quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Tempo de Francisco - LEONARDO LICHOTE

No início de “Caravanas” (Biscoito Fino), na faixa “Tua cantiga”, o narrador de Chico Buarque põe em dúvida sua própria fala, num sofisticado jogo de espelhos no qual “rouba” versos de Shakespeare (“Ou estas rimas não escrevi/ Ou ninguém nunca amou”). Em “As caravanas”, que encerra o disco, o poeta volta a se questionar, atônito ao observar a opressão sem sentido que se dá nas praias da Zona Sul aos jovens negros (ou ao descobrir os sentidos presentes ali): “Tem que bater, tem que matar/ Engrossa a gritaria/ Filha do medo, a raiva é mãe da covardia/ Ou doido sou eu que escuto vozes/ Não há gente tão insana/ Nem caravana do Arará”.
      Este diálogo é apenas um da teia do disco. O fato de a primeira ser um lundu (ritmo originário da África que passou por um processo de “embranquecimento” nos salões da virada do século XIX para o XX) e a última ter, em meio à orquestra, a presença do tamborzão (ritmo originário das favelas, derivação do maculelê ao ser apropriado pelo funk carioca) acrescenta mais camadas ao álbum. Ou mesmo remete a conversas mais amplas: “Chico” (disco de 2011), terminava com a primorosa “Sinhá”, que tratava exatamente da complexidade da questão racial no Brasil. “Caravanas” carrega, enfim, essa densidade, pensando o termo como a concentração de muito em pouco espaço, como os facões e adagas malocados nas sungas dos moleques de “picas enormes” e sacos-granadas de “As caravanas”.
O disco traz apenas nove faixas, que se desenrolam em mil — para dentro de si e na relação com as outras. Vários fios o cruzam. Há o narrador que duvida (presente também em “Dueto” e em “Desaforos”); há as musas inalcançáveis (de “Tua cantiga”, “Blues pra Bia”, “A moça do sonho”, “Desaforos” e “Casualmente”); há a percepção tranquila da proximidade da velhice (“Jogo de bola”) se espelhando na potência do menino que brinca à beiramar (“Massarandupió”); há a observação social (a palavra “denúncia” seria redutora para um artista que trabalha em perspectivas bem mais profundas) do racismo de Estado e da elite — e também dos Estados e das elites, já que a canção toca em outras migrações que vão além da Zona Norte-Zona Sul, ao citar muçulmanos e ao fazer referência a uma cena de “O estrangeiro”, de Albert Camus, na qual um francês mata um árabe na praia (“As caravanas”). Há o amor que consta não só nas bulas, no evangelho, nos búzios, mas também no Tinder, no WhatsApp, no Face (“Dueto”). Há a ternura em resposta à ofensa, numa canção de amor não correspondido que se resolve aí, mas que pode ser transposta também para o universo das redes sociais e seu gosto pela maledicência (“Desaforos”).
Costurando todos esses fios, está o tempo, e a consciência que o compositor tem dele. É o tempo que Chico finge driblar (o que não consegue, assume com sábio bom humor) na melodia arisca como um menino peladeiro de “Jogo de bola”. A letra carrega a velocidade de raciocínio que as pernas não respondem mais: “Há que levar um drible/ Por entre as pernas sem perder a linha/ (...) Como quem tira o chapéu pra mulher que lhe deu o fora”. É com o tempo que Chico pinta “Massarandupió”, ritmando polissílabos como com vocábulos como “piá”, “psiu”, “xuá" sobre a melodia de Chico Brown, seu neto. O fato de ter trazido para o disco também sua neta, Clara Buarque (que divide “Dueto” com ele), reafirma que “Caravanas” se escreve sobre a pauta do tempo.
É no hoje que Chico se localiza para cantar o amor (possessivo, de entrega doentia) de “Tua cantiga”. É no instante impreciso e mágico do tempo chamado por Chico de “el encanto de la casualidad”, que se instala “Casualmente”, bolero sinuoso, parceria com Jorge Helder, que se passa em Cuba — não aquela para onde insistem em mandá-lo em meio ao não debate que toma conta do cenário político, mas uma Cuba remota da voz remota de uma mulher remota. Já a “mulher do sonho” flutua entre tempos, numa dimensão inatingível por seu amante. Igualmente inatingível a ele é a dimensão onde está a musa contemporânea do “Blues pra Bia” (“No coração de Bia/ Meninos não têm lugar”).
Os mais de cem anos que afastam o lundu do tamborzão, e os amores e as dores que se deram nesse tempo, são a matéria de “Caravanas”. A presença sutil do funk carioca é a maior ousadia formal no sentido de “atualização” (outra perspectiva redutora) da sonoridade de Chico. Os arranjos de Luiz Cláudio Ramos servem lindamente às canções e as colorem em diferentes paletas: a delicadeza do discurso de “Desaforos” conversa com a suavidade do vibrafone e do piano; a grandiosidade de “As caravanas”, que vai de Istambul à Maré, ganha sustentação na orquestração épica; “Massarandupió” tem elegância pop e praieira em seus sopros e cordas — reflexos do Jobim de “Wave”.
“Caravanas” crava, enfim, que Chico é um artista do presente — ao contrário do lugar em que alguns têm procurado localizá-lo nos últimos anos (especialmente após “Tua cantiga” e o aquecimento de ânimos com a acusação de machismo em sua letra), de ser alguém anacrônico em sua poética e em sua musicalidade. Apenas a compreensão limitada do “hoje” como sinônimo de “juventude” faz pensar algo diferente disso. Chico olha a canção do alto do tempo e com os pés no chão, como os grandes de sua geração.
 De O Globo

MANCHETES DO DIA

MARANHÃO
 - 13,21% a mais na tarifa de energia


REGIÃO

Privatização da Eltrobas gera expectativa alta
Desembargador afastado receberá R$ 101 mil de auxílio-moradia



NACIONAL


GDF parcela salários. Sindicato vai à Justiça

Eletrobras tem alta de 49% após incio da privatização


Governo planeja limites para novos sócios da Eletrobras


 Três mil soldados da PPs são deslocados para as ruas

 STF torna Collor réu na Lava-Jato por corrupção

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Iphan inspeciona objetos de 'magia negra'

Equipes do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estiveram nesta segunda-feira,21, no Museu da Polícia Civil, no Centro do Rio de Janeiro, para inspecionar imagens, amuletos e roupas cerimoniais de um conjunto conhecido como “magia negra”. 

Os artigos foram apreendidos pela polícia provavelmente no início do século XX, com base no Código Penal de 1890, editado pouco depois da Proclamação da República (1889). De acordo com o código, o material era prova de crimes, já que a legislação da época proibia a “prática do espiritismo, da magia e seus sortilégios’.’

Os cerca de 200 objetos, tombados em 1938, fazem parte do acervo técnico do museu. Eles estão no centro de campanha “Libertem nosso sagrado”, criada no Facebook, e que visa a dar visibilidade a essas peças e transferi-las para outro local. Ainda não há acordo com a Polícia Civil. O assunto será tema de uma audiência pública convocada pelo deputado Flávio Serafini (PSOL), que acompanhou os técnicos do Iphan, junto da mãe de santo Meninazinha de Oxum e do deputado Marcelo Freixo (PSOL).

— O Iphan fará uma avaliação do estado do acervo. Na visita, abrimos apenas uma das 50 caixas porque essas peças exigem cuidado no manuseio. O objetivo agora é buscar apoio de alguma instituição que pesquise a origem dessas peças e se encarregue da restauração — disse Serafini.


Maranhão deixa de divulgar números sobre violência no Estado

    Sem divulgar dados relativos à redução do número de casos de violência registrados no estado, o secretário Jefferson Portela perdeu oportunidade de divulgar avanços na área do governo do Maranhão. Levantamento divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo feito junto às secretarias de estado de Segurança Pública destaca  Sergipe. Jefferson Portela tem se desdobrado nas atividades da pasta e agenda de campanha pelo interior do estado. Ele é candidato a deputado federal pelo PCdoB nas eleições de 2018.

    Na comparação com do primeiro semestre deste ano com 2016, Sergipe reduziu em 12,54% o número de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte). Foi que mais reduziu na região e sexto no país.  Ainda no Nordeste conseguiram reduzir o número de homicídios Paraíba (-9,63), Piauí (-4,56%) e Bahia (-2,41). 

    Na outra ponta, do aumento descontrolado da violência, está Pernambuco, com taxa de elevação de 37,88%, seguido por Ceará (+31,90%), Rio Grande do Norte (+26,27%) e Alagoas (+4,31%). Em Sergipe os números estão em queda desde 2015, segundo ano de mandato do governador Jackson Barreto (PMDB). 

    Barreto considera investimentos realizados na área, como o sistema de radiocomunicação digital da SSP, como fator determinante para bons resultados. O número de policiais convocados pelo governo também é apontado como ferramenta no combate ao crime. Mas, um detalhe, a Força Nacional está no estado e atuará até dezembro no Sergipe.

MANCHETES DO DIA

MARANHÃO
 - Secretário dará explicações à AL




REGIÃO

Ministro prpõe privatizar Eletrobras, inclusiva a Chesf
Tasso e Aécio brigam pelo comando do PSDB



NACIONAL


Máfia teria fraudado todos os concursos no DF desde 2013

Maia e Gilmar admitem volta da doação eleitoral de empresas


Governo propõe a privatização da Eletrobras


 Eletrobras deve ser vendida

 Câmara quer cheque em branco para gasto público de campanha

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Vereador apresenta projeto de música na praça

   
O vereador Osmar Filho
O vereador de São Luís, Osmar Filho (PDT) encaminhou projeto de lei à mesa diretora da Câmara para criação do programa "Música na Praça". Segundo o vereador o objetivo é democratizar o acesso às manifestações artísticas e valorizar a produção musical, priorizando os artistas locais.

     "A ideia principal é que o projeto ocorra de forma itinerande nos bairros de São Luís,  com apresentações musicais em espaços públicos. O projeto será executado pela banda de música da Gurda Municipal da Scretaria Municipal de Segurança com Cidadania.


Conversa Aberta com o artista Cláudio Costa marcará o encerramento da exposição Ancer

A Exposição Ancer, do artista Cláudio Costa, terá uma semana a mais de exibição no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) e poderá ser visitada até o domingo (27).Para promover o encontro entre o artista e o público será realizada uma conversa aberta, no dia 26 de agosto, às 15h, na sala Buriti, do CCVM.  Na ocasião será lançado o catálogo da exposição. O horário de visitação é de terça a domingo, das 10h às 19h.
Aberta à visitação desde a primeira semana de julho, a exposição Ancer de Cláudio Costa apresenta obras relacionadas a temas como cultura popular, conhecimentos tradicionais, mitologias e ancestralidade. A exposição individual conta com uma seleção de mais de 90 peças.O conjunto de obras resultantes dessas andanças está sendo exposto integralmente pela primeira vez.

Dentre as obras do artista, o visitante pode apreciar uma grande instalação feita a partir de tecidos tingidos com mangue, além de esculturas, fotos e filmes, em especial o vídeo inédito “Arcabouços”, que teve a direção de Beto Matuck e trilha sonora de Zeca Baleiro.

Pará vence 40ª Copa Norte e Nordeste de Ciclismo de Estrada em São Luís

   
Pará é o grande campeão da 40ª Copa Norte e Nordeste de Ciclismo de Estrada 2017 em São Luís (MA). Com uma equipe regular, o estado alcançou o hexacampeonato. Pontuou em diversas categorias e mostrou união entre os atletas. O Maranhão conquistou 10 medalhas e boas colocações nas provas disputadas. 

    O presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo, José Luiz Vasconcelos, acompanhou a competição que teve apoio da Federação Maranhense de Ciclismo, governo do estado, prefeitura de São Luís e da empresa Potiguar. A próxima edição da copa será em Palmas (Tocantins).
Equipe do Maranhão na 40ª Copa Norte e Nordeste de Ciclismo

    O resultado por equipes só foi definido nas últimas corridas. O Pará conquistou o título geral após acumular 378 pontos, contra 323 do Ceará e 310 pontos da Bahia. O presidente da Federação Maranhense de Ciclismo (FMC), Rafael Carvalho, des um balanço positivo da competição."Os atletas fizeram uma grande festa. Agradeço a confiança depositada pela CBC na Federação Maranhense", disse Rafael Carvalho.
Competição na Via Expressa, em São Luís (MA)
     
    A próxima competição da modalidade esportiva em São Luís  será o GP SLZ ILha Race, disputada nos dias 2 e 3 de setembro na Vila Expressa. A prova é válida para o campeonato maranhense e conta ponto para o ranking nacional.

Na Coluna do Estadão


ECLIPSE DO SOL

São Luís (MA) terá 36% do Sol obscurecido pela Lua às 16h17

Maranhão tem 15 das 30 cidades que mais dependem do Bolsa Família

    O município de Junco do Maranhão é que percebe o maior percentual per capta do Bolsa Família, programa do Governo Federal, no país.  O Estado tem 15 municípios dos 30 que mais dependem do Bolsa Família. Desde o início deste ano, o governo federal vem reduzindo o repasse do Bolsa Família aos municípios, desligando famílias do CadÚnico  a partir de critérios estabelecidos, mas discutíveis.

    Junco, situado na região do Turi tem 3,3 mil habitantes, sendo que 893 famílias recebem algum tipo de recursos de programas federais. O valor médio pago pelo benefício no município é de R$ 315, 00. O valor máximo per capita no país é de R$ 380,22.

    O gasto per capita considera o valor total da transferência de renda pelo número de habitantes da cidade. O per capita em Junco é de R$ 84,25, segundo estimativa populacional do IBGE em 2016 e repasse do governo realizado em julho deste ano. O total gasto na cidade é de R$ 281,2 mil e o benefício médio dessas famílias é de R$ 314,92.

 Onde tem mais famílias no Bolsa Família:


MANCHETES DO DIA

MARANHÃO
 - Sampaio na ponta




REGIÃO

Pernambuco eleva taxa nacional de homicídios
Frota envelhecida agrava poluição e engarrafamentos



NACIONAL


Gás de cozinha R$ 80, e pode subir ainda mais

Fundo de R$ 3,6 bi deve sobrecarregar fiscalização eleitoral


Alta da dívida faz Brasil destoar de países emergentes


 Justiça desiste de meta para julgar crime contra a vida

 Pequenos negócios crescem 53% em cinco anos no Estado

Em algum lugar do passado...

Interior de bar na rua da Palma - São Luís (MA), década de 1980

Um século de Josué Montello

“Sento-me a esta mesa para retomar o trabalho de todas as manhãs. Não porque queira, mas porque assim quer a vocação, que sempre me conduziu até aqui”, escreveu o maranhense Josué Montello em 22 de agosto de 1997, aos 80 anos. Em 21 de agosto de 2017 o escritor completaria 100 anos. Com mais de 150 obras publicadas o escritor faz parte do imaginário de milhões de pessoas que entraram em contato com sua vasta obra.
Aos 15 anos, o jovem Josué revelou sua vocação ao público leitor no jornal O Imparcial. Numa manhã cinzenta de 22 de dezembro, Josué desembarcou no Rio de Janeiro quando tinha 19 anos. Reconheceu ali trechos do Cais do Porto das tampas das caixas de sapato da loja de seu pai. Militou na imprensa carioca e ingressou no serviço público com passagens por diversos órgãos e cargos como o do Subchefe da Casa Civil da Presidência da República no governo de Juscelino Kubitschek. Foi reitor da Universidade Federal do Maranhão, UFMA, em sua fase inaugural.
Com dois meses no Rio preparou seu primeiro romance “Janelas Fechadas”. Tinha pouco mais de 20 anos. Mas sua forma definitiva atravessaria o tempo desde 1938 até 1982, quando acreditou estar pronta a obra com “texto novo, mas com o intuito de resguardar o manancial que banhava o livro de estreia”.
A rebelião comunista de 22, a Coluna Preste de 37, o baile de despedida do Império da Ilha Fiscal (RJ), a ocupação da França durante a Segunda Guerra Mundial, o protestantismo, o terrorismo, o prazo de dez dias para a anulação do casamento segundo o Código Civil da época. Tudo coube no espectro temático da obra Montelliana.   
Josué Montello encerrou sua produção de romances com “A mais bela noiva de Vila Rica” (2001), no qual recria com extrema delicadeza o romântico e infeliz amor entre o poeta da Inconfidência Mineira Tomás Antônio Gonzaga e Maria Doroteia, imortalizados como Dirceu e Marília.
Foi um dos poucos em que a trama se desenrolou fora do espaço maranhense. Como Dostoievski, Montello foi universal escrevendo sobre a província. Nele os críticos reconheciam o “esmero da expressão verbal” de tradição Machadiana. Jorge Amado considerava “A décima noite” como um dos romances mais sérios publicados no Brasil até sua época. “Os tambores de São Luís” (1965) é sua obra monumental. A saga de Damião durante três séculos. São mais de 400 personagens.  
Yone Montello, companhia por toda uma vida de Josué, organizou a linha do tempo do escritor e juntou suas peças literária na casa da Rua das Hortas. 
No panteão dos escritores, Montello ocupou a cadeira 29, desde 1954, da Academia Brasileira de Letras, a qual presidiu em 1985. Na Academia Maranhense de Letras ocupou a cadeira 31 a partir de 1948. Josué Montello faleceu em 15 de março de 2006.


domingo, 20 de agosto de 2017

Amor - LUIS FERNANDO VERISSIMO

Cinco numa mesa de bar, comparando seus smartphones. Um diz: – O meu não só mostra quem está chamando como avisa se for um chato.
– O meu – diz outro – acessa a internet, dá palpites para jogar na Sena e o tempo que faz no Himalaia. O terceiro:
– O meu é gravador, relógio, câmera fotográfica e granada de mão, e ainda faz logaritmos. O quarto:
– O meu codifica, decodifica e toca o Hino Nacional.
Os outros três se intercalam:
– O meu imita passarinho e dá o diretor, os roteiristas e o elenco completo de 17 mil filmes.
– O meu dá a escalação de todas as seleções do mundo desde que inventaram o futebol e o resumo de todas as óperas.
– O meu é despertador, desfibrilador, além de mostrar imagens de Marte.
–E o meu? E o meu? – diz o quinto, que até então permanecera em silêncio.
– O seu o que faz?
– O meu – diz o quinto – me ama.
Na Transilvânia. (Da série Poesia Numa Hora Dessas?!)
Ele flana pelos corredores do castelo como um par de olheiras sobre patins com a tinta escorrendo dos cabelos a boca roxa, as mãos nos rins. Às vezes para porque ouviu seu nome:
“Drakuuul”, ao longe, “Drakuuul” Mas é só o som do vento gelado ou de um lobo desgarrado. Pede “Virgens!” e dão risada pede “Sangue!” e trazem laranjada. Bolachas ou coisas vivas? “Monsieur le Compte, suas gengivas!” Ele desliza pelos corredores sonhando com pescoços latejantes pensando em velhas conquistas e em abrir o térreo para turistas. “Drakuuul!”, longe, “Drakuuul!” Mas é sempre só um lobo anônimo. Ou, possivelmente, um lobo irônico.
De travesseiro. Aquela conversa de
travesseiro.
– Quem é meu quindinzinho?
– Sou eu.
– Quem é minha roim-roim-roim? – Sou eu.
Aí, ele inventa de dizer que jamais se separarão e que ela será, para ele, como aquele nervinho da carne que sempre fica preso entre os dentes.
E ela:
– Credo, Osmar, que mau gosto. E sai da cama para nunca mais. O amor também pode acabar por uma má escolha de metáforas.
Investigação. O inspetor que investigava a morte da trapezista checa tinha um cachimbo permanentemente no canto da boca, mas com o fornilho virado para baixo. Dizia que era para evitar a tentação de enchê-lo, pois estava proibido de fumar. Mas antes de começar a escrever meu conto tive que investigar e só então descobri que aquela parte do cachimbo se chama fornilho, o que passei a maior parte da minha vida sem saber.
Toda literatura, no fim, é autobiográfica.
Amigos. Calçada. Homem com cachorro. Cachorro fazendo cocô. Passa mulher e diz “Que nojo!”. Homem sai atrás de mulher para esclarecer: “Nós somos apenas amigos. Nós somos apenas amigos!”.

Na Coluna Esplanada - LEANDRO MAZZINI

Tesourada histórica
A presidente do Iphan, Kátia Bogea, foi ao gabinete do senador Aécio Neves e detalhou a tesourada no orçamento do instituto. De um montante inicial de R$ 250 milhões, está prevista a liberação de apenas R$ 56,7 milhões.

Reduto
Aécio tem evitado críticas a Temer, mas tem cobrado discretamente o PAC das cidades históricas, ideia do governo Dilma, porque ele tem compromisso com redutos eleitorais.

Cora Coralina - Conclusões de Aninha







Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar 
novo rancho e comprar suas pobrezinhas. 



O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, 
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?



Donde se infere que o homem ajuda sem participar 
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra

Phill Veras está na lista dos 'machistas' da Medium



O cantor e compositor maranhense Phill Veras está na lista da plataforma Medium com denúncias de atitude machistas. A lista se apoiou em prints e relatos colhidos pela plataforma.
    
    De acordo com o ranking, Phill Veras deveria ser evitado, assim como outros artistas que tiveram atitudes semelhantes vinculadas a seus nomes.  As composições de artista maranhense quie já participou do Rock in Rio tratam de temas românticos.

    Segundo a publicação, a lista se baseou  nas redes sociais, principalmente no twitter. São registros que dão conta de atitudes machistas praticadas pelos artistas na intimidades, geralmente envolvendo parceiras.

    Tem gente pouco conhecida do grande público e nomes das antigas como João Gordo, da banda brasileira de punk rock Ratos de Porão.

    Entre as celebridades do momento está na lista o rapper Criolo. Ídolo de dez em cada dez antenados com o novo tempo, Criolo é acusado de misógino por uma ex-namorada. Ela afirma que ele assume em público uma persona muito distante do que é na intimidade.

    
    Um print colocou Veras entre os machistas repugnantes da lista a partir do depoimento de uma ex-namorada do artista que acusa veladamente de agressor.

Quilombo Damásio comemora 48 anos de resistência


    A comunidade quilombola de Damásio, no município de Guimarães, na baixada maranhense, encerra as festividades de 40 anos  neste domingo, 20. No município existem mais de 20 comunidades em situação de semelhança.

    O Maranhão figura entre os estados brasileiros com o maior número de comunidades remanescentes de quilombos reconhecidas. Porém, poucas são as possuem título das terra em conformidade com o Art. 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição de 1988. 

    Um Ação Direta de Inconstitucionalidade, proposto pelo DEM, tramita no Supremo Tribunal Federal para anular o ADCT regulamentada no governo do presidente Lula sobre titulação de terras quilombolas. Até novembro de 2016, apenas 9,7% das terras quilombolas no país receberam título de posse, segundo levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Rurais Quilombola, Conaq.

    A falta de titulação da terra no Maranhão ainda gera conflitos. O assassinato de Raimundo Silva (Umbico), 57 anos, em abril de 2017 no povoado Charco, em São Vicente de Férrer, aparece na estatística em crescimento dos crimes contra moradores de comunidades remanescentes de quilombolas no país. O motivo do assassinato seria "a demora na conclusão do processo de regularização fundiária do território", na interpretação do Governo do Maranhão. Muitas das terras em conflitos tem envolvimento de políticos com mandato ou que exerceram tal representação.

    Damásio se destaca pela preservação cultura. Um modelo educacional implatado no início deste século, tendo como base curricular a implantação da história e  cultura afro-brasileira", contribuiu para sedimentar raízes. O projeto está no livro "Falando em quilombo: a implantação da Lei 10.639 na sala de aula", de Ana Stela de Cunha, de 2005.
    
Na tela
O documentário "A Grande Cena Quilombola", dirigido pela antropóloga Ana Stela Cunha e pelo cineasta e fotógrafo Rodrigo Sena, registra as relações da comida e extração de produtos da natureza dos moradores de Damásio. Selecionado na 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental de São Paulo, o trabalho foi exibido no Festival Cineantrop, em Portugal.

Damásio em imagens:




Na Coluna do Estadão