quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

SHOW DA VIRADA - Mirem-se no espelho da Bahia

O cachê dos artistas e a cárie das criancinhas
Malu Fontes*
Eis a polêmica da vez: Caetano e Gil vão receber, cada um, R$ 600 mil de cachê para cantar no Réveillon de Salvador. A divulgação do valor deixou de ser apenas um dado da festa, já que a opinião pública obedece, previsivelmente, a um roteiro bifurcado. Parte dela vê em tudo uma comédia, parte vê uma tragédia. Quando Salvador tem um Réveillon sem atrações musicais de peso nacional, é um chororô geral. O complexo de vira-lata aflora e em qualquer buteco o que nunca falta é gente desolada comparando a decadência da cidade com as festanças do Rio, de São Paulo, de Fortaleza.


Aí, quando se anuncia vários artistas e entre eles os diletos filhos da terra cantando na cidade, é um deus nos acuda pelo avesso. Como pode um cachê de 600 mil? Pelas críticas, não se sabe direito quem até agora está encarnando melhor o papel de diabo nas redes sociais: se os próprios artistas, esses desalmados que não cantam de graça para o seu povo; se a iniciativa privada, que patrocina cachês milionários para fazer o povo beber cerveja até não diferenciar se quem tá no palco é Caetano ou Pablo, do Arrocha, em vez de patrocinar projetos sociais; se o poder público, que deveria investir no bem-estar do povo e, no Réveillon, num estalar de dedos, transformar Salvador em Celebration, a cidade perfeitinha da Flórida (EUA), onde Silvio Santos mora quando não está no Brasil e onde, of course, não há problema de saúde, educação, segurança e infraestrutura. Ou se o diabo é mesmo é o povo, pois, como diria certo comentarista esportivo, “haja o que hajar”, nunca tá satisfeito.

A notícia sobre o valor do cachê de Gil e Caetano transformou-se num fla-flu. E olha que ainda não se falou no de Gal, Daniela, etc. Para apimentar mais a história, há os detalhes. Flora, mulher de Gil, é a organizadora oficial da festa, e Roberto Carlos, o rei, enfezado com o desgaste em sua imagem por ter aparecido associado aos dois baianos na natimorta Procure Saber (entidade criada para impedir que biografias fossem publicadas sem autorização prévia do biografado), fez mimimi e desistiu de integrar o elenco de estrelas na virada de ano em Salvador. A imprensa carioca anunciou que ele não viria porque, para além do clima de poucos amigos com a turma de Caetano e Gil, também não queria arranhar sua fama de moço íntegro participando de evento em cujo financiamento houvesse recursos públicos. Foi a deixa. Enquanto trocentos berram nas time lines que os patrocinadores estão pagando tudo, outros citam o argumento de Roberto para dizer que, fosse assim, o rei teria aceitado o convite. Segundo a imprensa, esses são os valores das quatro noites de festa: R$ 6,4 milhões, sendo R$ 2,2 para cachês, tudo pago pelos patrocinadores. A prefeitura e o estado entrariam com R$ 1,5 milhão, cada, em estrutura.

No confronto de torcidas de ataque e louvação aos dois baianos, há os aspectos ignorados quando se trata de festas populares patrocinadas, no todo ou em parte, por empresas privadas e estreladas por ídolos nacionais ou internacionais. O Réveillon do Rio é tão lindo quanto milionário, incluindo cachês. Quem canta lá de graça? Insinua-se aqui e ali que Gil e Caetano cobram para cantar aqui porque não amam suficientemente a Bahia. De amor alheio entendo lhufas. Já da indústria do entretenimento, o suficiente. Já a segunda falação não convence nem anencéfalo: esse dinheiro deveria ir para a população, saúde, educação. Então tá.

Alguém aí acredita mesmo que, em algum tempo, em algum lugar, empresas que patrocinam artistas para que, assim, suas marcas sejam consumidas pelo povo, vão deixar de contratá-los para investir no tratamento da cárie das criancinhas?
* Malu Fontes  é jornalista e professora de Jornalismo da Ufba.

Codevasf atrasa obra do Ministério da Intregação Nacional no Maranhão por quase um ano


     Iniciada em 20 de novembro do ano passado, a obra de reforma e adequação à acessibilidade e mobilidade nas instalações da sede da 8ª Superintendência regional da Codevasf, Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba, em São Luís (Maranhão)  integra o calendário de atrasos do governo federal no Estado.
    De acordo com o contrato (Nº 07.020.00.2012) a conclusão da reforma deveria acontecer no prazo de 90 dias. A MR Construtora e Serviços Ltda executa a obra cujo valor inicial era de R$ 495 mil.O prédio está localizado ao lado do único parque público da cidade, na rua Alexandre Moura.

    A Codevasf é vinculada ao Ministério da Integração Nacional, cota do PMDB. A companhia mantém oito superintendências regionais em sete dos nove estados do Nordeste (de fora apenas o Ceará e o Rio Grande do Norte) e mais Minas Gerais. No Maranhão, o superintendente é João Batista Martins. A partir de 14 de janeiro de 2010, a companhia passou a atuar nos vales dos rios Itapecuru e Mearim.
    Enquanto as obras na sede seguem no compasso de cágado, o órgão incluiu no orçamento soma referente ao pagamento de aluguel em uma das áreas mais nobres de São Luís, na avenida dos Holandeses.

Na Coluna da MÔNICA BERGAMO

PODE ENTRAR
O Ministério do Turismo vai pressionar hotéis e atrativos turísticos a se tornarem acessíveis a pessoas com deficiência e dificuldade de locomoção. Uma campanha inclui a criação de aplicativo de celular em que usuários poderão avaliar a acessibilidade de 51 mil estabelecimentos. Os mais elogiados serão premiados --e os campeões de reclamação vão receber um alerta para se adaptar.

PODE ENTRAR 2
Com o lema "Um Brasil onde todos podem viajar", a campanha Turismo Acessível terá anúncios para sensibilizar empresários e administradores públicos. A iniciativa é parceria com a Secretaria de Direitos Humanos e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência --que somam 45 milhões em todo o país.

PODE ENTRAR 3
"Estamos muito atrasados em relação à acessibilidade", diz o ministro do Turismo, Gastão Vieira. Ele cita como exemplo a Itália, que aumentou o número de visitantes, segundo ele, após melhorar as condições de circulaçã

O Brasil nas ruas - EDITORIAL ZERO HORA



Quem nos representa no Brasil, sejamos nós jovens ou nem tanto, crianças ou idosos? Desde junho último, quando brasileiros começaram a ocupar as ruas, contagiados pela força da juventude, ficou claro que não são mais os políticos tradicionais, ou pelo menos não apenas eles, nem outros clássicos porta-vozes. Mobilizados basicamente pelas redes sociais, com hashtags como #VemPraRua, #OGiganteAcordou e #MudaBrasil, os manifestantes recorreram a contrastantes pedaços de cartolina, rabiscados à mão, para alardear essas mensagens relevantes. “Tem tanta coisa errada que não cabe em um cartaz”, resumia um dos pôsteres. Por trás da máscara do personagem Guy Fawkes, de V de Vingança, porém, entre as boas intenções dos manifestantes de maneira geral e excessos de grupos como os black blocs, o recado foi dado. O país pode não ter despertado de vez, nem ter se transformado como sonhavam os ativistas, mas já não é o mesmo.



Motivados inicialmente pelo alto custo e a baixa qualidade do transporte público, os protestos deixaram grafados desde o início: “Não é por 20 centavos, é pelo meu futuro”. Em seguida, miraram os investimentos da Copa, com a ressalva: “Não é contra a Seleção, é contra a corrupção”. Em outras mensagens escritas, os manifestantes passaram a exigir “Saúde padrão Fifa”, a ironizar que “Ia ixcrever augu legau mais faltô edukssão”, a pedir segurança com frases do tipo “Por favor, não me bata! Proteja-me”, a alertar a classe política de que “Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil”. Diante de apelos transcritos também em pôsteres com referências a clássicos da música brasileira como “Brasil, mostra tua cara” e “O dia vai raiar, sem lhe pedir licença”, dirigentes brasileiros dispuseram-se finalmente a ouvir mais a voz das ruas, a discursar e a ostentar menos, a mudar a agenda, a fazer diferente, a reconhecer erros.


Em muitas capitais, a tarifa de ônibus urbano diminuiu, mas a discussão não se limitou aos 20 centavos: hoje, a mobilidade urbana é tema central, o espaço público entrou na pauta da sociedade e a bicicleta se firma como símbolo da mudança. O Planalto se deu conta da gravidade do estado da saúde pública. Mas, por enquanto, as mudanças são percebidas mais por meio de iniciativas polêmicas, como o Mais Médicos, enquanto persiste o medo nas ruas e os professores continuam longe de ter “o salário de um deputado e o prestígio de um jogador de futebol”. O Congresso preocupou-se em impor mais rigor a crimes envolvendo corrupção, tornou suas votações mais transparentes em alguns casos, facilitando o acompanhamento por parte dos cidadãos. Continua, porém, devendo uma reforma política ampla. Ampla o suficiente para levar os eleitores a recuperar a confiança perdida em seus representantes escolhidos pelo voto.


A exemplo de outros movimentos disseminados pelo mesmo processo de “propagação viral” como a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street e os Indignados, na Espanha, o nosso não conseguiu tornar reais todos os desejos manifestados nos cartazes. Depois de junho de 2013, porém, o relacionamento entre instituições públicas e privadas com seus públicos, nelas incluídas a própria mídia, nunca mais será o mesmo. O legado das manifestações populares terá mais consistência se contribuir para reforçar a cidadania e a ética entre os brasileiros.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Multas por uso ilegal de fumê sobem 157% em SL
Região
Meio-Norte:Prática de intervenção muda educação no PI
O Povo:Chuvas começam a aumentar volume dos açudes
Nacional
Brasil Econômico: O nó da telefonia é o mau atendimento
Correio:O cartão estourou? Saiba como equilibrar as contas
Estadão:Produtividade tem de subir 3% para País crescer 4%
Folha:Após acordo, OGX, de Eike, é entregue a credores
Globo:Tribunais deixam plano de punir corrupção pela metade
Zero Hora:O fato novo nas estradas

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Banco do Brasil desrespeita clientes em São Luís do Maranhão

   

    No Maranhão até as instituições financeiras tratam com desrespeito seus mantenedores. Na véspera do Natal, na agência central do Banco do Brasil em São Luís correntistas serpenteavam uma fila quilométrica no interior do prédio da Praça Deodoro. Tudo por conta da insuficiência de caixas eletrônicos. Das 15 máquinas de uma bateria na agência, sete ofereciam apenas a opção consulta aos clientes do BB.

    Para evitar tumulto e manter os clientes na condição bovina, um segurança da CEFOR espreitava qualquer esboço de insatisfação com a mão posta na arma de fogo. Complementando o desrespeito, algumas das máquinas desponibilizavam apenas notas de dez reais para saque. Procurados pelo público para dar alguma satisfação, os funcionários do banco público que obteve o maior lucro em 2013, informavam que os caixas seriam abastecidos ainda durante o dia.

    Segundo informavam alguns clientes na Cidade Operária, bairro para onde convergem clientes de ao menos 20 bairros da região, no domingo antes do Natal a opção saque esteve indisponível durante todo o dia. 

Campanha - Ministério do Turismo estimular brasileiro a viajar pelo Brasil

    O Ministério do Turismo cria campanha para estimular o brasileiro a viajar pelo próprio país. O filme estreia hoje no intervalo do Jornal Nacional.
    Com o conceito “você vive num país perfeito para viajar”, a propaganda apresenta ao telespectador opções para os diferentes públicos. A ideia é aproveitar o verão para fomentar, por meio de filmes de 60” e 30”, veiculados em TV aberta e fechada em todo o Brasil, o turismo interno.
Veja o vídeo:

As entranhas do bolsismo - ZANDER NAVARRO


    Em viagem de pesquisa visitei áreas rurais na divisa do Maranhão com o Pará. Muitos pequenos povoados com centenas de motos cruzando as estradas da região. Inúmeros sinais de continuidade do atraso histórico, mas iguais evidências, ainda embrionárias, de algum dinamismo social.

    Em sua casa de barro, conversei com um jovem agricultor. Recém-casado e com um filho de 6 meses, ele cultiva uma pequena roça com mandioca, praticando a "agricultura no toco", que significa o desmate de uma área de mata original e o plantio após a queimada dos remanescentes florestais. Só vende a farinha se precisar de dinheiro, pois recebe uma bolsa do programa Mais Educação. E o que faz? "Sou professor de agroecologia", diz com certo orgulho. Ele explica que se trata de ensinar a preparação de "canteiros sustentáveis, plantar horta sem venenos", adiantando, contudo, que não foi treinado e, por isso, não sabe "ainda o que é agroecologia". Trabalha um dia por semana na escola da comunidade e recebe R$ 600 mensais.
    Em outra comunidade rural, o líder que organizou o levantamento dos interessados locais no programa Minha Casa, Minha Vida afirma que serão oferecidos empréstimos de R$ 35 mil, mas cada família pagará apenas R$ 1 mil, divididos em quatro anos, indicando um subsídio de 97% nas futuras moradias. A dele é uma modesta casa de chão batido e seus olhos brilham ante a perspectiva de mudança. Fazia pouco tempo que esse agricultor assistira a uma conferência em Belém, destinada a representantes comunitários do programa, durante a qual foi escolhido para participar da conferência nacional, em Brasília. Não conhece nada além do Pará e a chance da viagem também alegra o líder da comunidade.
    Já em Salvador, uma candidata a empregada doméstica foi entrevistada na casa da senhora contratante. Acertados o salário e os horários de trabalho, ela impôs uma inesperada exigência: não queria ter a Carteira de Trabalho assinada. Diante da surpresa, explicou que se for assim perderá o "auxílio-pesca" que recebe há quase dez anos. "Mas você é pescadora?" Ela riu e disse que nunca fez isso, mas em seu município de origem todos recebem o benefício federal, mesmo não sendo pescadores. Mora com o marido na capital, mas mantém o endereço anterior para continuar beneficiária. Pretendem se mudar para a cidade de Conde, pois lá ofereceriam adicionalmente uma cesta básica por mês.


    No outro lado do País, diversos resultados de estudos realizados nas reservas extrativistas do Acre demonstram processos sociais similares, notavelmente adaptados ao sistema de bolsas e auxílios oferecidos pelo governo federal desde 2003. Na famosa Reserva Extrativista Chico Mendes, a principal atividade atualmente não é o extrativismo, mas a pecuária de corte, de fato proibida pelas normas do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Nem por isso, no entanto, muitos deixam de receber a Bolsa Verde. Aliás, por essa razão, em outra reserva, no Alto Juruá, o líder da comunidade afirma: "O que mais se produz aqui é menino, pois é o que rende mais" - em referência ao recebimento de Bolsa Família e outros benefícios, como a bolsa que a mãe poderá pleitear do Programa Brasil Carinhoso.

    Finalmente, fruto de pesquisas em diversas regiões, é iluminada a preocupante associação entre a multiplicação das bolsas e a redução da atividade agrícola. Repete-se, em alguma medida, o que foi verificado na década de 1990, quando a disseminação das aposentadorias rurais após a regulamentação da Constituição permitiu a inúmeras famílias rurais pobres trocar parcialmente a incerteza da produção pelo recebimento monetário certo e mensal desse direito. Em consequência, diminuiu a oferta de produtos agrícolas, sobretudo nas regiões rurais mais empobrecidas.
    São ilustrações do bolsismo. Quais os seus reais impactos na sociedade brasileira, além da simplória propaganda governamental? É um debate sinuoso e desafiador, pois facilmente polariza, de um lado, a defesa intransigente e usualmente irrefletida, quase sempre partidarizada, e, de outro lado, as opostas posições, até reacionárias, que não aceitam sequer a compaixão social pelos mais pobres. Mas é preciso aprofundar a discussão, escapando desse diálogo de surdos e examinando com mais ciência e distanciamento analítico o gigantesco sistema de auxílios, bolsas e benefícios criado e as suas implicações mais variadas.
    Esgotada a meta inicial do bolsismo, que era o aumento da renda dos menos favorecidos, qual será o passo seguinte? No caso das famílias rurais pobres, por exemplo, o conservadorismo do imaginário social poderá acentuar o que julga ser a inata indolência desses grupos sociais, visão já consagrada por alguns escritores no passado. Raramente se observa, contudo, que as escolhas das famílias rurais refletem um sábio cálculo econômico que pondera a exaustão da atividade e os recursos disponíveis, uma equação que um economista agrícola russo, Alexander Chayanov, desvendou quase cem anos atrás em diversos trabalhos.
    Não são aceitáveis a superficialidade e as frases de falastrões, ao chegarmos aos dez anos do Programa Bolsa Família. Também é inconcebível tudo ser feito apenas para manter a estreita correlação entre a distribuição das bolsas e o apoio político ao partido no poder. Precisamos ultrapassar esse rebaixamento de cunho eleitoreiro e analisar o sistema de proteção social brasileiro com mais transparência, refinamento e visão de nação. Trata-se de uma vasta estrutura de assistência a que quase ninguém mais se opõe, mas precisa ser aperfeiçoada e transformada numa alavanca pública para promover a prosperidade geral. Manter o sistema de bolsas, que apenas se amplia, sem nenhuma estratégia, especialmente para garantir votos, desqualifica nossos esforços para construir a emancipação cidadã e estimular o desenvolvimento social do País.
De O Estadão

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
Jornal Pequeno:Chefões o crime estupram mulheres de dententos na penitenciária de Pedrinhas
O Estado do MA:Dilma se reaproxima de aliados no Congresso
O Imparcial: Apelo natalino
Região
Jornal do Commercio:Festa de fé e solidariedade
Meio-Norte:Lei Anticorrupção já vale em janeiro de 2014
O Povo:Histórias de quem faz o ano inteiro um Natal
Nacional
Correio:Votos por um Brasil melhor: O presente de Natal que eleitores do DF querem dos políticos
Estadão:IPI de carro sobe e arrecadação pode crescer R$ 950 milhões
Folha:Triplica o número de idosos que vivem sós
Estado de Minas:Uma família de presente
Globo:Famílias vão à Justiça por vaga em creches públicas
Zero Hora:Emprego em alta leva a recolocação mais rápida

terça-feira, 24 de dezembro de 2013


VERSOS DE NATALManoel Bandeira
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
Manoel Bandeira

Roseana Sarney recusa acolher "devolvidos" da extinta TVE do Maranhão

    A governadora Roseana Sarney deleta paulatinamente o governo José Sarney (1966-1970). Dando uma de Mary Shelley contra a criatura, Roseana recusou acolher os 62 funcionários da Acerp - Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto, devolvidos ao Ministério do Planejamento pela TV Brasil.
    Os "devolvidos" são antigos funcionários da TVE do Maranhão, emissora educativa que entrou no ar em 1969, quando o político José Sarney iniciava sua carreira do mais longevo oligarca da América Latina. A Acerp era mantenedora da TVE no Maranhão e comandada por apadrinhados do ex-presidente da República. 
    Assim se passaram quase 40 anos até que a emissora foi incorporada à TV Brasil, rede de televisão da Empresa Brasil de Comunicação, EBC,  por decreto do então presidente Lula de 25 de outubro de 2007. Nesse ínterim, o nepotismo grassou nos corredores da emissora no Bairro de Fátima, também povoado por fantasmas e apaniguados que davam as caras quando bem entendiam.
    Na semana passada o diretor regional da TV Brasil,  Benetti Nascimento, procurou o secretário de gestão e planejamento Fábio Gondim para propor a incorporação dos "devolvidos" aos quadros da adminstração do estado sem ônus para o governo. Eles são na maioria orientadores de educação e de outras funções ligadas à pedagogia televisiva inaugurada por Sarney nas escolas CEMA. A maioria dos "devolvidos" são devotos do senador e votam em sua filha para qualquer cargo que ela dispute.
    Benetti Nascimento promoveu uma revolução na antiga TVE, dinamizando o jornalismo, colocando o material local produzido na rede TV Brasil e trombando com mal- acostumados amigos do rei. Após xá de cadeira de três horas, Gondim foi categórico em recusar os mais de 60 funcionários que correm o risco de ter salários reduzidos por inatividade.
    Aos domingos o senador pelo Amapá publica no jornal O Estado do Maranhão, fundado por ele e administrado pelos filhos, crônicas tonificadas pelas memórias de um inimaginável período fausto vivenciado pelos maranhenses. A educação televisiva está entre seus feitos mais notáveis, segundo costumeira avaliação ególatra. São conquistas pontuais demarcatórias do período da Ditadura Militar que povoam as lembranças dos legitimadores do tenebroso período da história política brasileira, entre os quais está o senador maranhense. Mais com pouco a TVE será uma triste lembrança quixotesca quase similar ao telensino da sua cria política.






Na Coluna do CLAUDIO HUMBERTO

ATAQUE DE FALCÃO A SARNEY AMEAÇA APOIO A DILMA
O ataque do presidente do PT, Rui Falcão, ao senador José Sarney ameaça o apoio do PMDB à reeleição da presidente Dilma Rousseff, adverte um importante senador da cúpula do partido do vice-presidente Michel Temer. Falcão admitiu apoio do PT a Flávio Dino (PCdoB), inimigo de Sarney, ao governo do Maranhão. “Se até o Sarney tratam assim, imagine Brasil afora”, diz o senador, sobre a relação dos dois partidos nos estados. 


LÁ VEM BRONCA
Com habilidade política de um hipopótamo em loja de cristais, Rui Falcão já foi chamado pelo ex-presidente Lula para ser “enquadrado”.


GRATIDÃO
Lula é muito grato a Sarney e até atribui ao apoio do veterano senador, em 2002, a viabilização de sua primeira vitória na disputa pelo Planalto.


TIRO NO PÉ
A trapalhada de Rui Falcão no Maranhão ajudou apenas a candidata de Eduardo Campos (PSB) ao governo estadual: Eliziane Gama (PPS).


ESTRELA QUE SOBE
O radar de José Sarney já indica que a deputada estadual Eliziane Gama é liderança que chegará ao topo, na política do Maranhão.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Orçamento do Estado para 2014 será de R$ 12 bilhões
Região
Jornal do Commercio:Festa de fé e solidariedade
Meio-Norte:Rodovias já mataram 172 somente este ano
O Povo:Histórias de quem faz do ano inteiro um Natal
Nacional
Correio:Um Natal feito de trabalho, sonhos e plugado na rede
Estadão:BR-040 atrai 8 grupos; governo já analisa novas concessões
Folha:Após privatização, Galeão tem 61% de controle estatal
Estado de Minas: Desemprego e o microcrédito
Globo:Temporais deixam 46 mil sem casas no ES
Zero Hora:Emprego em alta leva a recolocação mais rápida

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Dilma Rousseff comenta vazio de fãs de Reginaldo Rossi


Zonas de sombra - EDITORIAL O GLOBO


    É indiscutível a necessidade de apoio público à produção cultural. O Brasil não inova ao ter o mecanismo da Lei Rouanet, instituído em 1991 para canalizar parcelas do imposto devido de empresas e pessoas físicas para o setor. A discussão, instalada a partir da chegada do PT ao Planalto, em 2003, é sobre critérios na distribuição dos recursos e, ligado a isso, o sistema de processamento, no Ministério da Cultura, dos pedidos de enquadramento de projetos na lei.

    Na longa gestão da dupla Gilberto Gil e Juca Ferreira no MinC, nos governos Lula, houve tentativas de dirigismo na administração de incentivos fiscais, a mais conhecida e emblemática delas o projeto da Ancinav, agência idealizada para permitir a interferência do aparato burocrático estatal - devidamente aparelhado - no conteúdo da produção audiovisual do país. A sensatez destinou a ideia para as gavetas. Mas, como costuma haver grande contaminação ideológica e política toda vez, nos últimos anos, que se discutem reformas na Lei Rouanet, o projeto, com este fim, de criação do Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura), relatado pelo deputado Pedro Eugênio (PT-PE), precisa ser acompanhado de perto.
    Os vieses ideológicos e políticos sempre ajudam a que se cometam erros técnicos. Mais uma vez, volta o discurso pela necessidade de uma suposta desconcentração dos recursos, para combater a primazia do Sudeste na distribuição dos projetos incentivados. Também como sempre, medidas nesta direção visam a promover "justiça" ao beneficiar os "pequenos". Sucede que esta concentração reflete a forma como a economia da cultura - e a própria atividade produtiva como um todo - está distribuída no país. E o fato de o produtor beneficiário do incentivo fiscal ter o CNPJ numa região não significa que o projeto apoiado também esteja nela. É comum produtores de Rio e São Paulo, Minas etc. desenvolverem empreendimentos no Norte e Nordeste. É preciso cuidado na leitura das estatísticas. Ninguém é contra estímulos específicos a regiões menos atendidas. O erro está em querer atingir este objetivo por meio da vilanização dos produtores do Sul e Sudeste.
    Há corporações de todo tipo no universo cultural, onde existe constante busca por recursos. Quanto mais claras as regras e mais voltadas para o profissionalismo das atividades, melhor. Isso não significa, porém, que não deva existir apoio para estimular a ascensão de novos artistas, em todos os campos da arte.
    Outra questão-chave é a forma como a política cultural será processada no MinC depois das mudanças. É preciso extremo cuidado para evitar que grupos e corporações pouco representativos, mas muito influentes em Brasília, passem a ter um peso desmesurado nas decisões sobre os incentivos.
    Um risco específico está na possibilidade de a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), criada pela Lei Rouanet para representar a sociedade civil, perder autonomia diante do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), mais alinhada a ativistas que transitam na área. Tudo isso justifica que se debata mais o projeto.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Júnior Bolinha é recapturado após fugir subornando agente
Região
Jornal do Commercio:Um domingo de ouro 
Meio-Norte:Acidente na 316 mata família carbonizada
O Povo:Lei pode deixar mais de 30 ex-gestores impunes
Nacional
Brasil Econômico:O TCU não é dono absoluto da verdade
Correio:Vergonha na política
Estadão:CGU apura desvio de uso de máquinas doadas a prefeituras
Folha: Base de Alckmin na Assembleia barra apurações sobre cartel 
Globo:Plano de saneamento de metas inatingíveis
Zero Hora:As primeiras horas

domingo, 22 de dezembro de 2013

FRASE DO DIA

"O Ministério do Turismo saiu das páginas de polícia. Agora é preciso inseri-lo de vez nas de economia. Esse é o maior desafio que deixo ao próximo ministro do Turismo quando sair do cargo, no primeiro semestre de 2014, para disputar as eleições em meu estado".
Ministro do Turismo Gastão Vieira no artigo "Páginas viradas", publicado em O Imparcial edição de 22 de dezembro de 2013.

Perdedores da Copa - ALDIR BLANC


Não há postos de saúde, escolas precárias vão até o ensino médio


    Uma filha, geógrafa, foi trabalhar no litoral nordestino. Não nomearei os locais para não prejudicar o pequeno turismo que ajuda os moradores. O cenário é, à primeira vista, deslumbrante. Imensas extensões de areia puríssima, aquele mar vasto, que fazia os antigos navegadores temerem o abismo caso chegassem à linha do horizonte. Vê-se nas fotos uma traineira para pesca de camarão, quilômetros depois uma ou outra jangada e pensamos no paraíso.
    O problema é que não há postos de saúde, escolas precárias vão até o ensino médio e olhe lá. Não existem centros culturais, de lazer ou bibliotecas. Cerca de 30% a 40% dos moradores se converteram em ferozes evangélicos, que ameaçam seus concidadãos com o diabo e o fogo do inferno por qualquer motivo besta. A alimentação é paradoxal: fartura de peixes, camarões, lagostas, e pirão de farinha. Macarrão, feijão e arroz são considerados comida de rei. Vivem principalmente do artesanato de garrafas com areia colorida, nas quais reproduzem a belíssima paisagem. A triste surpresa é que, entre os não fanatizados por uma crença estúpida, prolifera um número absurdo de viciados em crack. Adolescentes, artesãos, pescadores, mulheres, velhos, todo mundo pegando no cachimbinho. Um deles disse na entrevista:
    — Experimenta, menina! A gente fuma depois de uns copos de litrão (cachaça) e a tristeza vai embora...
    Quando um fica mal devido ao vício, os outros procuram ajudar, talvez de forma mais humana do que os ditos evangélicos. Pode-se, logo nos primeiros dias, ver os sinais da tal tristeza: uma alegre menina, que adorava andar de bicicleta, ficou cega ao ser atropelada por um ônibus. Levou tanto azar que teve os olhos rasgados pelos cacos de espelho da bicicleta. O ônibus passava em frente à porta da casa dela, transportando operários para um “empreendimento” distante. Da noite para o dia, a rua deserta foi invadida pelo tráfego de veículos pesados. Não colocaram quebra-molas, sinalização, nada. A família tentou uma indenização que não se concretizou. A garota vai, com uma coragem incrível, ter aulas de braille uma vez por semana. Cinco horas para ir, mais cinco para voltar. Ela gosta de ler. Outra criança, menino de 1 ano: febre e convulsão. Levado ao hospital público mais próximo, quase cem quilômetros de distância, não foi atendido corretamente. Um antitérmico. Tchau! Piorou. O pai, jovem de 21 anos, voltou e fez ameaças com a peixeira. Era tarde. O menino teve lesões irreversíveis e sofre de paralisia cerebral. Tem mais: um artesão foi trocar a bolsa de colostomia. O quadro se complicou no hospital — cloaca. Apesar de já anestesiado, alguém veio avisar que não havia como prosseguir. Falta de condições. Aí, apareceu um médico (?) e disse que poderia fazer o serviço em sua clínica particular. 600 reais.

Pertinho do tal hospital funciona ótima clínica de plano de saúde poderoso, um desses que mantêm seu time na Primeirona — mas a grande maioria daqueles miseráveis no paraíso não pode pagar.

Feliz Natal.

Eleitor precisa fiscalizar o Congresso - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

    Está difícil harmonizar os interesses dos parlamentares com os da sociedade. O Congresso sempre dá jeito de encontrar alguma forma de repor mordomias extintas por exigência do cidadão. Desta vez, é a economia proporcionada pela pressão para eliminar com os acintosos 14º e 15º salários que acaba de ir por água abaixo. Os pagamentos extras, que custavam R$ 27,3 milhões anuais, foram retirados em fevereiro.
    Mas, além de recuperar essa despesa, abrindo mais 152 vagas de cargos comissionados, reajustando a cota de atividade parlamentar e aumentando o auxílio-moradia, os gastos chegam ao fim do ano engordados em R$ 21,6 milhões. Ou seja, o Legislativo federal fecha 2013 abocanhando R$ 43,2 milhões a mais de verbas públicas. É um círculo vicioso, no qual nenhuma regalia desaparece sem que outra apareça logo adiante.
    A lógica é a da lei do Gerson - a de sempre levar vantagem em tudo. Discursos de austeridade só servem para tentar enganar o eleitor e embalar desmandos. Mas o eleitorado não se deixa iludir. Pelo contrário. Já em janeiro, a vergonha em forma de descrédito era estampada em pesquisa sobre a confiança do brasileiro nas instituições, com o Congresso posicionado na rabeira do ranking, apenas à frente dos partidos políticos, conforme apurou a Fundação Getulio Vargas, ao medir o Índice de Confiança na Justiça (ICJBrasil).
    Um dos principais pilares da democracia, o Legislativo obteve 19% de menções positivas, contra, por exemplo, 75% conferidos às Forças Armadas, 56% à Igreja Católica, 53% ao Ministério Público, 46% à imprensa, 41% ao governo federal, 39% às polícias e ao Judiciário, 35% às emissoras de tevê e 7% - notem a coerência! - às legendas que compõem a Câmara e o Senado. As duas Casas também foram mal avaliadas pela população depois dos protestos de junho, com 56% e 55% de desaprovação, respectivamente, em pesquisa do Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
    Ainda que indissociáveis, a descrença no Poder preocupa mais do que a gastança exacerbada. Um Congresso forte, a serviço do interesse público, não tem preço, pois refletirá positivamente em toda a vida nacional, com o aperfeiçoamento do Estado e da própria democracia. O oposto - como se vê hoje - é o retrocesso. E não haverá luz no fim do túnel sem uma reforma política verdadeira, único instrumento capaz de cavar a saída do buraco, para iluminar e arejar o ambiente.
    Desacreditar apenas, portanto, é mais que improdutivo, pernicioso. Tampouco adianta o eleitor acreditar em Papai Noel e achar que pode mudar tudo no ano-novo que se aproxima. As eleições de outubro são, sim, grande possibilidade para a construção de um Congresso revigorado em 2015. Mas o cidadão precisa levar sua consciência para além das urnas, acompanhar o dia a dia da legislatura, cobrar seus eleitos. Afinal, renovações que repetem o círculo fazem parte da história do Legislativo.

O Vale Cultura vale uma conversa - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR


Desconsiderar a radiografia das práticas culturais no Brasil é transformar o novo benefício do governo numa bolsa a mais com política de menos

    Depois de um ano de aprovação, o projeto Vale Cultura vai se tornar realidade, no início de 2014. Festejos, claro, mas com moderação. Trata-se de uma política ainda pouco discutida pela sociedade brasileira. E o mais preocupante: acabou sendo percebida como extensão dos demais programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, o que não é.
    Ter a cultura como parte da ação social do governo não chegava a ser uma reivindicação explícita, mas era um desejo secreto da população, acalantado durante décadas por artistas e produtores. Até o início dos anos 2000, eram raras as pesquisas sobre práticas culturais no Brasil. Quando surgiram, disseram o que já se esperava. Além de ser negligente com o assunto, o brasileiro sofre com a falta de acesso aos bens artísticos e culturais. É já um clássico a pesquisa do Ministério da Cultura (MinC), de 2004, que mostrou, pela primeira vez, que o brasileiro, não importa a classe social, gasta entre 4% e 8% de seus rendimentos com cultura. Uma quirera. O levantamento mostrou também o que as classes populares entendem por cultura – estar junto, ouvindo música ou vendo vídeo em casa.
     As pesquisas que se seguiram não disseram nada diferente. Faltam espaços, como revelaram, em duas edições, os anuários de bens culturais do MinC. Bibliotecas, cinemas e teatros são privilégio de capitais e cidades grandes. Por causa disso ou apesar disso, não se sabe, tem-se aqueles índices que nos deixam com as bochechas rosadas, a exemplo de um estudo de 2013 do Ipea: apenas 14% dos brasileiros vão ao cinema; 7% frequentaram uma exposição de arte; a maioria esmagadora nunca entrou em um museu.
    No Brasil, sabe-se, alimentou-se a ideia de que o avanço nas práticas culturais está atrelado à escola. Pela lógica, melhoras na educação significam mais gente no teatro. Engano. Custou-se a perceber que a escola e a cultura não são necessariamente feitas do mesmo barro. E que a educação não tem como dar conta da produção contemporânea, posto que se ocupa do conhecimento estabelecido. A escola pede Dom Casmurro, de Machado de Assis. É fundamental. A vida cultural hodierna pede a leitura de Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera. Nesse sentido, a aplicação de um projeto como o Vale Cultura vem para reverter um equívoco que criou raízes no Brasil. Se bem administrado, pode criar mecanismos para que o público – em especial o que tem menos acesso aos bens culturais – faça suas escolhas, o que é uma condição da experiência estética. Sem esse arbítrio, o ciclo da cultura não se completa.
    É necessário, no entanto, que a implantação do Vale Cultura seja acompanhada com rigor. O novo vale surge num país em que a cultura permanece um satélite artificial nos planejamentos urbanos, por exemplo. Por mais que os discursos de palanque pareçam dizer o contrário, não se leva em conta na gestão pública a importância de uma biblioteca ou de um teatro, comumente tratados como a cereja do bolo, e não como motor de desenvolvimento. Em resumo, a cultura tem um lugar difícil na lógica do poder. É uma lenha convencer de que não é um apêndice da educação. O benefício do Vale Cultura pode padecer do mesmo mal, o de virar adorno, um paliativo, um álibi para a preguiça. Quem é da cultura sabe – exige trabalho de estiva, suor e alguma agressividade. Só assim para mostrar que uma feira de livros ou um festival de teatro custam menos e afetam mais a sociedade.
    Em tempo – a adesão ao Vale Cultura anda tímida. Dados divulgados pelo MinC informam que até o início de dezembro apenas 0,5% da meta do governo foi atendida. Até o momento, tem-se na lista pouco mais de 210 mil funcionários de 1,1 mil empresas públicas e privadas cadastradas voluntariamente. A projeção é atingir 42 milhões de brasileiros até 2020, preferencialmente os que recebem até cinco salários mínimos. O vale de R$ 50 tem descontos proporcionais em folha de pagamento e serve para pagar ingressos de cinema e teatro, adquirir CDs, DVDs e impressos, e até para comprar equipamentos artísticos. É uma ideia, se vier acrescido de uma roda de conversa sobre cultura. São demoradas, é fato, mas eternas.