domingo, 19 de abril de 2015

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Atraídos pelo crime
Região
Jornal do Commercio: Petrolão atrasa obras
O Povo: Operação Fidúcia - Bastidores de uma fraude
Nacional 
Correio: "É lavagem de dinheiro", afirma MPF sobre Vaccari
Estadão: Planalto contra-ataca para desmontar tese de impeachment
Folha: Indefinição de Dilma emperra atuação de agências reguladoras
O Globo: Petrobras escondem US$ 8 bi da fiscalização
Zero Hora: Saques afundam ainda mais as contas do estado 

sábado, 18 de abril de 2015

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MAFlávio Dino consegue no TJ manter privilégios a aliados
Região
Jornal do Commercio: Concursos sem casca de banana
O Povo: Prefeitura quer alterar áreas de proteção de rios e lagoas
Nacional 
Correio: TJ paralisa desocupação da Lagoa Paranoá
Estadão: Petrobrás consegue R$ 9,5 bi com BB, Caixa, Bradesco
Folha: Impeachment é desespero da oposição, diz governo
O Globo: Petrobras recebe socorro de R$ 9 bi e vende plataformas
Zero Hora: Planalto reage a TCU e a pressões da oposição

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sindcomerciários informa sobre feriado de 21 de abril

De acordo com a Convenção Coletiva De Trabalho 2014/2015 o funcionamento no feriado de 21 de abril tiradentes será da seguinte forma:
NÚMERO DE REGISTRO NO MTE:
MA000004/2015
CLÁUSULA TRIGÉSIMA NONA - HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DO COMÉRCIO DE SÃO LUÍS 
PARÁGRAFO QUARTO – Nos dias 21.04.201504.06.201528.07.201512.10.2015 e 15.11.2015, as Empresas poderão funcionar de 08h00 (oito) às 14h00 (quatorze), sendo que as Empresas situadas em Shoppings Centers poderão funcionar das 14h00 (quatorze) às 20h00 (vinte).  O trabalho, entretanto, nesses dias, será considerado extraordinário e pagos com acréscimo de 100% (cem por cento) sobre o valor da hora normal e receberá, ainda, o empregado que assim trabalhar, ao final do expediente, a título de gratificação, o valor de R$ 30,00 (trinta reais), ficando as Empresas obrigadas a comprovarem junto ao Sindicato dos Empregados no Comércio de São Luís, o referido pagamento, no primeiro dia útil seguinte;
PARÁGRAFO QUINTO – Às Empresas que tiverem interesse em funcionar de acordo com o Parágrafo Quarto deverão apresentar a relação de seus empregados que trabalharão neste dia no Sindicato dos Empregados no Comércio de São Luís, com até 2 (dois) dias de antecedência.

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Empresa apresenta atestado duvidoso
Região
Diário do Pará: Dengue hemorrágica mata criança de 6 anos em Belém
Jornal do Commercio: Casa própria mais difícil
Meio-Norte: Parque já fornece luz para 450 mil no Piauí
O Povo: 28 inquéritos investigam tráfico de pessoas em Fortaleza
Nacional 
Correio: Governo fixa limite para reajuste nos Três poderes
Estadão: Disputa entre Procuradoria e PF trava parte da Lava Jato
Folha: Decisão do TCU cria risco de rejeição de contas para Dilma
O Globo: Uso político agrava rombo de fundos de pensão
Zero Hora: Dengue é epidemia em 4 estados e surto no noroeste do RS

quinta-feira, 16 de abril de 2015

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
Jorna Pequeno: Aprovado reajuste salarial para servidores da Prefeitura de S. Luís
O Estado do MA: Empresa beneficiada tem ligação com aliados de Dino
Região
Jornal do Commercio: Volta às aulas ou multa
O Povo: Após ser preso, Vaccari é afastado da tesouraria do PT
Nacional 
Correio: Prisão de Vaccari leva o PT e Dilma ao olho do furacão
Estadão: Tesoureiro do PT é preso na Lava Jato; partido anuncia saída do cargo
Folha: PF prende Vaccari, tesoureiro do PT
O Globo: TCU aprova relatório que vê crime em manobra fiscal
Zero Hora: Prisão de tesoureiro atinge comando do PT

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Charge do dia - MIGUEL (Jornal do Commercio)


MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MAJustiça barra contrato do Detran
Região
Jornal do Commercio: As 5 mil oportunidades oferecidas no polo Jeep
O Povo: Conta de luz no Ceará- Quarto aumento no ano será de 11,69% em média
Nacional 
Correio: Servidores da Caixa terão que tapar rombo na Funcep
Estadão: Dilma indica para o Supremo jurista ligado ao PT e à Cut
Folha: Dilma indica ministro ao STF depois de 8 meses
O Globo: Obama decide tirar Cuba da ista de terror
Zero Hora: Dia de protestos contra terceirização

terça-feira, 14 de abril de 2015

Promotor manda silenciar o som do barzinho na Litorânea

    O som do barzinho está ameaçado de ser extinto na orla marítima de São Luís, no Maranhão. Donos de bares da Avenida Litorânea estão tendo que despachar os músicos da noite por conta da proibição de som ao vivo.  
    O impedimento está condicionado à liberação da licença de funcionamento expedida pela Delegacia de Costumes. Antes identificados como estabelecimentos comerciais, os barzinhos da litorânea passaram a ser enquadrados na condição de local de concentração de público. Só assim, eles podem  contratar profissionais que sobrevivem do couvert o que implica da boa vontade do público e dos empresários da noite.
    Sem espaço para tocar, ficam sem trabalho os músicos que sobrevivem de atender pedidos e aqueles que incrementam pequenos shows nos palcos apertados ou improvisados em barzinhos da Litorânea. Não há ordem que os defendam diante do cerceamento absurdo. Nem o Ecad, que tira um troco com este tipo de atividade artística, deu a cara a tapa. Preferiu a surdina.
    Os donos de bares apontam as denúncias para o promotor Cláudio Guimarães. O representante do Ministério Público do Estado do Maranhão é persona non grata da Associação dos Donos de Barracas da Praia da Litorânea. Contra Guimarães os empresários representaram junto ao Conselho Nacional do Ministério Público. Quanto aos músicos, estão a deus dará.

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Contrato suspeito no Detran
Região
Jornal do Commercio: Túnel de pendências
O Povo: Chuva é insuficiente para agricultura e reservatórios
Nacional 
Correio: Bombas, tiros e assalto a caixa eletrônico na UnB
Estadão: Governo amplia concessões e admite negociar ajuste fiscal
Folha: CGU esperou eleição de Dilma para abrir processo, diz delator
O Globo:  Políticos investigados faziam romaria à Petrobras
Zero Hora: Terceirização tem semana de votação e de protestos

segunda-feira, 13 de abril de 2015

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Vozes nas ruas
Região
Diário do Pará: Mulher mata marido e se suicida
Jornal do Commercio: Protesto é menor. Governo silencia
O Povo: Manifestação reúne milhares, mas adesão diminui
Nacional 
Correio: Protesto no DF reúne 25 mil, diz PM
Estadão: Pela segunda vez, atos contra Dilma se espalham em 24 estados e DF
Folha: Manifestantes voltam às ruas com menos força; ato em São Paulo tem 100 mil
O Globo: Novos protestos contra governo têm adesão menor
Zero Hora: A estrada virou ciclovia

domingo, 12 de abril de 2015

Movimento Brasil Livre inclui grande colégios eleitorais de Dilma no Maranhão

   


Entre as 400 cidades listadas pela imprensa nacional para sediar atos contra a presidente Dilma no Maranhão estão Satubinha, Chapadinha, Imperatriz, segunda maior cidade, e a capital São Luís. No estado a presidente obteve a maior votação entre as 27 unidades da federação. 
    Satubinha faz parte do rol das cidades com menor IDH do país. No segundo turno das eleições de 2014, o eleitorado do município  deu 86,63% dos votos válidos à candidata do PT à reeleição. O índice de abstenção alcançou 29,13%. No município  mais de  5 mil pessoas estão habilitadas a votar.
    Em Chapadinha, Dilma teve votos de 83,56% dos eleitores. A abstenção foi um pouco abaixo que em Satubinha, 26,92%.
    Segunda maior cidade do estado, Imperatriz deu a maior votação a Aécio Neves. Foram 39,92% dos eleitores da cidade dirigida por um prefeito do PSDB que votaram no tucano. Dilma teve maioria.
    Em São Luís, menos de 0,01% dos eleitores atenderam ao apelo Vem pra rua do movimento Brasil Livre. Dilma teve 70,41% dos votos na capital maranhense. Moradores dos bairros nobres do São Marcos, Renascença I e II, e vizinhos do ex-senador José Sarney  no Calhau foram para a avenida Litorânea. Desfilando tênis de marca e com a pele bem tratada e envelopados em protetores solares de marca, os participantes pediam um Brasil de volta que não identificam de qual era do passado. A trilha de Dom e Ravel "Eu te amo meu Brasil", ufanista até dizer chega do tempo da Ditadura foi retirada do fundo do baú pelos defensores da moral e contrários à corrupção.

Questão difícil - FERREIRA GULLAR

O criminoso prefere correr o risco de retornar ao inferno do cárcere a submeter-se às normas do convívio social
    A questão da maioridade penal está em pauta, trazida à discussão pela proposta, em apreciação no Congresso, de reduzi-la de 18 para 16 anos.
    O tema é polêmico e, em alguns casos, passional, uma vez que envolve desde valores jurídicos até posições ideológicas e religiosas. Isso sem falar na confusão que ultimamente se armou em volta do tema, suscitando os argumentos mais descabidos e contraditórios.
    De minha parte, dado o modo como costumo focalizar os problemas, tento ir ao mais simples da questão e me pergunto: será mesmo verdade que uma pessoa de 16 ou 17 anos de idade, se roubar ou matar, não tem noção do que está fazendo? Duvido muito.
    Li recentemente a declaração de um ministro do Supremo Tribunal Federal, contrário à redução da maioridade penal, afirmando que "cadeia não conserta ninguém".
    Ou seja, na opinião dele, não adianta prender um jovem que cometeu um crime, porque isso não vai melhorá-lo; ao contrário, vai piorá-lo, já que sairá de prisão mais criminoso do que entrou.
    Confesso que essa afirmação me deixou surpreso, sobretudo por vir de alguém que deve ser mestre na questão penal.
   
Minha surpresa decorre do fato de que melhorar, educar os jovens não é a função da cadeia e, sim, da escola. Se a cadeia conseguir educar, tanto melhor, mas sua finalidade precípua não é essa e, sim, a de afastar o criminoso do convívio social para preservar a segurança e a tranquilidade dos demais cidadãos.
    Do contrário, a punibilidade das leis será desqualificada por não cumprir com um objetivo que não é o seu. Cabe ainda observar que, se o criminoso só é preso depois que comete crime, não é a cadeia que o torna criminoso.
    É generalizada a opinião de que a prisão, além de não educar o condenado, o piora, isto é, de que ele sai de lá mais criminoso do que entrou, particularmente se for jovem.
    Não duvido, mas não vejo aí razão suficiente para que se deixe de prender quem assalta ou mata.
    No meu precário entendimento, a punição do ato delituoso é o recurso de que dispõe a sociedade para fazer justiça, porque, se ela não pune quem transgride as normas sociais, está sendo injusta com quem as respeita.
    Mais, estaria estimulando a transgressão daquelas normas, sem as quais a sociedade se torna inviável.
    Um argumento muito usado para mostrar que a prisão do criminoso é inútil estaria no aumento da reincidência dos delitos, ou seja, a cada dia, é maior o número de ex-prisioneiros que voltam a cometer infrações e retornam às cadeias.
    Vamos nos deter no exame desse argumento. Todos sabemos que as prisões brasileiras são verdadeiros infernos, superlotadas e, consequentemente, o pior lugar onde qualquer ser humano gostaria de viver.
    Pois bem, apesar disso, o criminoso, que experimentou esse inferno, insiste em cometer novos crimes, sabendo que, cedo ou tarde, terminará voltando para lá.
    Pergunto a você: tem lógica isso? Mais lógico seria o infrator ganhar tanto horror à prisão que, uma vez livre dela, evitasse fazer qualquer coisa que o devolvesse para lá.
    Mas não é isso o que ocorre. Como demonstram as estatísticas, ele volta a transgredir e volta para o inferno da cadeia.
    Qual a conclusão a tirar disso, senão que a prática do crime é inerente a sua personalidade? Ele sabe que erra ao assaltar ou matar e sabe também que provavelmente retornará à prisão, mas evitá-lo parece estar acima de suas forças.
    Seja por que razão for, prefere correr o risco de retornar ao inferno do cárcere a se submeter às normas que regem o convívio social.
    Esse é, sem dúvida, um assunto muito complexo, não apenas para ser destrinchado numa crônica de jornal como para ser resolvido.
    Uma medida que reduziria a superpopulação das cadeias seria, no caso dos delitos menores, em vez de prender o culpado, condená-lo à prestação de serviços sociais.
    Outra medida imprescindível é criar, em número suficiente, colônias agrícolas e oficinas onde o prisioneiro passe as horas de seu dia ocupado e ganhando pelo trabalho que realize.
    Esse tipo de prisão, como se sabe, atende a duas questões básicas da condição prisional: o criminoso é mantido à parte do convívio social e, ao mesmo tempo, produtivamente ocupado.

No PAINEL da Folha de S. Paulo

Corta pra mim Cleber Verde (PRB-MA), primeiro deputado a comandar a Secretaria de Comunicação da Casa, vai apresentar a Cunha em algumas semanas a proposta da nova grade de programação, com menos variedades e mais atividade legislativa.

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MASaldo negativo
Região
Diário do Pará: Fraude fundiária- MPE investiga sobrinho de Jatene
Jornal do Commercio: Você tem que se cuidar
O Povo: Governo Dilma - 100 dias de tormenta
Nacional 
Correio: Os horrores da segunda escravidão
Estadão: Em reunião histórica, Obama e Raúl prometem 'diálogo'
Folha: Reprovação de Dilma estaciona; maioria aprova impeachment
O Globo: Fundações são usadas para driblar licitações
Zero Hora: Universidades S\A

sábado, 11 de abril de 2015

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: Bandidos explodem 14º banco este ano
Região
Jornal do Commercio: S.O.S Saúde
O Povo: Três em cada quatro cearenses vivem sem esgoto
Nacional 
Correio: Lava Jato chega à Caixa e à Saúde. Vargas é preso
Estadão: Lava Jato atinge Caixa e Saúde e 3 ex-deputados são presos
Folha: PF prende ex-deputados na Lava Jato
O Globo: Lava-Jato chega à Caixa e ao Ministério da Saúde
Zero Hora: Lava-Jato prende ex-deputados e apura fraudes na Caixa e na Saúde

quinta-feira, 9 de abril de 2015

"Alcântara na era espacial" recorta a escravidão negra no Brasil

   
Marcelo Tass em "Os netos do Amaral"
    As notícias sobre a suspensão da parceria entre Ucrânia e Brasil na efetivação da Centro de Lançamento de Alcântara nos remonta a uma obra capital para compreensão do processo de transformação da cidade na segunda metade do século XX. e o malogro anunciado. " Alcântara na era espacial", do jornalista Sérgio Meireles, é um trabalho de explanação simples, mas exata, sobre o que estava se passando ali, naquela cidade velha estacionada no tempo, envolta no manto futurista, quase repetindo a lenda histórica da espera de um rei que nunca nem chegou.
    
    Estive na década de 90 na cidade, acompanhando o repórter Marcelo Tass, antes da fase glamourosa do CQC, em um trabalho de reportagem para o programa "Os Netos do Amaral". Aquilo que seria mais um episódio de uma sátira ao cronista preferencial dos militares na rede Globo, Amaral Neto, se transformou em um drama social pungente. Encarando as relações entre quilombolas oprimidos e a prometida nova era espacial, Tass materializou o pensamento segundo o qual tudo que é sólido se desmancha no ar.
    
    Hibernado por falta de entusiasta que o resgate, o livro de Meireles com o passar dos tempos confirma sua densidade.
   
    Nos antecedentes históricos de "Alcântara na era espacial ",  Sérgio Meireles explica  como a cidade se transformou em um centro de escravidão negra no século 19, após a dizimação dos tapuias da grande aldeia tupinambá “Tatuitapera” (índios de cabelos compridos).  Cita, por exemplo, que o município foi criado em 1652 com 300 moradores  e que no final dos anos 1800 contava com 100 fazendas e 8 mil escravos nelas trabalhando.
    
    Entre os século 17 e 19, Alcântara recebeu mais de 25 mil negros de Bissau, Cacheu e Angola, afirma Meireles. A média era de dois mil africanos traficados por ano. No qüinqüênio de 1865 a 1870 se iniciou a decadência da cidade.  Meireles aponta ainda as causas da decadência da cidade: o incremento da indústria açucareira que soterrou o antigo celeiro do Maranhão, exportador de algodão, farinha, milho, tapioca, milho, carne, etc; e a navegação a vapor.
    
    Com a falência das fazendas, as terras foram vendidas ou passaram a ser desfrutadas pelos negros livres. Esta é a origem das comunidades negras alcantarenses. Levantamento do Centro de Cultura Negra realizado no início da década de 1980 identificou dez comunidades com origens semelhantes.
    
    O município de Alcântara possui uma área de 1.2301 quilômetros quadrados. Até a década de 80, período descrito pela obra de Sérgio Meireles, a população alcantarense era de pouco mais de 18  mil habitantes. Destes, cerca de 20 por cento habitava o centro urbano, a parte das construções coloniais que persistiu no tempo no mesmo espaço. O carvão passou a ser o principal produto de exportação, principalmente para a capital.
    
     Alcântara é tombada desde 1948 pelo Serviço do Patrimônio Histórico Nacional. O patrimônio é formado por 300 prédios, 10 ruas, três praças e oito travessas.  Ainda hoje o calçamento da ruas em pedras tipo cabeça de negro resiste.
    
    Em outubro de 1980, a cidade sediou o 5º Curso Interamericano Sobre Política e Administração Cultural, organizado pela OEA e SPHN (hoje IPhan).  Um documento com assinaturas de 20 técnicos renomados de vários países da América Latina solicitaram a OEA e Unesco o tombamento de Alcântara como “patrimônio histórico e artístico da  humanidade”.
    
    Coincidentemente nessa época Alcântara ingressou na era espacial.  No dia 27 de outubro de 1980, o Diário Oficial do Estado do Maranhão declarava de “utilidade pública” para fins de desapropriação uma área de 500 milhões de metros quadrados – 52 mil ha. Nesta área seria implantado o Centro Espacial de Alcântara (CEA, mais tarde modificada por decreto para Centro de Lançamento de Alcântara). Abrangia mais da metade do município.
    
    O decreto dividia a área em duas: um terço seria destinado à implantação do centro.  Como conseqüência, 538 famílias de lavradores ocuparam a mira do despejo.  Na denominada Área II, a Aeronáutica planejou a construção de uma cidade para 5 mil famílias. Nela haveria espaço para as famílias removidas da área I que se somariam a 1.500 famílias também ameaçadas de remoção. No total 2.038 famílias passaram a conviver com a instabilidade e insegurança sobre os antigos territórios.
    
    Foi o governador João Castelo Ribeiro Gonçalves quem autorizou a expropriação em caráter de urgência.  Na época os secretários também eram signatários do documento, entre eles o secretário da Indústria e Comércio, José Joaquim Guimarães Ramos, vereador de São Luís. A Aeronáutica adotou a estratégia do silêncio dos inocentes.
     
    Durante seis meses funcionou.  Foi então que o promotor público José Leitão, que mais tarde viria a ser prefeito do município, intermediou a venda de terras de Tiquara e Castelo. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alcântara.
    
    No começo de julho de 1981, o comandante do Instituto Aeronáutico Espacial, Hugo de Oliveira Piva, confirmou a instalação da 2ª base de lançamento de foguetes brasileiros. As conseqüências socioculturais e políticas do projeto pautou a imprensa nacional.
    
    Foram as advertências do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade no Caderno B do Jornal do Brasil que disparou o debate público. Pipocaram repúdios e questionamentos sobre pontos obscuros.
   
    Foi a terra que acendeu a centelha dos protestos. Para onde vamos? Questionavam as mais de 2 mil famílias ameaçadas de desapropriação.  Igreja, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alcântara e o recém-fundado Partido dos Trabalhadores canalizavam os protestos.
  
    Ligada à Prelazia de Pinheiro, a paróquia de Alcântara por meio do Reverendo Chambron recomendou que o chefe político de Alcântara, João Leitão, iniciasse conversações com a Aeronáutica.  Ao mesmo tempo, aos lavradores orientava para que exigissem seus direitos de permanência na área. A paróquia evitou medir forças com a Base.
    
    Aos removidos procurou esclarecê-los sobre exigências como terras férteis e condições semelhantes à anterior. Veio então o confronto com o poder executivo municipal.  E se indispôs com os tocadores do projeto da Base.
    
    Antes da instalação da Base, o município de Alcântara desconhecia os conflitos de terra comuns no território maranhense.  As terras ali eram comunais, aforadas ou aforamentos em poder de pequenos proprietários e um pequeno número de grandes proprietários. Não havia tensão. O prefeito na época Joaquim Fecure respondia com evasivas.  Meirelles denuncia o cinismo da prefeitura que tudo negava às pressões dos lavradores por informações sobre a Base. Sem saída, restou ao Brigadeiro Piva a explicação sobre o projeto.
   
    Os ânimos estavam exaltados à época. O presidente do Sindicato, Benedito Basson, acusou publicamente, durante a palestra  no Ginásio, a participação de João Leitão na negociata de terras.  Pelo verbo solto, respondeu a processo por injúria, calúnia e difamação em queixa-crime registrada por Leitão.
    
    O PT colaborou para que o assunto fosse interiorizado no município. Nos povoados atingidos, comissões foram formadas para estudar maneiras de reagir ao decreto. A desapropriação contribuiu para a coesão entre os lavradores. Por conta da Base Espacial de Alcântara, o Partido dos Trabalhadores pretendia eleger o Prefeito e mais três vereadores em Alcântara. Em 1981 o PT fez um vereador no município de Alcântara: Benedito Basson, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alcântara.

Na Sede
    Com este título o autor inicia o capítulo sobre a Reação da Comunidade.  Não houve resistência na sede, afirma Meirelles. Apenas, vozes isoladas como o comerciante Vital, reclamaram da quebra da tranquilidade reinante até então, relata o jornalista.No interior o barulho foi crescente. Emanou principalmente nas comunidades. O tempo, mesmo com toda força das redes, colocou uma surdina em mais um grave problema em solo maranhense.


Lei crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre Alcântara

“Qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade em face das coisas de arte e história (os “bens culturais” que o Governo procura não só defender como incitar a população a fazer o mesmo) arrepia-se ao ler que será instalada em Alcântara a segundo base de lançamento de mísseis brasileiros...”

    A área já começou a ser demarcada e um fato novo, surpreendente, bole com os nervos da pacata população da pacatíssima cidade inscrita no livro do Tombo do IPHAN como monumento nacional”

    Claro que os foguetes não serão lançados no espaço ocupado pelo acervo arquitetônico e paisagístico da cidade, mas a proximidade dessas assustadoras engenhoca vai trazer modificações profundas no viver de sua gente, e não é de crer que os benefícios de circulação do dinheiro compensem os incômodos da militarização de vasta área agrícola em torno do conjunto tombado. Não se poderia localizar a estação de mísseis em outro ponto, sem, afetar a grave e silenciosa beleza de Alcântara, com seus velghos sobrados convertidos em monumento nacional?”

Na coluna do Caderno B do Jornal do Brasil, edição de 21 de julho de 1981.

Lambe-Lambe: Praça da República, em São Paulo


Na Folha - Brasil vai cancelar acordo com Ucrânia para lançar foguetes


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Caminho fica aberto para que negociações sobre lançamentos comerciais americanos em Alcântara (MA) sejam retomadas
NATUZA NERYDE BRASÍLIAIGOR GIELOWDIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após quase 12 anos de atrasos, o governo federal decidiu cancelar o acordo bilateral para o lançamento de foguetes ucranianos com satélites comerciais da base de Alcântara, no Maranhão.
Os dois governos gastaram aproximadamente R$ 1 bilhão na empreitada fracassada, rachando a conta.
Folha apurou que a decisão foi tomada pela presidente Dilma Rousseff a partir de relatório de um grupo interministerial em janeiro, mas ainda não foi comunicada a Kiev.
A alegação foi o custo do lançador de satélites Cyclone-4, que teria se tornado abusivo num cenário de contração fiscal. O projeto sempre foi custoso: a previsão era de que fosse deficitário por 20 anos. Oficialmente, até que a Ucrânia seja informada, o acordo está mantido.
Com isso, está reaberta a porta para uma negociação que há muito interessa aos EUA: poder usar as instalações de Alcântara para fins comerciais. Um acordo chegou a ser firmado em 2000, mas acabou engavetado porque previa que os americanos usariam a base, mas não compartilhariam sua tecnologia.
Alcântara é objeto de desejo para lançamentos devido à sua posição equatorial --a maior parte dos satélites de comunicação usa órbitas paralelas à linha do Equador, então gasta-se menos combustível para chegar lá. Os europeus, por exemplo, lançam satélites pela Guiana Francesa.
Como Dilma está em processo de reaproximação com o governo dos EUA, na esteira da remediação do escândalo em que se viu espionada, o tema pode ser retomado.
A diplomacia russa, segundo a Folha apurou, também vinha pressionando discretamente o Brasil a abandonar o acordo com seus rivais ucranianos. Os russos podem inclusive ofertar lançadores.
O Cyclone-4 é um filhote distante da seção do programa espacial da União Soviética que ficou em mãos ucranianas após a dissolução do império comunista, em 1991.
Foi oferecido ao Brasil em 2003, para lançamento em 2007. Nada ocorreu. Em 2006, foi formada uma empresa binacional para tocar o projeto, a ACS (Alcântara Cyclone Space), com lançamento previsto para 2010.
    Por falta de verbas e até uma disputa territorial com quilombolas, o negócio se arrastou --a última previsão era lançar o foguete em 2015.
Até aqui, quase metade das obras na base estão concluídas, e os ucranianos dizem ter o foguete quase pronto.
    Além disso, desde 2014 o país europeu está envolvido numa guerra civil com separatistas pró-Rússia, o que não inspira confiança política.
O fim do acordo foi selado em reunião entre Dilma e os ministros Jaques Wagner (Defesa), Aldo Rebelo (Ciência), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
    O programa do Cyclone-4 era criação do ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, que representou o Brasil na binacional ACS até 2011. Ele sempre foi criticado pela FAB (Força Aérea Brasileira), tradicional gerente do programa espacial brasileiro.
Para os militares, o Cyclone-4 retirou investimentos de projetos nacionais, já abalados desde 2003, quando um incêndio em Alcântara matou 21 técnicos que trabalhavam no modelo VLS-1.
    Desde então o programa espacial brasileiro está emperrado. Os militares ainda pretendem lançar o VLS-1, mas o desenho do foguete é obsoleto e há uma nova geração de lançadores em estudo.


Projeto nunca foi competitivo e só serviu para criar ferro-velho no MA

SALVADOR NOGUEIRACOLABORAÇÃO PARA A FOLHA    Mais um plano mirabolante para o programa espacial brasileiro vai por água abaixo.
Em 2003, quando o acordo foi assinado, especialistas já o consideravam má ideia.
Um problema era o uso de combustível tóxico, ameaçando contaminação em caso de acidente. Já se esperavam também falta de competitividade no mercado comercial e a necessidade de investimentos grandes para converter o antigo míssil balístico soviético, confiável mas ultrapassado, num lançador moderno.
Nada disso impediu o acordo, mas agora serve como motivo para deixar tudo para lá.
São centenas de milhões a menos no combalido caixa da União, em troca de oba-oba e uma plataforma de lançamento inconclusa, prestes a virar ferro-velho no Maranhão.
Com essa verba, o país poderia ter concluído o VLS (Veículo Lançador de Satélites), projeto que já se arrasta por quase quatro décadas com a missão de dar ao Brasil acesso independente ao espaço.
Agora, ele volta a ser a única tábua de salvação do programa espacial brasileiro --embora ainda siga perto da estaca zero, com três tentativas de lançamento fracassadas.
Relegado a um segundo plano desde o acidente que matou 21 pessoas em 2003, ele ganhou renovada importância nos últimos anos.
O IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço) trabalha numa versão mais moderna do VLS, chamada de VLM (Veículo Lançador de Microssatélites), que colocaria em órbita dispositivos espaciais de pequeno porte. Mas o investimento é pequeno.
É um caminho para iniciar a exploração comercial do Centro de Lançamento de Alcântara --o melhor do mundo em localização. Mas é só um modesto começo.
Se quiser de fato ganhar bilhões com Alcântara, em vez de perdê-los, o Brasil precisará de um acordo de salvaguardas tecnológicas com os EUA, até o momento rechaçado. Sem isso, é impossível lançar do Brasil qualquer produto espacial que tenha componentes americanos --uma fatia bem grande do mercado.

MANCHETES DOS JORNAIS

Maranhão
O Estado do MA: 3 mortos à bala em noite de violência
Região
Jornal do Commercio: Como seria bom se fosse sempre assim
Meio-Norte: Exército vai integrar  combate ao crime
O Povo: Camilo muda Ronda e tanta salvar o programa
Nacional 
Correio: Justiça libera Vaccari para mentir à Câmara
Estadão: Câmara aprova projeto de lei que amplia terceirização
Folha: Câmara aprova ampliação da terceirização no país
O Globo: Terceirização é aprovada na Câmara, mas racha  governo
Zero Hora: Vaga no sufoco

A ilha da discórdia na terra dos Sarney

De um lado, casarões de veraneio onde a família do senador recebe convidados. De outro, casebres que abrigam 30 famílias pobres. Sobrinho do peemedebista ameaça transformar local em loteamento popular

Henrique Bóis, Especial para o Estado Raposa (MA) e Eduardo Kattah
No município de Raposa, 20 quilômetros a nordeste de São Luís, a ilha de Curupu é conhecida como um dos símbolos do poderio econômico da família Sarney. Mas sua área total de 16 milhões de metros quadrados reflete também o contraste social pelo qual se tornou conhecido o Maranhão.
Contraste. Na face sul, casas de luxo abrigam clã maranhense e convidados - Honório Moreira/Estadão
Honório Moreira/Estadão
Contraste. Na face sul, casas de luxo abrigam clã maranhense e convidados
No lado sul da ilha, duas mansões servem de abrigo para o clã maranhense e seus convidados vips. Na face norte, um povoado conhecido como Canto, formado por 30 famílias de remanescentes do local, ainda vive como seus antepassados. Com a permissão do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), a comunidade simples reside ali em casebres de madeira, cobertas de palha ou de telhas de amianto. Os moradores alegam que não têm permissão para construir casas de alvenaria. No lado sul da ilha, duas mansões servem de abrigo para o clã maranhense e seus convidados vips. Na face norte, um povoado conhecido como Canto, formado por 30 famílias de remanescentes do local, ainda vive como seus antepassados. Com a permissão do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), a comunidade simples reside ali em casebres de madeira, cobertas de palha ou de telhas de amianto. Os moradores alegam que não têm permissão para construir casas de alvenaria. 

Se depender da disposição de um sobrinho de Sarney, a ilha poderá futuramente contar com novos moradores. Dizendo-se coagido na sua intenção de vender a parte que lhe cabe em Curupu, ele ameaça fazer um loteamento “popular” na paradisíaca propriedade da família.
Gustavo da Rocha Macieira, filho de Cláudio Macieira - já falecido -, irmão de dona Marly Macieira Sarney, esposa do senador, decidiu há dois anos oferecer, por cerca de R$ 20 milhões, os 12,5% que possui da ilha. Em dezembro de 2011 ele chegou a publicar anúncios em jornais, contratou uma imobiliária para cuidar da venda e iniciou uma negociação com um grupo português. Segundo Gustavo, este e outros compradores desistiram da compra ao saber que se tratava de um imóvel da família Sarney.
A imobiliária Alzira, que ele contratou em São Luís, não conseguiu publicar o anúncio da venda no jornal O Estado do Maranhão - de propriedade da família Sarney - e, com medo de “retaliação”, preferiu desfazer o contrato com o sobrinho do senador. A governadora Roseana Sarney (PMDB), afirma Gustavo, quer impedir que ele use nas peças publicitárias fotografias da sua mansão na ilha.
‘Vai ter fila’. “O que me parece que vai restar como opção para mim é chegar lá no Maranhão e oferecer lotes a partir de 100 metros quadrados para quem quiser comprar, fracionar aquilo”, disse ao Estado Gustavo. “Vai ter fila em São Luís. Aí o problema é deles. Vai ser bom porque eles vão conviver com o povão, né? Vai ser agradável.”
A sua parcela na ilha é de aproximadamente 2 milhões de metros quadrados. Há dois anos, segundo corretores locais, o metro quadrado de terra na região (não especificamente na ilha) estava sendo vendido a R$ 30. É o preço que o sobrinho de Sarney pretende cobrar pelo metro quadrado de sua imensa parte na ilha.
Esse valor é menos da metade dos R$ 66 pelo metro quadrado que Ivanoel Alves de Sousa tenta obter com a venda de um terreno de 10 por 38 metros em área bem localizada no Timbuba, área portuária no município vizinho de Paço do Lumiar, utilizada pelos Sarney e amigos para embarque e desembarque. No condomínio Alphaville, na cidade de São José de Ribamar, a venda de lotes gira em torno de R$ 450 o metro quadrado.
Não há placas de venda em Curupu. Na semana passada, o Estado teve acesso à ilha a convite de moradores do Canto. A paisagem é como uma miniatura dos lençóis maranhenses, em frente à sede do município de Raposa, cidade construída por imigrantes cearenses exilados pela seca da década de 1930 e que ocupa o 3.561.º lugar entre as 5.565 cidades brasileiras no Índice de Desenvolvimento Humano. A água que abastece os casebres da colônia de pescadores tem alto nível de salinidade.
Entre os moradores está Valbinho, apelido que Claudiomar Ferreira da Silva, 43 anos, ganhou nos 18 anos que passou executando serviços domésticos na casa do Sarney em Curupu. Segundo ele, Sarney o tem como amigo. Até pouco tempo, o ex-presidente da República costumava ir até o Canto. 
Bolsa Família. “Às vezes ele me chamava na casa para saber das novidades”, conta Valbinho - que é pescador e pai de três crianças, todas inscritas no Programa Bolsa Família. No município há 5.664 inscritos no programa social do governo federal. Segundo cadastro do Ministério do Desenvolvimento Social a frequência escolar é de 71,47% nas escolas que recebem alunos entre 6 e 15 anos.
Há uma escola no Canto. Luana de Jesus da Silva, 15 anos, e Diana de Jesus Silva, 9 anos, estudam na Unidade Escolar Manoel Batista, um anexo da rede de ensino fundamental de Raposa. Luana está na 6.ª série e Diana na 4.ª.
Ambas dividem o único professor num mesmo espaço. Na quarta-feira, Diana fechava as portas da escola às 16 horas. Não houve aula.
“Os professores de Raposa não querem vir pra cá”, reclama Valbinho. Sem ler, nem escrever, o “amigo do senador” sabe da instabilidade em que vivem os moradores na ilha. “Aqui tem luz. Mas nós não temos conta em nosso nome. Não podemos provar coisa alguma”, afirma. “Qualquer dia desses o velho morre e a ilha será vendida”, vaticina.
São poucos os que possuem emprego formal. Há empregados da casa do Sarney que moram ali. Das 30 casas, pelo menos 20 têm uma moto em frente. Mas só os homens pilotam. Todos no povoado votam ou votaram em Roseana nas últimas eleições, como conta Cleudes, esposa de Valbinho.
A política de proteção da Ilha dos Sarney foi mais acentuada no passado. “Houve uma época em que eles colocaram segurança de um lado e de outro aqui em Raposa”, conta Francisco “Nego”, barqueiro que tira a modesta renda diária cobrando R$ 2 por travessia em um barquinho. Não deu certo. Hoje os caseiros relaxam e abrem as portas aos visitantes, ilustres ou desconhecidos.
Do outro lado de Curupu a segurança das mansões dos Sarney costuma ser feita por policiais militares da Secretaria de Estado de Segurança Pública. De camisetas azuis com logo da ilha estampado, quatro se revezam em plantões na casa de Roseana, esteja a governadora presente nas dependências da mansão ou não.
Mas raros são os moradores do porto que já viram o senador pessoalmente. O barqueiro Domingos Souza Marques, 51 anos, conta que só o viu pela televisão. San Dumon Kzam, 43 anos, comerciante descendente de libaneses, viu apenas uma vez o senador passando para o porto no rio Santo Antonio. “Estou comprando até terreno na lua”, brinca Kzam, ao ser informado sobre a proposta de loteamento de parte da ilha feita por Gustavo Macieira.
Porém, está ficando raro também o uso do porto em Paço do Lumiar pelos Sarney. Conforme relatos de moradores, quando se recolhe à ilha, a governadora utiliza helicópteros oficiais do Estado. Os convivas costumam partir do heliporto do empresário Eduardo Lago, na praia do Olho D’Água em São Luís. Vista do céu a visão da ilha esconde os casebres do Canto. O que sobressai é mesmo a parte sul e o imenso telhado da mansão do senador e de sua filha entre o recorte do mar e a vegetação preservada.
Respeito. Gustavo, que mora no Rio, diz que não visita a ilha há quase dez anos. O último encontro com o senador foi na época em que decidiu vender sua parte na propriedade. Disse que foi ao Senado para comunicar ao então presidente da Casa sua intenção “por respeito” e “consideração” ao tio.
“Não estou numa cruzada, não quero comprar briga com ninguém. Eu quero, eu preciso vender (a ilha). Eu tenho minha mãe e meu filho, que são dependentes de mim. Eu sou de classe média. Eu nunca ocupei e nem quero nenhuma diretoria de estatal, não fui educado pelo meu pai nesse tipo de bajulação a um ‘politicozinho’. Quero apenas vender um patrimônio que foi constituído, comprado pelo meu avô na época, vendido para o meu pai e que meu pai me vendeu essa fração ideal”, afirma.