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domingo, 30 de agosto de 2015

Prefeita ostentação postava selfies e governava cidade do MA pelo celular


JOÃO PEDRO PITOMBO


Entre festas, eventos sociais e a academia de ginástica, a prefeita Lidiane Leite (PRB), 25, administrava Bom Jardim com os dois polegares e a 275 km de distância, em São Luís.
Era por meio de um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp, batizado de "Força Tarefa", que a prefeita despachava com secretários, no mesmo celular que usava para tirar fotos de si mesma.
Foragida há uma semana, desde a deflagração da Operação Éden, da Polícia Federal, ela é suspeita de desviar R$ 15 milhões da educação da cidade, onde há escolas funcionando debaixo de árvores.
Reprodução/Facebook
Prefeita de Bom Jardim (MA), Lidiane Leite (PP), de 25 anos
Prefeita de Bom Jardim (MA), Lidiane Leite (PP), de 25 anos
Lidiane chegou ao cargo por acaso. A dias da eleição de 2012, assumiu a candidatura no lugar do namorado, o pecuarista Beto Rocha, barrado pela Lei da Ficha Limpa.
Eleita prefeita, nomeou o namorado como seu secretário de Assuntos Políticos. Preso na semana passada pela Polícia Federal, Beto é quem tocava o dia a dia da prefeitura, segundo políticos locais.
Antes, Lidiane vendia leite na porta de casa e ajudava a mãe em uma loja de roupas. Deixou a vida de classe média após conhecer Beto, que tem patrimônio pessoal avaliado em quase R$ 14 milhões, segundo a Justiça.
Enquanto tocava a administração da prefeitura, Lidiane passou a enfrentar acusações de corrupção. Foi afastada do cargo três vezes, mas voltou amparada por decisões judiciais provisórias.
Ela responde a ações por cortar salários dos professores, não cumprir o calendário escolar e não regularizar o fornecimento de merenda. Na quinta (27), o Ministério Público do Maranhão pediu o afastamento da prefeita.
Acossada pelas investigações, a prefeita ainda sofreu baixa pessoal e política no início do ano: rompeu o relacionamento com Beto Rocha, que deixou o cargo de secretário.
OUTRO LADO
O advogado Carlos Barros alegou, ao pedir o habeas corpus de Lidiane, que ela assumiu o cargo "em tenra idade" e delegou funções ao namorado "por inexperiência e confiança". Barros disse que ela "está sofrendo" e fugiu numa decisão "impulsiva".
Folha não localizou o advogado do pecuarista Beto Rocha na semana passada

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

NOTA RELATIVA À MORTE VIOLENTA DO SR. RAIMUNDO DOS SANTOS RODRIGUES

    O Observatório da Violência, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, repudia, publicamente, o homicídio praticado contra o Sr. Raimundo dos Santos Rodrigues, presidente daAssociação dos Pequenos Produtores Rurais da Comunidade do Rio da Onça II, localizada na região da Reserva Biológica do Gurupi, fato ocorrido na data de 25 de agosto de 2015, na cidade de Bom Jardim - MA.
    Sempre pautado pelo respeito aos direitos individuais, coletivos e sociais da pessoa humana, o Observatório repudia a reiteração de atos de extrema violência que, como este, destroem a vida de um cidadão e de sua família.
    Nos últimos anos, inúmeras pessoas foram vítimas de violência em situações relacionadas à disputa de terras e à preservação ambiental nas áreas rurais do Estado do Maranhão. Contudo, infelizmente, as estatísticas demonstram que muitos dos autores, sejam eles mandantes ou executores, continuam impunes, ou mesmo desconhecidos.
    Assim, defende-se a necessidade de uma efetiva apuração do fato pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, bem como a eficaz atuação do Poder Judiciário, punindo exemplarmente os responsáveis, tudo dentro da mais estrita legalidade, respeitando os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
    Qualquer ato de violência contra a vida fere gravemente toda a família humana. Toda sociedade maranhense é, a um só tempo, vítima e responsável pelo assassinato do Sr. Raimundo dos Santos Rodrigues. Para além da atuação eficaz dos órgãos públicos competentes pela devida apuração do ocorrido, e consequente julgamento dos responsáveis, é necessária a sensibilização e a mobilização de toda sociedade contra os reiterados casos de violência no campo.