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domingo, 17 de julho de 2016

A poesia sou eu

Por José Mário da Silva*
A Poesia Sou Eu, título emblemático da obra poética reunida de Luís Augusto Cassas, constitui-se num dos acontecimentos literários mais importantes da nossa contemporaneidade. Assinala de pronto a história efetiva da prolongada convivência de um homem com a palavra em estado de estesia. Um raro, obstinado e comovente caso de paixão e amor entre um homem e a sublime e fundante arte da poesia.
    Lendo, relendo e estudando, ao longo de anos a fio, a vasta produção poética do inquieto e criativo vate maranhense, veio-me à memória um elucidativo estudo teórico-crítico que a ensaísta brasileira Renata Soares Junqueira consagrou à luminosa obra da escritora portuguesa Florbela Espanca. A propósito de discorrer sobre as categorias conceituais da poética decadentista-simbolista, a referida autora apontou os seguintes marcos: triunfo do artifício, conversão da vida em arte, perda das identidades e ruptura dos gêneros. Sem perder de vista as especificidades inerentes a cada construto poético, e cultivando a nítida consciência de que a poesia de Cassas transborda dos enquadramentos periodológicos mais demarcados e previsíveis, penso que tais pressupostos acumpliciam-se sobremaneira ao ser/fazer poético do criador de A Liturgia da Paixão.
    Em sua poética plural e acolhedora de todas as (im)possibilidades da linguagem, a arte, enquanto poderoso instrumento de remodelação transfiguradora do real, triunfa sobre as estreitezas impostas por esse mesmo real. “Deixo ao cego e ao surdo a alma com fronteiras/que eu quero sentir tudo de todas as maneiras”. Foi com esses versos que Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, expressou o anelo de abrigar, em seu seio, todas as sensações existenciais possíveis. É aqui que a identidade empírica de cada poeta, o eu civil que o ancora no porto das geografias mais denotadas do mundo, multipersonaliza-se e perde-se, a fim de reencontrar-se, plenificada, no reino infinito da linguagem. É por esse viés que Luís Augusto Cassas, de A República dos Becos até A Ceia Sagrada de Miriam, tem procurado capturar a quase incapturável síntese cosmogônica de tudo.
    A Poesia Sou Eu é a travessia ininterrupta de um poeta que, ao converter a vida em arte e fazer da arte uma modalidade suprema de vida, “o refúgio do último ideal”, lúcida expressão adotada por Alexei Bueno ao referir-se à poesia de Mário de Sá-Carneiro, confundiu-se com a própria poesia, dela fazendo-se servo, amigo, amante e confidente de todas as horas.
  Rasuradas, transgressoras e refratárias a qualquer imposição hierarquizante mais ortodoxa, as poéticas descendentes da estética romântica, da qual, com seu peculiaríssimo sotaque e singular tonalidade, Luís Augusto Cassas é tributário e recriador, fazem da ruptura dos gêneros, o ponto de partida e de chegada do seu itinerário radicalmente libertário. Cassas protagoniza essa travessia de confluências múltiplas, ao produzir uma poesia pluridimensional, em cujo estuário, transdialeticamente, o lírico, o épico e o dramático coreografam a dança sígnica de um verbo que se pretende tão local quanto universal; tão radicado no coração mais referencializado da temporalidade presente quanto metaforizador de todas as temporalidades possíveis. A Poesia Sou Eu. Como diria o mestre paraibano Juarez da Gama Batista, no sistema literário de Luís Augusto Cassas “a poesia é tanto autobiografia quanto sensação dos séculos”.
(*) Membro da Academia Paraibana de Letras

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Eu...passeio na Paraíba

   
Augusto dos Anjos na Praça Pedro Américo

 Como se fosse o saudoso poeta...E fosses à Paraíba, Terra de João Pessoa, Ariano Suassuna, Augusto dos Anjos, Zé da Luz... Enfim, poetas de A a Z. Como ao poeta, busque conhecer a cidade como quem quer conhecer-se a si mesmo. João Pessoa é única. Não há comparações. Suas ruas, edificações, seus verdes são surpreendentes como os versos mais íntimos. Obra da natureza e do homem, bem construída, poética, sua beleza surge e ressurge com mais ou menos intensidade no arruamento sinuoso e nas ladeiras que desembocam no rio Sanhauá, afluente do Parnaíba. Isso para não dizer que não falamos das suas águas.
A Paraíba é a terceira cidade mais antiga do Brasil

O poeta, do Eu único, dos Anjos, está tão presente em João Pessoa, que no passado foi Cidade da Parayba -, assim como poetas solares iguais a Jackson do Pandeiro, Livardo Alves, Manuel José de Lima e outros tantos pessoenses do povo que não os deixaram anônimos. Ou Anayde Beiriz, encantadora mulher que moveu a história do país, estopim da Revolução de 30 como personagem de uma trágica história de amor e ódio envolvendo dois homens: aquele que deu o contemporâneo nome da cidade; e João Dantas, destinatário das cartas de amor destilando lirismo de Beiriz.
O rio Sanhaurá no horizonte de João Pessoa

    Ao caminhar pelo centro histórico da cidade é fácil encontrá-los em monumentos que os eternizam. Às primeiras luzes do sol – que em João Pessoa nasce primeiro que em qualquer lugar do Brasil – as estátuas e bustos reluzem em bronze em diversos pontos da cidade. Seus tons auríferos remontam à pintura de Pedro Américo.
Muitos homens do povo são imortais na Paraíba 

    Augusto dos Anjos sobrevive na memória dos vivos com sua poesia soturna e em lugares incomuns. O poeta solitário está embaixo do tamarineiro na Praça Pedro Américo, com toda licença poética que o visitante e nativo se permitirem. Num promontório de concreto, refestelado em uma armação em ferro onde as palavras sintetizam toda a obra do Eu como dor e solidão, impressas no vácuo, a escultura descansa, em profundo sossego.
As construções históricas do centro remontam os Neanderlands e portugueses

    Alguns passos à frente e estaremos diante da estátua de Pedro Américo. Ambas – a de Américo e dos Anjos - emolduradas pelo antigo prédio do Correio e Telégrafo, onde atualmente funciona a prefeitura municipal e o comando da Polícia Militar.
João Pessoa é tombada como patrimônio nacional pelo IPHAN

    A imagem do poeta é ainda encontrada em João Pessoa em espaços despercebidos, quase invisíveis diante do cosmopolitismo que o ritmo das metrópoles imprime ao homem. Recôndito, como declamava em seus versos, o poeta se esconde entre galhos de árvores à beira do Parque Solón de Lucena, como um fantasma que se refugia na natureza viva. Próximo a pontos de ônibus e automóveis que contornam a lagoa em velocidade acelerada Anjos impávido assiste a azáfama dos afazes urbanos na escultura de J. Maciel.
Associação Comercial da Paraíba em prédio recém-restaurado

    Em frente ao Paraíba Palace Shopping, antigo Paraíba Palace Hotel, em um canto da Praça Vidal de Negreiros, está Livardo Alves imortalizado em bronze. O autor da marchinha carnavalesca “Minha cueca” permanece sentado, solitário e receptivo em um banco do largo. Livardo se perde diariamente no corre-corre dos transeuntes no antigo centro comercial de João Pessoa. Nos andares superiores do prédio histórico, a visão do centro é bem ampla.

Dos pessoenses ao mestre com carinho

    Cercado por lanchonetes, firme com um pé no chão outro no banco da praça está Jackson do Pandeiro em obra de Jurandir Maciel, bem no fundo da Praça Rio Branco, em João Pessoa. Em Campina Grande o músico nordestino tem encontro permanente com outro ícone nacional, Luiz Gonzaga, às margens do Açude Velho.
Pernas pra que te quero
    Terceira cidade mais antiga do Brasil, João Pessoa completa 430 anos em 2016. A data de fundação, 5 de agosto de 1585, dá nome a uma rua no centro histórico tombado pelo IPHAN. É possível fazer a pé um passeio pelos quatro séculos da cidade em poucas horas. A Rota do Pedestre está nas placas.


    Os primeiros passos podem ser a partir da antiga fábrica de vinho Tito Silva e a Loja Maçônica Grande Oriente. Há opções não cartesianas como subir a ladeira da Borborema. No alto da ladeira está o Santuário de Nossa Senhora das Neves, que deu o primeiro nome à cidade. A igreja foi proclamada Basílica em 5 de agosto de 1997. A edificação está na Praça do Uirico.
Casa de Pólvora: a defesa do tempo colonial

    Essa pernada sadia pela cidade antiga tem paradas certas como o Parque da Casa da Pólvora. O Iphan conclui a obra de restauração do patrimônio.
Símbolo da colonização portuguesa está nas alturas

    Passo a passo se chega ao Hotel Globo com a identificação ainda no alto. Dali o pôr-do-sol é uma atração diária.
    Uma das antigas igrejas da Paraíba é a igreja do Carmo ainda da época da Capitania da Parayba. O brasão do Carmo está na fachada de estilo barroco. É tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Estado da Paraíba desde 1998.

    O conjunto arquitetônico que rodeia a Praça Antenor Navarro recentemente revitalizado deslumbra pelo traço art-noveau do casario de fachadas em paleta de cores vivas. Siga então pelas ruas das Trincheiras, Duque de Caxias, João Suassuna e Maciel Pinheiro.

A Igreja São Francisco é um capítulo especial desse passeio por ruas e ladeiras de paralelepípedos e asfalto. Obra prima do período colonial começou a ser erguida em 1589. É um destaque do barroco na história do país.
Igreja de São Francisco: história do barroco no Brasil

    Os detalhes em madeira e os deslumbrantes altares folheados a ouro prendem a respiração do visitante. Olhando para o céu dentro da Igreja a vida de São Francisco está estampada em um painel de mais de 40 metros de extensão. Lances dessa história estampam os azulejos do adro externo da igreja sempre cheia de turistas.
Livardo Alves, autor de "minha cueca"
    Ah, não deixe de ir ao Theatro Santa Roza, em estilo greco-romano, todo revestido internamente de madeira Pinho de Riga.
Litoral
    Da Praia de Lucena até a da Penha, a faixa litorânea de João Pessoa no extremo oriental das Américas se estende por 24 km de dar água na boca e brilho nos olhos. Partindo de Cabedelo, ponto de atracamento de cruzeiros, a 20 km do centro histórico da capital, a primeira praia é Camboinha, muito própria para esportes náuticos. No meio do caminho até a Praia de Intermares, onde os surfistas se encontram, está a Ilha de Areia Vermelha. Seguem as praias do Bessa, e Manaíra, Tambaú, a mais famosa e extensa; até Jacarapé, Praia do Sol e Barra de Gramane.
Maior São João do Mundo
    Quando junho começa, na Paraíba o fole soa, tilintam os triângulos, batem as zabumbas. Do sopé da serra da Borborema ao litoral é festa em todos os pontos cardeais do estado. Campina Grande, a 121 quilômetros de João Pessoa, se torna a capital das festas juninas. Fogueiras, rojões, quadrilhas ... e tome xote, xaxados e forró rasgados. Vestidos com roupas coloridas, aos pares os dançarinos embalam as noites de São João por toda a Paraíba.
    No período da festas juninas Campinha Grande dobra o número de habitantes. A maioria dos hotéis, pousadas, pensões colocam placas de LOTADO. Tão grande a procura que abrem-se vagas em casas aos visitantes.
    É tudo verdade. O “Maior São João do Mundo” acontece em Campina Grande. Vale a pena conferir o título.
    Em João Pessoa o encontro de quadrilhas, os casamentos dos matutos, e diversas brincadeiras sustentam a tradição secular. Os gritos de alavantue anarriê, olha a chuva são ouvidos por toda a cidade.
    Há outros endereços de festas no Estado. Em Santa Luzia, Patos, Piancó, Misericórdia, Conceição, Catolé da Rocha - terra natal de Chico César, Bonito de Santa Fé, Cajazeiras, Souza, Uiraúna, Picuí, Cuité, Brejo de Areias, e outros mais festejam Santo Antonio, São João e São Pedro sem igual.
    Em junho, em Cabaceiras acontece a Festa do Bode Rei. Criada pelo jornalista Wills Leal aos poucos foi ganhando projeção nacional. A partir de 2006 passou a integrar o calendário do Ministério do Turismo. Um trio decorado é atração musical da festa. A cada ano o arrastão reúne mais pessoas. A gastronomia bodística e o forró são abundantes nos primeiros dias do mês.

Confira mais fotos do centro de João Pessoa:
Praça Antenor Navarro

Theatro Santa Roza


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Pós- Copa é tema de congresso de jornalista na Paraíba

Hélcio Estrela, presidente da Abrajet abre congresso em João Pessoa (PB)

Jornalistas de 16 estados da federação participaram nesta sexta-feira,1 6, na Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Arte, em João Pessoa (PB), da abertura do 31º Congresso Nacional da Associação de Jornalistas de Turismo, Abrajet.  O encontro tem como tema “O Turismo pós-Copa do Mundo”, com palestra inaugural da Marta Rossi, organizadora do Festival de Gramado, no Rio Grande de Sul.
José Mário Pinto recebe medalha pelos 50 anos de jornalismo
O decano do José Mário Pinto, do jornal O Povo (CE), 80, com 51 anos de atividade no jornalismo de turismo foi homenageado na cerimônia de abertura. Recebeu o troféu do artista plástico paraibano Clóvis Júnior. Mário Pinto passou pela Gazeta de Turismo (BA), Panrotas (São Paulo), Sistema de Comunicação Verdes Mares (CE).
Marta Rossi disse que o legado da Copa é um tema recorrente, mas que precisa ser feita a distinção entre os investimentos do chamado padrão Fifa e em obras de melhoria de infraestrutura. “A Copa estimulou um processo que há anos vinha sendo discutido para melhoria dos aeroportos do país”, afirmou.
A visibilidade internacional de regiões do país, como o sul, é um dos pontos positivos da Copa citados por Marta Rossi.  Esse trabalho, a palestrante do Rio Grande do Sul atribuiu ao Instituto Brasileiro de Turismo, Embratur. Ressaltou que a Copa se fosse abraçada pela população desde o início, o resultado teria sido positivo em termos internacionais.
Marta Rossi disse que quando o Brasil conquistou o direito de realizar a Copa uma geração inteira foi esquecida, descumprindo prazos e planejamentos. “O vazio deixado pelo governo foi fruto da convicção do governo de que todo brasileiro nasce com a bola no pé, convencidos de que aqui tudo se faz de última hora”, observou.
Os estados Unidos lideram a venda de ingressos, seguido da Alemanha. A expectativa do setor é receber 600 mil pessoas durante o período de realizações dos jogos do Campeonato de Futebol do Mundo. Os Estados Unidos receberam em 2013 70 milhões de turistas, enquanto o Brasil recebeu no mesmo período 6 milhões de estrangeiros que aqui deixaram US$ 6 mi. A falta de um tratamento sério é a principal causa da diferença de resultados. 
Paraíba
O secretário de Turismo do Estado, Renato Feliciano, enalteceu a profissionalização do turismo na Paraíba, escolhida junto com Fortaleza (CE), foi escolhida entre os quatro destinos de maior satisfação da América Latina. Envolvendo mais de 50 atividades profissionais o setor turístico está no elenco de prioridades do estado da Paraíba. A taxa de ocupação hoteleira em João Pessoa está em torno de 75%.