segunda-feira, 28 de outubro de 2013

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Sampaio festejado por multidão
Região
Jornal do Commercio:Armando larga na frente
Meio-Norte:Médicos chegam sob proteção do Exército
O Povo:Filho de empresário foi sequestrado por ex-vizinhos
Nacional
Correio Braziliense:Mulher é minoria no serviço público
Estadão:Oposição avança na Argentina, diz boca de urna
Estado de Minas:Os confinados
Folha:Brasil faz cobrança à Venezuela por calote a empresas
O Globo:Ameaça ao trabalhador – Fundo terá rombo de R$ 7,2 bi este ano
Zero Hora:Em 18 anos de real, serviços sobem até o triplo da inflação

domingo, 27 de outubro de 2013

Tanto barulho por nada - FERREIRA GULLAR

Não faz muito tempo, um cidadão de mais de 60 anos invadiu o apartamento acima do seu, aqui no Rio, e matou a tiros o casal que morava ali; em seguida, suicidou-se. E qual foi a causa dessa tragédia? Barulho, excesso de barulho.
Esse é, sem dúvida, um caso extremo, mas não deixa de ser indicativo do alto nível de barulhos de todo tipo que atormenta os cariocas.
O Rio, aliás, é uma cidade particularmente barulhenta. O barulho parece fazer parte de sua cultura, talvez pela tradição dos batuques que estão na origem mesma da cidade, tornada a capital do Carnaval. Nas favelas, originalmente, tornou-se natural promover batuques que atravessavam as noites. Isso se consolidou com o crescimento das escolas de samba, realizando seus ensaios, que mais tarde desceram dos morros e se alastraram por vários bairros da cidade.
Pode ser que me engane, mas a verdade é que, dada essa tradição, todo mundo se sente no direito de fazer festa em cada esquina. Um simples boteco, de apenas uma porta, toma a calçada em frente com mesas e cadeiras para vender chopes e batidas. E, para que a alegria seja completa, põe caixas de som num carro e toca música até altas horas da noite. Os moradores dos apartamentos próximos que se mudem.
E o que mais espanta é que, embora seja ilegal ocupar calçadas e fazer barulho atordoante em área residencial, isso ocorre sem qualquer reação da polícia ou dos órgãos oficiais. Acham engraçado, é o espírito festivo do carioca.
Em alguns casos, paga-se o guarda. Suborno é coisa comum, mas é outro assunto. Fiquemos na poluição sonora que é o tema desta crônica, o que é bastante porque, como já diz aqui, barulho faz parte da cultura carioca. E quem reclama é, no mínimo, um chato.
E tanto isso é verdade, ou seja, que o barulho é parte de nossa cultura, que os órgãos oficiais não apenas se omitem no combate à poluição sonora, como, pelo contrário, ajudam a poluir. Quer um exemplo? As sirenes dos carros de bombeiros e dos carros de polícia. Quando qualquer um desses veículos passa em frente a minha casa, corro e fecho as janelas, além de tampar os ouvidos. São sirenes absurdamente estridentes, que soam numa altura alucinante e sem necessidade, sem razão plausível.
A finalidade dessas sirenes é abrir caminho, no trânsito, para esses veículos. Ou seja, basta que os motoristas que estão à frente do carro da polícia a ouçam para que ela cumpra sua função. Não é necessário que todas as pessoas num raio de centenas de metros tenham de ser atordoadas por tais sirenes, nem quem está a várias quadras de distância nem muito menos quem está em seu apartamento, vendo televisão, conversando ou dormindo.
Certa vez, estava no meu carro, em meio ao tráfego engarrafado, quando um desses carros oficiais subitamente disparou sua sirene atordoante: levei um susto e quase joguei meu carro sobre o veículo que estava a meu lado. Cabe perguntar: não é função do governo combater a poluição, como, então, em vez disso, polui mais que todos? Ou estamos naquela de que ao governo tudo é permitido? Não apenas os chefes, o pequeno funcionário também pensa assim, quanto mais se trata de alguém que zela pela segurança pública. A ele, claro, tudo é permitido.
Mas se fossem só os carros oficiais, já me daria por feliz. Somos, sem dúvida alguma, um povo do barulho. Não por acaso, inventaram de algum tempo para cá, que todo mundo adora música e quer ouvi-la 24 horas por dia.
O resultado disso é que onde você entra há música (ruim) tocando e irritantemente alta: seja no supermercado, na loja de eletrodomésticos e até em algumas farmácias.
Ainda fiquei surpreso ao entrar numa loja de frutas e legumes e me deparar com um fundo musical atordoante. Fugi de lá na mesma hora. E nos restaurantes, há música também, claro. Aliás, em alguns deles, a moda agora é pôr numa altura que permite todo mundo ver uma televisão ligada o tempo todo, no pior programa e para todo o mundo ver e ouvir.
Isso sem falar no pessoal que fala berrando no telefone celular. Como disse um amigo meu: é que eles não sabem que já inventaram o telefone.
Da Folha

Na Coluna do CLAUDIO HUMBERTO

TERCEIRA VIA
Opositores de Flávio Dino (PCdoB) se animam com o desempenho da deputada estadual Eliziane Gama (PPS-MA) nas pesquisas em São Luís, que pode desequilibrar a liderança dele na disputa pelo governo. 

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Governo transforma São Luís em grande canteiro de obras
Região
Jornal do Commercio:Nova polêmica no rombo do Sassepe
Meio-Norte:Ensino Fundamental no Piaui terá aula via satélite
O Povo:Fotaleza/violência - A economia que resiste ao medo
Nacional
Correio Braziliense:Planos de saúde
Estadão:Brasil demitiu agente suspeito de passar dados para a CIA
Estado de Minas:Assaltos – Pedestres viram presa fácil
Folha:‘Black blocs’ são rejeitados por 95% dos paulistanos
O Globo:Economia, eventos e UPPs reinventam os bairros do Rio
Zero Hora:Por que assassinos custam a virar réus


sábado, 26 de outubro de 2013

Na Coluna do CLAUDIO HUMBERTO

ECONOMIA
Assim com Aldo Rebelo (Esporte), o ministro Gastão Vieira (Turismo) refutou o uso de cartão corporativo em sua gestão, além de apresentar uma das menores contas da Esplanada com passagem aérea.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Maranhão vai receber mais 163 médicos estrangeiros
Região
Jornal do Commercio:Cuidado com as redes sociais, fera
Meio-Norte:Enem mobiliza 168 mil candidatos no Piauí
O Povo:Crime do ex-vereador: Governo vai apurar se houve negligência policial
Nacional
Correio Braziliense:Brasileiros esbanja nas compras em viagem ao exterior
Estadão:Alemanha e Brasil unem forças contra espionagem
Estado de Minas:Operação limpeza em BH
Folha:Grupo ‘Black Bloc’ espanca comandante da PM em SP
O Globo:Porta aberta para o capital: Governo eleva fatia de estrangeiros no BB a 30%
Zero Hora:Fim de semana de ENEM: MEC vai monitorar redes sociais durante o exame 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Mais Médicos - Governo expedirá licença de 30 dias
Região
Jornal do Commercio:Nova “guerra” no Centro
Meio-Norte:Senado garante 10 federais para o Piauí
O Povo:Secretário muda atuação no Ronda do Quarteirão
Nacional
Correio Braziliense:Voto aberto avança no Congresso. Já no DF...
Estadão:Alstom orientou diretores a pagar propinas, diz MP suíço
Estado de Minas:Perigo ao lado
Folha:FMI prevê que Brasil crescerá menos e critica política fiscal
O Globo:Perdão de dívidas: Renegociação de municípios e estados ameaça Lei Fiscal
Zero Hora:Por que alagou tudo?

terça-feira, 22 de outubro de 2013

ELEIÇÃO COMPRADA - Deputados querem contratação de cabos eleitorais

Um dos trechos mais controversos da minirreforma eleitoral do Senado pode voltar ao texto final analisado pelos deputados nesta terça-feira (22). Apresentada como uma forma de diminuir os gastos de campanha, a possibilidade de contratar cabos eleitorais é vista por parte da Câmara como uma forma indireta de compra de votos. Mas um grupo de deputados não abre mão da prerrogativa de contratar pessoal para tentar captar apoio às vésperas das eleições. A expectativa é que seja encerrada hoje a votação dos destaques ao projeto que muda parte da atual legislação eleitoral no país.
    No projeto original do Senado havia a previsão de limitar a contratação de cabos eleitorais. Em cidades com até 30 mil eleitores, cada candidato poderia contratar número equivalente a até 1% do eleitorado. Ou seja, quem fosse disputar uma vaga na Câmara de Vereadores teria direito a 300 pessoas para trabalhar na sua campanha. Nas cidades com mais de 30 mil votantes, pode-se acrescentar uma contratação para cada grupo de mil.
    “Ah, mas agora vamos resolver o problema dos cabos eleitorais. Ah, vão? Trinta mil eleitores, 1%, ou seja, cada candidato tem direito a 300 cabos eleitorais. É impressionante! E mais mil ainda por habitante, ou seja, uma cidade de 60 mil, 600 cabos eleitorais. E, depois, de onde sai o dinheiro para pagar a essa gente? Aí nós colocamos aqui que não podem gastar mais de 10% em alimentação. Ou seja, vai tudo por baixo do pano”, criticou o líder do Psol na Câmara, Ivan Valente (SP), durante a discussão do tema.
    A possibilidade de contratar cabos eleitorais foi retirada no substitutivo apresentado pelo relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Porém, o PDT apresentou um destaque para retomar a redação original dada pelo Senado. “A minirreforma não serve para nada. Nem no mérito, nem na questão jurídica, por conta do princípio da anualidade”, afirmou o líder do PT, José Guimarães (CE). Para ele, a proposta é um “defunto que continua arquejando”.
    Para viabilizar a votação na semana passada, o relator enxugou a proposta e retirou os trechos mais polêmicos, como a contratação de cabos eleitorais e a possibilidade de donos de empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos contribuírem para campanhas políticas. E também tirou a possibilidade de parte da verba usada nos institutos dos partidos ser transferida para as contas das legendas. Desta forma, o texto base foi aprovado. Deputados acreditam, no entanto, que os senadores vão recuperar os trechos mais polêmicos, já que a proposta deverá ser votada pelo Senado mais uma vez.
Conveniência
    “Não tem nada de reforma eleitoral. É apenas uma reforminha de conveniência. Não tem nada de substantivo, não tem nada de importante, não tem nada que vá mudar o cenário para 2014”, afirmou o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO). Um dos defensores da minirreforma, Eduardo Sciarra (PSD-PR) entende que os pontos mais polêmicos, como a possibilidade de parcelamento em até 60 vezes para pagamento de multa eleitoral, já foram apreciados e que a matéria apenas “uniformiza procedimentos eleitorais”.
    No entanto, a discussão será retomada exatamente no ponto que resultou na derrubada da sessão na semana passada. Os deputados vão analisar um destaque para retirar do projeto a proibição de veicular propaganda eleitoral, como faixas, banners e bandeiras, em bens particulares. Antes de encerrar a discussão na quarta-feira, foi mantida a proibição da veiculação de material de campanha em bens públicos, como postes e viadutos.
    Em relação à possibilidade de liberação da propaganda política em bens públicos e à proibição nos bens particulares, motivo que acabou derrubando a sessão da semana passada, Sciarra tem uma opinião formada: “Acho que se deveria proibir em área pública, por conta da sujeira. E liberar nas áreas privadas, e cada um faz o que quer dentro dos padrões”.  “Quem defende a propaganda na área pública diz isso iguala o acesso de candidatos. Mas a área vira uma bagunça”, sustenta.
    O projeto acaba com a necessidade de mostrar nos anúncios em jornais e sites do valor pago pelas campanhas. Em um destaque, o PSDB quer tirar do texto a revogação. Outro pedido, do DEM, é para suprimir a expressão “ridicularizar” do parágrafo que trata das inserções no rádio e na televisão. O trecho proíbe a divulgação de mensagens que possam “degradar ou ridicularizar” candidato, partido ou coligação.
    Uma emenda do PPS a ser analisada durante a sessão de hoje prevê a contratação de apenas dois fiscais por partido nas seções eleitorais. Autor da sugestão, o deputado Sandro Alex (PPS-PR) argumenta que o uso ilimitado é uma forma de compra de votos. “Se for, de fato, para simplesmente fiscalizar, bastam duas pessoas por seção eleitoral”, afirmou.
Do Congresso em Foco

Biografias independentes, superando a lei do silêncio - MÁRLON REIS

O Estado de S.Paulo
    Os brasileiros têm assistido à edição de decisões judiciais que impedem jornais de publicar matérias de cunho investigativo, especialmente quando se referem a mandatários. Trata-se de um grave atentado à democracia e à liberdade de expressão, valores indissociáveis um do outro. Tem sido comum a utilização do Poder Judiciário para promover a censura prévia, proibida pela nossa Constituição. É bem verdade que na atividade jornalística é possível que ocorram eventuais lesões indevidas à imagem das pessoas. Mas há meios judiciais posteriores com a função de reparar eventuais danos.
    Agora assistimos à discussão sobre as biografias não autorizadas. Prefiro chamá-las de biografias livres, ou independentes, para não valorizar em demasia a importância do assentimento do biografado. Esse é outro exemplo grave de violação da manifestação do pensamento.
    No Brasil, há vários casos envolvendo a publicação de livros que versam sobre a vida de pessoas que constituem referência política, cultural ou social. Ruy Castro, autor de biografias como as de Carmen Miranda e Nelson Rodrigues, teve graves dificuldades judiciais para superar um processo relacionado à biografia de Garrincha, herói do esporte brasileiro. O debate judicial durou mais de 11 anos. Da mesma forma, o autor Paulo Cesar de Araújo, que redigiu a biografia não autorizada de Roberto Carlos, viu a publicação da sua obra proibida por determinação judicial após 15 anos pesquisando e escrevendo sobre o artista.
    O biógrafo não é um "artista menor". Sua atividade demanda pesquisa exaustiva, refinamento metodológico e comprometimento ético com a mensagem a ser compartilhada. Esse trabalho não deve ser reprimido em nome da desconfiança e do preconceito. Antes deve ser estimulado pelo Estado e pela sociedade, considerada a grande utilidade dos seus resultados para a formação de uma cultura alimentada pela informação qualificada e pelo pluralismo.
    O texto leviano, que substitui o talento pela difamação pura e simples, não se confunde com a biografia. Não é possível, todavia, que o comportamento de algum autor descomprometido com os contornos éticos do ofício de biógrafo possa desautorizar a liberdade de trabalho de todos os que exercem labor tão árduo quanto necessário ao livre fluxo das ideias e informações.
    Recentemente, 45 intelectuais brasileiros se pronunciaram contra esse cerceamento. Ana Maria Machado, Fernando Morais, João Ubaldo Ribeiro, Nelson Pereira dos Santos, Sérgio Rouanet e Zuenir Ventura, entre outros, publicaram o "Manifesto dos intelectuais brasileiros contra a censura de biografias". Entre diversas argumentações, o manifesto afirma ser apropriado que a lei proteja o direito à privacidade. Mas esse direito deve ser complementando pela proteção do acesso às informações relevantes para a coletividade, na forma de tratamento distinto nos casos de figuras de dimensão pública, ou seja, os chamados "protagonistas da História": chefes de Estado, lideranças políticas, grandes nomes das artes, da ciência e dos esportes.
    Na ponderação entre a privacidade e a liberdade de expressão não se deve optar pela defesa de um direito ao qual renunciou aquele que se lançou, por opção própria, ao universo das celebridades. Quem aufere vantagens com a vida pública não deve esperar ser tratado como um anônimo.
    Sobre os políticos, a lei concede-lhes financiamento público para a promoção do nome deles. Não faz sentido que também se refreie a pesquisa sobre os demais aspectos do seu histórico pessoal.
    Devem ser protegidas os textos biográficos sobre pessoas que tenham auferido vantagem da sua presença em meio público, que hajam ocupado posições de destaque na cena e no imaginário popular e que tenham decidido, por elas mesmas, abrir mão de uma parcela da sua privacidade. É evidente que toda exposição deve ter um limite. Entretanto, não faz sentido que informações acessíveis por pesquisadores e historiadores não possam ser divulgadas para o grande público.
    A solução deveria estar na adoção de medidas posteriores, sob pena de o Brasil reviver a censura praticada nos tempos ditatoriais. A obra tem um interesse público que a deveria pôr a salvo dessa censura prévia, sob todas as suas formas. Eventuais excessos podem ser adequadamente discutidos em momento posterior, objetivando a aplicação de sanções àqueles que tenham abusado do direito à liberdade de expressão.
    A proibição antecipada da publicação de biografias independentes constitui, por certo, uma grande lesão à Constituição de 1988. É mais um espaço em que a liberdade de expressão está sendo grosseiramente cerceada. Além disso, ao submeter a publicação das biografias ao prévio assentimento do biografado ou dos seus descendentes, o artigo 20 do Código Civil colide com os nossos fundamentos constitucionais e com os compromissos assumidos pelo Brasil no plano internacional.
    O livre fluxo de informações constitui um direito assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 19. Ao barrar a publicação de biografias livres, o Brasil coloca-se sob risco de ter essa sua posição questionada perante os organismos multilaterais, algo muito grave para quem sempre busca apresentar-se como um potencial líder da comunidade de nações.
    Entre os séculos 15 e 16, o Renascimento proporcionou à humanidade o florescimento de inúmeras conquistas possibilitadas pelo exercício da liberdade de expressão. É lamentável que neste quadrante do século 21 ainda estejamos às voltas com comportamentos ultrapassados e obscurantistas, que refreiam a evolução dos costumes e desnaturam a experiência democrática.
*Márlon Reis é juiz de direito e autor do livro 'O gigante acordado' (Editora Leya). 

A ficção da saúde - EDITORIAL DA FOLHA

Imagine a cena. No Brasil profundo, em uma cidade com menos de 20 mil habitantes, uma clínica médica resolve desviar recursos do Sistema Único de Saúde, o SUS.
    O golpe é simples. Trata-se de emitir recibos de procedimentos médicos nunca realizados e receber verbas como se o atendimento tivesse sido prestado. Para identificar o paciente, basta registrar pessoas mortas ou repetir até 201 vezes o nome de um mesmo indivíduo --ainda que para consultas efetuadas em um único dia.
    Não parece muito crível esse enredo, mas, não sendo um filme, a verossimilhança é irrelevante. Foi o que imaginou uma clínica oftalmológica de Água Branca, no Piauí. Segundo auditoria do Ministério da Saúde, as fraudes do estabelecimento, verificadas no ano de 2011, resultaram em extravio superior a R$ 2,5 milhões --valor que a pasta agora tenta reaver.
    Em Miranda do Norte, cidade do Maranhão com menos de 25 mil habitantes, outra situação surreal. No período de um ano, o hospital municipal atendeu 27,9 mil pessoas para tratamento de glaucoma --grupo de doenças que afetam o nervo óptico e atingem cerca de 5% da população, em geral nas faixas etárias mais avançadas.
    Foram tomados indevidamente dos cofres públicos, nesse caso, quase R$ 2 milhões.Conforme mostrou reportagem desta Folha no domingo, a esse desvio somam-se diversos outros, como aplicação irregular de recursos destinados à saúde, funcionários fantasmas, equipamentos não encontrados e licitações inexistentes.
    De 2008 a 2012, as fraudes custaram ao SUS pelo menos R$ 502 milhões, segundo 1.339 auditorias realizadas pelo governo federal.
Em termos relativos, o montante não chega a 1% do orçamento do Ministério da Saúde em 2012. Em valores absolutos, é suficiente para construir 227 UPAs (unidades de pronto atendimento) --hoje existem cerca de 270 em todo o Brasil.
    Como se já não fosse um absurdo, a cifra pode ser ainda maior, já que as investigações são feitas após denúncia ou por amostragem. Sem fiscalização mais eficiente, essa hemorragia de recursos públicos não será estancada.

Na Coluna do CLAUDIO HUMBERTO


PODER SEM PUDOR

É SÓ UM
O falecido Saulo Ramos era ministro da Justiça do governo José Sarney, e não se conformava com a desorganização da burocracia. Certo dia, ele se aproximou de um jornalista e perguntou, de surpresa, se ele sabia quantos geólogos o Departamento Nacional de Produção Mineral mantém em Rondônia para fiscalizar o garimpo. O jornalista reagiu no susto: "Hum?"
- Isso mesmo - respondeu Ramos, sorrindo - o DNPM só tem um geólogo...

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Governo anuncia a recuperação da Av. dos Portugueses
O Imparcial: 40 empresas são multadas por abrirem no feriado do comércio
Região
Jornal do Commercio:Plano de saúde vai ter cobertura maior
Meio-Norte:Wellington: Leilão do pré-sal foi histórico
O Povo:Presídio: 3.890 celulas apreendidos só este ano
Nacional
Correio Braziliense:O petróleo é nosso (e também de chineses, de franceses, britânicos e holandeses)
Estadão:Leilão do pré-sal atrai grupos privados, mas sai pelo mínimo
Estado de Minas:Preço de cerveja e tira-gosto disparam
Folha:Sem concorrência, leilão do pré-sal obtém valor mínimo
O Globo:Primeiro leilão do pré-sal: Sem disputa, Petrobras, Shell, Total e duas chinesas vencem
Zero Hora:Lance mínimo

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Roseana Sarney e Jura Filho desprestigiam Salão de Turismo do roteiro que integra Maranhão, Piauí e Ceará

    A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, não foi e não mandou representante do estado para participar do I Salão de Turismo da Rota das Emoções, que aconteceu entre os dias 18 e 20 de outubro,na cidade de Parnaíba(PI). O evento é realizado pelo Sebrae dos Maranhão, Piauí e Ceará.
   O secretário de estado do Turismo, Jura Filho, interliga três estado: Maranhão, Piauí e Ceará. Compreende a faixa litorânea que se estende desde o Parque Nacional dos Lençóis, passando pela Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, até o Parque Nacional de Jeriquaquara.
    Desde 2005, empreendedores do Maranhão, Piauí e Ceará dialogam para construir uma agenda integrada da região que se estende dos Lençóis Maranhenses à Jeriquaquara, no litoral do Ceará, passando pelo Delta do Paranaíba, na costa piauiense. Na época que estava no comando do estado era o governador José Reinaldo Tavares.
    O governadora do Piauí, Wilson Martins, abriu oficialmente o Salão na sexta-feira,18. Prefeitos dos municípios de Barreirinhas, Paulino Neves, Tutoia e Paulino Neves participaram do Salão.


No PAINEL da Folha de S. Paulo

Menina dos olhos
A presidente Dilma Rousseff disse a um interlocutor que o leilão do campo de Libra é um dos atos mais importantes do seu governo, que "marcará o país por gerações". Foi decisão pessoal da presidente enviar o Exército para o Rio de Janeiro. Na sexta, determinou que o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) desse uma entrevista para espantar dúvidas. Depois, mudou a data da sanção da lei do Mais Médicos para amanhã para evitar que os assuntos "concorressem".

Na Coluna do CLAUDIO HUMBERTO


PLANOS DIFERENTES

No PMDB, o ministro Moreira Franco tem sido ventilado para substituir Gastão Vieira (Turismo), que deverá disputar as eleições em 2014. Já o Planalto diz estar satisfeito com a atuação de Moreira na Aviação Civil.

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Sampaio a um passo da Série B
O Imparcial: 2.500 vagas estão abertas para contratos temporários em São Luís
Região
Jornal do Commercio:PT decide deixar governos do PSB
Meio-Norte:Mais 100 médicos de Cuba virão ao Piauí
O Povo:Polícia monitora relatos de onda de arrastões
Nacional
Correio Braziliense:A cada dia, 10 menores são violentados no DF
Estadão:Governo dribla ações na Justiça para leiloar Libra
Estado de Minas:Pista livre para infrator
Folha:Modelo do pré-sal vai a teste hoje em megaleilão
O Globo:A partilha do petróleo – Libra vai a leilão sem plano contra vazamento
Valor:Modelo de Libra deve ser revisto
Zero Hora:Tensão e lance único rondam leilão de Libra

domingo, 20 de outubro de 2013

A magia da imagem - FERREIRA GULLAR

O vínculo entre a imagem e a realidade deu origem às artes visuais, que nasceram com o homem das cavernas
    Quando o homem do Paleolítico encontrou um pedaço de sílex, que parecia a cabeça de um bisão, pensou que aquele era um outro modo de o animal existir. E esse vínculo, para ele, entre a imagem e a realidade, parecia-lhe tão forte que, se atingisse a imagem do animal, atingiria o próprio animal.
    Essa será possivelmente a razão pela qual o corpo dos bisões pintados nas cavernas esteja cravejado de setas. É que isso asseguraria o êxito da caçada. Essa crença sobrevive até hoje no que se conhece como "magia simpática", praticada por feiticeiros. No Brasil mesmo, é conhecida essa prática, que consiste em fazer o boneco da pessoa e espetá-lo no coração, na certeza de que, desse modo, levará à morte a pessoa ali representada.
    Esse vínculo entre a imagem e a realidade deu origem às artes visuais, que nasceram precisamente com o homem das cavernas e se mantêm até hoje como um dos principais meios de que dispomos para inventar o nosso mundo humano.
    Como se viu, desde o primeiro momento, a imagem já não é mera representação do real, mas um meio de transformá-lo: a arte existe porque a realidade não nos basta.
    E, não por acaso, após milênios, a arte das imagens acompanha a aventura do homem, seja como expressão de seus desejos e representação de seus valores, seja como a criação de momentos de beleza e deslumbramento. Das paredes de Lascaux a dos mosteiros medievais, das primeiras telas renascentistas às imagens fotográficas de hoje, das xilogravuras quinhentistas à litografia e aos processos eletrônicos de agora, o universo imagístico tornou-se parte essencial da história humana, a ponto de ser impossível separarmos imagem e realidade.
    Esse universo de significações, no entanto, não se contenta com a expressão visual das formas, das imagens. Ele necessita decifrá-las, entendê-las, traduzi-las na linguagem das palavras. Mas, como disse Ernst Cassirer, as linguagens são intraduzíveis entre si, ou seja, o que a imagem diz, a palavra não consegue dizer.
    É que os significados só existem nas linguagens e são, portanto, criações delas. Certamente, podemos, com palavras, referirmo-nos, por exemplo, a uma gravura de Oswaldo Goeldi, em que vemos, na noite escura, um homem com um guarda-chuva vermelho. Podemos, mesmo, não apenas descrevê-la --os elementos figurativos que a compõem-- como tentar evocar a atmosfera de solidão ali presente. Não obstante, essa será sempre uma formulação verbal que jamais equivalerá, nem muito menos substituirá, a expressão que a imagem visual nos proporciona.
    Isso não significa, porém, que a expressão vocabular seja um exercício descabido e inútil. Pelo contrário, por ser também uma linguagem autônoma, a palavra cria significações --leituras-- que se somam à expressão visual das imagens. Nesse sentido, o texto crítico, analítico ou poético sobre uma obra de arte pode de certo modo incorporar-se a ela, não como tradução da obra, mas como interpretação que a enriquece. Exemplo disso é o soneto de Rainer Maria Rilke sobre o torso de Apolo, traduzido para o português por Manuel Bandeira e que termina com este verso: "Força é mudares de vida".
    E isso não apenas com respeito à arte. Na verdade, a realidade em que vivemos é, de fato, inventada por nós. Não simplesmente a realidade material --os instrumentos, as casas, os veículos etc.-- como também a realidade espiritual, constituída pelos valores éticos, estéticos, religiosos, científico.
    Essa relação entre imagem e a palavra, no mundo da arte, ganha um significado muito peculiar, já que, neste campo, a interatividade das duas linguagens contribui para o enriquecimento de ambas, que assim descobrem novas possibilidades de reinventar-se.
Acredito que estas considerações evidenciam a importância que a criação artística desempenha na permanente reinvenção de nossa realidade. Refiro-me à realidade do homem como ser cultural. A permanência das obras de arte, criadas há séculos e mesmo há milênios, é a demonstração cabal do que a arte significa para o homem. É que se de fato, como creio, a vida é inventada, nada a torna mais fascinante do que a arte.
Da FOLHA

MANCHETES DAS REVISTAS SEMANAIS

Veja
Manchete: Nosso ídolos não são mais os mesmos
Artistas favoráveis à censura de biografias causam decepção.
Cartel dos trens: Documentos mostram a riqueza inexplicável de servidores em SP 
Startups: O Brasil também tem novas e promissoras jóias do mundo digital 
------------------------------------------------------------------------------------
Época
Manchete: Caráter se aprende na escola
Além de matemática e português, os alunos agora terão nota de perseverança, otimismo, curiosidades e outros traços de personalidade.Entrevista: “Chico, Caetano e Gil, defendem minha tese”, diz o deputado Jair Bolsonaro sobre a censura às biografias.
------------------------------------------------------------------------------------
ISTOÉ
Manchete: Esta geração vai mudar o mundo
Como os jovens estão transformando a maneira de se relacionar, trabalhar, fazer política e negócios.
Pesquisa global mostra que a juventude brasileira é mais otimista, mais empreendedora e mais ambiciosa do que a média mundial. O que isso representa para o país?.
Eleição 2014: Aécio chama o jogo.
Copa do mundo: A estratégia do governo para combater o abuso dos preços das passagens aéreas e dos hotéis. 
------------------------------------------------------------------------------------
ISTOÉ Dinheiro
Manchete: O negócio da China é o Brasil
O apetite das empresas chinesas pelo País atinge o ápice com o leilão do Campo de Libra, do pré-sal, mas vai muito além e engloba setores estratégicos, como indústria, bancos e agronegócio.
Enquanto os Estados Unidos perdem espaço, Pequim elege o Brasil como prioridade de investimentos na América Latina.
O alerta de Eugene Fama, Nobel de economia
------------------------------------------------------------------------------------
Carta Capital
Manchete: Como se constrói uma celebridade
A máquina de produzir famas instantâneas e faturar milhões.
Eleições 2014: Hoje, só Marina Silva levaria ao segundo turno, diz o Vox Populi
Biografias: A polêmica, por Mauricio Dias, Vitor Knijnik e Belluzzo
The Economist: A Al-Qaeda está mais viva do que supõe o Ocidente

+QI: O medo domina os EUA

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Prefeitura promete obras de melhorias, mas não cumpre
Região
Jornal do Commercio:Qualidade de vida desafia o rumo do Bolsa Família
Meio-Norte:Recorde: PI tem 10 mil empregos em 9 meses
O Povo:O que fortalece e o que fragiliza Dilma e Cid
Nacional
Correio Braziliense:Sonho do brasiliense é ser servidor público
Estadão:Chineses podem entrar no pré-sal e em refinarias
Estado de Minas:O preço de um voto
Folha:Em 5 anos, SUS sofre desvio de R$ 500 milhões
O Globo:Na boca da urna: Campanhas eleitorais concentram corrupção
Zero Hora:Impostos sobem 16% mais que a inflação em 10 anos

sábado, 19 de outubro de 2013

MANCHETES DOS JORNAIS

Estado
O Estado do MA:Assembleia volta a discutir a criação de municípios no MA
Região
Jornal do Commercio:Governo já admite pedágio na BR-232
Meio-Norte:Quem faz a diferença ganha destaque no Dia do Piauí
O Povo:Receita Federal investiga sonegação milionária
Nacional
Correio Braziliense:Quatro concursos, 829 vagas e salários de até R$ 22,8 mil
Estadão:Ações tentam barrar leilão do pré-sal na Justiça
Estado de Minas:100 anos: São demais os perigos desta vida...
Folha:Governo vai aliviar tributo sobre lucro da Petrobras
O Globo:Lula condena máscara e depredação em protestos
Zero Hora:Leilão do pré-sal terá até praia interditada