segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Licitação do transporte coletivo enfim, será votado
Região
Jornal do Commercio: França ataca reduto do Estado Islâmico
O Povo: Agentes são presos suspeito de torturar adolescentes
Nacional
Correio: Europa se une na caça a terroristas
Folha: França bombardeia reduto do Estado Islâmico na Síria
O Estadão: França caça suspeito e intensifica ataque ao Estado Islâmico na Síria
O Globo:França retalia com ataque aéreo ao Estado Islâmico
Zero Hora: Da dor à guerra

domingo, 15 de novembro de 2015

Na Coluna do LAURO JARDIM em O Estado do Maranhão


Foguete brasileiro explode em Alcântara (não, você não está em 2003)

Por  em 14 de novembro de 2015 - 57 comentários

Arte e personalidade - FERREIRA GULLAR

   
    Toda arte tem linguagem, ou melhor, toda arte é linguagem. O pintor, o escultor, o músico, o poeta, todos eles se valem de uma linguagem específica com a qual se exprimem, criam suas obras.
    Deve-se observar, também, que linguagem e significação não podem ser separados, razão pela qual os conteúdos são próprios de cada linguagem e, consequentemente, o que a música diz a pintura não diz; o que a poesia diz a música não diz. Noutras palavras, as linguagens são essencialmente intraduzíveis entre si.
    Essa especificidade das linguagens artísticas, por sua vez, determina sua maior ou menor receptividade. É essa mesma especificidade que define a necessidade e a possibilidade do indivíduo que se torna criador de arte. Trata-se certamente de uma questão complexa, mas que, conforme percebo, está diretamente vinculada à natureza de cada linguagem artística e de cada personalidade criadora.
    Como acredito que a arte, em lugar de revelar a realidade, a inventa, tem ela, segundo penso, a capacidade de encantar o leitor, o ouvinte ou o espectador, facultando-lhe o que se define como prazer estético. Isso se dá exatamente porque as artes são linguagens por meio das quais nossa concepção de realidade se enriquece magicamente, graças ao que a obra diz e que é mágico exatamente por ser intraduzível em qualquer outra linguagem.
    Se, como disse, as linguagens artísticas são intraduzíveis entre si, tampouco quem ouve "Bachianas n°4", de Villa-Lobos (1887-1959), ou vê uma tela de Volpi (1896-1988), pode traduzir em palavras o que essas obras expressam. Disso resulta, consequentemente, a função da arte como enriquecedora da nossa visão da existência; de acrescentar ao mundo uma noite que só existe numa tela que o artista pintou.
    Dessa magia, naturalmente, mais que todos, participa o artista, o criador da obra. E, se é verdade que o que ele expressa por meio dela só pode ser expressada ali e daquela forma, é porque a arte é uma linguagem e, por ser linguagem, suscetível de ser elaborada e recriada pelo artista.
    Pois bem, daí decorre que é por ser linguagem que a obra de um artista –seja ele pintor, poeta ou músico– renova-se, muda, enriquece. Isso implica no domínio da linguagem específica de cada arte, domínio esse que caracteriza o trabalho de todo verdadeiro artista, seja ele um Da Vinci, um Mozart, um Mallarmé, um Drummond, um Eliot.
     Não é imprescindível que todo leitor ou consumidor de arte tenha conhecimento dessa elaboração de que surge a obra, o que importa é que o resultado dela o toque, o comova, o deslumbre.
    Essa é a razão por que me custa aceitar, como arte, expressões que não resultam da elaboração de uma linguagem. Melhor dizendo, custa-me aceitar como arte expressões que não constituem efetivamente uma linguagem.
    Entenda-se bem, expressão tudo é: uma mancha, um traço, um ruído, um grito, qualquer coisa. Sentar-se imóvel numa cadeira, durante horas, é uma expressão, mas é impossível elaborar ou aprofundar tal manifestação, pelo fato mesmo de que não constitui uma linguagem. O mesmo pode-se dizer de quem amontoa lixo numa galeria de arte. Os autores de tais manifestações, por isso mesmo, estão obrigados a, aleatoriamente, lançar mão de qualquer objeto ou atitude e apresentá-los como obras suas.
    Na verdade, por não serem resultado da elaboração de uma linguagem artística, necessitam estar num museu ou numa galeria de arte para se apresentar como expressão estética. Assim, casais nus no MoMa são mostrados como arte, mas se estiverem noutro lugar qualquer são apenas casais nus. E por não serem uma linguagem, as obras dessa linha necessitam serem explicadas verbalmente. De fato, como saber que um amontoado de latas de conserva é protesto contra o capitalismo? Só explicando, não? O resultado é o que aconteceu recentemente numa famosa galeria de arte italiana: o faxineiro varreu a obra ali exposta e a pôs na lixeira. 

A crise na cidade mais 'dilmista' do País

MURILO RODRIGUES ALVES, ENVIADO ESPECIAL - O ESTADO DE S.PAULO

Belágua, no Maranhão, onde a presidente teve mais votos em 2014, enfrenta a alta de preços

BELÁGUA (MA) - Um ano após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a cidade mais “dilmista” do Brasil sofre as consequências da crise econômica e teme cortes nos benefícios sociais, o que impacta a popularidade da presidente. Até eleitores que dizem não estar arrependidos do voto na petista se dizem frustrados com o início do segundo mandato. Nem mesmo o prefeito do município, que também é do PT, poupa a presidente de críticas.

    Belágua, a 280 quilômetros de São Luís, foi o município que proporcionalmente deu mais votos para a reeleição de Dilma em 2014. No 2.º turno, 94% dos 3.788 votos válidos foram para a presidente. No 1.º turno, tinham sido 92%. Na eleição de 2010, a petista também tinha recebido mais votos de Belágua.

    
O casal Adão Torres da Silva e Tereza Xavier da Silva dizem estar
arrependidos de ter votado em Dilma

    Os moradores do município do semiárido maranhense sofrem com o aumento de preços, como na conta de luz, e a ameaça de cortes em programas como o seguro-defeso. Os problemas acentuados pela crise se somam à seca e à pobreza crônica.
    O prefeito, Adalberto Rodrigues, culpa a correligionária Dilma pelo quadro. “Ela que está no comando. A gente não imaginava que a situação ia chegar nesse ponto”, diz. O petista se queixa de que a presidente não reconheceu Belágua por ter sido a cidade que mais deu votos a ela proporcionalmente. “Nunca nos visitou nem fui convocado para uma audiência com ela. A presidente nunca sequer disse o nome de Belágua”, afirma.
    No município, o esgoto corre a céu aberto, a maioria das casas é de barro e o acesso difícil compromete ainda mais o atendimento de saúde à população. Boa parte do caminho é feita em estrada sem asfalto, com areia e rio, que dificultam a locomoção de carros de passeio.
    O índice de desenvolvimento humano de Belágua é um dos piores do Maranhão, que tem o segundo pior IDH do País. Neste ano, o governador do Estado, Flávio Dino (PC do B), criou um plano para superar a “extrema pobreza” dos 30 municípios maranhenses com pior IDH, entre os quais Belágua. O município tem índice de 0,512, sendo que o indicador varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento humano. Dos 217 municípios maranhenses, somente oito têm índice pior do que o de Belágua.
Bolso. Os aposentados Adão Torres da Silva, de 71 anos, e Tereza Rodrigues Xavier da Silva, de 69 anos, que fizeram questão de votar na presidente, afirmam que estão arrependidos da escolha. “Estão nascendo umas coisas erradas que a gente não entende muito bem, mas sentimos no bolso que as coisas estão pior”, diz o aposentado, que trabalha na roça, na produção de farinha de mandioca. Ele diz que conseguia antes vender um saco de 60 quilos de farinha por R$ 100; agora, não acha quem pague R$ 80.
    Do lado das despesas, Tereza reclama do aumento da conta de luz e dos alimentos. “A gente votou nela porque achou que as coisas iam melhorar, mas tudo piorou”, afirma. Evangélica, ela diz que o pastor afirmou que a presidente corre o risco de deixar o cargo antes do fim do mandato, em 2018, por irregularidades que teria cometido.
    “O pastor diz que esse governo não está sendo muito bom para os pobres”, afirma a aposentada. Tereza diz ainda que, agora, tem de aguentar a cobrança da neta Tamires, de 15 anos, “que fica dizendo o tempo todo que tinha dito que não era para votar na presidente”.
Prefeito. A população do município está também decepcionada com o prefeito. Segundo as queixas, ele só aparece no município em alguns dias da semana. No início do mês, a reportagem o procurou ao longo de todo o dia na prefeitura e na casa dele em Belágua. Em vão. Só conseguiu conversar com ele, por telefone, no fim da tarde.
    Rodrigues afirmou que foi no dia anterior à sede da prefeitura e que na quinta-feira estava em visita a municípios vizinhos. “Com o Brasil do jeito que está, é muito fácil o prefeito colocar tudo nas costas dela (Dilma) e não fazer nada”, diz o comerciante Paulo Jorge Alves, de 45 anos.
    Carlos Souza Silva, de 35 anos, foi um dos 230 eleitores que votaram no candidato da oposição, senador Aécio Neves (PSDB-MG), assim como fez o ex-governador do Maranhão José Sarney. “Sabia que tudo ia piorar com a Dilma”, diz o mototaxista, que recebe o seguro-defeso, benefício que só teria direito quem vive da pesca artesanal. “Não sei se com ele seria diferente... Mas se ela ficar aí, vai levar de cinco a seis anos para a situação melhorar”, acredita.
BELÁGUA - Possíveis cortes em benefícios socais, principais fontes de renda de Belágua, deixam preocupados os eleitores de Dilma Rousseff. Mais de 70% da população é beneficiada pelo Bolsa Família. Das 7,2 mil pessoas que vivem no município, 2,1 mil recebem o seguro-defeso, benefício de um salário mínimo, em teoria, pago a pescadores artesanais no período em que a pesca é proibida.
Só em 2015, Belágua recebeu R$ 3,7 milhões do Bolsa Família, valor superior à cota repassada pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM). “Só de falar que vai ter corte no Bolsa Família, o povo fica revoltado”, diz o agricultor Augusto Saminez, de 60 anos. A família dele recebe R$ 154 por mês do benefício. Ele reclama do aumento dos preços dos alimentos. “Antes você comprava um quilo de frango por R$ 7. Agora está R$ 10.”
Belágua não tem empresas. As pessoas trabalham na roça, em pequenos comércios ou para a prefeitura. “As finanças do município estão à beira do caos”, afirma o prefeito Adalberto Rodrigues (PT). Ele critica a suspensão da proibição da pesca pelo governo federal. A medida impede o desembolso do seguro-defeso, benefício pago a pescadores impedidos de ter o sustento pela pesca. Em Belágua, porém, quase 30% da população recebia o benefício, mesmo não vivendo da pesca. O “bolsa pescador” injetou em Belágua, ao todo, R$ 14,4 milhões.
“Aqui não tem ninguém rico. Todo mundo vive da lavoura. A situação é bem precária. Temos os açudes, mas não tem água. Se cortar mesmo o seguro, vamos viver de quê?”, questiona o presidente da associação dos pescadores de Belágua, Fernando Rodrigues Saminez. O governo suspendeu o pagamento do benefício por quatro meses e espera recadastrar os beneficiários. Com a medida, pretende economizar R$ 1,2 bilhão.

'Sem seguro, vamos viver de quê?'
BELÁGUA - Possíveis cortes em benefícios socais, principais fontes de renda de Belágua, deixam preocupados os eleitores de Dilma Rousseff. Mais de 70% da população é beneficiada pelo Bolsa Família. Das 7,2 mil pessoas que vivem no município, 2,1 mil recebem o seguro-defeso, benefício de um salário mínimo, em teoria, pago a pescadores artesanais no período em que a pesca é proibida.
Só em 2015, Belágua recebeu R$ 3,7 milhões do Bolsa Família, valor superior à cota repassada pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM). “Só de falar que vai ter corte no Bolsa Família, o povo fica revoltado”, diz o agricultor Augusto Saminez, de 60 anos. A família dele recebe R$ 154 por mês do benefício. Ele reclama do aumento dos preços dos alimentos. “Antes você comprava um quilo de frango por R$ 7. Agora está R$ 10.”

Belágua não tem empresas. As pessoas trabalham na roça, em pequenos comércios ou para a prefeitura. “As finanças do município estão à beira do caos”, afirma o prefeito Adalberto Rodrigues (PT). Ele critica a suspensão da proibição da pesca pelo governo federal. A medida impede o desembolso do seguro-defeso, benefício pago a pescadores impedidos de ter o sustento pela pesca. Em Belágua, porém, quase 30% da população recebia o benefício, mesmo não vivendo da pesca. O “bolsa pescador” injetou em Belágua, ao todo, R$ 14,4 milhões.

“Aqui não tem ninguém rico. Todo mundo vive da lavoura. A situação é bem precária. Temos os açudes, mas não tem água. Se cortar mesmo o seguro, vamos viver de quê?”, questiona o presidente da associação dos pescadores de Belágua, Fernando Rodrigues Saminez. O governo suspendeu o pagamento do benefício por quatro meses e espera recadastrar os beneficiários. Com a medida, pretende economizar R$ 1,2 bilhão.

FRASE DO DIA

“Temos de ter a paciência para aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional. Estes três anos poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido de que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”
Ricardo Lewnadowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, comentando sobre "golpe institucional".

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Deputados aprovam mudanças eleitorais
Região
Jornal do Commercio: Em meio à comoção França promete destruir EI
Meio Norte: Campeão em fraudes on-line
O Povo: O mundo impotente do terror
Nacional
Correio: França declara guerra ao terror
Folha: Atentados do Estado Islâmico são "ato de guerra', diz França
O Estadão: Hollande diz que atentados são "ato de guerra" do Estado Islâmico
O Globo: Europa declara guerra ao terror
Zero Hora: Medo e dor

sábado, 14 de novembro de 2015

Capa do dia - Jornal do Commercio (PE)


MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: 60 já morreram no trânsito em São Luís este ano
Região
Jornal do Commercio: Paris 13\11\2015
O Povo: O terror volta a Paris
Nacional
Folha: Explosões e tiros coordenados matam ao menos 153 em Paris
O Estadão: Ataques terroristas matam pelo menos 153 e levam pânico a Paris
O Globo: Massacre em Paris
Zero Hora: Ataques deicam mortos e levam terror a Paris

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Francisco Padilha é eleito para área de música do Conselho Nacional de Cultura

   
    O ex-secretário de estado da Cultura do Maranhão, Francisco Padilha (foto), foi eleito nesta quinta-feira, 12, para compor o Conselho Nacional de Cultura como representante da área de música. É a primeira vez que um maranhense é eleito para o Conselho Nacional para a área. 
    O professor Antonio Francisco de Sales Padilha é doutor e mestre em música pelas universidades de Aveiro (Portugal) e Viena (Áustria). Criador dos grupos: Metal & Cia, Big Show Band, Quinteto de Metais do Maranhão e Orquestra de Sopro de São Luís. Lançou dois Cd “Interlúdio para uma Garota Bonita” e “Cidade dos Sonhos” com músicas autorais.
    O músico é autor do Hino de São Bento, além de outras obras para quinteto de metais e Wind Band. Padilha foi diretor da Escola de Música do Estado do Maranhão por 12 anos, Chefe do Departamento de Artes da UFMA por dois mandatos, secretário Adjunto da Cultura por 6 anos e Secretário de Estado da Cultura por 4 anos, Secretário Adjunto da Secretaria de Relações Internacionais e Assessor Especial da Assembléia Legislativa. Ele foi o delegado mais votado para representar a região nordeste da câmara de cultura e posteriormente foi eleito como Conselheiro  da área da música para o Conselho Nacional de Cultura recebendo 66 % dos votos válidos. 

X Semana de Teatro no Maranhão: Programação desta sexta-feira, 13

A AVENTURA DO LOBO
Horário: 16h00

Local: Teatro Arthur Azevedo
Montagem:  Cia Artifice-Mor de Teatro (MA), com Alysson Ericeira, Arison Robert, Carla Purcina, Epa Sidra, Nanda de Oliveira e Tiago Andrade
Indicação: Livre
Duração: 50 min


O QUE TENS A ME DIZER SOBRE O AMOR…
Horário: 17h00
Local: Praça Nauro Machado
Montagem: Companhia Imaginário de Teatro (MA)
Indicação: Livre
Duração: 60 min


NEGRO COSME
Horário: 18h00
Local: Praça Nauro Machado
Montagem: Grupo Cena Aberta (MA)
Indicação: Livre
Duração: 60 min


QUANDO O AMOR É ASSIM E NÃO ASSADO.
Horário: 19h00

Local: Teatro Alcione Nazaré
Montagem: Grupo  Humanitas do Teatro (MA)
Indicação: Livre
Duração: 90 min


ELES E NÓS
Horário: 20h30
Local: Teatro Arthur Azevedo
Montagem: Companhia Nha Caboca (MA)
Indicação: Livre
Duração: 90 min


SHOW MUSICAL
Horário: 21h00
Local: Praça Nauro MachadoShow musical com artistas maranhenses

Políticos do Brasil: No Panorama Político de ILIMAR FRANCO


Jornalismo - Prêmio Esso de jornalismo chega a 60ª edição


FRASE DO DIA

"Não engravidem agora. Esse é o conselho mais sóbrio que pode ser dado"
Do diretor do departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, a mulheres de Pernambuco temendo mais casos de microcefalia no Estado. 

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Aumenta violência contra crianças
Região
Jornal do Commercio: "Não engravidem agora"
O Povo: 11 mortos - A maior chacina da história de Fortaleza
Nacional
Folha: Levy pressiona, e Dilma recua em corte da meta
O Estadão: Com alta do dólar, prejuízo da Petrobras vai a R$ 3,76 bi
O Globo: Procuração mostra que Cunha geria conta Suíça
Zero Hora: Câmbio aumenta prejuízo da Petrobras 

Uma cidade malcuidada - Editorial ( O Estado do Maranhão - edição 12.11.2015)

    É inegável que São Luís é uma bela cidade. Não são apenas sua riqueza cultura e seus prédios históricos que evidenciam os encantos da capital maranhense. A orla é composta por pequenos paraísos, muitos dos quais se tornaram um pouco mais conhecidos após várias reportagens que O Estado publicou durante alguns sábados meses atrás. Dito isso, é fato também que, mesmo uma cidade bonita como São Luís precisa ser bem cuidada para que sua beleza aflore. Mas não é o que tem ocorrido.
    Andar pela capital maranhense é constatar em cada bairro maus tratos não apenas do poder público, mas do próprio ludovicense. Um problema recorrente na cidade é a formação de lixões, que contribuem também para a proliferação de insetos que podem causar doenças. Em suas edições, O Estado sempre tem registrado o surgimento de novos lixões em ruas da capital, tanto que a pauta tornou-se repetitiva. E como o bom jornalismo se alimenta da novidade, o registro do acúmulo de lixo a ermo acaba cedendo espaço para os factuais.
    Isso não quer dizer que o assunto não tenha a importância devida, mas, infelizmente, tornou-se trivial, e essa é uma triste constatação. Em um período no qual discussões sobre sustentabilidade e assuntos como reciclagem começam a ganhar força, é um contrassenso pensar que em uma cidade como São Luís a população ainda não se preocupa com o descarte correto do lixo. Sim, a população e não apenas o poder público.
    É bem verdade que não existem políticas públicas voltadas para a questão do lixo, que São Luís não possui ainda um plano de resíduos sólidos e que a reciclagem resume-se apenas a ações pontuais. Além disso, a coleta ainda é ineficiente e a disposição de lixeiras é precária. Ou seja, a limpeza pública da cidade ainda deixa a desejar. Mesmo assim, não são poucos os flagrantes de entulho de lixo ao lado de um contêiner, que deveria servir como o destino correto para o que não tem mais utilidade. E o que dizer de quem não tem a paciência de separar o seu lixo e aguardar para que seja levado no dia da coleta, antes de ceder ao impulso de jogá-lo na calçada da frente ou lançá-lo no terreno baldio próximo de casa como se ele não fosse mais problema seu? Mas ele é.
    É preciso tocar nesse tema: falta consciência para o ludovicense de que ele precisa fazer a sua parte, até mesmo para cobrar do poder público. Falta educação, consciência ecológica, responsabilidade, preocupação com a cidade. Falta também começar a repensar a quantidade de lixo que é produzida todos os dias. Será mesmo que tudo o que é jogado fora é lixo?
    E antes que muita gente pense que esta realidade de descartar resíduos equivocadamente está ligada necessariamente a condições econômicas e sociais, muitas vezes o lixo é lançado através das janelas de carros de luxo. Por vezes, são pessoas de posses as proprietárias dos terrenos baldios - muitos dos quais não murados - que servem de depósito de lixo. Em alguns casos, não querem se dar ao trabalho de descartar corretamente o entulho das obras de seus empreendimentos e preferem contratar alguém para dar um “jeitinho” a fazer o correto.
    São Luís é uma cidade de muitos encantos, mas ainda maltratada por seus habitantes. Portanto, antes de apontar o dedo para o seu vizinho, faça uma pergunta a si mesmo: o que você faz com o lixo que produz?

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

X Semana de Teatro no Maranhão - Programação desta quinta,12

Cecília e os 40 Fantasmas
Horário:9h30
Local: Teatro Arthur Azevedo
Montagem: Coletivo Respeite minha cidade
Indicação: Livre
Duração: 60 min

Leitura Dramática “A Bicicleta do Condenado”
Horário: 16h
Onde: Teatro Arthur Azevedo
Com a atriz Cláudia Cabral (MA)
Indicação: 
12 anos
Duração: 60 min


Ofélia
Horário:17h
Local: Casa do Maranhão
Montagem: grupo Coletivo Ta-Hí/MA
Indicação: 12 anos
Duração: 60 min


Núpcias
Horário: 18h00
Local: Espaço Angelus Novus
Montagem: Atmosfera / 
Nua (MA)

Indicação: 14 anos
Duração: 70 min

Enquanto Shakespeare não vem
Horário:19h
Local: Teatro Alcione Nazaré
Montagem: Grupo Cordão de Teatro (MA)
Indicação:16 anos
Duração: 90 min



Velhos Caem do Céu como Canivete
Horário: 20h30
Local: Sede da Pequena Companhia de Teatro (Rua do Giz, 259-Praia Grande)
Montagem: Pequena Companhia de Teatro 
Indicação: 14 anos
Duração: 70 min


Enquanto Shakespeare não vem
Horário: 19h00
Local: Teatro Alcione Nazaré
Montagem: Grupo Cordão de Teatro (MA).
Indicação: 16 anos
Duração: 90 min

As 10 coisas que meu pai deveria ter ouido antes de ter ido para guerra
Horário: 20h30
Local: Teatro Arthur Azevedo
Montagem: Companhia DRAO (MA)
Indicação: 12 anos
Duração: 90 min


Ingressos: Entrada Franca com retirada de ingressos bilheteria a partir das 14h


MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: 13º salário injetará R$ 2,36 bilhões na economia estadual
Região
Jornal do Commercio: Casos de microcefalia deixa País em alerta
Meio Norte:  Luís Correa - Exército asumirá porto
O Povo: 13º salário vai injetar R$ 4,2 bi na economia do Ceará
Nacional
Correio: Crise microcefalia faz país decretar emergência
Folha: Papeis contradizem Cunha sobre conta na Suíça
O Estadão: Abandonado pelo PSDB, Cunha recebe apoio de 13 partidos
O Globo: Microcefalia leva país a decretar emergênci
Zero Hora: Perda de apoios abala estratégias de Cunha

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

"A Paz que Eu Não Quero" - Caetano Veloso

Chegar a Tel Aviv vindo da Europa é como voltar ao Brasil. A cidade tem o aspecto de uma das nossas capitais nordestinas, e o seu povo, o ar altivamente desencanado do carioca.
Desde a primeira vez que fui a Israel, o contraste da capital do país com as cidades europeias, expresso na arquitetura moderna indefinida e no jeito sensual de seus habitantes, me conquistou. Senti imediata familiaridade com a cidade praieira e ensolarada no verão mediterrâneo. Essa identificação me deixava totalmente vulnerável à força histórica que a cada passo eu era convidado a encarar. A consciência de que estávamos na Terra Santa, as marcas da fundação do país depois da Segunda Guerra Mundial, as experiências socialistas dos kibutzim, o renascimento do hebraico falado, a tensão da ameaça permanente de ataques de homens-bomba.
Voltei a Israel umas poucas vezes, com um intervalo muito maior entre a penúltima e essa de agora do que entre as anteriores. A primeira foi nos anos 1980. Nessa última, senti diferença desde a saída da França: nada das revistas minuciosas nem da separação em salas especiais dos passageiros que iam para lá. E, no aeroporto Ben Gurion, nem de longe houve a acolhida nervosa das primeiras visitas. Tel Aviv nos recebeu sem caras desconfiadas e, já nas ruas, sem os outrora indefectíveis (e, apesar de tudo, charmosos) soldados, dos dois sexos, cuidando de cada esquina. Essa ausência de sinais de defesa crispada fazia a cidade parecer-se mais com uma Fortaleza habitada por cariocas do que parecera anos antes. A sensação de estar "em casa" foi mais forte e comovente do que nunca.
Era difícil reconhecer que essa paz refletia o maior poder adquirido pelo Estado de Israel, sua certeza de que a cúpula de proteção construída por sua defesa está firme. Será, como diz Marcelo Yuka, a paz que não quero?
Essa pergunta não surgia facilmente em minha cabeça na noite de minha chegada. No dia seguinte, no entanto, ela não me abandonava. Acordei o mais cedo que pude para não me atrasar para o encontro com um grupo de israelenses críticos da política oficial, o Breaking the Silence, que me fora indicado por Jorge Drexler quando da apresentação do show com Gil em Madri. Drexler ouviu quão interessado eu estava em ver o que se passa na Cisjordânia e, filho de pai judeu, não só me deu dicas como prometeu pôr-me em contato com membros do movimento.
Dessa conversa em Madri surgiu o plano de uma visita guiada a partes da Cisjordânia onde se pudesse sentir o peso da ocupação israelense. Contei a Gil e ele disse que queria ir junto. Fomos todos, nós dois e as duas equipes de produção. Na van espaçosa, conduzida por um palestino, íamos nós mais o jornalista uruguaio Quique Kierszenbaum e Yehuda Shaul, o guia.
Yehuda falava com muita clareza, num inglês fluente de israelense filho de pais anglófonos. Disse ter crescido numa família conservadora. Fora soldado do Exército de Israel, um veterano da ocupação de territórios palestinos. Depois de vivenciar muitas situações de opressão, segregação e cotidianas monstruosidades, não pôde mais seguir vivendo sem denunciá-las e sem se opor publicamente a elas. Juntou-se a alguns colegas e com eles iniciou o movimento de permanente protesto. Ele chamou a atenção para o quipá que usa, disse-se judeu religioso e, à medida que a van começava a varar desertos, narrou atrocidades e explicou a situação geográfica e histórica da violência de seu país contra as populações da margem ocidental do rio Jordão.
Respondendo a uma pergunta de um dos nossos sobre como via a reação anti-Israel de outros grupos de muçulmanos, além da resistência palestina, Yehuda disse que continua disposto a matar e morrer por sua pátria, sempre que esta seja ameaçada por fanáticos que não admitam sua existência, mas que não aceita a ocupação de territórios palestinos porque ela "não é kosher". Comparou a ocupação a um câncer que matará o Estado de Israel se não for extirpado a tempo.
Alguns apoiadores do BDS, movimento internacional de boicote a Israel, tinham nos procurado, a Gil e a mim, na tentativa de dissuadir-nos de ir a Tel Aviv. Pelo que ouvi da boca de Yehuda –e de Nasser, o palestino de Susiya que por ele nos foi apresentado– todas as queixas dos participantes do BDS são fundadas. O que os radicais desse movimento dizem sobre o Breaking the Silence é que este, embora crítico do governo de Israel, permanece sionista. O que Yehuda diz é que os do BDS, embora protestem contra o que ele próprio odeia, têm como pano de fundo a erradicação do Estado de Israel. O único comunicado que Gil e eu recebemos que sugere tal coisa foi o do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Eis uma amostra do tom do documento: "Nossa luta é por justiça, liberdade e igualdade. Nosso sindicato se soma ao movimento BDS por entender que esta é uma importante ferramenta pelo fim do Estado de Israel". Izhar Patkin, um artista plástico israelense, me disse, em Tel Aviv, que acha boa a existência de qualquer um desses movimentos: eles fazem o barulho que a questão merece, gritam para o mundo o que ele já ouvia nos discursos de Yeshayahu Leibowitz há muitos anos.
COLETIVA
Antes de sairmos do Brasil, fui procurado por um cidadão israelense de origem brasileira, chamado Davi Windholz. Ele lera anúncio de nossa ida a Tel Aviv em minha página do Facebook e procurou entrar em contato via e-mail. Dirige uma escola para crianças palestinas e judias, posiciona-se à esquerda do establishment político, e queria marcar um encontro nosso com estudantes e grupos dissonantes da política oficial do país. Depois que já estávamos na Europa –na verdade já às vésperas de ir para Israel– chegou-nos um e-mail do promotor local propondo que déssemos uma entrevista coletiva à imprensa na Fundação Shimon Peres.
Eu, já interessado nas propostas de Drexler e de Windholz, não estava inclinado a aceitar o que o promotor propunha. Consultei Windholz por e-mail. Ele respondeu que Peres "é mainstream". E concluiu: "Certamente tentarão usar vocês a favor de Israel, mas vocês saberão driblá-los".
No entanto Gil, que, quando era ministro da Cultura, já tinha tido um encontro marcado com Peres que não se concretizou, decidiu-se pela aceitação da coletiva no prédio da fundação do ex-premiê, ex-ministro da Defesa e prêmio Nobel. Peres tinha sido o companheiro de Yitzhak Rabin (1922-95) nas mais avançadas tentativas de negociação com os palestinos, interrompidas pelo assassinato de Rabin por um jovem israelense fanático. Combinamos, então, que uma reunião com Windholz se seguiria à coletiva com Peres.
Mas a ida à Cisjordânia precedeu tudo isso. Na coletiva, a única pergunta realmente pertinente nos foi feita pelo jornalista brasileiro Rodrigo Alvarez, correspondente local da TV Globo. A ele pude responder que tinha ido a Susiya, levado por um ex-soldado do Exército israelense, e que isso tinha me abalado. A menção a Susiya (que estava nas manchetes dos jornais de todo o mundo por estar sofrendo agressões do Exército israelense, o que gerou comentário pouco amigável a Israel feito por um membro do Departamento de Estado americano) provocou um silêncio incômodo na sala.
O fato é que me senti triste nesses momentos na Fundação Shimon Peres. Saímos dali e fomos para a sala de recepções do hotel onde estávamos hospedados e lá encontramos Davi Windholz com sua turma de críticos das políticas israelenses. Lá estavam um grupo de mulheres judias e árabes que jejuariam por 50 dias em protesto contra os ataques a Gaza, que em julho faziam um ano; o músico David Broza; e uma plateia de pessoas (sobretudo jovens) que aplaudiram fortemente ao apenas ouvirem a palavra Susiya –o que contrastava com o silêncio incômodo dos presentes à coletiva na Casa Shimon Peres. E ovacionaram as palavras "parem a ocupação, parem a segregação, parem a opressão", que finalizaram minha narrativa da ida à Cisjordânia.
CARTAS
Desde as cartas que nos enviaram Roger Waters e Desmond Tutu –e as visitas de dois jovens brasileiros também ligados ao BDS– comecei a procurar mais e mais coisas para ler sobre a questão israelo-palestina. Eu estava ainda fazendo apresentações do show "Abraçaço" e precisava usar o tempo restante em ensaios com Gil que permitissem a criação de um espetáculo minimamente profissional. Mas achava tempo para ler e ver vídeos. Com a carta de Windholz, redobrei as pesquisas.
Ao voltar ao Brasil, recebi e-mails com atualizações do Breaking the Silence. Numa das mensagens estava anexado um vídeo em que Nasser, o palestino com quem conversamos em Susiya, era surrado com pedaços de pau por jovens israelenses moradores de um assentamento.
É uma imagem brutal. Soldados do Exército de Israel assistem à cena impassíveis. Agora que uma terceira intifada se esboça –e que Netanyahu se vê isolado não só pela oposição mas também por correligionários que o acusam de não conseguir proteger Israel– constato, de longe, que a paz que eu julgava ver dentro de Tel Aviv –e que começava a pensar ser a paz que eu não quero– era, como no entanto eu sabia o tempo todo, frágil, superficial e ilusória.
GAROTOS
Antes da viagem, eu tinha dito a Pedro Charbel e a Iara Haazs, os jovens do BDS com quem conversamos, que eu tinha sempre gostado tanto de Israel que me sentia como um israelense que se opõe às políticas de Estado do seu país. Iara é, ela mesma, israelense (judia brasileira criada em Israel), mas mesmo ela não se sentia à vontade com essa minha colocação. São garotos militantes, o que pode dar em formas altivas de intolerância.
Um amigo deles, Gabriel, estava em Susiya no dia em que fomos lá. Esquivo e de olhar inquisidor, exibia silenciosa impaciência com a sutileza de nossa situação de visitantes: eles nos queriam na luta clara dos que boicotam Israel e deploravam qualquer nuança, qualquer sugestão de complexidade. Eu quero a paz que se mostra desde sempre impossível. Mas agora eu a quero sentindo-me muito mais próximo dos palestinos do que jamais me imaginei –e muito mais longe de Israel do que suporia meu coração há apenas pouco mais de um ano. E quero que Gabriel, Iara e Pedro saibam disso.
Ao sair do Brasil, escrevi e-mail a Hany Abu-Assad, o grande cineasta palestino que nos deu "Paradise Now", avisando da nossa ida e contando sobre a pressão que sofremos por parte do BDS. Ele respondeu que ficaria contente de poder nos ver: o tempo que passou no Rio lhe parecera um dos melhores de sua vida. Mas que preferiria que atendêssemos às exigências do BDS: "São meus amigos", ele disse. No entanto afirmou que, se fôssemos assim mesmo, ele iria assistir ao show. Quando afinal fomos, ele mandou e-mail dizendo que já não poderia comparecer: estaria na Europa finalizando um novo filme. É um homem que, quando, em Salvador, lhe perguntei se era religioso, respondeu: "Nunca fui, não tenho fé, mas hoje me considero religioso muçulmano por razões políticas".
Antes de entrar no palco em Tel Aviv, pensei em dedicar o show a Hany. Pensei também em reiterar a homenagem à memória de Franklin Dario, o judeu pernambucano que compôs "Ana Vai Embora". Mas no palco, ao lado de Gil, diante da imensa plateia, decidi que deixaria o show falar por si mesmo. Na van em que fomos a Susiya, eu tinha perguntado a Yehuda o que ele acharia se eu gritasse "Break the Silence" durante o show. Ele ficou mudo por uns momentos e finalmente respondeu: "Não sei. Pode ser interessante; eu gostaria de saber como o público reagiria". Na hora, fazendo grande esforço interno, optei por total silêncio político.
SEGREGAÇÃO
A lembrança da canção do Rappa veio habitada por cenas da segregação informal (e não poucas vezes formalizada "ad hoc") que se exerce no Brasil. Quem estava vendo aquele acampamento palestino com bandeiras elevando-se acima das moradias provisórias era um grupo de brasileiros, capaz de achar a cena parecida com um assentamento do MST.
Três filhas de Nasser, duas ainda crianças, uma na puberdade (o que a levava a ter de usar véu) brincavam ao redor. Eu precisava ir ao banheiro e perguntei a Paulinha Lavigne o que fazer. Ela já estava muito mais enturmada com as meninas do que me seria possível calcular. Sem que houvesse nenhuma língua em que pudessem se comunicar com as palestinazinhas, as mulheres do nosso grupo já tinham conseguido dialogar com elas, que eram bonitas e sorridentes. Fui orientado a um banheiro isolado no relento. Gabriel, o jovem ligado ao BDS, contribuiu na indicação do caminho até lá.
Nasser tinha saído de carro para resolver alguma coisa não longe dali e, ao voltar, reuniu-se conosco sob uma tenda. Narrou as cenas de destruição de habitações pelo Exército de Israel e explicou os casuísmos legais usados pelo Poder Judiciário para a continuidade da violência da ocupação.
As favelas brasileiras ocupadas me vinham à mente. Eu não queria fazer um reducionismo político e usar um esquema único para avaliar questões brasileiras à luz da situação palestina, mas as imagens de fracassos pontuais das UPPs no Rio (não apenas o caso Amarildo) vinham à cabeça. Nós, os visitantes, não éramos estranhos às desumanidades que testemunhávamos no Oriente Médio. Era impossível não fazer paralelo com situações que vivemos no Brasil.
LOUCURA
Na internet vi discurso de um filho de general judeu, herói da Guerra dos Seis Dias, cheio da mais violenta oposição não só à política israelense mas à própria existência de Israel, fundando sua argumentação não naquela guerra mas na Nakba, a catástrofe que foi, para os árabes da Palestina, a fundação do Estado judeu. Vi uma mulher que dizia que não é razoável trocar paz por terra: troca-se paz por paz, ela repetia, querendo dizer um não às teses de acabar com a ocupação e os assentamentos. Vi muita loucura de ambos os lados.
Vi um desenho animado que expressava a proposta de dois Estados num único território ("2 States, 1 Homeland"), em que se sugere que toda a extensão que vai do Jordão ao Mediterrâneo seja compartilhada por árabes e judeus igualmente, cada grupo com seu governo. Há muitos israelenses conservadores dizendo que isso significaria afogar a população judia na imensa multidão árabe. Mesmo assim, é essa hipótese que Davi Windholz anuncia vir defender em palestras aqui no Brasil.
Mas o mestre que falou em judeo-nazismo, Yeshayahu Leibowitz (1903-94), um cientista que era também religioso, ao bradar contra o ministro da Suprema Corte israelense que tinha tornado legal a tortura de indivíduos árabes para fazê-los falar e, assim, manter Israel protegido, me impressionou mais do que todos.
Leibowitz não apenas foi um religioso que defendeu a separação entre religião e Estado e se antecipou aos inimigos de Israel ao detectar aspectos nazistas na política do país mas também, mantendo-se sionista, opôs-se violentamente à Guerra dos Seis Dias e, mais ainda, à invasão do Líbano. Foi também pioneiro em fazer o paralelo Israel/África do Sul. Eu teria dedicado nosso show à sua memória.
Gosto de Israel fisicamente. Tel Aviv é um lugar meu, de que tenho saudade, quase como tenho da Bahia. Mas acho que nunca mais voltarei lá.
CAETANO VELOSO, 73, é músico, compositor e autor de, entre outros, "O Mundo Não É Chato" (Companhia das Letras).