante

As festas e a ressaca
Jomar Moraes
As festas pelos 400 anos de São Luís começaram e, segundo li, estender-se-ão por todo o mês de setembro, cumprindo uma programação intensa e de conteúdo exclusivamente musical. Programação eclética, isenta de preconceitos em relação a esta ou àquela tendência musical. Não fui pessoalmente assistir a nenhum desses shows aptos a entrar na história, segundo assegura anúncio repetido à exaustão. Apesar disso, venho acompanhando tudo com tão vivo interesse, que julgo achar-me suficientemente informado acerca do principal que ultimamente aconteceu na cidade quatrocentã, marca temporal que ainda representa muito na história de nosso jovem país, sobretudo de nossa região, que funcionou como porta de acesso aos pioneiros da colonização que daqui partiram para fundar Santa Maria de Belém do Grão-Pará e as numerosas localidades situadas antes e depois desse percurso realizado com excepcional intrepidez, ousadia e sacrifícios, inclusive e principalmente de vidas humanas.
    Todos esses memoráveis feitos de redivivos argonautas em demanda de utópicos eldorados e de oníricos veloninos de ouro atingiram lances paroxísticos mais de um século depois da chegada de Cabral à Bahia. Prova do que afirmado é Belém, a primeira e mais importante capital da região Norte, cujo quarto centenário de fundação, com vasta e consistente programação comemorativa desde agora estabelecida e em fase de prévia execução, segundo estou seguramente informado, ocorrerá em 2016, logo nos primeiros dias, pois foi a 12 de janeiro de 1612 que a expedição saída de São Luís a 25 de dezembro do anoantecedente aportou onde hoje se ergue a capital marajoara, levando a bom termo a jornada empreendida sob o comando de Francisco Caldeira de Castelo Branco.
    Voltando às nossas festas: pela extraordinária importância da data, que representa um marco histórico na vida de todos quantos gozam do raro, do singular privilégio de testemunhar o transcurso do quarto centenário da cidade em que nascemos ou da qual somos filhos adotivos, custa-me acreditar que as justas manifestações de júbilo, de especial contentamento por esse raro aniversário de São Luís resumam-se àquele chochotatalar de bandeirolas no alto dos postes da ponte sobre o Anil, a foguetórios, shows musicais importantes e necessários, reconheço, porém não suficientes nem à altura do que deveriam ser as comemorações alusivas aos 400 anos da fundação de uma cidade qual São Luís do Maranhão, alçada às culminâncias de patrimônio da Humanidade.
    O ecletismo musical que fez trazer à nossa cidade a Orquestra Sinfônica Brasileira e que lhe proporcionou a enriquecedora oportunidade de atuar conjuntamente com cantadores de bumba meu boi, cantores da melhor música popular maranhense e grupos corais, produziu excelentes resultados no plano da integração criativa. E cabe igualmente reconhecer que vieram ao encontro dos diversificados gostos do público, desde intérpretes exponenciais da melhor música popular brasileira, a DJs de todas as tendências, grupos parafolclóricos, e gente do mundinho brega, que vai do meloso ao escrachado. Tudo isso foi bom e necessário, repito. Mas não o suficiente para compor a integralidade da programação festiva do IV Centenário da Fundação de São Luís, afirmo e repito.
    Como acredito que ninguém ignora, todo e qualquer evento que de si mesmo nasce e que em si mesmo tem sua razão de ser, é evento que é vento. Dura enquanto acontece e logo, logo se desfaz, na evanescência das coisas que passam, e cuja lembrança se esmaece com o correr do tempo.
    Por tudo isso, falando sinceramente, não acredito que as comemorações pelo IV Centenário de São Luís hajam terminado. Estou certo de que algo de importante e capaz de servir para perpétua memória desta data, ainda virá. É claro que dois ou três livros lançados, têm qualidade intrínseca e extrínseca para figurar entre os marcos comemorativos da data. Mas nenhuma de tais publicações é devida iniciativa oficial. Curiosa e inusitadamente, neste ano, nem mesmo o Concurso Literário e Artísitico da Cidade São Luís foi lançado. Esse certamente, que vem sendo realizado há décadas seguidas pela Prefeitura e que ultimamente tem seu prêmio modesto pago com grande atraso, casos havendo de premiados que até hoje lutam na justiça para receber seus minguados caraminguás, este ano, nem seu sousa. Talvez porque a cidade está completando 400 anos, época imprópria para realizar concursos literários e também feira de livros, que os mais céticos ou realistas afirmam que não haverá.
    Para uma cidade com as honrosas tradições de inteligência e cultura letrada que inegavelmente já exornaram a história de São Luís, é imperativo reconhecer que estamos em plena e desastrosa decadência. E tanto é assim, que até pessoas que se apresentam como professor, não sabem patavina do que se atrevem a falar em público. Tal é o caso da lamentável ressaca produzida pelas festas da temporada, ressaca essa a que o título desta matéria faz expressa referência.
    Justamente em um programa de TV, levado ao ar na última sexta-feira e inteiramente dedicado ao aniversário da Cidade, a transcorrer no dia seguinte, sábado, um cidadão de cujo nome não me quero lembrar, como diria Jorge Luís Borges, surgiu no vídeo, em pose de compenetrado "magister dixit", para, pretensamente, corrigir um erro histórico por muitos cometido relativamente ao topônimo que batizou nossa cidade.
    Segundo o enfatuado paspalhão, postado à frente de um rarefeita fileira de livros, o nome da capital maranhense não lhe foi atribuído como homenagem ao rei-menino Luís XIII (1610-43), contando à época apenas dois anos, mas a Luís IX, porque este foi o único monarca francês a ser canonizado.
    Ignora o sabichão de araque os usos do tempo, quanto à nominação toponímica.Os portugueses, que então se achavam sob o domínio da eufemisticamente chamada União Ibérica, ao expulsarem daqui os franceses, pretenderam dar ao Fort Saint Louis o nome de Forte de São Filipe. A pretendida e gorada denominação era homenagem a São Filipe ou a Filipe III de Espanha e II de Portugal? É claro que ao soberano espanhol, que então também reinava sobre os lusitanos.
    E se tudo quanto exposto ainda é pouco, que fale uma testemunha das mais autorizadas, porque testemunha presencial dos fatos. Refiro- me a frei Claude d'Abbeville, integrante da missão religiosa da França Equinocial e primeiro cronista dessa aventurosa empresa. Diz ele em sua "História dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas (Brasília: Edições do Senado Federal, 2008; trad. de Sérgio Milliet), capítulo XIII, parágrafo final: "Erguida a cruz, como já disse, foi também benzida a Ilha, enquanto dos fortes e dos navios muitos canhonaços se disparavam em sinal de regozijo. O Sr. de Razilly deu ao forte o nome de Forte de São Luís, em memória eterna de Luís XIII, rei de França e de Navarra".
    Os efeitos da ressaca se propagaram. Sábado à noite, o Jornal Nacional repercutiu para o Brasil, repetindo o bestalhão do tal professor: São Luís faz hoje 400 anos de fundada, e deve seu nome ao rei Luís IX, o santo. Os que, Brasil afora, nada sabem do assunto, aprenderam erradamente. Quanto aos que sabem das coisas, até hoje estarão rindo de nossa ignorância.
De O Estado do Maranhão

Governo Roseana Sarney divide opiniões em São Luís quase meio a meio

    Segundo o instituto de pesquisa Escutec, entre julho e agosto deste ano houve uma variação de mínima entre os que aprovam e aqueles que desaprovam o governo Roseana Sarney (PMDB). O crescimento ínfimo da aprovação foi de 1,3% no índice de aprovação e, consequente, queda de 0,8% na desaprovação. No período o governo tem mantido índices de quase meio a meio entre aprovação e desaprovação.
    Em agosto, o "melhor governo de sua vida" obteve a pior avaliação entre os três meses que a Escutec realizou pequisa de opinião registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob pretexto de fazer levantamente de intenção de votos para eleição de prefeito da capital maranhense. Mais de 51% desaprovaram a forma de governar da filha do senador José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado Federal.
    Agosto foi o mês que o índice de desaprovação superou a aprovação em mais de sete pontos percentuais. Em setembro, mês do aniversário de São Luís, quando a governadora inaugurou duas das obras prometidas para os quatrocentos anos da cidade, a aprovação do governo subiu 3,3%, segundo a Escutec. Como resultado do grande investimento em propaganda, percebe-se que hopuve redução do número de pessoas que não souberam responder ou não possuem avaliação da administração de Roseana.
 
Veja a aprovação e desaprovação do governo Roseana Sarney segundo a Escutec:
 

Charge do dia - Miguel

Do JC

Tadeu Palácio pede socorro a Fernando Sarney


Tadeu Palácio em entrevista a Silva Alves
   Nos últimos dias de campanha, uma romaria de prefeitos, candidatos à reeleição e ao mandato tem como destino o escritório do empresário Fernando Sarney, no bairro São francisco. Caixa forte do grupo e chefe supremo do sistema Mirante de Comunicação, Fernando se fortalece cada vez mais como articulador político.
    Na tarde de ontem esteve com o filho do senador José Sarney (PMDB-AP), o ex-prefeito de São Luís, Tadeu Palácio (PP).
    Candidato à releição em queda livre nas pesquisas encomendadas pelo Sistema Mirante de Comunicação, do sistema de comunicação de Roberto Rocha e em outros tantos, Palácio está enrolado com dinheiro. Sem recursos para tocar a campanha e com enfrentando percalços desde o início da candidatura à reeleição recebeu um últimato da produtora`Fabrika para que quitasse a dívida até esta quarta-feira.
    Sem perder a pose, o ex-prefeito afirma ter condições de chegar ao segundo turno. Foi Fernando Sarney quem convidou Palácio para compor o governo Roseana Sarney. Com um balde cheio de mágoas e focado no seu projeto Palácio se tranferiu de mala e cuia para o clã. Ofuscou-se de vez. Segundo comentários das rodas políticas: pegou a catinga dos Sarney. Voltou às hostes da oposição, mas não angariou a confiança necessária para sair candidato no grupo de Flávio Dino. Nada disso, porém, ele atribui às dificuldades de subir nas pesquisas.

O Brasil é bem maior que a avenida - JORGE MARANHÃO

    Na contramão da "Avenida Brasil” o Supremo anuncia que o Brasil mudou! Resta saber se mudou na real ou na peça dos autos. Se o latinório dos votos embaça a compreensão dos poucos tipos penais, pela passarela da "Avenida Brasil" se destacam quase todos os tipos do Código Penal, do abandono de menor ao atentado à vida, roubo, estelionato, formação de quadrilha, cárcere privado e até estupro.
    No entanto, não há a mais remota hipótese de que qualquer instituição de Estado ou judiciária, sequer uma delegacia de polícia, ou um promotor público, sequer um juiz de vara criminal, venha a visitar o roteiro da novela-fenômeno do Ibope. No que tange à Justiça, o drama criado pelo noveleiro-sensação do momento, numa catarse vertiginosa de vingança, ódio e paixão, reserva para a classe emergente do subúrbio o papel de uma sociedade tribal, detentora apenas da Lei de Talião de priscas eras, onde ainda não havia a instituição jurídica propriamente dita, e sim a retaliação do olho por olho, dente por dente. E este é o saldo que fica no imaginário do cidadão comum! Se conquistamos nos últimos anos um sistema judiciário que, apesar de todas as mazelas, está funcionando, somos relegados ao justiçamento selvagem dos que fazem "justiça" com as próprias mãos.
    Pelo enredo da novela, retaliação é o estágio que nos cabe da "justiça" a experiência cotidiana da insuficiência das instituições jurídicas, a eloquência de sua ausência! E como o Estado falha, a audiência se entrega de corpo e alma aos relatos das paixões primárias, anteriores ao Código Mosaico, marco fundador de todos os valores da tradição judaico-cristã, o salto civilizatório que não conseguimos dar.
    Neste sentido, seria bem oportuno que os responsáveis pela produção simbólica da cultura de massa nacional refletissem sobre o que o Supremo está a produzir: o Brasil não cabe nesta avenida, que se limita a uma luta de classes enviesada, de vilões endiabrados contra mocinhos quase sempre babacas, crédulos e cornos-mansos como Tufão, Jorginho, Adauto, Monalisa, Tessália e Ivana. Uma perversa redução dos valores da sociedade brasileira a cenas de tolerância para com a impunidade e a imoralidade e que fatalmente serão resolvidas pelas mãos de Deus ou do destino, jamais pela falha justiça dos homens. Quando, na verdade, estamos aprendendo com o Supremo a condenar Rita, Carminha, Max, Leleco, Muricy, Silas, Nilo e tantos outros que fazem pouco de nossa cidadania. Ou cinco milhões de brasileiros lutando pela Lei da Ficha Limpa, ou vinte milhões de cidadãos votando em ética na última eleição, é delírio? Só se for aos olhos míopes do autor. No plano do real, mesmo que ardendo na fogueira das vaidades togadas pela inflamável cobertura midiática, mesmo exarada a sentença final do julgamento, ela não será o clímax, senão a conclusão de uma etapa do processo de lenta afirmação das instituições sobre a tradição de arbítrio dos donos do poder. Pois o show do STF só tem acontecido graças à prévia e diligente "produção" de instituições como a Polícia Federal, a Receita Federal, o Tribunal de Contas, o Ministério Público e outras!
    Fica o alerta: o Brasil é bem maior do que a avenida de mesmo nome! Quem viver, verá!
De O Globo

Na festa dos 400 anos São Luís reproduz sua tradição imperial


Idosos se espremem contra a grade no show do "rei"
    Até na festa o Maranhão é desigual. Patrocinados pela Emap - estatal de administração portuária pela qual já passaram o atual prefeito de São Luís, João Castelo, o irmão de Mauro Fecury, Ricardo Zeni, e outros felizardos, hoje sob a égide de Jorge Murad - , Alumar, OGX, MPX e outras empresas que extraem riquezas do estado mais pobre da federação e aqui investem migalhas, os shows da comemoração dos 400 anos de São Luís, na Lagoa da Jansen, reafirmaram a marca indelével da estratificação história entre apaniguados e párias no cenário social maranhense.
    No show de Roberto Carlos, contratado a peso de ouro na programação organizada pelo estado, o que se viu estendido na Lagoa foi a mais pura legitimação dos espíritos acomodados.
    À frente do palco e nas arquibancadas, um público seleto - entre eles amiguinhos jornalistas devotados mais aos canapés, jabás e boca-livres que à notícia, desfrutava do conforto, separado da massa ignara que comprava banquinhos a R$ 10 reais para esperar sentado pelo "rei".

Secretário-adjunto de Saúde do Estado, José Márcio, e felizes familiares

    Enquanto isso, a "rainha", seus familiares, cupinchas, autoridades sem nenhum caráter, e outros bichos de sete cabeças que não convém declinar, desfrutavam da benevolência que os incentivos fiscais da Lei Rounet de Incentivo à Cultura pode oferecer. Dentre elas o melhor scotch e fotografias para ilustrar frívolas páginas denominadas redes sociais e sites que incensam celebridades tupininquins. Tudo isso sob a batuta do Marafolia, que não aparece na fita, mas está no caixa.

Imagem para redes sociais e colunas ditas paga pelo contribuinte
    Com descontos em impostos, as empresas de Eike Batista e que tem os Sarney como societária dizem oferecer à cidade esse presente. A oferta é de grego readfirma a práxis numa terra que remonta a áfrica subsaariana.
    Bem traduziu a cantora Ana Torres, na louvação a São Luís que pouco agradou aos presentes, em sua agradecimento à realeza. Muito fácil ser rei numa terra de súditos convitos. Lembrou bem um grande momento da campanha eleitoral de 2006 quando em rede de televisão o ex-ministro Edson Vidigal indagou: Onde estão os homens e as mulheres desse estado que não se indignam?. Talvez no show de Ivete São Galo (assim mesmo), espremida entre a cerca de proteção da eleite e o débito dos impostos, tão desconhecida como o sentido do termo republicano. É show para ficar na história mesmo.

Manchetes dos jornais

Estado
O Estado do MA:Dilma oficializa a diminuição do custo da energia
Região
Jornal do Commercio:Disque denúncia vai receber fotos e vídeos
Meio-Norte:Publicada decisão que enterra taa Siraf
O Povo:Embola a disputaNacional
Correio Braziliense:Vale-tudo por Haddad derruba irmã do Chico
Estadão:Dilma dá ministério a Marta e abre caminho para PR apoiar Haddad
Estado de Minas:Agências sem biombo são maiores alvos da saidinha de banco
Folha:Marta ganha ministério após dar apoio a Haddad
O Globo:Dilma dá Cultura a Marta para ajudar PT em SP
Valor:Pacote do setor elétrico segura inflação e juros
Zero Hora:RS perde 2,5 mil leitos do SUS em sete anos

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lambe-lambe: Era só o que faltava...no Maranhão


Igreja em São José de Ribamar

Manchetes dos jornais

Estado
O Estado do MA:Pai e filha morrem em mais um acidente no Campo de Perizes
Região
Jornal do Commercio:Com a bênção do Recife
Meio-Norte:Condenadas mais quatro mulheres por tráfico
O Povo:Apreensão de carteiras bate recorde no feriado
Nacional
Correio Braziliense:Greve ou férias?
Estadão:Valério foi intermediário entre Dirceu e Rural, afirma relator
Estado de Minas:Frescão de BH começa a circular na segunda
Folha:Contra pressão, Dilma indica ministro do SFT
O Globo:A hora da lavagem de dinheiro - Relator condena nove e já complica Dirceu
Valor:Compra de carros do México dobra e já ultrapassa cotas
Zero Hora:Após semestre fraco, Piratini prepara pacote para reativar economia

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Joaquim é o alvo - RICARDO NOBLAT

O Partido da Imprensa Governista (PIG) começou a descer o pau no ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão. O PIG é parente da imprensa chapa branca que sobrevive da caridade oficial. Basicamente, é o conjunto de blogs, sites e portais que serve ao governo e aos partidos que o apoiam. Trata-se de mais um aspecto da herança pesada deixada por Lula para Dilma, por mais que ela negue.
    Por que Joaquim virou alvo de malhação? Porque o desempenho dele até aqui desagrada ao PT. Porque ele deve a Lula sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF) e, no entanto, atua com a independência que se espera de todo juiz. Registre-se por dever de ofício: ele e outros ministros indicados por Lula e Dilma.
    Naturalmente o PIG está impedido de expor com clareza as razões de sua revolta contra Joaquim. Seria insensato fazê-lo. Correria o risco de perder seus poucos leitores tamanho é o prestígio de Joaquim nas chamadas redes sociais. Ali ele virou uma espécie de anjo vingador. Um anjo preto, zangado, irritadiço e sempre à beira de um ataque de nervos.
    Sem audiência, para quê sustentar o PIG? Só para que continuasse a disseminar intrigas durante períodos eleitorais? Para que funcionasse como laboratório onde se testam palavras de ordem? Ou para que seguisse defendendo aliados do governo? Collor, Sarney, Renan - toda essa gente conta com a ajuda do PIG quando se lhe apertam os calos. Sem utilidade, adeus patrocínio!
    O PIG argumenta que Joaquim está sendo muito rigoroso com os réus do mensalão. Como se rigor fosse um exagero e a condescendência o mais aconselhável. Não ria: membro mais afoito e mais bem remunerado do PIG comparou Joaquim com inquisidores da Idade Média que torturaram e mataram. Seria o nosso Torquemada!
    No fim do século XV, na Espanha, o dominicano Tomás de Torquemada, promovido a inquisidor-geral pelo papa Inocêncio VIII, recomendava parafusos nos polegares dos heréticos enquanto rezava contrito e baixinho pela salvação de suas almas. Se Joaquim procede como ele, o STF virou o endereço nobre e espaçoso dos novos inquisidores.
    Sim, porque Joaquim não julga sozinho. Na última segunda-feira, por exemplo, ele condenou Ayanna Tenório, uma das diretoras do Banco Rural, o financiador de parte do mensalão. E aí? Aí que Ayanna acabou absolvida por 9 votos contra um. Ninguém no STF é voto de cabresto de ninguém. Um homem, um voto. De resto...
    De resto que as decisões do STF no processo do mensalão estão sendo tomadas por larga maioria de votos. É isso, e apenas isso o que está tornando possível até agora o próprio julgamento. O julgamento mais longo e complexo da história da Corte Suprema. Que não tem data para terminar. E que não se sabe como terminará.
    Em dezembro de 2005, quando ficou pronto o relatório da CPI dos Correios que apurou o esquema do mensalão, Lula se recusou a lê-lo. Disse que só lhe interessava a palavra final da Justiça. Depois se antecipou à Justiça e decretou que o mensalão não passara de uma farsa. Delúbio Soares preferiu chamá-lo de "piada de salão".
    Joaquim Torquemada e sua equipe de torturadores já concluíram que de farsa o mensalão nada teve. Assim como também nada teve de engraçado. A prática de corrupção entre nós não cessará com a condenação dos réus do mensalão. A impunidade, talvez, a depender da força da bordoada que acabe levando.
De O Globo

Lambe-lambe: Manifestação de voto


Fechada há 4 anos biblioteca pública Benedito Leite não tem previsão de reabertura

    Interditada em agosto de 2009, poucos meses depois da governadora Roseana Sarney (PMDB) assumir o terceiro mandato no Executivo maranhense, a Biblioteca Pública Benedito Leite dificilmente abrir a suas portas para leitores este ano.
    Concluída a reforma da estrutura com custo de R$ 4,5 milhões a biblioteca central de São Luís não está pronta para o público pela falta de mobília. A partir da entrega que será feita a licitação para compra dos móveis e cadeiras do prédio localizado na Praça Deodoro, centro da cidade.
    A inauguração pela metade da biblioteca foi agendada como parte da programação do aniversário de 400 anos de fundação de São Luís. Durante os três anos que esteve fechada, parte do acervo foi distribuído para órgão do estado, dentre eles as obras raras. Um bangalô na rua do Egito exibe desde o ano passado a placa de Biblioteca Pública Benedito Leite. Completamente ignorada pelos leitores a BPBL é literalmente um ógrão de fachada.

Eleitor vota "às cegas" no Brasil, diz juiz que ajudou a criar a Ficha Limpa

O juiz Márlon Reis é entrevista pelo jornalista Fernando Rodrigues
    O juiz maranhense Márlon Reis participou do programa "Poder e Política - Entrevista", da Folha de S. Paulo, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. Um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa Reis iniciou um movimento em sua jurisdição no interior do Maranhão exigindo dos candidatos locais informações detalhadas nas prestações de contas parciais, oferecidas antes da eleição.
    Para evoluir mais, afirma o juiz, as entidades que integram o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) podem apresentar uma ação declaratória de inconstitucionalidade contra a lei que permite aos políticos divulgar suas contas só depois de eleitos. "Nós já temos uma Constituição da República que estabelece o princípio da publicidade (...) Uma democracia não combina com obscuridade", declara.
    A ação de Márlon Reis nas cidades maranhenses de João Lisboa, Buritirama e Senador La Rocque inspirou o Tribunal Superior Eleitoral a exigir de todos os mais de 400 mil candidatos a cargos públicos neste ano a divulgação de nomes de doadores e de prestadores de serviço antes da realização da eleição de 7 de outubro. O problema é que a lei ainda permite aos políticos deixar a maior parte da prestação de contas para depois do pleito.
    Contra essa frouxidão da lei é que Márlon Reis deseja ampliar a campanha do MCCE. Aos 42 anos, o filho de funcionário público que nasceu em Tocantins e fez carreira no Maranhão acha que pode fazer para a transparência das contas de campanha o que já foi realizado para a aprovar a Lei da Ficha Limpa.
A seguir, trechos da entrevista concedida no último dia 6:
Folha/UOL - Os eleitores sabem o que está por trás das candidaturas antes de votar?
Márlon Reis - Nós estamos ainda longe de poder dizer que os eleitores sabem o que está por trás das candidaturas antes de votar.
O que falta?
Eu acho que não é exagero dizer que o brasileiro vota às cegas.
Por quê?
Há fatores que são de uma gravidade impressionante. Ainda é possível a realização de doações ocultas. Pessoas e empresas que querem doar e não aparecer o fazem por meio de um partido político ou de um comitê financeiro. Seu nome não é revelado [até] abril do ano seguinte às eleições, quando tudo já está resolvido.
Os eleitores só ficam sabendo quem doou para os candidatos depois de o político já estar eleito?
...E empossado e já estar há alguns meses no mandato. Embora a Justiça Eleitoral já esteja revelando nomes de doadores, que é uma grande conquista de 2012, grande parte das doações reveladas provém de fontes partidárias.
    Ora, o candidato apresenta uma prestação de contas dizendo que recebeu o dinheiro do partido político. Mas não diz de quem o partido político recebeu. E aí é uma válvula, é um caminho pelo qual se abre espaço para o que se chama de doação oculta.
    É um fenômeno forte, especialmente nas grandes capitais. Uma democracia não combina com obscuridade.
A democracia brasileira fica em risco por causa disso?
Fica. É um requisito, inclusive é um elemento de avaliação da qualidade de uma democracia, a identificação do nível de transparência. E quando se peca na transparência num ponto tão fundamental que é o de conceder ao titular do poder político, que é o cidadão, o volume de informações mínimo para que ele exerça conscientemente a sua opção eleitoral, aí nós estamos diante de um grave problema. Eu considero que se trata de uma violação de direitos humanos.
No caso das doações diretas ao candidato já há transparência suficiente?
Já melhorou bastante. Até as eleições passadas, é incrível, somente após a votação, e até 30 dias após a votação, era que o candidato estava obrigado a revelar o nome dos doadores. Tarde demais.
Qual a sua decisão no Maranhão a respeito dessa prática?
Em maio, eu passei, como juiz eleitoral, a aplicar uma regra diferente. Com base na Lei de Acesso à Informação, eu anunciei aos candidatos da minha Zona Eleitoral que eles também teriam de apresentar os nomes dos doadores. Fiquei feliz com a repercussão. O gesto foi seguido por vários juízes eleitorais de outros Estados. Até chegar ao Tribunal Superior Eleitoral, que no último dia 24 de agosto, por uma decisão da presidente [do TSE], ministra Cármen Lúcia, resolveu adotar isso como padrão. Mas ainda não é suficiente.
Por que não é suficiente?
Porque há apenas dois momentos para prestações de contas preliminares, que são 6 de agosto e 6 de setembro.
Um candidato então pode escamotear e apresentar contas preliminares agora e só depois da eleição um relatório muito mais completo?
Pode e é justamente aí que reside a fragilidade. Então, um problema é o das doações ocultas. O outro é o dessa reserva de tempo...
Como deveria ser?
Deveria ser em tempo real. Quem doa, o faz de forma a ser revelado isso imediatamente. E os recursos tecnológicos há muito tempo permitem isso de maneira fácil. Basta ser uma transação eletrônica com revelação automática na internet.
Seria necessário alterar a lei?
Eu entendo que não. Nós já temos uma Constituição da República que estabelece o princípio da publicidade.
Mas a lei é frouxa e permite que se mantenha o formato atual. Alguém teria de arguir a inconstitucionalidade da regra?
Qualquer regra que limite o acesso de eleitores ao conhecimento tempestivo, que impeça o eleitor de ter acesso a essa informação no tempo mais importante, que é o momento que antecede o voto, essa regra é flagrantemente inconstitucional.
Alguma entidade do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral poderia entrar com uma ação no STF requerendo a inconstitucionalidade da regra na Lei Eleitoral?
Poderia. Inclusive, o MCCE pautou esse tema entre as suas maiores preocupações. Foi ele que levou ao conhecimento oficial do Tribunal Superior Eleitoral o ato que nós baixamos lá em João Lisboa, a minha Zona Eleitoral. E foi esse mesmo movimento que postulou perante não apenas ao Tribunal Superior Eleitoral, como perante todas as presidências de TREs [Tribunais Regionais Eleitorais], a observância da Lei de Acesso à Informação.
Da Folha.com

Vale é denunciada a OIT

    Representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR) apresentaram na última quinta-feira (30) à Organização Internacional do Trabalho (OIT) denúncias de práticas antissindicais cometidas pela Ultrafértil S.A. A empresa integra a multinacional Vale. Em 2006, o Sindicato já havia apontado posturas ilegais da empresa ao poder público.
    Os trabalhadores ainda relatam falta de garantia ao livre exercício da organização, liberdade e autonomia sindical. Entre os casos de violação denunciados estão a intimidação; demissões como penalidade pela participação nas ações sindicais da categoria; impedimento da entrada de dirigentes sindicais no interior da fábrica para recolher informações sobre as condições de trabalho; e discriminação contra diretores sindicais nos processos de promoção da empresa.
    Para o Sindicato, a empresa adota uma política de conter a força de reivindicação dos empregados para precarizar as condições de trabalho.
    A Ultrafértil foi integrada à Vale há dois anos. Recentemente, a empresa, que fica na cidade paranaense de Araucária, foi renomeada para Araucária Nitrogenados S.A.
    A Vale, segunda maior mineradora do mundo e a maior empresa privada do Brasil, opera em mais de 30 países. No segundo trimestre deste ano, a multinacional obteve lucro de R$ 5,314 bilhões.
Do Brasil de Fato

Manchetes dos jornais

Estado
O Estado do MA:Rei emociona São Luís
Região
Jornal do Commercio:O Brasil se vê no Arruda
Meio-Norte:Flu se consolida o líder do Brasileirão
O Povo:Pânico, reféns e tiros em posto de gasolina
Nacional
Correio Braziliense:Haverá uma próxima vítima?
Estadão:Governo quer fundo de pensão para Estados e municípios
Estado de Minas:Sete propostas para a volta da sacolinha
Folha:França corta previsão do PIB e anuncia mais imposto
O Globo:Telefonia em xeque – Queixas contra operadoras de celular somam 843 mil
Valor:Subsídios aumentam 30% com estímulos à economia
Zero Hora:Sinal de aquecimento – Indústrias retomam contratações no RS

domingo, 9 de setembro de 2012

Sarney confere inauguração da via que vai beneficar shopping do qual é cotista

José Sarney na inauguração da Via Expressa: "Guerreiro do povo brasileiro"
para um pequeno grupo de jovens
                                                                                           
    Aos 82 anos o senador José Sarney (PMDB-AP) está de olho no futuro. Fez questão de ir conferir a inauguração da avenida Expressa, obra que vai beneficiar um de seus empreendimentos, o Shopping Jaracty, em São Luís do Maranhão. As obras da avenida e de ampliação do shopping do qual Sarney é acionista se iniciaram quase concomitantemente. Cinco novas torres vão turbinar o centro comercial que terá 180 novas salas.
    Segundo a governadora Roseana Sarney (PMDB), a inauguração da primeira fase da avenida é um presente para a população no aniversário dos 400 anos de São Luís.
     A obra, porém, esbarra na resistência comunidade do Vinhais Velho, lugar ancestral da ilha de São Luís onde outrora habitavam índios tupinambás (leia mais sobre o assunto aqui), totalmente ignorada pelo governo Roseana Sarney.
    O presidente Sarney chegou ao local acompanhado da filha governadora Roseana Sarney Murad (PMDB), do ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB), de secretários de estado e deputados do seu grupo político. Foi saudado por uma inacreditável, mas ainda bem que minúscula, claque freguesa dos eventos oficiais do estado ao coro de "Sarney, guerreiro do povo brasileiro". Essa mesma juventude aplaudiu efuzivamente o senador João Alberto e o deputado estadual Roberto Costa, todos do PMDB. No entendimento deles Roseana tem pressa em governar.
Shopping Jaracaty: mais 180 obras depois da via Expressa 

 
    Na solenidade usaram a palavra apenas o secretário de estado de Infra-estrutura, Max Barros, e a governadora Roseana Sarney que contou que o estalo da obra nasceu de um sobrevoo que realizou na ilha no período eleitoral em 2010. Candidatos do grupo que particpam das eleições em São Luís e em outras cidades do estado marcaram presença acompanhados dos seus devidos carros de som, com plotagem e tudo. Afinal, o poder tudo pode.
Solenidade de inauguração reforça campanha eleitoral de aliados do Palácio
 
 

Uma experiência radical - FERREIRA GULLAR

Ela desenvolveu a ideia dos "Bichos" numa série muito criativa, que ultrapassou os limites da proposta inicialNo momento em que o Itaú Cultural oferece ao público de São Paulo uma retrospectiva da obra de Lygia Clark, aproveito para dizer algumas coisas que, talvez, ajudem a apreender certos aspectos de sua experiência estética.
    Como se sabe, essa experiência começa na década de 1950, quando surge no Brasil o interesse pela arte concreta, que tinha como seu principal difusor o crítico Mário Pedrosa.
    Seu apartamento, em Ipanema, tornou-se o ponto de encontro de uma nova geração de artistas, entre os quais Ivan Serpa, Almir Mavignier e Abraham Palatnik, a que se juntaram em seguida Franz Weissmann, Amilcar de Castro, Aluísio Carvão, Lygia Pape, Lygia Clark e Hélio Oiticica. Em São Paulo, o líder era Waldemar Cordeiro.
    Entre os dois grupos surgiram algumas diferenças, em função mesmo do modo de ver essa tendência artística seja por Pedrosa, seja por Cordeiro. A verdade é que, como consequência disso, os concretistas do Rio desenvolveram sua experiência numa direção menos ortodoxa, da qual resultou o movimento neoconcreto.
    O traço distintivo do neoconcretismo era, sobretudo, a participação do espectador na obra de arte, ou seja, ele não apenas a olhava como também podia manuseá-la. Isso veio do livro-poema que, por ser livro, era manuseável. Mas Lygia só adotou esse procedimento porque ele a ajudava a superar o impasse a que havia chegado em sua pintura.
    A questão é complexa, mas vou tentar formulá-la da maneira mais simples possível. De fato, a coisa começa com a opção feita por Mondrian,
    Malevitch e outros pintores pela pintura não figurativa construtiva. Em Malevitch, a questão se coloca claramente quando ele pinta um quadrado negro sobre um fundo branco. Eliminava a figura? Não, a relação figura-fundo continuava.
    Ele tenta superá-la ao pintar um quadrado branco sobre um fundo branco, mas nem assim eliminava o problema. A solução que encontrou foi sair do quadro e passar a construir no espaço real; são as "construções suprematistas".
    Mas que tem isso a ver com Lygia Clark? É que, como Malevitch, ela também se defrontou com a necessidade de superar a relação figura-fundo em sua pintura. Chegou a isso por outros caminhos, mas é que esse problema está na essência mesma da nova linguagem construtiva da pintura.
    Lygia havia, antes, enfrentado a contradição entre o espaço pictórico e o espaço real. Foi quando ela integrou a moldura no espaço pictórico.
    A partir de então, construía seus quadros, não mais em tela, mas em placas de madeira, para nele introduzir o que chamou de "linha orgânica" (o que antes era o espaço vazio entre a tela e a moldura).
    Não obstante, a contradição entre figura e fundo se mantinha. Tentou superá-la com ajuda de Josef Albers, valendo-se de suas construções ambivalentes, em que o fundo ora é figura, ora é fundo, e vice-versa.
    Deu um passo adiante quando abandonou o quadro de madeira para fazê-lo em metal, o que lhe permitiu construir os "casulos" (pequenos "quadros", onde a dobra do metal cria um espaço interior). Mas ainda era um quadro: tinha a parte de trás, voltada para a parede.
    Nos "Bichos", isso já não existe. Eles não têm avesso, base ou forma única estável, porque são manuseáveis. Foi por essa razão que, naquela época, escrevi que o "bicho" era "uma imobilidade aberta a uma mobilidade aberta a uma imobilidade aberta".
    Ela desenvolveu a ideia dos "Bichos" numa série muito criativa, que ultrapassou os limites da proposta inicial. Foi o início de uma aventura que, a cada momento, surpreendia a ela mesma, levando-a à participação não apenas manual, mas agora corporal. Ela caminhava assim para um tipo de expressão que desconhecia limites, mas estranhamente coerente.
    Agora, em lugar a obra manuseável, inventa invólucros que vestem o espectador (não mais espectador e, sim, partícipe) ou túneis de tecido plástico por onde ele penetra. Enfim, ela quer provocar sensações outras, sensoriais e psíquicas, que, em vez de visar o prazer estético, visa a cura, a revelação profunda do sujeito, a reestruturação do "self".
    Não por acaso, ela mesma dizia que já não fazia arte. Mas nada tinha a ver com a antiarte de Duchamp.
Da Folha

Manchetes dos jornais

Estado
Itaqui-Bacanga:Setembro começa rompendo a marca de mais de 400 homicídios só em 2012
Jornal Pequeno:Propaganda eleitoral irregular será retirada das ruas em S. Luís
O Estado do MA:Castelo estaciona, Edvaldo sobe e Washington já é o 3º
Região
Jornal do Commercio:Livre escolha para morrer
Meio-Norte:PAC quer implantar hidrovia no Parnaíba
O Povo:O amor que nasce das ruas
Nacional
Correio Braziliense:Políticos agora querem fugir do foro privilegiado
Estadão:Orçamento prevê mais 61 mil funcionários públicos em 2013
Estado de Minas:Ainda somos o País da inflação
Folha:Para Fazenda, tarifa de luz menor deve frear inflaçãoO Globo:Eleições 2012: Câmaras custam R$ 9,5 bi e não são transparentes
Zero Hora:Vagas e bons salários em profissões técnicas

sábado, 8 de setembro de 2012

Prefeitura tenta roubar bolo de panificadores no aniversário dos 400 anos de São Luís

    A prefeitura de São Luís comemorou os 400 anos de fundação da cidade neste 8 de setembro, acrescentando mais uma mentira no seu extenso repertório. Através do site oficial e em matérias distribuídas para a imprensa paga, a prefeitura espalhou que seria dela a iniciativa de oferecer para a população um bolo de 400 metros. Chegaram a dar voz à mentira através da primeira-dama Gardênia Gonçalves.
 
    Na noite de pouco público na sexta-feira, na praça Maria Aragão, a ex-prefeita de São Luís não se conteve em contentamento para afirmar que a "grande festa oferecida pela administração municipal",  incluia shows, espetáculo acrobático francês, bolo gigante, poesia, serenatas", etc,etc.
 
    Mentira deslavada. O bolo gigante foi oferecido pelas panificadoras de São Luís. A ideia foi do empresário Josiel Garcia Pereira, dono de uma pequena padaria  - a Paen D´Forno, localizada na avenida 1, quadra 11 do Jardim América, região da Cidade Operária.
 
    Foi Josiel que buscou o sindicato dos panificadores para que convocasse os associados. Participaram da feitura do bolo 18 panificadoras,muitas delas das áreas periféricas da cidade. Segundo o vice-presidente da Fiema, José Antonio Buhaten, todo o material usado na confecção do bolos foi doado pelos fornecedores como a Cruzeiro do Sul, Asa Branca e outros que atuam na capital e estado. A Federação entrou com a logística.
 
    Pessoas que foram até a Praça Dom Pedro II resmungaram sobre a falta de toalhas e decoração das mesas sobre as quais o bolo de 400 metros foi colocado. Ocorre que foram os próprios panificadores que alugaram 1.500 mesas de plástico. Eles também conseguiram junto à Coca-cola a doação de 15 mil garafas de refrigerante Cola Jesus que fizeram a festa.
 
    Na tentativa de se apoderar do evento para o qual não contibuiu em nada, a prefeitura instalou um cerimonial em frente à Igreja da Sé. Do adro do primeiro templo da cidade, foi cometido o sacrilégio: sem cerimônia, foi anunciada a mentira de que a prefeitura estaria oferecendo o bolo.
 
    Mais vergonhosa é a conivência do professor Labidi, um barnabé de plantão, sempre atrás de algum cargo público para pendurar sua capa de lente opaca e refestelar-se com pose de sábio. O fanfarrão Labidi ficou responsável por um tal comitê cujo único fruto foi um panfleto de visual desengonçado com uma programação de dar dó, abrilhantada (como convém ao bom colunismo da ilha) pela participação de artistas franceses de procedência anônima.Teve mais, desculpe, a edição de um livro do clube de fotografia com os selos da Clara Comunicação e Crioula, empresas de comunicação que atendem a prefeitura de João Castelo.
 
    A primeira dama Gardênia disse que a prefeitura procurou na programação "valorizar nossos artistas locais(sic)". Outra mentira. Não contratou mais porque deve um feixe e uma carrada de artistas e ninguém quer mais ficar nos restos a pagar. Ela ainda disse mais, segundo a seconzinha: "que a festa não vai acabar". Espero que sim, pelo menos para os que estiveram nos últimos 4 anos desses quatrocentos no Palácio La Ravardière. São Luís e sua população não merecem essa corja. Basta de mentiras. Viva Josiel e os que trabalham nessa cidade no dia do seu aniversário.

São Luís 400 anos - Praça Gonçalves Dias



 

Manchetes dos jornais

Estado
O Estado do MA:Parabéns, São Luís
Região
Jornal do Commercio:Mais carro nas ruas, mais multa cobrada
Meio-Norte:TRE tira 492 da disputa das eleições no Piauí
O Povo:Pesquisa mostra que Ceará tem maior torcida da capital
Nacional
Correio Braziliense:Cerco ao juro dos cartões de crédito
Estadão:Pacote chinês de US$ 150 bi dá ânimo à economia
Estado de Minas:Lei das cotas abre corrida para escolas públicas
Folha:Ficha limpa veta mais PSDB e PMDB
O Globo:Crise da indústria não afeta emprego
Zero Hora:Candidatos já gastaram R$ 2,6 mil na campanha
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Lambe-lambe:Parada das mulheres no Dia da Independência em São Luís (MA)











Grito dos Excluídos no Anel Viário - um caso de polícia no 7 de setembro

No Grito dos Excluídos

"Minha terra tem palmeiras
onde canta o sabiá
lá em casa tem torneiras
mas a água nunca dá"

Na coluna do Ancelmo Gois

Bandidos na política
A Procuradoria Geral Eleitoral já analisou e se manifestou sobre mais de 750 pedidos de indeferimento de registros de candidatos nas eleições deste ano.
O dado é do Brasil inteiro e trata tanto de candidatos a prefeito quanto de postulantes a vereador.

Veja só
Na peneira do MP surgiram quatro traficantes, três estelionatários, um estuprador e uma homicida.


Calma, gente
A presença do nome de Roberto Carlos na lista dos artistas "que se uniram à revolução de 1964" segundo informe feito em 1971 pelo Centro de Informações do Exército (CIE), também não faz sentido.
O jornalista Paulo Cesar de Araújo, autor da biografia censurada do Rei, lembra que Roberto sempre fez questão de dizer que era apolítico: "Ele nunca fez uma manifestação pública a favor ou contra o governo militar."

Tudo vai mal
Araújo lembra que em 1969, logo depois do AI-5, Roberto visitou Caetano Veloso, que vivia exilado em Londres, e em 1971 gravou uma música do baiano, "Como dois e dois’,’ uma canção de protesto.
Um versinho: "Tudo em volta está deserto, tudo certo/ Tudo certo como dois e dois são cinco"

Olimpíadas
Talvez a inclusão do Rei se deva também ao fato de que ele participou, como Clara Nunes e outros cantores da época, das tais Olimpíadas do Exército, levado por Marcos Lazáro, outro nome da lista do CIE.