terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fazer do país uma potência do turismo - VINICIUS LUMMERTZ

    A conceituada revista "Condé Nast Traveler", dirigida ao turismo de alto padrão, elegeu o Brasil como o país mais bonito do mundo.

    O canal mundial de notícias CNN escolheu o povo brasileiro como o mais "cool" do planeta.

    A respeitada "Wanderlust", publicação inglesa especializada em ecoturismo, fez uma enquete com celebridades de diversos segmentos, e o chef Michel Roux Jr, apresentador da rede de TV BBC, foi categórico: destaque na gastronomia é o Brasil.

    Na pesquisa que o Ministério do Turismo realizou com os turistas no Rio de Janeiro ao final dos Jogos Olímpicos, mais de 95% declararam que pretendiam voltar ao país.

    Na contramão, a crise política e a falta de segurança, em especial no Rio, não escapam ao olhar frio das câmeras e, consequentemente, ao olhar globalizado da mídia.

    Enfrentar com vigor os problemas de segurança e, ao mesmo tempo, trabalhar com muito mais empenho e recursos a promoção são as tarefas urgentes, e gigantes, que se impõem. É preciso reconhecer que incentivar o turismo é uma prioridade para virar a página negativa do noticiário sobre o Brasil, que percorre o mundo.

    Ainda mais se considerarmos o impacto dessa atividade na geração de negócios: movimenta 52 setores da cadeia produtiva, é responsável pela garantia de cerca de 10% de empregos (entre diretos e indiretos) e gera riquezas na ordem de 8% PIB.
Estamos, porém, nas últimas posições no ranking de países no que diz respeito às condições de investimento em turismo.

    Com a missão de promover internacionalmente a imagem do Brasil, a Embratur conta com uma única fonte de recursos, o Orçamento da União, que vem sofrendo uma série de cortes e contingenciamentos. Em 2016, o valor não passou de 20% do total que era destinado há sete anos.

    Enquanto países vizinhos gastam cada vez mais em promoção internacional e modernizam as estruturas de seus organismos, atuamos na contramão dessa história.

    A Argentina investiu no ano passado US$ 36 milhões, a Colômbia, cerca de US$ 48 milhões, e o México, mais de US$ 400 milhões. Todos eles apresentam fluxos turísticos internacionais sólidos e crescentes.

    Em 2016 sobrou para a Embratur aplicar na promoção internacional (campanhas de mídia, feiras, press trips) menos de US$ 17 milhões. Com isso, continuamos a patinar na faixa dos 6,6 milhões de turistas internacionais anuais, enquanto os países vizinhos vêm avançando.

   Uma solução está prestes a ser analisada pelo Congresso Nacional, o projeto de lei 7425/2017, que propõe a transformação da Embratur em um serviço social autônomo.

    Como autarquia não há possibilidade, por exemplo, de contratar pessoal qualificado no exterior, nem firmar convênios ou parcerias com a iniciativa privada. Os parlamentares brasileiros estão sensibilizados sobre a importância dessa mudança.

    É preciso abrir bem os olhos e enxergar o turismo como uma grande ferramenta capaz de alavancar a economia e superar a recessão, a exemplo de outras nações.
Espanha, Portugal e, mais recentemente, Tailândia saíram de graves crises econômicas e retomaram o crescimento dessa maneira.

    De acordo com o Fórum Econômico Mundial e a Organização Mundial de Turismo, temos, entre todos os países do mundo, o maior potencial de belezas naturais e o oitavo em riqueza cultural.

    Ao não desenvolvermos as vantagens que temos, estaremos enganando os próprios brasileiros. O país mais lindo do mundo, o mais "cool", o da mais exuberante natureza e diversificada cultura e gastronomia tem uma obrigação: transformar-se em potência mundial do turismo.

VINICIUS LUMMERTZ, cientista político, é presidente da Embratur. Foi secretário nacional de políticas de turismo no Ministério do Turismo (governo Dilma)

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