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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Políticos do Brasil - Vereador pretende instituir o ''Dia do Gol da Alemanha''

''Guardadas as devidas proporções, todas as grandes tragédias mundiais são lembradas. Porque essa tragédia no esporte brasileiro também não deveria ser lembrada?'', questionou o vereador
''Não é para ser comemorado e sim para ser lembrado
como o dia da maior tragédia do futebol brasileiro'',
essa é a justificativa do vereador


    Recordar a derrota da seleção brasileira de 7 a 1 para a Alemanha durante as  da Copa do Mundo de 2014, ainda é difícil. Imagina, então, criar o "Dia do Gol da Alemanha". Essa polêmica começou a surgir em Campinas e pode ganhar o Brasil.
    "Não é para ser comemorado e sim  para ser lembrado como o dia da maior tragédia do futebol brasileiro", essa é a justificativa de um vereador de Campinas, no interior de São Paulo, que propôs o projeto, que institui o dia 8 de julho como o "Dia do Gol da Alemanha".
    O projeto foi protocolado nessa segunda-feira, 3, na primeira sessão da Câmara, após o recesso de julho, pelo vereador Jota Silva (PSB).
    "Longe de ser um dia para piadas e gozações e sim um dia para refletir e pensar na construção de um futebol sem corrupção, sem batalhas entre torcidas organizadas, ou seja, um futebol para o povo", diz o político que quer relembrar o dia em que a seleção brasileira sofreu a amarga derrota para a seleção da Alemanha.
    Segundo o Estadão, o vereador disse que a ideia é que em todo dia 8 de julho, sejam promovidos debates e atividades para lembrar a "tragédia do Mineirão". Para Jota Silva, esse é uma oportunidade de o município discutir a situação do futebol brasileiro.
    Apesar de parecer piada, o vereador destacou que não se trata de uma brincadeira, mas sim de seriedade. "Guardadas as devidas proporções, todas as grandes tragédias mundiais são lembradas. Porque essa tragédia no esporte brasileiro também não deveria ser lembrada?", questionou Silva.
    Jota Silva, em seu terceiro mandato na Câmara de Campinas, é o autor de projetos de lei, como por exemplo, a "Semana da Música Sertaneja', Dia do Policial" e o "Dia do Instrutor de Autoescola".

domingo, 13 de julho de 2014

A Copa das Copas - FERREIRA GULLAR


O que vai acontecer agora com aqueles milhões de torcedores que acreditavam em nossa seleção?


    Deixei para escrever esta crônica depois da semifinal entre o Brasil e a Alemanha. A principal razão era que, como esta crônica é publicada no domingo, isto é, hoje, dia da decisão final da Copa do Mundo, já teria uma ideia do desfecho que eu mais temia: uma segunda derrota de nossa seleção, jogando em casa, como ocorreu em 1950.
    Não que, na minha opinião, o Brasil fatalmente estaria na final. Nada disso, mas, em futebol, como se sabe, tudo é possível. Conforme declarou o técnico da seleção argentina, após a derrota do Brasil, na terça-feira, "futebol é o esporte mais ilógico que existe". De fato, perder para a Alemanha, no meu entender, era previsível, mas não de 7 a 1.
    Fiz bem, portanto, em esperar o resultado do jogo Brasil X Alemanha para escrever esta crônica. É que, conforme o leitor teria deduzido de comentários anteriores, eu temia que algo de muito ruim acontecesse. Achava mesmo que passar pela seleção alemã seria difícil, quase impossível.
    Isso pensava meu lado racional, mas o outro lado, certo de que em futebol tudo é possível, admitia que talvez a gente passasse para a final. Claro que minha maior preocupação, neste caso, seria a derrota na última partida da Copa e a perda do título.
    Veja bem, se a derrota em 1950, por apenas 2 a 1, deixou um trauma que dói até hoje, imaginem a repetição disso no Brasil de hoje, que decidiu realizar a Copa das Copas?
    Não queria nem pensar nisso, mas não sei se o que aconteceu não foi pior: não chegamos sequer à final e levamos uma lavada de 7 a 1, num jogo em que a nossa seleção parecia um time amador enfrentando uma seleção de verdade.
    Confesso que, quando vi os alemães, depois do primeiro gol, dominarem inteiramente a partida e, em poucos minutos, marcarem mais três gols, temi pelo pior: eles vão nos vencer de dez a zero ou mais!
    De fato, nunca tinha vivido uma situação semelhante. O que vai acontecer com aqueles milhões de torcedores que acreditavam em nossa seleção e que agora a veem correr como baratas tontas atrás da bola que os alemães dominam como querem?
    O primeiro tempo terminou com o escore de 5 a zero. Um vexame, mas também uma tragédia.
    Alguns minutos depois, comecei a ouvir na minha rua um rumor estranho. É que moro próximo à praia de Copacabana, onde há um telão transmitindo o jogo. O rumor que ouvi vinha de uma multidão que deixava a praia para não ter que assistir ao segundo tempo daquela derrota inacreditável.
    O mesmo ocorreu no Mineirão, onde o jogo se realizava: grande parte dos torcedores deixou o estádio antes de começado o segundo tempo da partida. Tive vontade de fazer o mesmo, mudar de canal e assistir a outro qualquer programa que nada tivesse a ver com aquela derrota patética.
    Mas não fiz isso, fiquei ali, perplexo, esperando o jogo recomeçar. Não que alimentasse qualquer esperança de reverter aquele escore; é que não podia fingir que estava indiferente ao que ocorria naquele estádio de futebol e dizia respeito ao país inteiro.
    Foi aí que me lembrei das declarações de Felipão e de Parreira, ambos afirmando que a vitória da seleção brasileira era certa. Segundo Felipão, não éramos pentacampeões por acaso e, se éramos pentacampeões, éramos melhores que os demais.
    Essas afirmações, na época, me pareceram absurdas, uma vez que não é título que ganha jogo e, sim, jogando é que se ganha o título.
    O Brasil é pentacampeão mundial porque, em determinados momentos, possuiu craques e times de alta qualidade e, por isso mesmo, quase imbatíveis.
    Mas ele meteu isso na cabeça dos nossos garotos e na cabeça de milhões de torcedores.
Na verdade, essa nossa seleção não é tão boa assim. Possui craques como Neymar, David Luiz e Thiago Silva, mas não um time à altura de nossas seleções vitoriosas, constituídas de craques que, na época, estavam entre os melhores do mundo.
    A verdade é que a seleção de agora chegou às semifinais a duras penas, indo para a prorrogação e para os pênaltis. Jamais acreditei que ela ganharia a Copa.
    Pois bem, hoje, Alemanha e Argentina decidem quem ficará com o título de campeão do mundo. Ontem, o Brasil deve ter disputado com a Holanda o terceiro lugar. Espero que tenha tido melhor sorte.