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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Getúlio sem "The End" - Cinépolis irriga antigo preconceito contra o cinema nacional

    O cinema nacional nunca mereceu respeito nas cadeias brasileiras de cinema. Quando havia dificuldade na captação de som direto, pela incipiência da indústria no país, o tom era fanho e arranhava os ouvidos dos espectadores que, em vista disso, optavam sempre pela legenda, numa inaudível qualquer língua original. Persistisse o problema, resolvido de maneira fácil seria nestes tempos de menu.
    Daí a necessidade de leis coercitivas - que existem, como bruxas -, reservando espaço na grade de programação anual das salas de exibição para o cinema nacional no território do Brasil. Isso é verossímil aqui. A cota é facultada aos donos destas, já que a fiscalização funciona mediante denúncias de baixíssimo registro e, consequentemente, eficácia.
    Aí, veio a Globo Filmes, depois do marco "Carlota Joaquina" de Carla Camurati, e tudo mudou. Pelo menos, na aparência. Vimos surgirem insinuações de blockbusters, como "Se eu fosse você" e um punhado de películas nacionais bem avaliadas nas bilheterias, mas nem tanto assim pela crítica. Filmes que parecem transcodificados da telinha para a telona, via HD. Tudo céptico, ético e estético, ao menos na proposta. A começar pelo elenco, de caras cativas na tevê, quase sempre com as cores da globo tatuada. Isso, é claro, de olho no bilhete.
    A crise vira-lata do cinema nacional parece ter sido superada. Ledo engano. Na terça-feira,6, na sala 3 do Cinépolis, no São Luís Shopping, o projetista aproveitou o escurinho do cinema para perpetrar um preconceito que se sabe ter sido apenas recolhido a um baú sem trancas. Mais espantoso que tudo: com a aprovação do público. Soturno, deixaram todos a sala satisfeitos com o fim sem "The End". Não tem tradução, como já dizia Noel Rosa.
    Antes mesmo do estampido da arma que matou o personagem-titulo cessar, o fadeout (linguagem que o projetista desconhece pelo baixo salário que recebe) roubou uma informação principal de qualquer filme: a equipe de produção, personagens e elencos principal e de apoio, locação, trilha sonora, figurantes e todo o resto, que para o dono do cinema e projetista desmiolado, são restos mesmos. Segundo o projetista anônimo, foi uma lâmpada que queimou. 
     Sem refletir o sucesso de crítica e de algumas salas do "sul" (aqui entendido como "sudeste", como usual na língua brasileira), "Getúlio", filme de João Jardim com Tony Ramos no papel do título, obteve baixa audiência durante a temporada em cartaz em São Luís.  Para quem quer assistir a história íntima do presidente que recorreu ao suicídio, com direito à ficha técnica. Antes, vale a pena ler a crítica repleta de questionamentos de Inácio Araujo (AQUI).
Assita ao trailer pirata de "Getúlio" até o fim:

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Estreia na Tela - "Getúlio"




Cinesystem - Rio Anil Shopping (Av. São Luís Rei de França- Cohab)
Sala 2 -  17h45, 19h50, 22h00
Cinépolis - São Luís Shopping (Av. Carlos Cunha - Jaracaty)
Sala 3 - 14h40, 17h10, 19h30, 22h00

UCI Kinoplex - Shopping da Ilha (Av, Daniel de La Touche - Cohama)
Sala  8 - 18h10, 20h20, 22h30

Getúlio
O filme é uma cinebiografia que conta os últimos 19 dias da vida do ex-presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954). Dirigido por João Jardim e interpretado pelo ato Tony Ramos (o friboi), "Getúlio" se desenrola a partir do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, em 5 de agosto de 1954, principal adversário do ditador.
No dia 24 de agosto, Getúlio desferiria um tiro contra o peito para ingressar de vez na história do Brasil.