segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

‘Novo relator da Lava Jato terá muito poder’, diz presidente da Ajufe

ENTREVISTA – ROBERTO VELOSO, Presidente da Ajufe
O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Roberto Veloso, acredita que a opinião pública precisará ficar atenta à substituição do ministro Teori Zavascki como relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Com a morte de Teori, Veloso teme que quem o substituir possa segurar as investigações. “Dependendo de quem for escolhido para cuidar do caso, há risco sim para a Lava Jato”, afirma. Para Veloso, será dado um poder muito grande para quem assumir a tarefa. “Ele poderá barrar as investigações, se quiser”, diz.
Lava Jato sem Teori
O novo nomeado para cuidar do caso, seja alguém já do Supremo ou o ministro que será indicado para substituir Teori Zavascki, terá muito poder. Porque ele poderá continuar o trabalho do ministro Teori, mantendo as investigações. Ou terá o poder de impedir a continuidade das investigações. Por isso, nós da Ajufe estamos acompanhando de perto essa situação.
Riscos
Dependendo de quem for escolhido para cuidar do caso, há risco sim para a Lava Jato. Porque o ministro a quem couber os processos terá o poder de, monocraticamente, barrar as investigações. Claro que terá de enfrentar o peso da reação da opinião pública, mas é um risco real
Substituto
Defendemos que seja um magistrado de carreira. Com o mesmo perfil do ministro Teori, que foi desembargador do Tribunal Regional Federal da 4a região. Foi ministro do STJ e, depois, seguiu para o Supremo. Se tivermos um magistrado com esse perfil e com essa experiência será o perfil ideal para tocar esse processo.
Senadores réus
Infelizmente, nem a Constituição, nem nenhuma outra lei, impede os senadores que são réus no Supremo de votar ou mesmo de sabatinar o futuro ministro do Supremo. Mas é claro que essa é uma situação preocupante. A pessoa que vai julgar esses senadores será escolhida por eles próprios. É algo paradoxal.
Sérgio Moro
O apelo popular para a nomeação do juiz Sérgio Moro para essa vaga no Supremo, evidentemente, será muito grande. Ele é uma pessoa gabaritada, culta, preparada. Na minha opinião, ele tem amplas condições de assumir a vaga de ministro do Supremo. Seja agora ou mais tarde.
Delações da Odebrecht
Inevitavelmente, com a morte do Teori, vai atrasar o processo de homologação das delações da Odebrecht. Porque quem assumir terá de se informar sobre os processos. E a gente sabe que esses processos não são simples. O novo relator vai ter de montar sua equipe. São várias decisões que causarão atraso.
Crise nos presídios
A rebelião que está havendo nos presídios tem uma causa, que é o aumento da criminalidade. O aumento da violência urbana e do tráfico de entorpecentes funciona como se fosse um fornecedor de presos. E o sistema prisional não está preparado para receber tantas pessoas. E a formação de gangues dentro dos presídios, como é o caso que ocorre agora no presídio do Rio Grande do Norte, decorre da disputa por mercados. E isso está espalhado no Brasil inteiro. A qualquer momento, isso pode estourar em qualquer lugar.
Medidas do governo
As medidas anunciadas são paliativas. O mutirão carcerário, a abertura de mais vagas em futuros presídios. O governo anuncia que fará um esforço para construir mais cinco presídios federais. Mas precisa, primeiro, terminar o que está quase pronto, como é caso do presídio de Brasília. Então, medidas como a abertura de mais 30 mil vagas dentro de um déficit de vagas que chega hoje a 300 mil, acho que vai adiantar muito pouco.
Sistema sem controle
A presidente do STF disse que precisa fazer censo para saber quantos presos têm, quem está preso sem necessidade, etc. Mas não se sabe nem quantos presos fugiram nas rebeliões. Então, não há controle. O problema do sistema penitenciário não é simples e é antigo. Mas deixaram crescer e ficou incontrolável.
ENTREVISTA A MARCELO DE MORAES
ILUSTRAÇÃO: BAPTISTÃO

MANCHETES DE HOJE

MARANHÃO
O Estado: Governo e MP se opõem em relação ao carnaval de rua
O Imparcial: TRT determina 60% da frota em circulação
REGIONAL
Jornal do Commércio: Líderes do PCC no inquérito de Alcaçuz
O Povo: Hora do sufoco - Por que você precisa manter um fundo de emergência
NACIONAL
Correio: Só filhos de até 21 anos poderão acumular pensões
Estadão: Ministros da STF divergem sobre relatoria da Lava Jato
Folha: Falta formação específica à docente do ensino médio
O Globo: Ministros são contra Cármem Lúcia homologar delações
Zero Hora: Cármem Lúcia definirá futuro da Lava-Jato

domingo, 22 de janeiro de 2017

Dias Melhores - Projeto realiza oficinas que ensinam idosos a grafitar pelas ruas de Lisboa


DIOGO BERCITO
DE ENVIADO ESPECIAL A LISBOA
Idosas participam do Lata 65, workshop de grafite para maiores de 65 anos, em Lisboa

    Salvo o crochê, Maria Cruz, 62, não tinha contato algum com as artes. Mas, há dois anos, ela trocou as agulhas pelas latinhas de spray e pintou um muro em Lisboa.
    Cruz participava de uma oficina de grafite voltada a idosos portugueses. O projeto, chamado Lata 65, tem crescido em Portugal e já respinga no Brasil. Houve uma edição no Sesc Santana, em setembro de 2015.
    Ela conta à Folha que, à época, vinha reclamando de sua saúde. "Eu estava me sentindo longe de tudo, um bocadinho depressiva", afirma, mas alegrou-se ao dedicar-se ao desafio de cortar moldes e grafitar a cidade.
    "É complicado, porque eu estava trabalhando em um território desconhecido. Mas logo veio o entusiasmo e foi muito compensador", diz.
    A alegria que ela relata é um dos objetivos do projeto Lata 65, cofundado em 2012 pela arquiteta Lara Seixo.
    Outra das metas é devolver idosos ao espaço público. "As cidades estão bombardeadas pela arte urbana. É uma questão de inclusão, porque eles passam a entender o que é feito na cidade deles", diz Seixo.
    O Lata 65, que já teve 23 edições, é resultado de trabalhos anteriores de Seixo com artes visuais. Ela conta que, naqueles anos, notava um maior entusiasmo por parte dos idosos. "Decidi trabalhar com eles e me disseram que era uma loucura. Mas gostei muito do resultado."
    O projeto é financiado pela venda de merchandising, como camisetas. A própria logomarca do Lata 65 foi desenhada por uma participante, que passou a sair sozinha para pintar os muros e chegou a ser detida pela polícia. Ela morreu no ano passado.
    Essa grafiteira tardia era um dos exemplos dos resultados das oficinas de grafite, diz Seixo. "Ela falava que demos a ela uma nova razão para viver, após um derrame."
    O relato se repete entre os participantes ouvidos pela reportagem. "As diferentes experiências e o aprendizado são benéficos para os mais velhos, porque nos mantêm atualizados", diz Isabel Paço, 63, do Porto. "Nos sentimos felizes, ativos, vivos, úteis."
    O trabalho com idosos é, para Seixo, uma tarefa portanto urgente. Falta apoio a essa população, diz. A própria arquitetura os exclui, com prédios antigos sem elevador, em ladeiras íngremes.
    "Tenho medo de vir a ser tratada como alguns dos idosos que participam da minha oficina, que estão à espera de morrer. Isso é uma coisa que me toca", afirma. Apesar de as oficinas serem abertas a todos os idosos, a maior parte dos alunos são mulheres, diz Seixo.
    Um dos poucos homens a se interessar foi Eduardo Machado, 70, que depois de aposentado passou a experimentar cerâmica e aquarela.
    "Sempre admirei os grafites feitos por essa gente nova. Alguns fazem rabiscos a vida toda, mas outros se aperfeiçoam. Eu nunca tinha me imaginado assim, no meio da cidade, pintando uma parede. Aconteceu." 

MANCHETES DE HOJE

MARANHÃO
O Estado: "Começa a chuva e vem o medo"
REGIONAL
Jornal do Commércio: O que você precisa saber sobre o Sisu
O Povo: Por que a Lava Jato não será mais a mesma?
NACIONAL
Correio: Benefício do INSS vão além da aposentadoria
Estadão: Relator da Lava Jato será escolhido entre os atuais ministros 
Folha: Morte de Teori atrasa delações e investigação sobre Temer
O Globo: Carmem Lúcia avalia homologar delações da Odebrecht
Zero Hora: Relator deve ser ministro que já está no Supremo