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domingo, 20 de setembro de 2015

Maconha legal - FERREIRA GULLAR

Teríamos que desistir de combater a corrupção, uma vez que, após séculos de combate, ela continua
    A legalização do consumo da maconha tornou-se, sem qualquer dúvida, uma questão importante em vários países, inclusive no Brasil. Em alguns outros países essa legalização ou descriminalização já se deu, como no Uruguai e em Portugal, respectivamente. Aqui no Brasil, o Supremo Tribunal Federal debate descriminalizar o consumo da maconha.
    No meu ponto de vista, não é que essa descriminalização esteja errada, já que não me parece justo prender e muitos menos condenar quem consome drogas, seja maconha ou qualquer outra. No meu entender, a providência correta é a ajuda terapêutica para livrar o viciado do vício e uma campanha de esclarecimento pelos meios de comunicação e nas escolas.
    Há quem afirme que a maconha não provoca nenhum mal e, portanto, não é necessário tratar o usuário dela. Minha experiência pessoal, nesse terreno, é o contrário: a maconha é um alucinógeno e, portanto, conforme seja o indivíduo que a fume, as consequências tanto podem ser insignificantes como desastrosas.
    Conheço os dois tipos de consequências: gente que, fumando-a, sente-se relaxada, como outros, que perdem o controle e fazem qualquer coisa, como tentar estrangular a irmã ou jogar-se da janela do apartamento. Como tenho o mau hábito da sensatez, acho que o melhor mesmo é não arriscar.
    Digo isso porque, quando era garoto, levaram-me a experimentar a maconha. Dei uma tragada, achei-a desagradável e não aderi. Meu colega Esmagado, também não aderiu, mas o Maninho, que compunha a nossa trinca, achou um barato.
    Depois de tantos anos, eu estou aqui, modéstia à parte, saudável e trabalhando. Esmagado tornou-se craque de futebol, enquanto Maninho passou da maconha para a cocaína (o que costuma ocorrer), sumiu de casa e morreu, antes dos 40, depois de várias internações para livrar-se da droga.
    Quem defende a legalização da maconha alega que, como os muitos anos de repressão ao tráfico não acabaram com ele, a solução não é essa. Isso me parece mais um sofisma do que um argumento porque, se o aceitarmos, teríamos que desistir de combater a corrupção, uma vez que, após séculos de combate, ela continua.
    Por outro lado, nada indica que a legalização da maconha (ou das drogas em geral) acabará com o tráfico. Um exemplo: a venda de cigarros é legal mas o tráfico de cigarros continua apesar disso. O mesmo pode-se dizer do tráfico de pedras preciosas, cuja venda clandestina se mantém apesar da repressão. Por que, então, o tráfico de drogas, que movimenta milhões de reais, iria acabar? Não vejo razão para acreditar nisso.
    Mas tudo bem, a maconha vai ser legalizada, de modo que, a partir daí, o consumidor da erva poderá portar, sem problema, a porção de maconha necessária a seu consumo. Mas não uma quantidade que indique ter ele a intenção de vendê-la. Ou seja, consumo pode, venda não pode.
    Aí tenho certa dificuldade de entender: se a lei admite o uso da droga, por que então proíbe sua venda? Como justificar-lhe a proibição se a mesma lei considera seu consumo legal? Parece-me contraditório ou sou eu que estou pensando errado?
    Vejamos: se o Estado admite o uso da maconha, ele está inevitavelmente assegurando que ela não provoca mal algum ao usuário, mesmo porque seria um absurdo permitir o livre consumo, pela população, de algo que lhe prejudique a saúde física ou mental. Logo, para todos os efeitos, se o uso da maconha é legalmente permitido será porque nenhum mal ela causa. Mas, se é assim, proibir-lhe a venda não tem explicação.
    Ou tem? Uma explicação possível seria que os próprios legisladores não estejam certos de que o amplo consumo da maconha nenhum mal provoque à sociedade e especialmente ao pessoal mais jovem.
    Já imaginou se dezenas de milhões de jovens passarem a se drogar e, em vez de cuidar do futuro,de estudar e buscar uma profissão –entreguem-se ao barato da maconha que tem, como principal característica, deixar o cara desligadão dos problemas da vida?
    Não resta dúvida de que dói menos viver nas nuvens do que encarar a realidade. Sim, dói menos até o cara cair na real.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Festival de Cinema de Avanca em São Luís: programação desta quinta-feira,3


    O filme "Artista de Rua", produção da Jordânia dirigido por Mahmud Hindawi, está na grande de exibição desta quinta-feira, 3, do Festival de Cinema de Avanca em São Luís. A programação cinematográfica do aniversário de 403 anos de fundação da cidade. O festival acontece no Cine Teatro da Cidade, antigo Cine Royy, na rua do Egito, Centro, com entrada gratuita.

Programação:
Dia 3 de setembro, 17h
"Noturna" (Portugal, ficção, 5 min)
"O homem que não sabia muito" (França, ficção, 20 min)
"Ar" (México, ficção, 4 min)
"Artista de rua" (Jordânia, animação, 7 min)
"Stavanger" (Alemanha, ficção, 38 min)
Dia 3 de setembro, 19h
"Pecado Fatal" (Portugal, ficção, 90 min)

Assista o trailler de "Pecado Fatal":


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"Pão com ovo" na terra de Bocage

    Pois, pois. Depois de retornar ao Teatro Arthur Azevedo em nova temporada no mês de janeiro, a comédia "Pão com ovo", marco histórico de sucesso cá no teatro do Maranhão, irá além mar. Com dois anos em cartaz a comédia em breve extrapolar os limites do Estreito dos Mosquitos. Será apresentada aos lusitanos de seis cidades portugueses. Em Portugal, Dijé, Zé Maria e Clarisse. Na terra de Bocage, "Pão com ovo" repete de maneira ampliada a façanha registrada no passado pela peça "Tempo de Espera", de Aldo Leite, ganhador do Prêmio Molière.
    Em Portugal, os três maranhenses vão subir ao palco de seis cidades. Essa programação inicial poderá se abrir mais.
    César Boaes, que encarna Clarisse no palco e na televisão, desfruta de um sucesso inédito junto ao público. Sem a caracterização de palco, Boaes é reconhecido pelo público na rua que pede fotografia, comenta o sucesso na tevê e elogia "Pão com ovo".
Simpático e sereno o ator não se faz de besta com o público que em dois anos tem colaboradora para mostrar que santo de casa faz, sim, milagre.
    Além de São Luís a peça já foi montada em 13 cidades do interior do estado. Em todas as plateias pediram bis. Em Santa Inês, por exemplo, "Pão com ovo" foi assisto por quase duas mil pessoas em um ginásio do município.
    Fora do Maranhão o grupo fez curta temporada no Rio de Janeiro. Estendeu a linha também até Marabá, município do Pará. 
    César Boaes tem uma fórmula para não repetir: embora não haja nada escrito - nem mesmo o roteiro, os assuntos mais palpitantes do momento são reunidos em cacos. Sem perdão do trocadilho, alguns se beneficiam da cacofonia. Um detalhe importante: sai tudo na hora. Por fim, quem conduz é a plateia, na base da catarse mais primitiva.