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domingo, 25 de junho de 2017

Alcântara alcançará o espaço em novembro de 2019



O programa espacial do Brasil, que até hoje se destacou apenas pelo fracasso de suas principais missões, ganhou uma nova janela de oportunidade para finalmente lançar um foguete que atenda às principais demandas do mercado internacional de satélites. O Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), projeto da Aeronáutica em parceria com a Agência Espacial da Alemanha (DLR), pode ter o primeiro teste no espaço em 2019, desde que seu cronograma financeiro seja cumprido, o que, neste momento, ainda é uma incerteza.

A indefinição sobre a programação orçamentária não é uma novidade nos etor—eéa principal causa apontada pela Aeronáutica para os sucessivos insucessos. O fato novo é que o programa VLM é muito mais barato que os anteriores e, ainda assim, corre o risco de não se viabilizar dentro do prazo acordado coma Alemanha.

O VLM tem por objetivo atingir o atual mercado espacial, que trabalha com satélites cada vez menores, mais leves, com menor tempo de vida e que orbitam em altitudes inferiores às atuais. Estas características reduzem os custos de cada jornada e se viabilizam pelo avanço tecnológico dos países desenvolvedores de satélites, como Estados Unidos, Japão e França.

Para o Brasil, o custo estimado é de R$ 100 milhões, um quinto dos R$ 500 milhões despejados pela União no programa para o lançamento do Cyclone 4, um foguete ucraniano que deveria utilizar o Centro de Lançamento de Alcântara como base. O Brasil abandonou o programa pela metade, rompendo o tratado com a Ucrânia.

Em relação ao Veículo Lançador de Satélites (VLS), que teve dois lançamentos mal sucedidos e causou a maior tragédia do programa espacial brasileiro — quando um incêndio às vésperas da terceira tentativa de lançamento matou 21 profissionais em Alcântara —, o VLM também é mais barato. O Brasil investiu no VLS cerca de R$ 350 milhões ao longo dos anos. A diferença, agora, é que os sistemas mais sensíveis e caros, como o controle de ajuste em órbita, estão sob responsabilidade da Alemanha.

O plano traçado prevê que o Brasil produza os motores, em contrato já em desenvolvimento com a Avibrás. O “corpo” do foguete também é nacional. Os alemães ficam com os elementos superiores, como o controle e a coifa, que se abre no espaço para dar seguimento à parte final da missão.

O diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), brigadeiro Augusto Luiz de Castro Otero, confirma que não se cogita mais investimentos para desenvolver uma nova versão do VLS. E aposta todas as fichas no VLM para que o programa espacial finalmente atinga seu maior objetivo: desenvolver um foguete brasileiro, a ser lançado do Centro de Alcântara.

Ele reconhece, no entanto, que os planos ainda dependem da liberação de dinheiro. Dos R$ 100 milhões necessários até 2019, R$ 35 milhões já foram utilizados. Os outros R$ 65 milhões entraram na mira do contingenciamento orçamentário.

— Infelizmente, o que sempre vivemos é o contingenciamento. É complicado executar qualquer coisa com os recursos sempre aquém dos planejados. Entendemos claramente as prioridades no país. Mas os contingenciamentos vêm comprometendo toda a atividade. Se no ano que vem não tivermos o aporte de recursos, nós teremos impacto no cronograma de execução — afirma Augusto Luiz Otero, que ainda alerta para a desestruturação da equipe do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA):

— Há um envelhecimento das equipes, que vêm se reduzindo ao longo dos anos.

O orçamento do VLM é de responsabilidade da Agência Espacial Brasileira. Em 2017, a AEB teve bloqueio de recursos e informa que disponibilizou R$ 20 milhões para o programa. Para o o ano que vem, um novo corte é esperado. Neste momento, há negociações em curso com o Ministério do Planejamento para a recomposição de parte dos recursos.

— Certamente, este novo contingenciamento vai impactar o VLM — afirma Douglas Lira, Diretor de Transporte Espacial e Licenciamento da AEB.

O Ministério da Defesa, que responde pelo programa de lançadores, informa que o VLM “representará um salto para o país, no sentido de conquistar autonomia tecnológica em lançadores, assegurando a soberania”. Mas não assegura que os recursos estarão disponíveis, limitando-se a afirmar que o orçamento do veículo é de responsabilidade da Agência Espacial.

Se o plano der certo desta vez, o primeiro lançamento de testes do VLM ocorrerá em novembro de 2019, da mesma plataforma construída em Alcântara para o voo que nunca ocorreu do VLS, seu antecessor. A adaptação da plataforma ainda não tem custo definido. A estimativa inicial é de R$ 7 milhões.

De O Globo

domingo, 15 de novembro de 2015

Foguete brasileiro explode em Alcântara (não, você não está em 2003)

Por  em 14 de novembro de 2015 - 57 comentários

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Fotógrafa maranhense expõe cotidiana das crianças de Alcântara em Teresina (PI)

   O cotidiano das crianças da zona rural de Alcântara(MA) captados pelas lentes da fotógrafa maranhense Suzane Melo está na exposição "Meninice", em cartaz na Casa de Cultura de Teresina até o dia 20 de novembro.
    A exposição, aberta no dia 22, reúne 14 telas que antes de chegar ao Piauí circularam pelos estados do Amazonas, Acre, Amapá e Mato Grosso. Integra a programação do projeto Sesc Amazônia das Artes deste ano.
    Suzane Melo é graduada em artes plásticas e desde 2008 se dedica à fotografia. Ela percorreu a zona rural de Alcântara se misturando com as crianças dos povoados. Tudo aconteceu sem grandes pretensões.
    Durante o período em que a exposição ficar em cartaz na Casa de Cultura da capital piauiense, instituição ligada à Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, da prefeitura, a fotógrafa vai ministrar oficina de composição fotográfica.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

"Alcântara na era espacial" recorta a escravidão negra no Brasil

   
Marcelo Tass em "Os netos do Amaral"
    As notícias sobre a suspensão da parceria entre Ucrânia e Brasil na efetivação da Centro de Lançamento de Alcântara nos remonta a uma obra capital para compreensão do processo de transformação da cidade na segunda metade do século XX. e o malogro anunciado. " Alcântara na era espacial", do jornalista Sérgio Meireles, é um trabalho de explanação simples, mas exata, sobre o que estava se passando ali, naquela cidade velha estacionada no tempo, envolta no manto futurista, quase repetindo a lenda histórica da espera de um rei que nunca nem chegou.
    
    Estive na década de 90 na cidade, acompanhando o repórter Marcelo Tass, antes da fase glamourosa do CQC, em um trabalho de reportagem para o programa "Os Netos do Amaral". Aquilo que seria mais um episódio de uma sátira ao cronista preferencial dos militares na rede Globo, Amaral Neto, se transformou em um drama social pungente. Encarando as relações entre quilombolas oprimidos e a prometida nova era espacial, Tass materializou o pensamento segundo o qual tudo que é sólido se desmancha no ar.
    
    Hibernado por falta de entusiasta que o resgate, o livro de Meireles com o passar dos tempos confirma sua densidade.
   
    Nos antecedentes históricos de "Alcântara na era espacial ",  Sérgio Meireles explica  como a cidade se transformou em um centro de escravidão negra no século 19, após a dizimação dos tapuias da grande aldeia tupinambá “Tatuitapera” (índios de cabelos compridos).  Cita, por exemplo, que o município foi criado em 1652 com 300 moradores  e que no final dos anos 1800 contava com 100 fazendas e 8 mil escravos nelas trabalhando.
    
    Entre os século 17 e 19, Alcântara recebeu mais de 25 mil negros de Bissau, Cacheu e Angola, afirma Meireles. A média era de dois mil africanos traficados por ano. No qüinqüênio de 1865 a 1870 se iniciou a decadência da cidade.  Meireles aponta ainda as causas da decadência da cidade: o incremento da indústria açucareira que soterrou o antigo celeiro do Maranhão, exportador de algodão, farinha, milho, tapioca, milho, carne, etc; e a navegação a vapor.
    
    Com a falência das fazendas, as terras foram vendidas ou passaram a ser desfrutadas pelos negros livres. Esta é a origem das comunidades negras alcantarenses. Levantamento do Centro de Cultura Negra realizado no início da década de 1980 identificou dez comunidades com origens semelhantes.
    
    O município de Alcântara possui uma área de 1.2301 quilômetros quadrados. Até a década de 80, período descrito pela obra de Sérgio Meireles, a população alcantarense era de pouco mais de 18  mil habitantes. Destes, cerca de 20 por cento habitava o centro urbano, a parte das construções coloniais que persistiu no tempo no mesmo espaço. O carvão passou a ser o principal produto de exportação, principalmente para a capital.
    
     Alcântara é tombada desde 1948 pelo Serviço do Patrimônio Histórico Nacional. O patrimônio é formado por 300 prédios, 10 ruas, três praças e oito travessas.  Ainda hoje o calçamento da ruas em pedras tipo cabeça de negro resiste.
    
    Em outubro de 1980, a cidade sediou o 5º Curso Interamericano Sobre Política e Administração Cultural, organizado pela OEA e SPHN (hoje IPhan).  Um documento com assinaturas de 20 técnicos renomados de vários países da América Latina solicitaram a OEA e Unesco o tombamento de Alcântara como “patrimônio histórico e artístico da  humanidade”.
    
    Coincidentemente nessa época Alcântara ingressou na era espacial.  No dia 27 de outubro de 1980, o Diário Oficial do Estado do Maranhão declarava de “utilidade pública” para fins de desapropriação uma área de 500 milhões de metros quadrados – 52 mil ha. Nesta área seria implantado o Centro Espacial de Alcântara (CEA, mais tarde modificada por decreto para Centro de Lançamento de Alcântara). Abrangia mais da metade do município.
    
    O decreto dividia a área em duas: um terço seria destinado à implantação do centro.  Como conseqüência, 538 famílias de lavradores ocuparam a mira do despejo.  Na denominada Área II, a Aeronáutica planejou a construção de uma cidade para 5 mil famílias. Nela haveria espaço para as famílias removidas da área I que se somariam a 1.500 famílias também ameaçadas de remoção. No total 2.038 famílias passaram a conviver com a instabilidade e insegurança sobre os antigos territórios.
    
    Foi o governador João Castelo Ribeiro Gonçalves quem autorizou a expropriação em caráter de urgência.  Na época os secretários também eram signatários do documento, entre eles o secretário da Indústria e Comércio, José Joaquim Guimarães Ramos, vereador de São Luís. A Aeronáutica adotou a estratégia do silêncio dos inocentes.
     
    Durante seis meses funcionou.  Foi então que o promotor público José Leitão, que mais tarde viria a ser prefeito do município, intermediou a venda de terras de Tiquara e Castelo. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alcântara.
    
    No começo de julho de 1981, o comandante do Instituto Aeronáutico Espacial, Hugo de Oliveira Piva, confirmou a instalação da 2ª base de lançamento de foguetes brasileiros. As conseqüências socioculturais e políticas do projeto pautou a imprensa nacional.
    
    Foram as advertências do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade no Caderno B do Jornal do Brasil que disparou o debate público. Pipocaram repúdios e questionamentos sobre pontos obscuros.
   
    Foi a terra que acendeu a centelha dos protestos. Para onde vamos? Questionavam as mais de 2 mil famílias ameaçadas de desapropriação.  Igreja, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alcântara e o recém-fundado Partido dos Trabalhadores canalizavam os protestos.
  
    Ligada à Prelazia de Pinheiro, a paróquia de Alcântara por meio do Reverendo Chambron recomendou que o chefe político de Alcântara, João Leitão, iniciasse conversações com a Aeronáutica.  Ao mesmo tempo, aos lavradores orientava para que exigissem seus direitos de permanência na área. A paróquia evitou medir forças com a Base.
    
    Aos removidos procurou esclarecê-los sobre exigências como terras férteis e condições semelhantes à anterior. Veio então o confronto com o poder executivo municipal.  E se indispôs com os tocadores do projeto da Base.
    
    Antes da instalação da Base, o município de Alcântara desconhecia os conflitos de terra comuns no território maranhense.  As terras ali eram comunais, aforadas ou aforamentos em poder de pequenos proprietários e um pequeno número de grandes proprietários. Não havia tensão. O prefeito na época Joaquim Fecure respondia com evasivas.  Meirelles denuncia o cinismo da prefeitura que tudo negava às pressões dos lavradores por informações sobre a Base. Sem saída, restou ao Brigadeiro Piva a explicação sobre o projeto.
   
    Os ânimos estavam exaltados à época. O presidente do Sindicato, Benedito Basson, acusou publicamente, durante a palestra  no Ginásio, a participação de João Leitão na negociata de terras.  Pelo verbo solto, respondeu a processo por injúria, calúnia e difamação em queixa-crime registrada por Leitão.
    
    O PT colaborou para que o assunto fosse interiorizado no município. Nos povoados atingidos, comissões foram formadas para estudar maneiras de reagir ao decreto. A desapropriação contribuiu para a coesão entre os lavradores. Por conta da Base Espacial de Alcântara, o Partido dos Trabalhadores pretendia eleger o Prefeito e mais três vereadores em Alcântara. Em 1981 o PT fez um vereador no município de Alcântara: Benedito Basson, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alcântara.

Na Sede
    Com este título o autor inicia o capítulo sobre a Reação da Comunidade.  Não houve resistência na sede, afirma Meirelles. Apenas, vozes isoladas como o comerciante Vital, reclamaram da quebra da tranquilidade reinante até então, relata o jornalista.No interior o barulho foi crescente. Emanou principalmente nas comunidades. O tempo, mesmo com toda força das redes, colocou uma surdina em mais um grave problema em solo maranhense.


Lei crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre Alcântara

“Qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade em face das coisas de arte e história (os “bens culturais” que o Governo procura não só defender como incitar a população a fazer o mesmo) arrepia-se ao ler que será instalada em Alcântara a segundo base de lançamento de mísseis brasileiros...”

    A área já começou a ser demarcada e um fato novo, surpreendente, bole com os nervos da pacata população da pacatíssima cidade inscrita no livro do Tombo do IPHAN como monumento nacional”

    Claro que os foguetes não serão lançados no espaço ocupado pelo acervo arquitetônico e paisagístico da cidade, mas a proximidade dessas assustadoras engenhoca vai trazer modificações profundas no viver de sua gente, e não é de crer que os benefícios de circulação do dinheiro compensem os incômodos da militarização de vasta área agrícola em torno do conjunto tombado. Não se poderia localizar a estação de mísseis em outro ponto, sem, afetar a grave e silenciosa beleza de Alcântara, com seus velghos sobrados convertidos em monumento nacional?”

Na coluna do Caderno B do Jornal do Brasil, edição de 21 de julho de 1981.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Missão não cumprida - RUBENS BARBOSA


    O aproveitamento do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e o desenvolvimento de veículos lançadores de satélites (VLS) são prioridades no âmbito do Programa Nacional de Atividades Espaciais do Ministério da Defesa. O funcionamento de um centro de lançamento competitivo permitiria a entrada do Brasil no importante nicho de mercado de satélites de telecomunicações e de meteorologia.

    Um programa desse porte só será possível se houver um entendimento com o governo dos EUA. A Base de Alcântara só poderá tornar-se viável comercialmente quando um novo acordo de salvaguardas entre o Brasil e os EUA tiver sido negociado, uma vez que, por motivos ideológicos, o anterior nunca foi ratificado.
    A oposição do PT a esse acordo, que iria regulamentar o uso comercial da base de lançamento de foguetes de Alcântara por empresas americanas, na prática, excluiu o Brasil de um mercado anual de US$ 12 bilhões. Procurando contornar essa dificuldade, o país está tentando desenvolver um VLS próprio, outro com a Ucrânia e conduzindo um programa de lançamento de satélites com a China. Anuncia-se para o dia 29, como parte desse esforço o lançamento em Alcântara de foguete de sondagem, que pela primeira vez testará no Brasil combustível líquido embarcado.
    A grande ironia em todo esse affair é que, sem o acordo com os EUA, nem o programa com a Ucrânia poderá avançar, apesar dos milhões de dólares investidos pelo Brasil.
    No fim da visita do presidente Obama ao Brasil, em março de 2011, ficou decidido que os entendimentos sobre o acordo de salvaguarda seriam retomados com o objetivo de renegociar o texto para consideração do Congresso Nacional. Com isso, poderia ser viabilizado o programa de lançamento de satélites com a Ucrânia e ficaria aberta a porta para a cooperação entre empresas brasileiras e americanas na área de lançamento de satélites, tornando de fato efetivo o uso da Base de Alcântara. Com a divulgação da espionagem da NSA à presidente Dilma e a relação entre os dois países bastante dificultada, os entendimentos nem chegaram a começar.
    Espera-se que, nos próximos quatro anos, sem preconceitos partidários e com razoável dose de pragmatismo, o futuro governo empreste ao programa espacial brasileiro uma efetiva prioridade. Com a conclusão da negociação do acordo de salvaguarda tecnológica com os EUA e com recursos financeiros adequados para garantir a continuidade dos esforços — que, por falta de apoio, caminham com grande dificuldade —, os programas poderão avançar e ser concluídos com êxito.
    Em agosto de 2003, sério acidente na Base de Alcântara paralisou o projeto por algum tempo e fez desaparecer uma elite técnica que conduzia o programa do veiculo lançador de satélite. O VLS-1, que estava sendo preparado, explodiu e matou 21 cientistas, adiando ainda mais o projeto que colocaria o Brasil numa posição competitiva no mercado de satélites comerciais.
É urgente recuperar o tempo perdido.

Em O GLOBO

domingo, 15 de junho de 2014

Manoel Ribeiro precisa ser tombado

    O deputado estadual Manoel Ribeiro (PTB) desembarcou de helicóptero na cidade de Alcântara para participar da Festa do Divino Espírito Santo no município do Domingo. A ostentação de Ribeiro se afina à de seus pares políticos. Para cintilar seu poder fez questão de pousar na praça da Matriz, onde está fincado um dos únicos exemplares de pelourinho no país.
    Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão por dez anos e ex-vereador de São Luís, Manoel Ribeiro é um aliado canino do grupo Sarney. Tem pelo Senador apreço, devoção e gratidão pelo patrimônio angariado às custas de empréstimos junto ao extinto Banco do Estado do Maranhão para o plantio de soja e outras benesses que o estado oligárquico pode facultar a quem o sustenta.
    Entre seus negócios, o político detém a exploração do sistema de transporte marítimo entre Alcântara e a ilha de São Luís. As sucatas de Ribeiro singram a Baía de São Marcos, arriscando pobres de uma das regiões mais pobres do Maranhão pelo Golfão Maranhense.
    Uma lei estadual exige que o transporte conceda meia-passagem aos estudantes usuários dos barcos. A condição política do deputado o faz ignorar a letra aprovada pelo Legislativo maranhense nas suas empresas de navegação. Da mesma maneira que ele ignora o escombro que ameaça todos os serviços públicos e casario da cidade histórica tombada pelo Patrimônio Nacional. Manoel Ribeiro é um patrimônio da política maranhense que precisa ser tombado no sentido do verbo.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Desmoronamento em Alcântara é start da aposentadoria de Kátia Bogea

   

Casarão da rua das Mercês e lista do Iphan
    A Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão, Kátia Santos Bogea, confere os dias para se aposentar depois de um longo período no cargo. A informação - alvissareira para centenas, talvez milhares de pessoas -, foi divulgada na coluna Bastidores, na edição de domingo ,8, do jornal O Imparcial.
    Coincidentemente, no Domingo de Pentecoste na cidade de Alcântara, o desmoronamento do telhado de um casarão na rua das Mercês, na cidade monumento nacional desde 1948, atestou a gestão da superintendente, marcada pela intransigência sob o manto de apuramento técnico.
    O casarão cujo teto ruiu pertence a um baiano que adotou a cidade há décadas. Estava locada para servir de casa de festeiro na Festa do Divino Espirito Santo deste ano que se encerrou no dia do sinistro.
    O prefeito de Alcântara, Araken (PSB), reclama das inexequíveis exigências técnicas do Iphan na cidade. Outros casarões ameaçam ruir em Alcântara. Araken diz que o diálogo com a Superintendente do Iphan é travado.
    O desastre no casarão fez uma vítima, trazida para São Luís pelo GTA logo após o acidente. Segundo relatos, a senhora não teria resistido ao peso da viga e morrido.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Festival de Música Barroca terá orquestra da Favela da Maré

    
III Festival de Música Barroca na Igreja do Rosário dos Pretos
    O maestro Carlos Prazeres e a Orquestra Maré do Amanhã, do Rio de Janeiro,  estão na programação da 4ª edição do Festival de Música Barroca de Alcântara, que além da cidade Patrimônio Nacional, acontece  entre 5 a 10 de junho em Rosário, BAcabeira e São Luís. O festival tem início em Rosário no dia 5. No dia seguinte acontece na cidade de Bacabeira.
    Nos dias 7 e 8 será na cidade de Alcântara, no encerramento da tradicional Festa do Divino Espírito Santo.
    A primeira edição do festival aconteceu em 2011, no mês de dezembro.
    A Orquestra formada por crianças da Favela da Maré (RJ) começou em 2010 com patrocínio da Linha Amarela S/A.  No início eram apenas 14 violinos, seis violões cellos e  um quarteto de flautas quatro vozes. Com três meses de projeto, a orquestra realizou um concerto no Palácio de Cristais, em Petrópolis (RJ). Uma empresa de energia da China passou a patrocinar a orquestra a partir de 2012. No ano passado a orquestra iniciou a construção de uma escola de música. A orquestra principal conta atualmente com 40 músicos permanentes.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Crise na Ucrânia ameaça paralisar base de lançamento de Alcântara

Selado em 2003, programa ucraniano-brasileiro de lançamento de foguetes, a partir do Maranhão, já consumiu R$ 1 bilhão

A crise na Ucrânia ameaça a parceria com o Brasil para lançar foguetes a partir da base de Alcântara, no Maranhão. O Cyclone 4, projetado por empresas ucranianas, corre o risco de não decolar. Se isso ocorrer, será desperdiçado cerca de R$ 1 bilhão, valor já investido pelos dois países no projeto, que pretende explorar serviços comerciais de lançamento de satélites.
A última previsão de lançamento era para o início de 2015, quando o Brasil sinalizaria ao mundo sua entrada no bilionário segmento de satélites e reabilitaria a base de lançamento de Alcântara, cuja imagem foi prejudicada pela explosão que destruiu o foguete brasileiro VLS-1 V03, em 2003. A princípio, o governo mantém o otimismo, mas já admite mudanças no calendário, dilatando prazos e prevendo novos atrasos diante da tensão militar no Leste Europeu:
— O acordo assinado entre o Brasil e a Ucrânia para a construção do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e do Veículo Lançador Cyclone 4 prossegue normalmente. O cronograma estabelecido prevê o primeiro lançamento do foguete no final de 2015, podendo sofrer pequena variação ­— informa o brigadeiro Wagner Santilli, da Alcântara Cyclone Space (ACS).
O clima, porém, é de apreensão. No governo, há um jogo de empurra. A Agência Espacial Brasileira (AEB), que tem uma previsão orçamentária de R$ 300 milhões para investir no projeto, não quis se pronunciar. Nos bastidores, comenta-se que não há o que fazer, a não ser acompanhar a evolução do cenário na Ucrânia. Ou seja, o futuro do projeto é incerto.
A ACS é uma joint venture binacional criada em 2006. Pelo acordo, o Brasil forneceria as instalações de Alcântara e, a Ucrânia, o foguete. A ACS é responsável pela criação do Centro de Lançamento de Alcântara, cujas obras estão 40% concluídas.
A situação da Ucrânia, contudo, só agravou ainda mais o arrastado projeto, fechado no início do primeiro mandato de Lula. À época da aprovação do acordo, em julho de 2003, a previsão era lançar o foguete em 2006. O acidente em Alcântara, ocorrido um mês depois, em agosto de 2003, adiou os planos. Em uma nova projeção, o então presidente Lula contava com o lançamento do foguete em 2010, no final do seu segundo mandato.
Atrasos de repasses prejudicam projeto
Desde que foi assinada e aprovada no Congresso, em 2003, a parceria com a Ucrânia sofre com o atraso nos repasses de recursos.
A situação começou a melhorar em 2011, já no governo Dilma Rousseff, a partir da visita ao Brasil do então presidente Viktor Yanukovich, deposto no último dia 22 pelo parlamento, em meio a uma crise envolvendo a Rússia e a União Europeia. À época, os repasses foram regularizados, e o desenvolvimento do foguete — que se encontra 78% pronto — acelerado.
No ano passado, novamente, faltou dinheiro por conta do ajuste fiscal no Brasil e da situação econômica da Ucrânia, que já dava sinais de abatimento. Diante da situação financeira, o desenvolvimento do foguete deixou de ser prioridade e, no Brasil, os atrasos na liberação de recursos afetaram as obras em Alcântara.
Ou seja, mesmo que o projeto decole, há ceticismo de especialistas quanto ao retorno financeiro e à real capacidade do Brasil de se tornar uma potência espacial.
José Nivaldo Hinckel, especialista em propulsão espacial do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), considera o argumento de retorno econômico descabido. O lucro com cada lançamento é irrisório em relação ao custo do projeto, que comporta infraestrutura de lançamento e equipes envolvidas que não podem ser recrutadas e, depois, dispensadas. Hinckel lembra ainda que o custo anual de manutenção de um sistema de lançamento de satélites é elevado e que dificilmente a ACS obterá um ritmo superior a dois ou três lançamentos anuais.
— A ACS não poderá cobrar mais do que US$ 50 milhões (cerca de R$ 116 milhões) por lançamento. Fica claro que não há perspectiva de lucro para um ritmo de lançamentos inferior a uma dúzia, algo impossível de se alcançar nem na mais otimista das hipóteses — atesta ele.
Hinckel tem outras ressalvas e considera o programa tecnicamente "duvidoso" por conta dos propelentes (combustível e oxidante) usados no Cyclone, de alto potencial tóxico. Ele alerta que, se ocorrer um vazamento ou falha no lançamento, haverá riscos ao ambiente.
— É importante ter acesso ao espaço, do ponto de vista estratégico, mas nunca vi possibilidade de sucesso no projeto da ACS. Economicamente não é viável e, se o objetivo era salvar uma indústria que não tinha como sobreviver na própria Ucrânia, agora politicamente ficou mais difícil ainda — diz ele.
As origens
Em 2003, Brasil aprovou e assinou acordo espacial com os ucranianos
O acordo
— A preocupação com a soberania nacional pesou na escolha da Ucrânia como parceira do Brasil. Herdeira da escola espacial da antiga União Soviética, a Ucrânia domina a tecnologia de ponta na área. As tratativas se iniciaram no governo Fernando Henrique, que também negociava com os Estados Unidos a utilização da base de Alcântara. O tema foi um dos assuntos polêmicos da eleição presidencial de 2002.
— Lula prometia rediscutir o acordo se fosse eleito. Com a vitória dele, as tratativas com os EUA foram sepultadas. Eram alvo de críticas dos movimentos sociais e até da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que chegou a organizar um plebiscito, sem caráter oficial, sobre o assunto.
O Cyclone 4
— O foguete projetado para o Brasil é da família Cyclone, existente desde 1969 e com um histórico bem-sucedido. Em 226 testes de lançamento, houve só seis falhas. Um pool de 16 empresas estão envolvidas na construção do Cyclone 4, na cidade de Dnipropetrovsk. A nova versão terá alta precisão e aumento de 30% na capacidade de carregar combustível. O artefato tem vida útil de até 20 anos.
A base
— O centro de lançamento é um complexo localizado na península em frente a São Luís, capital do Maranhão. Das bases que operam em regime comercial, Alcântara se destaca pelo trunfo geográfico. Devido à proximidade à linha do Equador, um lançamento em Alcântara gasta menos combustível do que os projetados das bases de Cabo Canaveral (EUA) e de Baikonur (Cazaquistão).
O Acidente
— Em agosto de 2003, ocorreu uma tragédia que adiou o desenvolvimento do programa espacial brasileiro. Um Veículo Lançador de Satélites (VLS), com 21 metros de altura e que colocaria em órbita dois satélites desenvolvidos no Brasil, foi acionado antes do tempo. Com a ignição prematura do VLS — provocada por uma peça que custa apenas US$ 10 —, a torre acabou explodindo, matando 21 profissionais. Uma delegação da Ucrânia estava no país para acompanhar o lançamento. À época, foi a terceira tentativa frustrada. Em outros dois testes com VLS, em 1997 e 1999, ocorreram falhas, e os protótipos tiveram que ser destruídos, logo após a partida.