segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Um século de Josué Montello

“Sento-me a esta mesa para retomar o trabalho de todas as manhãs. Não porque queira, mas porque assim quer a vocação, que sempre me conduziu até aqui”, escreveu o maranhense Josué Montello em 22 de agosto de 1997, aos 80 anos. Em 21 de agosto de 2017 o escritor completaria 100 anos. Com mais de 150 obras publicadas o escritor faz parte do imaginário de milhões de pessoas que entraram em contato com sua vasta obra.
Aos 15 anos, o jovem Josué revelou sua vocação ao público leitor no jornal O Imparcial. Numa manhã cinzenta de 22 de dezembro, Josué desembarcou no Rio de Janeiro quando tinha 19 anos. Reconheceu ali trechos do Cais do Porto das tampas das caixas de sapato da loja de seu pai. Militou na imprensa carioca e ingressou no serviço público com passagens por diversos órgãos e cargos como o do Subchefe da Casa Civil da Presidência da República no governo de Juscelino Kubitschek. Foi reitor da Universidade Federal do Maranhão, UFMA, em sua fase inaugural.
Com dois meses no Rio preparou seu primeiro romance “Janelas Fechadas”. Tinha pouco mais de 20 anos. Mas sua forma definitiva atravessaria o tempo desde 1938 até 1982, quando acreditou estar pronta a obra com “texto novo, mas com o intuito de resguardar o manancial que banhava o livro de estreia”.
A rebelião comunista de 22, a Coluna Preste de 37, o baile de despedida do Império da Ilha Fiscal (RJ), a ocupação da França durante a Segunda Guerra Mundial, o protestantismo, o terrorismo, o prazo de dez dias para a anulação do casamento segundo o Código Civil da época. Tudo coube no espectro temático da obra Montelliana.   
Josué Montello encerrou sua produção de romances com “A mais bela noiva de Vila Rica” (2001), no qual recria com extrema delicadeza o romântico e infeliz amor entre o poeta da Inconfidência Mineira Tomás Antônio Gonzaga e Maria Doroteia, imortalizados como Dirceu e Marília.
Foi um dos poucos em que a trama se desenrolou fora do espaço maranhense. Como Dostoievski, Montello foi universal escrevendo sobre a província. Nele os críticos reconheciam o “esmero da expressão verbal” de tradição Machadiana. Jorge Amado considerava “A décima noite” como um dos romances mais sérios publicados no Brasil até sua época. “Os tambores de São Luís” (1965) é sua obra monumental. A saga de Damião durante três séculos. São mais de 400 personagens.  
Yone Montello, companhia por toda uma vida de Josué, organizou a linha do tempo do escritor e juntou suas peças literária na casa da Rua das Hortas. 
No panteão dos escritores, Montello ocupou a cadeira 29, desde 1954, da Academia Brasileira de Letras, a qual presidiu em 1985. Na Academia Maranhense de Letras ocupou a cadeira 31 a partir de 1948. Josué Montello faleceu em 15 de março de 2006.


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