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terça-feira, 12 de maio de 2015

Filme dublados dominam programação das salas em São Luís

    Está ficando cada vez mais difícil encontrar um filme legendado na programação das salas de exibição em São Luís. Seguem uma tendência nacional. No Cineplex, do Pátio Norte,por exemplo, não há opção para o espectador que desejar assistir o filme com som original. A exceção fica para as duas salas que exibem filmes de arte: Cine Lume e Cine Praia Grande.
    No caso dos não falados em português, com legenda. Independente de horário ou faixa etária, todos os filmes em exibição são dublados. Duas salas das oito prometidas pela construtora Canopus ainda não foram entregues à rede de cinema.
    Nos quatro shoppings onde estão instaladas as salas de exibição multiplex, o Cinépolis é quase solitário na exibição de filmes legendados. No UCI Kinplex, no Shopping da Ilha, as sessões legendadas são as última do dia. A exceção fica para as salas XPlus, com ingresso acima de R$ 20,00.
    O debate sobre a retenção do hábito da leitura que os filmes dublados provocam se estende desde 2012, quando a febre começou a contagiar o país.
    Na região do Pátio Norte se concentra o público com menor renda e também com menor escolaridade na região metropolitana de São Luís. A exibição de filmes legendados contribui para distanciar ainda mais a população, principalmente jovens, do hábito da leitura.

Filmes Legendados
Cinépolis
Super Velozes Maga Furiosos - Sala 1 (16h39 -  21h30)
Uma longa jornada - Sala 1 (18h45)
Noite sem Fim - Sala 2 (16h40-22h20)
O Franco-Atirador - Sala 3 (16h50-22h00)
Velozes e Furiosos 7 - Sala 6 (21h00)
Vingadores: Era de Ultron -  Sala 7 (19h45-22h40)
3D - Vingadores: Era de Ultron - Sala 8 (13h45-17h00-20h15)
3D - Vingadores: Era de Ultron  - Sala 10 (22h15)

UCI Kinoplex
O Franco Atirador - Sala 8 (22h15)
Vingadores: Era de Ultron - Sala 3 XPlus (13h00-16h00-19h00-22h00)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Getúlio sem "The End" - Cinépolis irriga antigo preconceito contra o cinema nacional

    O cinema nacional nunca mereceu respeito nas cadeias brasileiras de cinema. Quando havia dificuldade na captação de som direto, pela incipiência da indústria no país, o tom era fanho e arranhava os ouvidos dos espectadores que, em vista disso, optavam sempre pela legenda, numa inaudível qualquer língua original. Persistisse o problema, resolvido de maneira fácil seria nestes tempos de menu.
    Daí a necessidade de leis coercitivas - que existem, como bruxas -, reservando espaço na grade de programação anual das salas de exibição para o cinema nacional no território do Brasil. Isso é verossímil aqui. A cota é facultada aos donos destas, já que a fiscalização funciona mediante denúncias de baixíssimo registro e, consequentemente, eficácia.
    Aí, veio a Globo Filmes, depois do marco "Carlota Joaquina" de Carla Camurati, e tudo mudou. Pelo menos, na aparência. Vimos surgirem insinuações de blockbusters, como "Se eu fosse você" e um punhado de películas nacionais bem avaliadas nas bilheterias, mas nem tanto assim pela crítica. Filmes que parecem transcodificados da telinha para a telona, via HD. Tudo céptico, ético e estético, ao menos na proposta. A começar pelo elenco, de caras cativas na tevê, quase sempre com as cores da globo tatuada. Isso, é claro, de olho no bilhete.
    A crise vira-lata do cinema nacional parece ter sido superada. Ledo engano. Na terça-feira,6, na sala 3 do Cinépolis, no São Luís Shopping, o projetista aproveitou o escurinho do cinema para perpetrar um preconceito que se sabe ter sido apenas recolhido a um baú sem trancas. Mais espantoso que tudo: com a aprovação do público. Soturno, deixaram todos a sala satisfeitos com o fim sem "The End". Não tem tradução, como já dizia Noel Rosa.
    Antes mesmo do estampido da arma que matou o personagem-titulo cessar, o fadeout (linguagem que o projetista desconhece pelo baixo salário que recebe) roubou uma informação principal de qualquer filme: a equipe de produção, personagens e elencos principal e de apoio, locação, trilha sonora, figurantes e todo o resto, que para o dono do cinema e projetista desmiolado, são restos mesmos. Segundo o projetista anônimo, foi uma lâmpada que queimou. 
     Sem refletir o sucesso de crítica e de algumas salas do "sul" (aqui entendido como "sudeste", como usual na língua brasileira), "Getúlio", filme de João Jardim com Tony Ramos no papel do título, obteve baixa audiência durante a temporada em cartaz em São Luís.  Para quem quer assistir a história íntima do presidente que recorreu ao suicídio, com direito à ficha técnica. Antes, vale a pena ler a crítica repleta de questionamentos de Inácio Araujo (AQUI).
Assita ao trailer pirata de "Getúlio" até o fim: