quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Catullo da Paixão Cearense em charges e caricaturas

Músico, autor de livros e peças teatrais, Catullo da Paixão Cearense foi um maranhense ilustre. Recebido por cinco presidentes no Palácio do Catete, entre eles Getúlio Vargas, Catulo tinha traços de uma fisionomia que despertava talentos de chargistas e caricaturistas.

Lanza, Aldo Malagoli, Da Costa, Raul Pederneira, Vasco Lima, Romano, Paulo Amaral, Euclydes Luís dos Santos, Orózio Belém e Helio Seelinger foram alguns que usaram seus traços para interpretar o personagem.  













Secretários articulam estratégias para manter curva ascendente de emprego no Maranhão

Os secretários Jowberth Alves e Márcio Jerry alinharam ações (Foto: Letícia Castro)

Em 2020 foram registradas no Maranhão 19.753 admissões líquidas, o resultado mais significativo desde 2011 e configurando o quarto ano seguido de resultado positivo. O dado é da sinopse da Nota de Mercado de Trabalho, referente a dezembro de 2020, divulgado pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC). 

Em relação aos empregos gerados no território maranhense, 118 municípios apresentaram saldos positivos de empregos em 2020. Os maiores resultados foram apresentados pelas seguintes cidades: São Luís, Imperatriz, Santo Antônio dos Lopes, Coelho Neto e Codó. 

“A geração de emprego e renda é uma prioridade do Governo Flávio Dino no momento em que o país vive, além do combate a pandemia. Nosso governo está empenhado em salvar vidas, garantir dignidade, renda e sustento “, disse o secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano do Maranhão, Márcio Jerry, nesta terça-feira, 2, logo após encontro com o secretário de estado do Trabalho e da Economia Solidária (Setres), Jowbertyh Alves. Os secretários dialogaram sobre estratégias para buscar ações que possibilitem articulação de políticas públicas em tempo hábil a população maranhense.

O secretário Jowberth Alves analisa positivamente o cenário da empregabilidade fortalecido, mesmo em um ano de crise, com apoio e investimentos públicos por parte do Governo Estadual. “Dois mil e vinte foi um ano de crise e desafiador, ainda sim, encerramos o ano com salvo positivo na geração de empregos. Criamos medidas, oferecemos apoio aos trabalhadores e trabalhadoras com programas e ações emergenciais. A Secid exerce um papel importante na articulação com municípios em áreas de habitação, urbanização, dentre outras, que perpassam pela política pública de emprego e renda. A pandemia ainda não acabou, é necessário continuar nosso trabalho em benefício dos maranhenses”, afirma Jowberth Alves.


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 Governo do Maranhão descarta "neste momento" decretar novo lockdown

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Prefeito de Santa Inês terá salário superior ao do prefeito de São Paulo

Felipe dos Pneus participa do início da vacinação

Prefeito de Santa Inês empossado em 1º de janeiro, o ex-deputado estadual Felipe dos Pneus (Republicanos) vai receber salário superior ao prefeito de São Paulo, Bruno Covas. Até dezembro de 2021, Covas vai receber salário de R$ 24 mil. Daí para frente, o salário do prefeito de São Paulo passará a ser de R$ 35.462,00. 

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Como Iemanjá se tornou o orixá mais pop do Brasil


RIO — “Dois de fevereiro / dia da rainha / que pra uns é branca / pra nós é pretinha”. Os versos de Emicida em “Baiana”, canção de 2015, são uma de incontáveis referências a Iemanjá na arte brasileira. Do cinema de Glauber Rocha às pinturas de Carybé e Abdias do Nascimento, o orixá mais pop do Brasil segue inspirando artistas dentro e fora dos terreiros, numa produção tão vasta quanto o mar que lhe foi dado como domínio do lado de cá do Atlântico.


Como outras divindades que hoje compõem o panteão afrobrasileiro, Iemanjá nos foi trazida pelos negros sequestrados na região da atual Nigéria. Por lá, ela era considerada não a deusa dos oceanos, mas, sim, a protetora do rio Ogun, segundo o doutor em Sociologia e babalorixá Armando Vallado, autor de “Iemanjá, a grande mãe africana do Brasil” (Pallas). Para o pesquisador, a popularidade do orixá por aqui se deve à associação com a Virgem Maria e o próprio mar.

— A saudação a Iemanjá, "Odoyá", significa "a mãe do rio". No Brasil, ela se tornou a mãe do mar porque o culto a Olokun, a divindade original dos oceanos para os povos iorubás, acabou perdendo força por aqui. Essa associação de Iemanjá ao mar, que ladeia grande parte do território brasileiro, foi um primeiro impulso para a popularização de seu culto. Outro motivo é o sincretismo com a Virgem Maria, promovido, especialmente, pela umbanda. Nos mitos africanos, ela não é só uma mãe: é também uma guerreira, uma amante, uma mulher capaz de uma série de atos, da sedução ao assassinato — explica.
 


'Canções praieiras' de Dorival Caymmi

Ensinadas nos terreiros através dos itans, isto é, de narrativas mitológicas passadas de geração em geração, as características de Iemanjá também foram popularizadas em versos cantados por Maria Bethânia (“Iemanjá, rainha do mar”), Gilberto Gil (“Iemanjá”), Fundo de Quintal (“Sá Janaína”), Baden Powell e Vinícius de Moraes ("Canto para Iemanjá").

Atravessaram a Avenida, com o hoje clássico samba-enredo “Lenda das sereias - Rainha do mar” (dos versos “Ogunté, Marabô, Caiala, Sobá / Oloxum, Inaê, Janaína, Iemanjá / São rainhas do mar”), depois, regravado por Marisa Monte. E chegaram até o rock do Metá Metá (“Rainha das cabeças”, de 2012), passando pelos arranjos suaves de Serena Assumpção (‘Iemanjá”, de 2016) e Rosa Amarela (“Yemanjá”, de 2019).

As “águas de dona Janaína” também aparecem logo na abertura de “Canções praieiras”, primeiro álbum de Dorival Caymmi, de 1954. Segundo o antropólogo Vítor Queiroz, autor de “Dorival Caymmi: a pedra que ronca no meio do mar”, é o compositor baiano o grande responsável pela imersão dos cantos a Iemanjá no mainstream da música brasileira.

— Até a primeira metade do século XX, a perseguição aos candomblés ainda era institucionalizada pela polícia. O que se tinha, na música, eram algumas gravações de pontos e cantigas, um mercado muito restrito ao consumo de alguns poucos intelectuais. Caymmi é um dos primeiros a conjugar o sucesso entre acadêmicos, público e crítica. Iemanjá vai articulando sua entrada na MPB através dele. Ele lança uma base para as gerações futuras, que também falarão dela a partir das informações que ele já havia disponibilizado.

Presença na TV e no cinema

No audiovisual brasileiro, Iemanjá aparece como elemento importante em “Barravento”, primeiro longa de Glauber Rocha, de 1961. Na obra, o orixá concede proteção a Aruã (Aldo Teixeira) em troca da castidade do rapaz. Na minissérie da TV Globo “O canto da Sereia”, de 2013, o orixá é objeto da devoção da cantora de axé vivida por Isis Valverde. A produção é baseada no livro “O canto da sereia - um noir baiano”, de Nelson Motta.  Já em “Porto dos milagres”, novela da TV Globo de 2001 que chegou ontem ao Globoplay, a rainha do mar chega a aparecer em sonho a Guma (Marcos Palmeira), sendo personificada pela atriz Flávia Alessandra.

A novela é uma adaptação de “Mar morto” e de “A descoberta da América pelos turcos”, livros de Jorge Amado — que também impulsionou a popularização do culto a Iemanjá no Brasil. Ao longo da obra do escritor, Iemanjá aparece em diversos momentos, ora como a divindade protetora dos pescadores e do povo do mar, ora como aquela que tem o dom de lhes tirar a vida. Para Eduardo Queiroz, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Amado é pioneiro ao trazer não uma visão demonizadora do orixá, mas complexa:

— Até então, as referências às religiões afrobrasileiras na literatura eram, quase sempre, preconceituosas. Os sacerdotes e adeptos eram narrativizados como feiticeiros, pessoas que faziam trabalhos para o mal dos outros. Seja em “Mar morto”, “Quincas Berro D’Água” ou “Tenda dos milagres”, obras que fazem referência aos orixás, não há uma linha de preconceito contra essas religiões em Jorge Amado. Ele foi um dos grandes responsáveis por essa reconfiguração do imaginário popular sobre Iemanjá, já que, durante mais de vinte anos, foi o escritor brasileiro mais lido e traduzido mundo afora.

Da fonte de Jorge Amado e Caymmi bebeu também Luang Senegambia, artista visual do Rio de Janeiro que, desde 2014, expõe suas colagens virtuais inspiradas nos orixás na página @senegambia, no Instagram. Apaixonado por histórias em quadrinhos desde criança, Luang afirma que encontrou, no universo dos deuses afrobrasileiros e das artes gráficas, os elementos fantásticos que apreciava e uma forma diversa de narrar a vivência dos negros deste país:

— Ser ancestral não é necessariamente olhar para trás: é ter exata noção do tempo que você está vivendo. O nosso presente é o presente da tecnologia. A arte gráfica é a forma como eu absorvo, metabolizo e devolvo para o mundo a minha opinião sobre o que é ser negro no Brasil, além de me reconectar à minha paixão de criança. Sou filho de Iemanjá, e sempre achei essa deidade que vive embaixo d’água uma das coisas mais fascinantes da cultura afro-brasileira.

Celebrações

Este ano, a tradicional festa ao orixá na praia do Rio Vermelho, em Salvador, acontecerá sem a presença do público, devido à pandemia. As celebrações a Iemanjá ficarão por conta de lives como as promovidas pelo Festival Oferendas 2021, que reunirá, nesta terça, artistas como Nara Couto, Alice Caymmi, Zé Manoel e Luedji Luna. A transmissão começa às 15 horas, no canal do Lalá Multiespaço no YouTube.

Já a cantora Mariene de Castro promove sua própria celebração à deusa das águas salgadas a partir das 20h, na plataforma Sympla. De “Prece de pescador”, lançada em seu primeiro disco, de 2005, a regravações de “Conto de areia” e “O mar serenou”, eternizadas por Clara Nunes, não faltam cantos a Iemanjá no repertório da artista baiana, que afirma:

— Entre gravações e músicas que canto nos shows, são mais de vinte canções inspiradas nela. O palco é meu templo sagrado, e o orixá vai comigo para ele. Iemanjá é a senhora da cabeça, é quem cuida de nosso equilíbrio emocional. Apesar de todo o racismo religioso que ainda existe, ela se mantém presente nos cultos, nas cidades e na nossa arte. Não há como pensar no mar e não pensar na rainha.

Bem dizia Amado, em “Mar morto”: “O povo de Iemanjá tem muito o que contar”.

Salve o imortal Jorge Itacy


 

Charge do dia - Folha


 

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 Assembleia empossa nova mesa diretora para o Biênio 2021-2022

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vera Magalhaes - Pior líder mundial? Vamos dar a ele o Congresso!

 Jair Bolsonaro é considerado o pior líder mundial no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Sua popularidade está em queda em qualquer pesquisa de opinião que se olhe, em praticamente todos os estratos e regiões. Não existe vacina disponível para a grande maioria da população brasileira. A economia patina após um soluço de recuperação à custa de auxílio emergencial e a desigualdade, depois do mesmo soluço, é maior que no início da pandemia.

Qual a resposta dos senhores parlamentares a esse estado de coisas? Simples: dar a este presidente o comando das duas Casas do Congresso. A que custo? As cifras variam bastante, mas sempre na casa dos bilhões de reais, vindos do Orçamento federal já estourado e de mais sacrifício a gastos que deveriam ser prioritários.

Parece impossível de entender, e é mesmo. A política vai mostrando que não tem nenhum compromisso com as preocupações reais do Brasil, as urgências sociais, de saúde pública, econômicas e institucionais, e que viu na fragilidade de Bolsonaro a chance de lhe arrancar até a cueca na forma de fisiologismo explícito para afastar o fantasma do impeachment, a única coisa que aflige de fato o capitão.

Não importa que, para isso, os partidos implodam suas próprias estruturas e comprometam a própria estratégia para 2022. Como em 2018, as principais siglas mostram incapacidade de projetar as consequências de médio e longo prazo de suas ações, e ignoram a capacidade de Bolsonaro de manter uma base fiel, ainda que minoritária, para construir sua candidatura em cima dos erros dos adversários (além de outros expedientes conhecidos, como fake news, discurso de ódio, negação da política e, agora, rios de dinheiro público).

DEM, PSDB, PSD e MDB adiam ou comprometem em definitivo qualquer possibilidade de construírem uma frente alternativa ao bolsonarismo para 2022. Presos ao imediatismo de cargos e emendas não levam em conta nem o básico: se a economia continuar derretendo e a pandemia avançando, a popularidade de Bolsonaro vai cair ainda mais.

E é por isso, pela vida real, que se impõe, que talvez a vitória esperada do presidente nas eleições das Mesas não se configure um respiro longo ou uma melhora efetiva da governabilidade.

Todas as muitas e caras promessas feitas para angariar votos para Arthur Lira na Câmara começarão a ser cobradas no primeiro dia, com mais virulência quanto maior for o desgaste de Bolsonaro nas pesquisas.

O Orçamento em frangalhos não comporta todos os ministérios e emendas prometidos, e a gritaria não vai demorar, porque o Centrão não tem pruridos de fazer a cobrança em alto e bom som e na forma de votações.


Não será simples também a Lira fazer andar a pauta regressiva que Bolsonaro espera ver transformada em prioridade legislativa: a oposição, depois de um primeiro ano dominado pela discussão da reforma da Previdência e um segundo em que a pandemia ditou o apoio a projetos do governo, agora será ruidosa e atuante, mesmo que saia derrotada hoje.

A discussão sobre a volta do auxílio emergencial vai estressar Paulo Guedes e sua equipe. O governo reclamou muito de Rodrigo Maia, mas vai sentir falta do compromisso que ele sempre teve com o ajuste fiscal diante do comando do rei do Centrão, para quem o teto de gastos é apenas um obstáculo ao cumprimento das promessas de campanha.

E o impeachment? Os 60 pedidos que Maia deixa na gaveta deverão ficar lá como um alerta a Bolsonaro de que, se não ajoelhar no milho e entregar tudo o que prometeu, pode ser colocado na roda pelo hoje aliado.

Neste caso, aliás, não há que se esperar fidelidade: nem o presidente hesitará em culpar o Centrão pela persistência do fracasso de seu governo, nem o Centrão vai titubear se tiver de rifar o presidente caso sua popularidade afunde de vez no pântano da pandemia. É como a parábola do escorpião e do sapo, só que a diferença é que os dois companheiros de travessia têm ferrão.

Charge do dia - O Povo

 


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