terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Em volta das arquibancadas - JANIO DE FREITAS


É possível processar a quase totalidade dos criminosos, e não só dois ou três como é feito, quando é feito

    A grita em tantas direções não evita que seja difícil, senão impossível, encontrar entre os gritadores um que não seja corresponsável, em alguma medida, pelo espetáculo das bestas humanas nas arquibancadas de Joinville, e em todas as outras.
    Já que estamos por aqui, podemos começar pelos meios de comunicação. Nenhum jornal, TV, revista ou rádio se interessou, jamais, por encarar para valer a violência que invadiu os estádios, no Brasil todo, há muito tempo. Assim como os bestalhões cometem periodicamente os seus acessos de brutalidade aproveitando o futebol, a imprensa (vá lá, engloba tudo) faz o seu surto de críticas como subsidiário do espetáculo boçal. E logo se segue a pausa, a imprensa à espera da clarinada dos boçais.
    Na imprensa, poucos não sabem que muitos dos bandos são patrocinados com doações dos respectivos clubes, a pretexto de torcida para incentivo ao time. E que o patrocínio tem duplo interesse eleitoreiro, nas disputas pelo poder no clube e nas eleições político-partidárias: há muitos cabos eleitorais nas torcidas organizadas. É uma engrenagem bastante conhecida.
    Se a engrenagem cria um enguiço maior, nem por isso a gritaria subsidiária avançará necessariamente mais. O episódio da Bolívia é exemplar. De repente foi "descoberto" lá no litoral paulista um "dimenor" apresentado como disparador do rojão sobre torcedores bolivianos, com a consequência de matar um menino de 14 anos. À família da vítima foi dado, não uma indenização, mas um cala a boca monetário, como complemento da "solução" incumbida a uma charmosa advogada e comentarista de jornal da TV Cultura. Ali o bando de boçais pouco se distinguiu de um grupo de querubins.
    Se antes o assunto estava em estado mortiço, a "solução" cobriu-o de silêncio. Nem com tantos jornais, TVs, revistas e rádios, houve uma iniciativa de verificar se o "dimenor" ao menos viajou mesmo para a Bolívia, que algum rastro ficaria. Por falar nele, em que condições vivem, hoje, o próprio e sua família?
    A legislação para o problema é uma grande farsa. Foi elaborada mais com interesses políticos do que para regramento efetivo. A chamada Justiça Esportiva não tem como coibir a ferocidade nas arquibancadas, mas finge ter, com medidas idiotas como "o jogo com fechamento dos portões" e a perda de mando de campo, que punem os futuros times adversários do time "punido". Mas assim se cumpre o objetivo dos mandatários do futebol, de não criarem problemas políticos e eleitorais para si e para seus correligionários.
    E as autoridades da ordem? A Polícia Civil de São Paulo mostrou ontem o que é um verdadeiro trabalho policial. Prendeu duas dezenas de desordeiros e ladrões que investigou desde outubro, quando a morte de um menino por tiro policial serviu de pretexto para a interrupção da rodovia Fernão Dias, roubo de cargas e de caminhões, saques a lojas e incêndios de ônibus. Foi investigação, foi infiltração, foram interrogatórios, com um resultado que, por certo, irá além desse episódio: vai atemorizar muitos dos que têm feito tais ações sem dificuldade no ato e no pós-ato.
    O trabalho excelente nesse caso demonstra que é possível identificar, prender e processar a quase totalidade dos criminosos das arquibancadas, e não só dois ou três como é feito, quando é feito. O que demonstra, também, que se não é feito é porque os governantes estaduais não querem e os setores que lhes podem cobrar não os cobram de verdade, não os põem xeque.
    A gritaria tem razão de ser. Mas é também contra si mesma.

Impunidade incentiva selvageria em estádios - EDITORIAL O GLOBO


É crucial punir arruaceiros e banir dos estádios as gangues disfarçadas de torcida. A barbárie de Joinville requer resposta imediata de CBF, Justiça, clubes e poder público

    A partida de anteontem entre Vasco e Atlético Paranaense, em Joinville, foi uma tragédia anunciada. E não se pode atribuir ao lamentável desfecho, com torcidas organizadas dos dois times promovendo cenas de selvageria nas arquibancadas do estádio, influência circunstancial de uma tabela que programou para a última rodada do Campeonato Brasileiro um jogo entre uma equipe que lutava para não ser rebaixada e outra que brigava por uma vaga na Libertadores.
    Essa carga de drama também esteve presente em outros confrontos da rodada, disputados sem quaisquer sinais de violência extracampo. Antes, deve-se identificar em que nível de decisões do poder público do Paraná efetivamente começou a cadeia de leniência e medidas irresponsáveis da qual resultou a estapafúrdia ordem de desprover o estádio de policiamento adequado. Neste sentido, é no mínimo risível o argumento de que o jogo se tratava de um “evento privado”.
    Ora, também passeatas, por exemplo, podem ser classificadas como tal, e nem por isso as autoridades deixam de guarnecê-las com agentes públicos de segurança. Jogos de futebol têm o potencial de afetar a segurança pública e de colocar em risco multidões, como aconteceu em Joinville. Precisam ter aparato policial à altura.
    Este é o viés pontual do problema — mas não o único a exigir providências exemplares. Outro, ainda mais grave, é o crescimento exponencial da violência nos estádios e seu entorno. Enquanto do ponto de vista administrativo o futebol brasileiro faz um louvável esforço para melhorar sua gestão (equacionamento do calendário, ações que buscam o saneamento financeiro dos clubes, modernização das arenas etc.), a questão da segurança dos torcedores continua sendo tratada sem que medidas para banir a violência nos jogos sejam efetivamente adotadas. O Estatuto do Torcedor, por exemplo, não vem sendo aplicado como deve, salvo exceções, como o Rio de Janeiro.
    Diante de um quadro que se deteriora de forma cada vez mais perigosa, é irrecorrível que poder público e entidades tomem atitudes drásticas contra marginais que, travestidos de torcedores, entram nos estádios não com o propósito de acompanhar uma partida, mas de promover barbáries como a de domingo. A mais imediata é acabar com a praga das torcidas organizadas, protagonistas desde sempre de atos de selvageria.
    Cenas de violência como as de Joinville são condenáveis em quaisquer circunstâncias. E a essa barbárie acresce-se a preocupação com a proximidade da Copa. O que implica, da parte de CBF, clubes, Justiça desportiva e poder público, resposta rápida e eficiente: julgamento e punição de arruaceiros, banimento dos brigões dos estádios, como já acontece na Europa, sem prejuízo das medidas penais, e punição de clubes cujas torcidas se envolvam em atos de violência (jogar com portões fechados e, no extremo, perda de pontos e desclassificação das competições). É crucial desestimular as gangues disfarçadas de torcedores.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA: Bebê é resgatado em boca de fumo em SL
Região
Jornal do Commercio: Médico indiciado por morte após cirurgia
Meio-Norte: Número de empresas cresce 15 vezes no Piauí
O Povo: 74 gastas acima do permitido com servidores
Nacional
Brasil Econômico: Defasagem do preço de óleo para indústria é de 15%
Correio Braziliense: Futebol brasileiro é refém de 30 torcidas
EstadãoLista de propina do ISS tem shopping e grandes empresas
Estado de MinasCerco a moradores de rua
Folha: ‘Lista da propina’ de fiscal cita construtoras e hospitais
O Globo: Desatando o nó: Governo autoriza cinco novos portos privados no país
Zero HoraVoto aberto é colocado à prova no Congresso

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Museu de Tudo: Capa e contracapa do LP de registro do Festival Viva



Selvageria nos estádios - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR


A briga de torcidas, ontem, em Joinville não foi a primeira; o que é preciso fazer para que ela seja a última?

    Mais um episódio que envergonha profundamente o futebol brasileiro ocorreu na tarde de ontem, quando uma briga entre torcedores do Atlético Paranaense e do Vasco da Gama, em Joinville (SC), resultou em três torcedores gravemente feridos. O que deveria deixar todo brasileiro perplexo é o fato de confrontos em larga escala como o observado ontem não serem novidade, e nem exclusividade de estado algum, e de tão pouco ter sido feito para eliminar essa chaga do país que já está sob o olhar de todo o mundo esportivo por causa da Copa do Mundo.
    O que é considerada a primeira morte ligada ao futebol no país ocorreu em 1988. De lá para cá o problema só piorou, e o Paraná não foi poupado. O caso mais recente no estado ocorreu em julho de 2012: Diego Goncieiro, 16 anos, membro da Fúria Independente, torcida organizada do Paraná Clube, morreu com um tiro no rosto, disparado supostamente por membros da torcida Os Fanáticos, do Atlético Paranaense.
    A tragédia de ontem foi facilitada por um entendimento entre a Polícia Militar e o Ministério Público catarinenses, segundo o qual a partida era um evento particular e, por isso, a segurança deveria ser feita por forças privadas. No entanto, ainda que houvesse a presença policial costumeira, sabe-se que muitas vezes ela não é suficiente para inibir os brigões, que além disso passaram a adotar a estratégia de marcar brigas em locais distantes dos estádios e do aparato policial que costuma estar mobilizado para as partidas. Foi assim que os palmeirenses André Lezo e Guilherme Moreira morreram, em 2012, em um confronto entre as organizadas Mancha Alviverde e Gaviões da Fiel na zona norte de São Paulo, muito longe do Pacaembu, onde o Corinthians jogaria naquele dia.
    Um traço comum em praticamente todos os casos de brigas de torcedores é a presença das torcidas organizadas. Há muito se sabe que esses grupos servem de abrigo para pessoas muito mais interessadas em criar confusão e agredir torcedores rivais que em apoiar seu time do coração. La Doce, livro do repórter argentino Gustavo Grabia, mostra a que ponto uma torcida organizada pode chegar. O nome da obra remete à principal organizada do Boca Juniors e refaz a história do grupo, que hoje se tornou praticamente uma máfia envolvida inclusive com o tráfico de drogas. Aliás, o modelo argentino dos barras bravas, verdadeiras milícias disfarçadas de torcidas organizadas, está lentamente sendo importado para o Brasil, como mostraram jornalistas da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, que revelaram os bastidores de torcidas de Grêmio e Internacional.
    Essa irracionalidade precisa parar. Mas, por mais que o primeiro impulso seja pedir a dissolução pura e simples das organizadas, essa solução não nos parece a melhor, pois desrespeitaria o direito à associação. As organizadas não precisam ser extintas, mas precisam passar por uma limpeza geral e urgente. É um processo que deveria começar pelas próprias torcidas. Não basta expulsar os membros desordeiros (nas poucas ocasiões em que isso acontece), é preciso entregá-los à polícia. Mas, quando se observa que muitas das brigas contam com a participação da própria diretoria das torcidas, diminuem as esperanças de uma renovação interna.
    Também é imprescindível repensar a relação íntima que existe entre essas torcidas e suas diretorias, que prestigiam as organizadas por piores que sejam os atos praticados por elas. Apesar de situações esporádicas em que os cartolas falam grosso com as organizadas, o histórico dos clubes paranaenses é de ampla camaradagem entre diretoria e torcidas. Mas os clubes precisam escolher: querem privilegiar desordeiros uniformizados ou as famílias que hoje fogem dos estádios?”
    Por último, é preciso colocar em prática o Estatuto do Torcedor, que, em seu artigo 39, determina punições às torcidas organizadas cujos membros causarem tumultos, e, em seu artigo 41-B, pune torcedores desordeiros com a proibição de ir aos estádios, com a obrigatoriedade de se apresentar à polícia ou à Justiça durante a realização de partidas. No entanto, não apenas o número de torcedores suspensos é infinitamente inferior à quantidade de envolvidos em tumultos, como também a desobediência a decisões judiciais é generalizada e admitida até por federações estaduais de futebol. Na era das câmeras e das mídias sociais, em que a identificação dos desordeiros é mais fácil que nunca, isso é inaceitável e revela uma falha gritante do poder público.
    A selvageria nos estádios mancha uma paixão nacional e afasta aqueles que só desejam incentivar seu time, em um círculo vicioso que atingirá seu ápice quando as arquibancadas forem totalmente dominadas pelos desordeiros. Os torcedores sinceros são o elo mais fraco deste processo de barbarização dos estádios. Sem ação firme dos clubes e do poder público, só podemos esperar a próxima tragédia.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Dilma, Lula, Sarney e FH dão adeus a Mandela
O Imparcial: Saiba como criar seu próprio negócio
Região
Jornal do Commercio:No país da Copa
Meio-Norte:Final tem violência na degola do Vasco
O Povo:Vasco e Flu rebaixados
Nacional
Brasil Econômico:"Brasil tem uma oposição muito fraca"
Correio Braziliense:Dia de vergonha no país da Copa
Estadão:Órgão regulador quer limite a aposentadoria de executivos do BB
Estado de Minas:Ônibus fora da lei
Folha:Ineficiência marca gestão do SUS, diz Banco Mundial
O Globo:Vigilância - Clinton critica espionagem à Petrobras
Zero Hora:Programa Mais Médicos no RS - Eles são poucos, mas têm apoio da população

domingo, 8 de dezembro de 2013

Festa de Nossa Senhora da Conceição na Praça Maria Aragão, em São Luís (MA)

Biografias: entre o certo e o certo - CARLOS AYRES BRITTO

Biografar não é descrição de vida futura. É relato de vida já acontecida ou de desfrute já exaurido do direito à intimidade

    Em linguagem dicionarizada, “bio” é termo designativo de vida, assim como “grafar” é termo designativo de escrever. Sendo que biografar é escrever a vida de outrem. Mais precisamente, biografar é conhecer a trajetória de vida de uma terceira pessoa para o fim de relato e divulgação. Vida do biografado: a) em isolamento ou consigo mesmo (intimidade); b) vida em interação com pessoas mais próximas em afeto e confiança (privacidade); c) vida com os seres humanos em geral (vida social genérica).
    Acresça-se: biografar é atividade que implica pesquisa, entrevistas, análise, relato metódico ou descrição esquematizada, publicação. Atividade intelectual, na medida em que exigente de um tipo de elaboração mental que o povo bem denomina de queima de pestanas ou emprego de massa cinzenta. A demandar do biógrafo “acesso à informação” e respectivo repasse, “manifestação do pensamento” e, naturalmente, “expressão da atividade intelectual (…) e de comunicação”. Que são direitos constitucionalmente adjetivados de “Fundamentais” e de pronto qualificados como conteúdos do princípio da “liberdade”. Liberdade, além do mais, expressamente concedida sob a cláusula da inviolabilidade.
    Ocorre que também sob a marca registrada da fundamentalidade e da inviolabilidade foi que a nossa Constituição conferiu o direito subjetivo à “intimidade”, “vida privada”, “honra” e “imagem” das pessoas. Com o que se tem um confronto de direitos que obriga o intérprete a conhecer a forma pela qual a própria Constituição conciliou as duas categorias de dispositivos. Espécie de opção entre o certo e o certo, no pressuposto de que ela, Constituição, se deseja aplicada em todos os seus comandos. Mas aplicada por modo a sacrificar a amplitude desse ou daquele direito que, sem tal redução de conteúdo, terminaria por nulificar a aplicabilidade do outro, ou até de muitos outros. É o caso da censura prévia ou da antecipada autorização de quem se veja como alvo de empreitada biográfica, pela óbvia razão de que: a) censura prévia é trancafiar numa só masmorra o pensamento, a informação e toda forma de expressão intelectual, científica, artística e de comunicação; b) autorização prévia para se deixar biografar é mal disfarçada autobiografia ou exógena imposição de rumos ao biógrafo. Pelo que, para a devida conciliação das coisas, o conceito de intimidade e vida privada somente pode traduzir o direito a um livre desfrute. Não mais que isto. Mas livre desfrute, no sentido de não embaraçado, não interrompido, não obstruído no curso mesmo de sua efetivação.
    Ora, biografar não é descrição de vida futura. É relato de vida já acontecida ou de desfrute já exaurido do direito à intimidade, vida privada e vida social genérica. É apenas um retrato falado do modo pelo qual o direito ao desfrute já se consumou. Modo a que o biógrafo teve acesso. Nada tem a ver com interceptação de escuta telefônica, uso de teleobjetiva em recintos privados, enfiar-se por debaixo de camas alheias, esconder-se em armários de terceiros ou qualquer outra forma de interrupção, perturbação ou obstrução do desfrute em causa. Contudo, se o biógrafo descamba para o campo da invencionice, ou então da coleta de dados tão maliciosamente distorcidos a ponto de ofender a honra do biografado, além de causar a este prejuízos de ordem “material, moral ou à imagem”, o que pode ocorrer em termos jurídicos? Bem, o que pode ocorrer não é senão a aplicabilidade das normas constitucionais que falam do direito de resposta e de indenização. De parelha com aquelas que legitimam o código penal a criminalizar condutas caluniosas, difamatórias, ou injuriosas.
Fora deste visual jurídico, penso que resultaria frustrado o modo pelo qual a Constituição se desejou conciliadamente aplicada em temas tão sensíveis.

Museu de Tudo: Regueiros jamaicanos no Espaço Aberto em São Luís (MA)



A bolsa e a vida - FERREIRA GULLAR

A coisa se complica ainda mais quando se tornam necessários exames de laboratório, raio-X etc
    Os planos de saúde tornaram-se um grave problema para milhões de brasileiros, que os pagam mensalmente. Como o SUS não dá conta do atendimento à vasta maioria dos brasileiros mais pobres, quem pode, ainda que apertando as despesas, contrata um plano de saúde, confiando em que, quando necessitar, será atendido. A verdade, porém, é que, a cada dia que passa, isso se torna mais difícil.
    Uma das explicações para essa dificuldade --além do número crescente dos que fogem do SUS-- seria que as empresas dos planos de saúde, embora cobrem caro aos assinantes, pagam mal aos médicos. Em face disso, eles dão preferência aos pacientes que não têm plano de saúde e dos quais, em geral, cobram caro.
    A coisa se complica ainda mais quando se tornam necessários exames de laboratório, chapas de raio-X etc. O número de pacientes que solicitam esses exames é cada dia maior, já que hoje todo diagnóstico necessita desses exames.
    A verdade é que há que ter muita paciência para conseguir realizar esses exames, para entregar a solicitação e, mais ainda, para receber o resultado. Se se tratar de um caso grave, que exige urgência, o desastre torna-se quase inevitável. Os mais prejudicados são os idosos, que pagam muito mais caro que os demais, têm necessidade de recorrer aos planos com mais frequência e nem sempre são atendidos em tempo.
   Um exemplo disso é o caso que vou contar agora, cujo personagem é idoso. Vamos chamá-lo de Pedro. Já com seus 80 anos, mas saudável, e por isso quase nunca se valendo do plano de saúde, Pedro se deu conta de que seus pés tinham ficado dormentes. No começo, não deu importância ao fato, mas quando alguém lhe disse que aquilo poderia ser consequência de má circulação do sangue nos pés, decidiu procurar um angiologista, especialista no assunto.
    Com dificuldade, conseguiu marcar a consulta, foi examinado e o resultado é que não havia qualquer problema de circulação em seus pés. "Isso é nervo, deve ser problema da coluna vertebral. Procure um ortopedista", disse-lhe o médico.
    Foi de novo uma dificuldade para marcar a consulta, mas conseguiu agendá-la. "Isso é medula", afirmou o ortopedista e solicitou um raio-X panorâmico de sua coluna vertebral. Aí começou o drama.
    Pedro telefonou para várias clínicas a fim de marcar a radiografia solicitada pelo ortopedista. Falar com as clínicas é um desespero: você liga, atende uma gravação que lhe apresenta uma série de opções.
    Você escolhe a que lhe interessa, digita o número e fica esperando, enquanto começa a tocar uma música e uma voz lhe diz que é uma honra atendê-lo, e que isso se fará dentro em pouco. Você fica ali ouvindo a música e a promessa de ser atendido, mas nada acontece.
Pedro já estava a ponto de desistir quando finalmente o atenderam. Ele disse o que desejava e recebeu a seguinte informação: não se marca hora, a pessoa é atendida por ordem de chegada; quem chega primeiro é atendido primeiro. Perguntou então quando começava o atendimento e a telefonista lhe disse que era a partir das oito da manhã. Mal conseguiu dormir, preocupado em chegar cedo à clínica.
    Acordou, tomou um gole de café e se tocou para lá. Chegou 20 para as oito e já tinha três pessoas em sua frente. Menos mal. Sucede que às 8h ainda não havia chegado o pessoal do raio-X e às 8h20 ninguém ainda havia sido atendido.
    Quarenta minutos depois, a atendente, que examinara a guia médica, lhe disse que ali não se fazia raio-X panorâmico. Pedro voltou para casa desapontado. Sem outra alternativa, passou a ligar para diversas clínicas disposto a encontrar uma que o atendesse. Nenhuma delas fazia raio-X panorâmico.
    Sem saber o que fazer, ligou para o ortopedista, que o aconselhou a perguntar para o plano de saúde qual clínica fazia o tal raio-X panorâmico. Recebeu da atendente o telefone de cinco clínicas.
    Ligou para a primeira, que disse que não fazia esse tipo de raio-X; a segunda respondeu a mesma coisa, e assim também a terceira e a quarta. Apenas a quinta clínica admitiu que fazia, mas só poderia atendê-lo dali a um mês e meio. E Pedro paga R$ 1.700 por mês por seu plano de saúde.

O legado de Mandela - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR


Mandela foi um exemplo de líder que soube trabalhar pela paz e pela conciliação de um país ferido por um sistema explícito de discriminação, rejeitando o revanchismo e uma justiça unilateral

    Não é qualquer pessoa que tem a força moral de, após sofrer por décadas sob um regime racista, promover o perdão e a reconciliação não apenas no nível individual, mas também no nível coletivo. Foi o que Nelson Mandela fez. Após uma longa doença, o ex-presidente sul-africano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz morreu na quinta-feira, aos 95 anos. Ele não derrubou o Apartheid sozinho, mas foi essencial para que os governantes brancos da África do Sul aceitassem entregar pacificamente o poder, e para impedir que a maioria negra buscasse se vingar dos antigos algozes em uma possível guerra civil.
    Sempre se recorda a resiliência de Mandela, que não deixou que os 27 anos passados na prisão destruíssem sua convicção a respeito da maldade intrínseca do Apartheid e sua disposição em eliminar um sistema tão perverso. Mas sua trajetória também revela um grande amadurecimento. O Mandela dos anos 60, influenciado por Marx, Fidel Castro, Che Guevara e Mao Tsé-tung, abandonou a resistência pacífica, inspirada em Gandhi, para fundar o grupo terrorista Umkhonto we Sizhe, com membros do Congresso Nacional Africano e do Partido Comunista da África do Sul, e cuja estratégia principal eram os atentados à bomba. Mas o Mandela que saiu da prisão nos anos 90 já não era um adepto da violência: era um homem certo da necessidade de reconciliar brancos e negros.
    E ele o fez de várias maneiras. Incorporou o último presidente do Apartheid, Frederik de Klerk, em seu governo, como vice-presidente, além de ter em seu gabinete vários ministros do Partido Nacional, o criador do sistema de segregação. Impediu a dissolução da seleção nacional de rúgbi, tradicionalmente associada à elite branca sul-africana e odiada pelos negros (um ano depois da posse de Mandela, o time venceria a Copa do Mundo de Rugby realizada na África do Sul, com massivo apoio da população), episódio retratado por John Carlin no livro Conquistando o inimigo, que Clint Eastwood transformou no filme Invictus.
    Uma das grandes iniciativas de Mandela foi o estabelecimento da Comissão da Verdade e Reconciliação, que trabalhou entre 1996 e 1998 e foi comandada por seu amigo Desmond Tutu (vencedor do Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o Apartheid), com o objetivo não apenas de conhecer a verdade sobre as violações de direitos humanos cometidas durante o regime de segregação, mas de garantir a anistia aos que cooperassem sem esconder informações, desde que seus crimes fossem politicamente motivados e respeitassem um senso de proporcionalidade. Mandela fez questão de que a comissão investigasse não apenas os crimes dos representantes do Apartheid, mas também as violações de direitos humanos de seus próprios companheiros negros, incluindo os atentados provocados pelo grupo que ele mesmo havia fundado. Por tudo isso, Mandela, para quem “pela paz, pessoas de coragem não temem perdoar”, recebeu muitas críticas, especialmente de militantes para quem só haveria justiça com a punição dos brancos envolvidos com a repressão aos críticos do Apartheid.
    A África do Sul pós-Mandela ainda é um país repleto de grandes desafios. Seus esforços e o trabalho da Comissão não conseguiram a reconciliação no grau pretendido por Mandela – há inúmeras denúncias de assassinatos de fazendeiros brancos motivadas por ódio racial, e um ex-líder do Congresso Nacional Africano, Julius Malema, faz sucesso defendendo o confisco de todas as terras de propriedade dos brancos. A desigualdade econômica entre brancos e negros ainda é gritante, apesar da ascensão de uma elite apelidada de “diamantes negros”, e a violência urbana é alarmante, com taxas de homicídios 50% maiores que as brasileiras. Mas as ações de Mandela fazem dele um exemplo de líder que soube trabalhar pela paz e pela conciliação de um país ferido por um sistema explícito de discriminação, rejeitando o revanchismo e uma justiça unilateral em nome de um presente e um futuro em que todos trabalhem pelo mesmo objetivo.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
Jornal Pequeno:Encontro do PDT confirma aliança com Flávio Dino
O Estado do MA:Meta será atingida, diz presidente do TRE-MA
O Imparcial:Corrupção, basta
Região
Jornal do Commercio:Pressão no plano de saúde
Meio-Norte:Licitação: Empresas vão ser indenizadas
O Povo:Seca - O Ceará chega ao limite
Nacional
Correio Braziliense:O lucrativo negócio da prostituição VIP
Estadão:Acordo inédito na OMC tenta frear iniciativas regionais
Estado de Minas:Por que nossos filhos estão obseso
Folha:Brasil se divide sobre impostos e papel do governo
O Globo:UPPs têm a menor taxa de homicídios do Brasil
Zero Hora:A cada oito dias, RS tem um ataque a banco com reféns

sábado, 7 de dezembro de 2013

Na Coluna do CLAUDIO HUMBERTO


PF INVESTIGARÁ DEPUTADO ACUSADO DE CORRUPÇÃO 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Polícia Federal investigar o deputado Domingos Dutra (Pros-MA), acusado de pagar empregada doméstica com dinheiro do gabinete. Conforme denunciou esta coluna em 18 de maio de 2012, Regiane Abreu dos Anjos só descobriu que era funcionária fantasma da Câmara quando procurou a 5ª Vara do Trabalho, após ser demitida grávida. 

OS CRIMES
Gilmar Mendes acolheu o parecer da PGR e indiciou o deputado e sua mulher, Neusilene Núbia Dutra Feitosa, por crime eleitoral e peculato.

SÓ PENSA EM ELEIÇÃO
Segundo representação de Francisco Escórcio (PMDB), o ex-petista contratava funcionários fantasmas para desviar verba para campanha.

TUDO FORJADO 
O relator Gilmar Mendes determinou ainda que autos sejam enviados à Polícia Federal para oitiva e para investigar falsificação de assinaturas. 

É HOJE


Nem malandragem, nem vadiagem - JOSÉ HORTA MANZANO

A Síntese de Indicadores Sociais 2013, publicada estes dias pelo IBGE, desnuda uma realidade de assustar qualquer governo civilizado. Mostra que, de cada cinco jovens entre 15 e 29 anos, apenas quatro trabalham ou estudam. Está ali atestada, preto no branco, a ociosidade de 20% de nossos jovens (um em cada cinco!). Não trabalham nem estudam. É a juventude jocosamente chamada de "nem-nem". Não ria, que é bem mais sério que parece.
    É uma minoria? Sem dúvida. Assim mesmo, falamos de 10 milhões de brasileiros. Gente na flor da idade, no ápice da capacidade de aprender. Têm vigor físico e boa acuidade sensorial. Mas... como pérolas esquecidas num baú em vez de luzir num colar majestoso, vão perder o viço.
    No Brasil, muito se fala em educação, mas pouco se faz. Os holofotes estão voltados para os dois extremos: de um lado, a escola básica; de outro, a instrução de nível dito superior. No meio, nada. Pior: vale a quantidade, não a qualidade.
    Prefeitos se gabam de haver aberto não sei quantas escolas, pouco importa o nível de ensino que oferecerão. Presidentes se vangloriam de haver fundado não sei quantas faculdades, pouco importa que lhes falte estrutura básica para funcionar decentemente.
     Percebe-se, no discurso oficial, a obsessão marqueteira de se ater àquilo que dá voto. A alfabetização - ainda que mal-ajambrada - aparece nas estatísticas. O número de faculdades - ainda que inoperantes - também se põe na vitrine. Já o ensino técnico é invisível.
    A ditadura Vargas deixou lembrança amarga para muitos. Mas há que se lhe reconhecer um grande mérito: dignificou o trabalho. Chegou a censurar sambas que exaltavam a malandragem. (À época, malandro era "aquele que não trabalha". Hoje diríamos vadio.) Até os anos 1950, respeitava-se o trabalho. Ofícios humildes não eram desconsiderados. De uns 30 anos para cá, o quadro mudou.
    Todo filho de boa família se vê compelido a seguir estudos superiores. É impensável que um jovem de classe média ouse caminhar à margem da estreita paleta de opções que as faculdades oferecem. Com isso, todo ofício artesanal - vasta e sólida base que sustenta a prosperidade de sociedades mais adiantadas - tem sido relegado a segundo plano, mal-ensinado, mal pago, malvisto.
    Em países avançados da Europa, um pedreiro ou um pintor de paredes diplomado terá facilidade para encontrar emprego e remuneração justa. O sistema de aprendizado por aquelas bandas cobre toda a gama de atividades não universitárias. Futuros cabeleireiros, balconistas, azulejistas, eletricistas, funileiros, cozinheiros, jardineiros, cuidadores, padeiros, floristas, relojoeiros, lenhadores, oculistas, vinhadeiros, horticultores, sommeliers, açougueiros, desenhistas, marceneiros passam por um período de dois ou três anos de formação.
    Nos últimos anos da escolaridade obrigatória, cada aluno já tem ideia de sua capacidade e de seus anseios. Numa sociedade que não desdenha o trabalho manual, o adolescente europeu tem uma paleta de escolha profissional bem mais ampla que o jovem brasileiro. Quem sentir atração por carreira intelectual vai postular vaga na universidade de seu agrado. Quem não levar muito jeito para estudo vai escolher, entre centenas de profissões técnicas, a que mais o atrai.

    E começará como aprendiz, o que já lhe renderá pequeno salário. Durante os dois ou três anos de aprendizado, alternará o trabalho com aulas teóricas uma ou duas vezes por semana. Ao final, enfrentará uma banca examinadora. Se aprovado, receberá o diploma de capacidade, um abre-te sésamo infalível. Pelo resto da vida, dificilmente lhe faltará emprego. Quem é que rejeita um funcionário formado e diplomado como manda o figurino?
    Pois as autoridades brasileiras, tão ágeis a institucionalizar artificiais diferenças raciais, parecem não se dar conta de que a natureza dotou cada humano de aptidões e anseios diferentes. O objetivo supremo do jovem brasileiro não é necessariamente conquistar um canudo.
    Ofícios técnicos e artesanais têm de ser valorizados. Não há razão para que um pedreiro se sinta inferior a um doutor. Sem aquele, este não teria casa para morar. A relação entre cidadãos não deve ser encarada como se alguns fossem mais especiais que outros. Que se consagre uma parte da agigantada verba de publicidade institucional para valorizar ofícios não universitários.
    No dia em que nossos mandachuvas se derem conta do desperdício que é todos esses talentos escorrerem pelo ralo, o Brasil terá dado um passo à frente. Não vai dar muito voto? Não, não vai. Mas vai dar futuro.

Do Correio Braziliense

Na Coluna da DENISE ROTHENBURG

Em alta/ Segunda-feira, Dia Internacional contra a Corrupção, a Controladoria-Geral da União vai premiar exemplos de boas práticas de gestão pública. O ministro do Turismo, Gastão Vieira (foto), será o único a subir no palco duas vezes, premiado nas duas categorias existentes — aprimoramento dos controles internos administrativos e promoção da transparência. Ao todo, foram mais de 47 ações do governo federal inscritas.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
Aqui-MA: Prisões e mortes
Jornal Pequeno:Desarticulado esquema de fraude em sistemas de controle do Ibama
O Estado do MA:Brasil e Croácia abrirão Copa do Mundo 2014
O Imparcial: Metade dos brasileiros temem ser assassinados
Região
Jornal do Commercio: Depredação na reitoria
Meio-Norte:Brasil pega a Croácia na abertura da Copa
O Povo:Brasil, Alemanha e Uruguai jogam no Castelão
Nacional
Correio Braziliense:Copa: ameaça ao Brasil começa no mata-mata
Estadão:Um caminho difícil para o hexa
Estado de Minas:Começo fácil rumo ao hexa
Folha:Justiça veta privilégios a presos do mensalão
O Globo:Copa do mundo: Carioca vai gastar até R$ 5.658 só para seguir a seleção
Zero Hora:As seleções da primeira fase em Porto Alegre

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Na Coluna da DENISE ROTHENBURG

Prioridade
O PCdoB não desistiu de ter o apoio do PT a Flávio Dino, no Maranhão. Dino é, hoje, na avaliação dos comunistas, a maior aposta do partido para emplacar um governo estadual. Por isso, deve ser o único pedido que o PCdoB fará em termos de palanques estaduais.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Saúde de São Luís já recebeu mais d R$ 700 mi este ano
Região
Meio-Norte:Fortalezenses têm medo de andar na rua
O Povo:Teresinenses:86% temem ser assassinados
Nacional
Brasil Econômico:Programa social da Índia trava acordo de livre comércio
Correio Braziliense:O último herói da liberdade
Estadão:Mais quatro são presos no mensalão; Costa Neto renuncia
Estado de Minas:Universitário é libertado após 6 dias de sequestro
Folha:Morre Mandela, 95, líder da luta contra o apartheid
O Globo:Corrupção – Mais quatro mensaleiros na cadeia
Zero Hora:Nelson Mandela (1918 – 2013)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Maranhão está entre os três estados que menos empregou recursos na segurança em 2012

    O governo do Maranhão gastou R$ 127,08 para garantir a segurança de cada cidadão no estado em 2012. O gasto supera apenas o empregado nos estados do Amapá e do Piauí, com índices de violência muito inferiores ao Maranhão.
    O disparo da violência no estado o coloca em destaque no Mapa da Violência, elaborado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, Cebela. A matança fermentou no estado entre 2000 e 2012 com índice de elevação de 282,2%. O estado pertence ao ranking dos dez com menor investimento per capita em segurança.

Ranking do investimento em segurança (per capita):

Rondônia - R$ 486,29
Mato Grosso do Sul - R$ 295,42
Pará - R$ 181,41
Ceará - R$ 171,56
Maranhão - R$ 127,08
Piauí - R$ 78,14
Amapá - R$ 55,32




Círio de Nazaré agora é patrimônio imaterial da Unesco

   
A celebração do Círio de Nazaré, realizado em outubro em Belém de Pará, virou Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco. Em todo o mundo já são 258 manifestações culturais, que representam expressões do patrimônio imaterial.  A informação foi dada pelo Ministério das Relações Exteriores.

    Com a aprovação da candidatura brasileira, ocorrida no âmbito da 8ª Sessão Ordinária do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, o Brasil passa a ter quatro elementos de seu patrimônio intangível declarados pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade: expressões orais e gráficas dos Wajãpis; samba de roda do Recôncavo Baiano; frevo; e Círio de Nazaré.
    A proteção a tradições culturais e folclóricas é regida pela Convenção Internacional para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, aprovada pela 32ª Conferência-geral da Unesco em outubro de 2003 e em vigor desde abril de 2006.

Na Coluna do ANCELMO GOIS

Alagoas é pior
O site “Business Insider” usou estatísticas de homicídios de 2012 para fazer a lista das 50 cidades mais perigosas do mundo. O Brasil aparece com 15 cidades na lista, que é liderada por San Pedro Sula, em Honduras.
Rio e São Paulo não estão entre elas. A mais violenta do país é Maceió, em sexto lugar.

No mais...
A lista foi divulgada no mesmo dia em que saíram as notas do Pisa, onde Alagoas aparece por ter o pior ensino de matemática, ciências e leitura do país.
Neste caso, o Maranhão é vice.

José Genoino tem casa do preço de imóvel do Minha Casa, Minha Vida

    Para os padrões do universo político brasileiro, o ex-deputado federal José Genoíno estaria posicionado um pouco acima da linha de pobreza. Em 2010, quando foi eleito para o quinto mandato na Câmara Federal, Genoíno declarou possuir um patrimônio avaliado em cerca de R$ 170 mil. 
    Entre os bens relacionados consta uma casa avaliada em R$ 120 mil. O valor é um pouquinho acima do preço de um apartamento do programa Minha Casa Minha Vida na região Nordeste. A previsão de gastos de campanha de Genoíno foi de R$ 5 milhões, 29 vezes a soma de todos os seus bens declarados junto à Justiça Eleitoral. 
    A rua onde está localizada a referida corta os bairros Vila Indiana e o Butantã, área da classe média paulistana. Pelas fachadas cai por terra o valor do bem declarado pelo cearense, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores e ex-guerrilheiro do Araguaia.

Rua da casa de José Genoino:


Declaração de bens de José Genoíno:


Poesia das cavernas - MARIO SERGIO CONTI


A experiência de estar na escuridão desses ambientes só pode ser traduzida em versos

Marcelo Déda, o governador de Sergipe que morreu há poucos dias, gostava de poesia e sol. Fazia e declamava versos de cor. O sol de Aracaju lhe era um bálsamo, como demonstrou ao inaugurar um presídio, há quatro anos. Déda falou, falou, falou e recitou poemas. Já Tarso Genro, então ministro da Justiça, deu-lhe uma bronca.

A inauguração, perto do meio-dia, foi numa periferia poeirenta, sem brisa e sombra que amenizassem o calor do cão. Como os únicos a se regozijarem com a inauguração de uma cadeia seriam os presos, e eles estavam bem trancafiados, o público era de figurões da província: vereadores, deputados, procuradores, delegados, comandantes e desembargadores que comboiavam séquitos de subalternos e cupinchas. No palanque, Déda se referiu a todos eles — eram dezenas — pelo nome, enalteceu-os, fez salamaleques a seus cônjuges. A lista não acabava nunca. Já a peça oratória propriamente dita, de eloquência abrasadora como o ambiente, durou o dobro da eternidade.

Tarso Genro se achegou ao microfone com os cabelos molhados de quem estivesse saindo do mar, caso houvesse um mar fervente por ali. Era suor. Lívido dentro do paletó alagado, parecia que ia ter uma síncope. Profissional, fez cumprimentos protocolares e disse da importância do presídio para esvaziar as delegacias. Mas afirmou que o Brasil melhoraria se os discursos não fossem tão compridos; que o gongorismo dos políticos os afastava do povo; que a falta de objetividade dificultava a solução de problemas. Como foi polido, ninguém estranhou a crítica. Ou então o sol derretera o miolo de todos.

Marcelo Déda conversou com Tarso a respeito do assunto depois. Argumentou que fazer política era também aproximar as pessoas por meio da palavra pública. A tradição nordestina de se referir às pessoas nominalmente, informou, é diferente da gaúcha, na qual o ministro se formara. Divergiram de bom humor e não chegaram a conclusão nenhuma. No avião de volta para Brasília, Tarso Genro comentou a prolixidade da política: “Não tem jeito, é assim. Passo quatro horas por dia ouvindo palavras inúteis”.

Naquele dia, em Aracaju, a incandescência que inviabilizava o pensamento e entorpecia a emoção, a vacuidade da poesia, a ferocidade das cores, o burburinho das gentes e a impossibilidade de intercâmbio entre elas — tudo servia de flagrante para a miséria da política institucional. O oposto a esse inferno, no entanto, existe. O paraíso está nas cavernas e, outra vez, na poesia.

As cavernas ficam no sul de São Paulo, no Alto Ribeira. São mais de 350, a maior concentração da Terra. Elas se formaram no período Cambriano, estão lá há 500 milhões de anos. É formidável o contraste entre a Mata Atlântica original, uma das poucas remanescentes no país, e o reino da escuridão.

Acima do solo, milhares de espécies a se entredevorar, os milhões de odores, os bilhões de muriçocas assassinas. Formas de vida que estouram para todos os lados e não duram nada. O amálgama hostil e disforme da selva, a umidade pegajosa, o abafamento. A água violenta que despenca em cachoeiras ribombantes.

Metros abaixo, rochas calcárias antiquíssimas que se dissolvem solenemente em tênues riachos subterrâneos. Pingos vagarosos que caem como música hipnótica, formando estalactites e estalagmites. O odor uniforme dos morcegos. Nenhuma planta, frio, escuridão, silêncio. Não a morte, contudo.

Desce-se devagar numa caverna. Com capacete, lanterna e galochas. Depois de algumas centenas de metros percorrendo túneis, que obrigam o abandono da postura ereta habitual, o atarefado mundo fica para trás de vez. A experiência não é inusitada, parece não apenas ter sido vivida como apreciada. Os barulhos remotos, as formas abauladas da rocha calcária, a luz líquida, o aconchego de ter a paisagem ao alcance da mão e o ruído calmo das correntes de água lembram os meses intrauterinos — o tempo no qual éramos, mas o mundo não, e o corpo da mãe nos envolvia como a pedra calcária. O ser ainda não era criatura.

No fundo da caverna, o guia falou para apagarmos as lanternas e ficarmos quietos. Aí se vê o que nunca se viu sequer em sonho: a escuridão sem resto de luz de sol, lâmpada e lua; de céu ou cidade. O preto total da morte. E aos poucos se percebe que os rumores da natureza são os do corpo: o sopro da respiração, o bater do coração, os gestos surdos de um homem das cavernas.

A experiência só pode ser traduzida em poesia, invenção que Marcelo Déda lembrou até para comemorar o recolhimento de seus semelhantes a uma caverna construída pelo homem, o presídio. Ele apreciaria os versos de Auden:

Quando tento imaginar um amor sem erro

Ou a vida que virá, o que ouço é o murmúrio

De águas subterrâneas, o que vejo é uma paisagem calcária.

De O Globo

FRASE DO DIA

"Todo amor é pago. Em cédula ou em sofrimento moral".
Xico Sá, colunista da Folha, no artigo ""Estão querendo criminalizar o mais honesto dos desejos"

Um dilema nacional - EDITORIAL ZERO HORA


    Poucas vezes um estudo deu uma ideia tão realista da dimensão dos dramas provocados pelas drogas no país, como o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgado esta semana. Um dos diferenciais do estudo é o de não se restringir a quantificar a tragédia constituída pelo elevado número de usuários e a violência que costuma estar associada ao narcotráfico. O que chama particularmente a atenção é o elevado número de pessoas com seu cotidiano prejudicado de alguma forma por dependentes químicos. A situação indica que, além de não ter conseguido atender satisfatoriamente quem já se escravizou às drogas, o país segue devendo algum tipo de ajuda mais eficiente para seus familiares e pessoas próximas.
    Divulgado dois anos depois do lançamento do programa federal Crack, é Possível Vencer, que se comprometia, entre outros aspectos, a garantir assistência para dependentes, o estudo mostra um quadro ao mesmo tempo desolador e desafiador. Nada menos de 28 milhões de brasileiros, por exemplo _ quase o equivalente a toda a população de um país das dimensões do Peru _, convive com algum usuário. Em muitos casos, essas pessoas são submetidas constantemente a agressões verbais e até físicas, têm seu patrimônio pessoal dilapidado e sofrem pressão psicológica constante, a ponto de muitas se abalarem emocionalmente com gravidade. São situações das quais dificilmente alguém consegue sair sozinho, o que demanda mais atenção por parte da sociedade e do poder público.
    Alguns dados apontados pela pesquisa não deixam dúvida sobre o grau de desestruturação familiar em consequência do problema: nada menos de 58% dos entrevistados com algum usuário de drogas na família, por exemplo, têm afetada a habilidade de trabalhar ou estudar. E, o que é igualmente preocupante, 29% dos que foram consultados estão pessimistas quanto ao seu futuro imediato. Esses percentuais poderiam ser menores se o país tivesse se preocupado mais em investir em prevenção.
    Chama a atenção na pesquisa que metade dos entrevistados sequer sabe o que são os Centros de Atendimento Psicossocial de Álcool e Drogas (CAPs) _ unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) criadas para prestar atendimento aos dependentes químicos. E, o que é mais grave, mesmo quem tem conhecimento dessa alternativa não a utiliza como deveria. O país continua devendo assistência efetiva não apenas aos usuários de drogas, mas também a seus familiares, além de informações mais precisas sobre a quem podem recorrer em situações de crise.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
Atos e Fatos: Assassinos de servidor da educação pegam 52 anos
Jornal A Tarde:Bombeiros celebram 110 anos com homenagens e entrega de medalhas
Jornal Pequeno:Saúde e Educação do Maranhão geram confronto na Assembleia
O Debate:Deputados criticam situação da educação e saúde no MA
O Estado do MA:Mais 170 médicos estrangeiros chegam para trabalhar no Maranhão
O Imparcial: Últimos dias - Eleitores de São Luís e São José de Ribamar têm apenas duas semanas para fazer o recadastramento biométrico
Região
Jornal do Commercio:Mais diálogo para desafogar o tráfego
Meio-Norte:Capital tem dois tiroteios e grávida é baleada
O Povo:Sequência de ataques a bancos deixa quatro mortos
Nacional
Brasil Econômico:Petrobras dá como nova a velha política de preços
Correio Braziliense:Na Asa Norte, até a polícia tem medo
Estadão:Juiz nega pedido e Dirceu ficará na fila por benefício
Estado de Minas:Protestos em BH: MP quer julgar vândalos antes da Copa do Mundo
Folha:Polícia indiciou um terço de detidos em atos de São Paulo
O Globo:Retratos do Brasil: País tem só quatro universidades entre as cem melhores dos emergentes
Zero Hora:Projeto eleva valor da multa para motoristas infratores

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Phill Veras vira notícia em O Estadão

Marina Vaz - O Estado de S. Paulo
Phill Veras diz que ainda está “percebendo as coisas”. Percebendo como – em apenas um ano – conquistou admiradores ao lançar um EP pela internet; participou do projeto Prata da Casa, do Sesc Pompeia; e foi selecionado entre cerca de mil bandas para abrir um dos shows do Rock in Rio. Mais: trocou sua cidade natal, São Luís, por São Paulo; e produziu seu primeiro CD, Gaveta – cujo repertório ele apresenta, nesta quarta e quinta, em show no Sesc Pinheiros.
Phill Veras - Divulgação
Divulgação
Phill Veras
O nome do disco, que já está à venda pelo iTunes e deve chegar às lojas em janeiro, faz referência direta ao local onde o músico e cantor maranhense guarda as canções que compõe desde os 14 anos. Mas o repertório não se restringe a canções tiradas da gaveta – também há criações recentes, feitas já durante sua fase paulistana. “Aqui tem um lance de solidão, de eu passar muito tempo sozinho no apartamento; e isso me influenciou a compor muito, e de um jeito mais sereno, pensando nas coisas com mais calma”, diz o artista de 22 anos.
Entre as canções mais novas, está Bella, que Phill considera um pouco mais experimental, com arranjos que usam sintetizadores. Ainda assim, tanto nela quanto nas outras 12 faixas, predominam melodias suaves, como baladas. “É um disco leve, apesar de ser um pouquinho mais agressivo do que o Valsa e Vapor (seu primeiro EP, com cinco músicas), que era suave ao extremo, quase como canções de ninar. Neste, os pianos estão mais pesados, tem mais distorções na guitarra, mas não deixa de ser pop.”
A delicadeza e a simplicidade das melodias também se refletem nas letras. “Eu gosto de compor mais pela harmonia da música, e a letra vem em consequência; eu não me considero um bom letrista”, diz, sem filtros. Mas basta ouvir algumas de suas músicas para discordar.
Por elas, passam histórias de amor vividas sob ângulos bem diferentes. Há um sentimento solto e descompromissado, que não tem “pressa pra eternidade”, em Se Depender de Mim. Ou o término conformado de Já Vou Tarde (“Viver contigo arde/ Mas guarde seus gritos para o rapaz/ Que for amar mais tarde”). E até espaço para certo cinismo e deboche, em músicas como Basta a Coragem. “É uma mistura de muita coisa, de muita vida”, resume Phill, de um jeito despretensioso e poético.
Acompanhado por uma banda que inclui músicos como o guitarrista e produtor do disco Memel Nogueira, o cantor apresenta, nos shows, não só canções do álbum Gaveta, mas também de Valsa e Vapor (disponível para download grátis emwww.amusicoteca.com.br).
As apresentações vão funcionar como um ensaio para a gravação de seu primeiro DVD ao vivo, no histórico Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, no dia 14 de fevereiro. Sim, da gaveta de Phill ainda pode sair muita coisa. Mas talvez ele ainda nem tenha percebido isso.
PHILL VERAS
Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, 3095-9400. 
Quarta e quinta, 20h30. R$ 16.

Na Coluna Direto da Fonte - SONIA RACY