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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sebastião Duarte quer embalsamar cadeira de José Chagas na Academia Maranhense de Letras

No enterro do corpo do poeta José Chagas, o imortal Sebastião Moreira Duarte desafiou: "Quero saber quem se atreverá a se candidatar à vaga que foi ocupada com brilhantismo por José Chagas". A vaga emq questão é a cadeira número 28, para a qual Chagar foi eleito em 3 de outubro de 1975.
     Duarte é um dos principais articuladores políticos entre os imortais da Casa de Antonio Lobo. Assumiu a posição com o distanciamento do ex-presidente Jomar Moraes dos assuntos mundano da Academia. Transita bem nas hostes políticas. Na campanha rumo à imortalidade empreendida pelo então deputado Joaquim Haickel, Duarte foi um caro cabo eleitoral. Na folha de serviço à inteligentzia maranhense coordenou a coleção Maranhão sempre, editado pela Editora Siciliano (coincidência!?) sob a tutela de Jorge Murad, de quem é colaborador nas coisas do Instituto Geia.
    Tocado pela emoção das circunstâncias, Sebastião Moreira chegou a defender a reserva de fardão:"Certas cadeiras, como a dele (de José Chagas), deveriam ficar vagas por um longo tempo, pois não há quem possa se equiparar a ele”. Foi aplaudido pelos colegas de Casa.
    São as forças externas que reclamarão a vacância da cadeira. A fila da ALM tem um ritmo peculiar. Move-se pelos desígnios do destino, mas perfila-se diante das veleidades. Fosse em uma dessas filas que se formam no sereno perigoso em busca de uma vaga na vez do médico do SUS, fácil será identificar os guardiões que ainda reclamam direito adquirido. No universo dos imortais, a coisa é tão complexa que transcende a vã filosofia em busca da vida.

terça-feira, 13 de maio de 2014

José Chagas (1924-1914) na lavra de Luiz Augusto Cassas

    José Francisco das Chagas, paraibano de Piancó, nasceu a 29 de outubro de 1924. Depois de breve estada em Teresina, fixou-se definitivamente no Maranhão, terra que fez sua por opção consciente e irrenunciável. Hoje, decorridos mais de trinta anos daquele dia dos anos quarenta em que, como afirmou em seu discurso de posse na Academia Maranhense de Letras, chegou a São Luís "puxando a cachorra da poesia", já são fundas as raízes culturais e afetivas que plantou no chão desta sua segunda e verdadeira terra.
    No Maranhão e para o Maranhão construiu sua obra literária, sem dúvida alguma das mais importantes entre nós nos últimas tempos. Autor de milhares de crônicas que são, na maioria, dedicadas a São Luís, José Chagas já não é, apenas, o cronista da cidade, mas um dos maiores poetas que a cantaram em qualquer tempo.
    Depois de celebrar em prosa e verso a cidade que de fato e de direito o tem como filho, o poeta de Maré/memória fez, nos quarenta magistrais sonetos de que se compõe Colégio do vento, a comovida visitação sentimental aos pagos de sua infância, onde revive sua vida de menino pobre, lutando pela sobrevivência no amanho da terra seca e na esperança das chuvas que nem sempre vinham.
    Desse livro é a confissão: "Muito cedo plantei o arroz real,/e o arroz do sonho era o que mais crescia;"(Soneto 13).
Vale a pena transcrever aqui o soneto 35, de Colégio do vento:
santana dos Garrotes, meu distrito,
meu chão de sonhos, onde meu pai dorme
num silêncio de mundo tão restrito,
que mal contém esse cansaço enorme
de homem que fez de seu trabalho um rito,
religião a dar-bos paz, conforme
fosse o nosso cometimento aflito
capaz de nos levar a alma conforme
e se desesperar ante o infinito,
pois eu bem lembro o que o meu pai de cor
me dizia de um, mundo mais bonito,
e uma razão de luta e de suor
me conduz a este chão onde, contrito,
não choro, canto, e ele me escuta e dorme.
    Quando, sob a égide de Bandeira Tribuzi grande poeta e grande amigo da Cidade de São Luís do Maranhão, a SURCAP lançou, em caráter permanente, um concurso destinado a premiar os melhores poemas sobre São Luís, José Chagas inscreveu seu poema-rio e, merecidamente, conquistou a láurea. É sumamente gratificante que assim tenha iniciado o concurso a sua caminhada vitoriosa. Aqui estão Os canhões do silêncio para demonstrar a grandeza do poeta e do amigo do burgo de La Ravardière.
Luiz Augusto Cassas de Araújo
Diretor-presidente da SURCAP